Vida dos jovens negros estará em risco durante as olímpiadas

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Cinco tiros vindo dos fuzis de soldados da Força de Pacificação da Maré, atingiram a perna do então estoquista Vitor Santiago, dentro do seu carro. Ele e seus amigos se  dirigiam rumo à comunidade Salsa e Merengue, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Todos desarmados. Ele sobreviveu, mas vive acamado aos cuidados da mãe, sem nenhuma assistência do Estado, desde quando o “incidente” aconteceu, em fevereiro de 2015.

Santiago é amigo de Bruno Rico, estudante de publicidade e ativista carioca que tenta mobilizar a comunidade negra para atos contra a violência policial. “São esses homens, os que fizeram isso como Vitor, que estarão na rua e cuidarão da segurança da Olimpíada”, alerta.  O evento esportivo acontece na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 5 a 21 de agosto.

Vitor Santiago: vítima da violência policia ( Foto: Anistia Internacional)
Vitor Santiago: vítima da violência policia ( Foto: Anistia Internacional)

A última pesquisa feita pela Anistia Internacional em 2012, mostra que dos 56 mil homicídios realizados no Brasil, 77% das vítimas era jovens, homens, negros e pobres. Em 2015 dados da ONG apontam que a cada cinco homicídios, um foi causado por policiais. Não é exagero dizer que há um extermínio da população negra periférica feitas com armas do Estado.

“Temos que parar de falar que a polícia teve uma ação desastrosa, que sempre se confunde com alguma coisa. Eles são treinados para isso. Se você olhar a cartilha da polícia, os suspeitos são negros“ argumenta Rico. Ele teme pela integridade da população negra do Rio de Janeiro durante a temporada olímpica da cidade. “Acho que vai faltar tapete para jogar tanta poeira embaixo, no caso essa poeira se converte em corpo pretos e favelados. Essa sujeira social que  a burguesia e a elite veem, é a favela, o preto, o morador de rua. A favela polui o cartão postal da cidade e tem que ser camuflada por um tapete sujo de sangue”, reflete o ativista.

“A violência não faz parte desse jogo”

“A impunidade dos casos de violência por parte do Estado no passado, alimenta ideia que isso é aceito e por isso a polícia continua matando”. Esse é o ponto de vista apresentado por Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional, durante uma entrevista ao canal Futura.  Para ela, há uma falta de medidas estruturais de combate a violência policial, bem como a ausência de justiça nos casos que já aconteceram.

A Anistia Internacional está com uma campanha específica de combate a violência policial e violação dos direitos humanos durante as Olimpíadas, focando a comunidade negra da periferia.Eles querem evitar os mesmos erros que provocaram aumento no número de homicídios desde a Copa do Mundo de 2014.

A ONG está colhendo assinaturas para uma petição que exige das autoridades uma postura mais responsável sobre as violações de direitos humanos cometidos por policias.

 

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