Temos que descolonizar as mentes e isso deveria acontecer na escola, no entanto, as escolas são uma fábrica de racismo. Os negros, pobres e indígenas são invisíveis. (Diva Guimarães)
Diversas escolas iniciam as aulas esta semana. Para muitos alunos, é um momento de alegria, reencontro com os amigos e paqueras, curiosos em saber quem são os novos professores, quais alunos estarão na turma e mais uma gama de questões. Para alguns pais, principalmente os que moram em áreas com graves índices de criminalidade, o retorno às aulas representa uma menor preocupação. Nas ruas, a chance é enorme de perderem os filhos para o crime. Outros pais ficam aliviados, pois a merenda da escola alivia a fome das crianças. Todos nós sabemos que as condições de vida de muitas famílias brasileiras são precárias.
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No meio disso tudo, encontramos um grupo de alunos negros que trazem questões delicadas. Alunos que gostariam que as férias nunca acabassem. O desânimo e a repulsa advêm do racismo presente no espaço escolar. Eles não sentem acolhimento. Os professores e alunos têm atitudes racistas sem que sejam punidos. A minha geração passou por essa situação, as gerações anteriores e as posteriores. A verdade é que o racismo está na raiz da instituição escolar. Machuca a alma dos alunos negros, afeta negativamente no desempenho dos estudos e marca profundamente a personalidade.
Lembremos que a Lei 10.639/2003, acerca do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, ainda não tem sido colocada em prática por todas as escolas; com isso, os alunos negros continuam desconhecendo a história dos seus ancestrais.
No final do ano passado, perguntei ao meu sobrinho, que está no último ano do Ensino Médio: ‘Quando você pensa na África, o que vem à sua mente?’ — pessoas passando fome. ‘Onde fica o Egito?’ — na Europa. ‘Este ano, os professores falaram sobre o dia 20 de novembro?’ — não.
Confesso que na hora me bateu um desespero com o que ouvi. Eu acredito que a escola é um instrumento fundamental para a construção de uma sociedade fraterna, no entanto, para acontecer, demanda de uma revolução nas suas bases. A escola que hoje conhecemos só está servindo ao racismo e outras formas de opressão. Formando pessoas sem criticidade, alienadas e defensoras de todas as ideologias mais abjetas da história humana. Tão verdade que no Brasil, políticos simpatizantes de torturadores têm sido eleitos no âmbito municipal, estadual e federal.
Eu não acredito que haverá mudanças, a educação é uma engrenagem racista. Devemos cobrar os governos porque é nosso direito e pagamos impostos. Eles nos devem. Só não podemos ficar de braços cruzados esperando que isso aconteça. Eduquemos as nossas crianças, mostremos a nossa história, fortaleça a autoestima. Construamos uma geração que irá revolucionar.
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