Autodeclaração racial de políticos mostra a conveniência de se ‘tornar negro’ no período eleitoral

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Autodeclaração racial de políticos mostra a conveniência de se ‘tornar negro’ no período eleitoral
Foto: Reprodução/Facebook

Autodeclaração racial como pardos de ACM Neto e Ana Coelho mostra como políticos aproveitam causas sociais para beneficiar suas candidaturas

A notícia sobre o registro da autodeclaração do então candidato ao Governo do Estado da Bahia, ACM Neto e sua vice, Ana Coelho, como pardos no Tribunal Superior Eleitoral está chamando a atenção pelo contexto dos acontecimentos. Estamos no ano em que passam a valer mudanças na distribuição de recursos do Fundo Eleitoral, beneficiando candidaturas de mulheres e negros. Em 2021, a Câmara dos Deputados aprovou a reforma eleitoral através da Emenda Constitucional nº 111, que entre outras coisas, estabeleceu que “os votos dados a candidatas mulheres ou a candidatos negros para a Câmara dos Deputados nas eleições realizadas de 2022 a 2030 serão contados em dobro”.

E se levarmos em consideração o fato de que para o Estatuto da Igualdade Racial e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística a população negra é formada pelo grupo de autodeclarados pretos e pardos no país, logo vemos que a conta não fecha quando esses candidatos dizem pertencer a um grupo historicamente prejudicado por políticas excludentes, assim como, os tais candidatos, Ana Coelho e ACM Neto não são os únicos, nunca voltaram suas atenções às políticas antirracistas e demandas do povo negro.

Na semana em que a campanha eleitoral de 2022 começou oficialmente, também recebemos a notícia de que 49,3% de candidaturas registradas são de pessoas negras. Mas pelos registros no TSE e olhando a trajetória de alguns políticos que só agora reivindicam a negritude, vemos que a conveniência de “ser negro” nessas eleições é o que está estimulando pessoas não negras a autodeclaração racial. Um caminho desastroso para algo que poderia trazer mudanças positivas no cenário eleitoral que costuma ser sempre branco.

Nas redes sociais, o assunto está repercutindo entre outros políticos e intelectuais, que logo apontaram a conveniência de se autodeclarar preto ou pardo durante o período eleitoral:

O advogado, Joel Costa pontuou a importância de ficar de olho no aumento de candidaturas negras no Brasil.

Thiago Amparo lembrou que pardo está dentro da categoria negros de acordo com o IBGE.

O episódio aumenta ainda mais as desconfianças sobre o aumento no número de registros de candidaturas negras:

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