Afroconsumo: Comunidade negra pagaria até 20% a mais por um produto com representatividade

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Quem não escuta a comunidade negra, está perdendo dinheiro. R$ 1,7 trilhão é a quantia que afro-brasileiros movimentaram em 2017, de acordo com o Instituto Locomotiva.

As empresas querem nosso dinheiro, mas cada vez mais a comunidade negra tem abraçado marcas que nos apoiam e boicotado quem apresenta campanhas preconceituosas, racistas ou que não apresentar modelos negros em seu material de divulgação.

Feira Preta em parceria Instituto Locomotiva e Itau Unibanco divulgou uma pesquisa que fala das tendências de consumo da comunidade negra, ouvindo consumidores e empreendedores afro-brasileiros. 

Intitulado “A Voz e a Vez: Diversidade no Mercado de Consumo e Empreendedorismo” o estudo mostra dados inéditos obtidos por meio de entrevistas com 661 consumidores negros e 255 empreendedores negros, todos participantes da Rede Feira Preta

“Queremos chamar a atenção para o potencial da população negra como empreendedora e consumidora no país. A pesquisa traz um olhar sobre a participação dos negros na economia e mostra as oportunidades para marcas e empresas que ainda podem ser exploradas”, comenta Adriana Barbosa, presidente da Feira Preta.

Se não me vejo, não compro

De acordo com a pesquisa, 98% dos consumidores dão preferência a produtos e serviços que incorporem a temática negra e 95% disseram que boicotariam uma empresa que veiculasse alguma propaganda que fosse considerada preconceituosa. Quase metade dos entrevistados afirmou que estaria disposto a pagar um adicional igual ou maior que 20% por um produto que valorizasse elementos da cultura afro.

Do lado do empreendedorismo, 94% dos empreendedores afirmam que as pessoas negras sofrem preconceito ao empreender no Brasil e 70% dizem que priorizam a contratação de funcionários negros. Dificuldade de divulgação e falta de acesso a crédito foram os principais entraves apontados pelos entrevistados.

Outros dados da pesquisa:

– O Empoderamento Étnico Racial é o assunto de maior interesse dos consumidores (86%), seguido por arte/cultura (80%), educação/cursos (77%) e música (71%);

– 91% dos consumidores negros na rede Feira Preta já compraram produtos segmentados para o público negro;

– 87% dizem que dão preferência a produtos oferecidos por empreendedores negros;

– 79% estão dispostos a pagar mais por esses produtos e serviços;

– 9 em cada 10 consumidores deixariam de frequentar estabelecimentos comerciais se soubessem de casos de racismo cometidos por funcionários desses locais;

– 8 em cada 10 consumidores procuram saber se as empresas valorizam a diversidade;

– 80% dos empreendedores concordam que conseguir crédito é mais difícil para empreendedores negros do que para brancos;

– 57% dos empreendedores se sentem constrangidos quando precisam ir ao banco recorrer a serviços financeiros para a sua empresa.

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