“Tudo o que eu preciso nessa casa”: Dois Canalhas estreia trazendo o frescor que a cena musical mineira precisa

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“Tudo o que eu preciso nessa casa”: Dois Canalhas estreia trazendo o frescor que a cena musical mineira precisa
Foto: Alexandre Stehling

O mercado da música urbana contemporânea, muitas vezes refém de lançamentos efêmeros e fórmulas desenhadas para engajamento instantâneo, ganha um respiro de extrema sofisticação e audácia conceitual. 

O duo belo-horizontino Dois Canalhas, formado por Brandu e Kairee, acaba de estrear com o single e videoclipe “Tudo o que eu preciso nessa casa”. Lançado sob o selo CRIA.co, incubadora do Grupo A Macaco, o projeto não se limita a entregar apenas uma canção: ele inaugura um universo narrativo ambicioso que promete redefinir os moldes do R&B e do Rap nacional através de uma estrutura cinematográfica.

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Logo no primeiro contato com o clipe, fica evidente que o Dois Canalhas não está interessado em seguir o óbvio. Em vez de uma sucessão de singles soltos, a dupla estruturou seu trabalho de estreia sob uma lógica de “série”, onde cada faixa funciona como um capítulo interconectado, pavimentando o caminho para o EP “Dois Canalhas em Ação”, previsto para agosto. Segundo Brandu, essa escolha nasceu do desejo de liberdade criativa e de resgatar o hábito de consumir narrativas completas: “A gente sempre gostou de trabalhar um conceito maior. Lançar single também é importante pra fazer conexões com outros artistas, pros feats, pra ver se a química rola. Mas quando é um trabalho que dá pra pensar com mais calma, a gente prefere EP ou álbum, porque ali dá pra desenvolver uma ideia maior, contar uma história, ter um enredo, coisa que no single nem sempre cabe”.

Visual e sonoramente, a obra é uma celebração afrofuturista e nostálgica. É impossível assistir ao clipe e não se lembrar das sitcoms icônicas dos anos 2000, como Um Maluco no Pedaço, resgatando a leveza, o figurino marcante e o humor característicos dessas produções pretas que moldaram o comportamento de uma geração. 

Contudo, o Dois Canalhas evita a armadilha da mera cópia do passado. Existe uma fusão muito interessante entre o antigo e o contemporâneo, o passado e o presente. O instrumental traz um groove refinado dos anos 90, calcado em uma pesquisa minuciosa de timbres que dialoga com o hip-hop, o boom bap, o canto gospel e o R&B clássico. Como aponta Kairee, o diferencial está em aplicar autenticidade a esses cenários: “Acredito que o diferencial pra cena é trazer autenticidade e sair do mesmo: explorar e misturar referências de forma divertida. São realmente os “Dois Canalhas” explorando sua musicalidade em vários estilos, sem preconceito, e chamando outros artistas pra somar e explorar infinitos cenários”.

Essa sinergia se reflete perfeitamente na dinâmica de estúdio da dupla. Brandu, já reconhecido por sua excelência técnica na cena de Belo Horizonte, assina a produção e os arranjos (com mix e master de Gabriel Henriques), mas assume um inédito e potente protagonismo vocal ao lado da caneta afiada e interpretação marcante de Kairee. O processo criativo fluiu de forma orgânica e horizontal, distanciando-se da figura do mero “beatmaker” para alcançar uma produção musical de fato. Eles criaram melodias e refrões juntos, costurando as batidas de Brandu com as linhas vocais e rimas de Kairee em uma identificação mútua e natural.

Outro ponto alto do lançamento é a precisão afetiva e a territorialidade. O duo trouxe para o single a participação da cantora e prima de Brandu, Cibely (Ciih), natural de Ponte Nova, cidade que também é berço do produtor. A presença dela adiciona uma camada de calor e sofisticação vocal que eleva a faixa a um patamar global e pop, apto a dialogar com qualquer canto do Brasil e do mundo. Isso sem falar do visual icônico, com beleza e estilo muito bem assinados. 

Embora o som de estreia mire em uma linguagem universal do R&B e da black music, a essência mineira está impregnada na postura artística do projeto. Kairee sintetiza com propriedade o orgulho dessa identidade: “O Dois Canalhas é isso: dois jovens músicos negros de Minas, explorando diversos cenários da black music e da diáspora de forma popular, da forma mais bonita que a gente enxerga no mundo”. Brandu ainda antecipa que a profunda pesquisa sobre a música mineira e seus ritmos tradicionais já está acontecendo nos bastidores com parceiros especializados, mas avisa que isso será revelado aos poucos nos próximos episódios.

“Tudo o que eu preciso nessa casa” é uma estreia e um cartão de visitas de alto nível pra uma dupla de artistas da nova cena. O Dois Canalhas mostra que é possível fazer música urbana com apelo popular sem abrir mão da complexidade artística, do resgate histórico e do respeito às suas origens. Quem aprecia a cultura preta em sua máxima potência estética e musical precisa, obrigatoriamente, acompanhar e degustar com atenção, os próximos capítulos dessa série. O single já está disponível em todas as plataformas digitais e o clipe no Youtube. 

Título: Tudo o que eu preciso nessa casa

Projeto : Dois Canalhas

Intérpretes: Brandu, Kairee feat. Ciih (Cibely Lima)

Gênero: R&B / Soul / Rap

Produção musical: Brandu

Músicos: Brandu, Nathan Morais (baixo)

Estúdio: Casa 12

Engenharia de voz: Brandu

Mix & Master: Gabriel Henriques (Gabs)

Direção audiovisual: Alexandre Stehling (direção, montagem e cor)

Direção de fotografia: Pedro Milagres

Ass. direção: André Greco

Direção geral: Carol de Amar

Coordenação: Áurea Amorim

Produção artística: Catarina Capelossi

Comunicação: Caê Aiman

Identidade visual: Pepo Charnizon

Assessoria de imprensa e realização: CRIA.co

Distribuição: Symphonic

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