Afronto: Projeto de escola pública e artista visual questionam etnocentrismo na arte.

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"Anjos (Detalhe da Obra A Madona Sistina)" (1512-13) de Raphael Sanzio - Modelos: Hugo Nathanael Teixeira dos Santos Nathan Rubens Teixeira dos Santos

A arte sempre foi, e sempre será uma das principais maneiras de expressão cultural. Entretanto, essa cultura só costuma ser valorizada quando é europeia. Apesar de desde os primórdios da humanidade a arte visual ter sido usada para ”ilustrar” a sociedade, ao longo dos anos ela não foi tão bem em retratar todas as realidades. O assunto já foi retratado algumas vezes como no clipe de Apeshit, de Beyoncé e Jay-Z.

Pensando nisso, a Escola Estadual de Período Integral Professora Cecília Pereira, de Campinas, juntamente com o artista visual Sérgio Campelo idealizaram a exposição Afronto. Bebendo da fonte do movimento afrofuturista, e por meio da fotografia e da pintura, o projeto apresenta uma série de releituras de obras de artes clássicas, adaptadas para a realidade dos alunos da escola. Onde os traços finos, cabelos lisos e olhos claros, se tornaram lábios grossos, cabelos crespos e olhos escuros.


E foram os próprios estudantes quem escolheram quais quadros gostariam de representar, enquanto refletiam sobre assuntos sérios como direitos e deveres como cidadãos e valorização pessoal. ”Foi e está sendo muito gratificante todo o processo, e ver a alegria dos alunos”, declarou Campelo. Já Paula, professora que leciona na Escola Cecília Pereira, disse ”Eu me emocionei muito de ver os quadros, de ver os alunos, a família deles orgulhosa”

O projeto tem como objetivo combater o racismo e influenciar o pensamento crítico dos alunos dentro e fora da escola. Além dessas atividades também será realizada uma roda de conversa online, no dia da consciência negra, próximo dia 20.

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