Como as empresas podem exercer sua Responsabilidade Social para além do Diversity Washing

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Nina Silva, CEO do Movimento Black Money.

Muito além de se posicionar nas redes sociais ou fazer publicidades incluindo mais diversidade, as marcas têm um papel fundamental no combate ao racismo, apoiando a luta antirracista a se disseminar entre todas as camadas da sociedade e colaborando para criar um mundo mais justo e igualitário. Contratar, desenvolver e promover pessoas pretas, criar um ambiente de trabalho inclusivo, atender às necessidades específicas de clientes negros sem discriminação, entre outras ações, deveriam fazer parte da essência de cada empresa – que historicamente foram ampliadoras desse fosso de desigualdades e têm obrigação de atuar para reverter essa situação.

Aportes financeiros são essenciais, mas dar visibilidade, respaldo e incentivo a ações afirmativas de maneira contundente e engajada também é obrigatório por parte das empresas, juntando suas forças e estruturas a grupos que desde sempre lutaram contra o racismo e pela mudança da realidade da comunidade negra. Enxergar as oportunidades e investir na pauta negra deveria fazer parte de um posicionamento embutido nos pilares das empresas, expandindo ações para além do ambiente corporativo e movimentando a cadeia produtiva – como, por exemplo, incluindo e priorizando empresas de empreendedores da população preta entre seus fornecedores.

O Movimento Black Money desde seu início trabalha para criar suas próprias soluções, arraigadas no que deveria ser uma constante em qualquer que seja a esfera – com diversas frentes que promovem o empreendedorismo negro na era digital, e a transformação desse ecossistema, sempre reforçando o próprio conceito de black money e a necessidade de incentivar o networking e a manutenção do dinheiro produzido por essa comunidade dentro dela. Com parcerias com empresas, ampliam-se as possibilidades de disseminar espaços de poder e de fala, de dar visibilidade e compartilhar conhecimento, experiência e oportunidades – usando as desigualdades para gerar oportunidades para uma comunidade que sempre foi discriminada e agora está no centro do debate e das discussões.

Em conjunto com Credicard, o MBM lançou recentemente um cartão de crédito que terá parte de seu lucro e custos de emissão voltados para apoiar o movimento nos projetos que já são desenvolvidos em prol da comunidade negra, além de fomentar outros tantos, com destaque para as áreas de educação e empreendedorismo. Em um movimento especialmente desenhado para a parceria, Credicard tem adotado um olhar mais flexível em relação à concessão de crédito, reavaliando as propostas preenchidas para o cartão com o MBM em uma tentativa de furar a barreira dos modelos de crédito atuais.

Além disso, a parceria com a marca – que tem um posicionamento de democratizar o acesso ao crédito – visa desencadear uma onda de informação e fortalecimento para evidenciar o trabalho do MBM para novos públicos. A questão racial é uma responsabilidade de todos, e é preciso que pessoas e empresas deixem sua posição usual de auxílio e atuem e se posicionem como agentes transformadores. Um movimento para que os holofotes se voltem para o empreendedorismo negro, estimulando o apoio para além da comunidade. Atrair novos mercados e expandir a visibilidade no apoio à causa antirracista permite que a adesão ao cartão e o consumo dos produtos desse mercado empreendedor seja uma importante ferramenta de transformação, tirando a comunidade negra da posição de vulnerabilidade para assumir o lugar de destaque.

Para saber mais sobre as iniciativas do MBM – o Hub de inovação da comunidade Negra – fique atento às redes sociais do movimento.

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