Além da recente perda de um filho, Eliane agora lida com o trauma da violência racista

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Além da recente perda de um filho, Eliane agora lida com o trauma da violência racista
Foto: Reprodução/TV Globo

Na última sexta-feira (1º de abril), viralizou o vídeo da cozinheira Eliane Aparecida de Paula, 42, sendo agredida verbalmente e fisicamente em um condomínio na rua Oscar Freire, bairro nobre de São Paulo, onde trabalhava há seis anos.

Em outubro do ano passado, enquanto ela aguardava um carro de aplicativo, no vídeo, é possível ver o momento em que a moradora do prédio Patrícia Brito Debatin, se aproxima para insultá-la, a chamando de “negra esquisita”, e em seguida a empurrou, deu joelhadas e socos.

Em entrevista a Universa, Eliane contou o que sentiu no momento que iniciou as ofensas, ao tentar conversar com a agressora. 

“Quando decidi falar com ela, eu não tinha esse sentimento de dizer ‘chega’, eu queria dizer que eu não poderia passar por aquilo. Perdi meu filho recentemente e só queria evitar mais aquela dor. Eu não tinha condições.” 

A cozinheira perdeu o filho de 22 anos há menos de dois anos. O jovem estava em uma moto quando um motorista, com sinais de embriaguez, atingiu o veículo do rapaz. 

“Após a morte dele, tentei voltar a me reconstruir. Todos os dias, eu acordo pelos meus outros dois filhos. Tenho um propósito de vida, todos os dias juntar forças para estar de pé, junto muitas energias para fazer os pratos que faço com amor. Então, eu não tinha condições para lidar com mais aquilo.” 

Agora, Eliane tenta superar outro trauma e diz que só entra nos prédios onde trabalha acompanhada pelos clientes e evita ficar sozinha nos prédios. 

O advogado Theodoro Balducci entrou com uma representação criminal, na última quinta-feira (31), por lesão corporal. A pena pode variar de três meses a um ano de detenção, e de injúria racial, com previsão de um a três anos de reclusão, além da possibilidade de buscar uma reparação civil por dano moral.

Eliane está otimista com o processo. “Espero que o Judiciário faça um trabalho bem feito para que a sociedade seja educada. Palavras não convencem, mas exemplos, sim. Que o judiciário venha dar exemplo, independentemente do posicionamento financeiro das pessoas envolvidas. Quero receber um tratamento igual e digno.”

Informações: Universa UOL

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