Carnaval sempre foi sobre ‘macumba’

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Carnaval sempre foi sobre ‘macumba’
Foto: Vítor Melo

No Rio de Janeiro, das doze escolas que desfilaram no Grupo Especial nos dias 22 e 23 de abril, oito sambas-enredo foram sobre as religiões de matriz-africana.

A Acadêmicos do Grande Rio, da Baixada Fluminense, tem se mostrado a favorita entre os internautas e tem a chance de levar título inédito no carnaval carioca.

O enredo “Fala, Majeté! As sete chaves de Exu”, emocionou o povo negro e do terreiro, com uma presença impecável, canto forte e muita fé envolvida, com a proposta de desmistificar a figura demonizada de Exu, associada pelos cristãos.

Entretanto, as homanagens feitas as divindades de matriz africana foram criticadas por muitos preconceituosos.

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A origem do Carnaval

Em entrevista ao Mundo Negro, a diretoria da página ‘Samba Abstrato’ explica como surgiu o Carnaval e a sua relação a população negra.

“Se a gente voltar lá pro Egito, pro Kemet, os pretos já faziam uma festa anual pra celebrar as cheias do rio Nilo, pra Deusa Ísis, para celebrar a fartura, a natureza. Eles enfeitavam os barcos, criavam canções. A sabedoria de fazer essa festa, ela já é nossa há milênios e já foi embranquecida, quando na Roma Antiga, os europeus, passam a praticar essas festas como festas pagãs. Muitas pessoas vão dizer que o Carnaval é de origem europeia, quando na verdade ele é de origem africana”, explicam.

“Eu cresci numa escola de samba e que era uma coisa de preto. Onde elas estavam há 20 anos? Conforme foi melhorando o poder aquisitivo da escola, foi atraindo essas pessoas e tudo bem porque as culturas pretas são culturas de aproximação e de coparticipação mas a gente sabe que a branquitude não sabem participar, eles tomam pra eles”, explica um dos membros, com três gerações de família em uma escola de samba de São Paulo e Mestre em Linguística.

Esse momento marcante foi muito bem visto pelos religiosos. O professor Luiz Rufino, publicou um poema sobre o que é Exu e o papel importante da Grande Rio. Em um trecho ele cita que a escola “assumiu Exu como o texto seminal que nos possibilita outras rotas de vida, alegria e liberdade sacudindo o quebranto do esquecimento imposto por um modelo de mundo que se quer único”.

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“Exu é uma divindade complexa, é energia circular e infinita, movimento, luta, insubmissão, mudança, que se transforma em incontáveis entidades e que tem muito a ver com a nossa ancestralidade. Mas que é visto com restrição por muita gente. O enredo deste ano, como dos anteriores, visa a desconstruir essa imagem estereotipada, o racismo religioso, a intolerância e a demonização de religiões como o candomblé, a umbanda e as macumbas. Por isso, as sete chaves, para abrir o conhecimento sobre Exu”, disse o carnavalesco Gabriel Haddad ao G1.

Emocionado, o cantor Carlinhos Brown, um dos compositores da escola Mocidade Independente, em entrevista a TV Globo, disse que os enredos deste ano foram escritos pelos orixás. “Desde (os anos) 80, eu nunca vi nada tão sincronizado”.

O enredo escrito pelo Carlinhos Brown, “Batuque ao Caçador”, foi uma homenagem a Oxóssi, orixá regente da Mocidade. A escola teve problemas técnicos, que atrapalhou a evolução da apresentação, e ainda sim teve um desfile impactante e com belas fantasias.

O significado originário de macumba é o nome de um instrumento de percussão africano e o samba surgiu dos batuques feitos pelos africanos escravizados no Brasil. Sendo assim, o carnaval sempre foi ‘da macumba’, já que assim continuam a chamar erroneamente, demonizando as religiões afros.

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