A professora, autora e executiva de tecnologia Grazi Mendes foi uma das convidadas para participar do Island of Knowledge – Questione a Realidade, experiência realizada na Toscana, Itália, e idealizada pelo físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser.
A iniciativa reúne pessoas de diferentes áreas para refletir sobre ciência, filosofia, arte, espiritualidade e os desafios que atravessam o presente e o futuro. Em relato compartilhado nas redes sociais, Grazi descreveu a vivência como uma experiência que ainda está sendo elaborada e que provocou reflexões profundas sobre conhecimento, liderança e existência.
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“Vai demorar um tempo para eu elaborar tudo o que aconteceu na Toscana e aqui dentro do peito”, escreveu.
Liderar exige reaprender a fazer perguntas
Entre os principais aprendizados da experiência, Grazi destaca uma mudança de perspectiva sobre liderança.
Segundo ela, um dos convites feitos ao longo da imersão foi olhar para o universo não como algo que pode ser controlado, mas como um espaço de mistério, descoberta e questionamento.
Em entrevista ao Mundo Negro, a executiva afirmou que esse olhar dialoga diretamente com desafios contemporâneos como a crise climática, o avanço da inteligência artificial, as desigualdades e o esgotamento de modelos tradicionais.
“Diante da crise climática, da inteligência artificial, das desigualdades e do esgotamento dos modelos antigos, o líder não pode ser apenas alguém que entrega respostas rápidas. Precisa ser alguém capaz de questionar a realidade com coragem, humildade e imaginação radical”, afirma.
A vida no centro das decisões
Outro aspecto que marcou a experiência foi a reflexão sobre a centralidade da vida nas decisões humanas.
Ao observar as discussões sobre o cosmos, a raridade da existência e a fragilidade da Terra, Grazi passou a refletir sobre responsabilidade, impacto coletivo e futuro.
Para ela, liderança não pode ser reduzida a desempenho, produtividade ou crescimento. Cada decisão produz efeitos concretos sobre pessoas, territórios e gerações.
“O universo nos coloca em perspectiva: somos pequenos, mas não somos irrelevantes. Justamente por isso, responsabilidade é inegociável”, destaca.
Um sonho da infância revisitado
Em conversa com o Mundo Negro, Grazi relatou que a experiência teve um significado pessoal para ela.
Apaixonada por física desde criança, ela relembra que estudou em escola pública e nem sempre teve acesso a professores especializados na área. O interesse pela ciência surgiu cedo, mas encontrou limitações estruturais que marcaram sua trajetória educacional.
Por isso, participar de uma imersão conduzida por um dos cientistas brasileiros mais reconhecidos internacionalmente despertou memórias de uma antiga curiosidade.
“Tem uma parte minha dessa menina da quinta série que queria ter aula com um professor de física”, conta.
A experiência também a levou a refletir sobre acesso ao conhecimento e oportunidades educacionais. Para Grazi, o encantamento produzido pela ciência pode ampliar a forma como crianças e jovens compreendem a vida, o planeta e seu lugar no mundo.
Tecnologia, consciência e futuro
As discussões da vivência também reforçaram uma preocupação presente em sua atuação profissional: a relação entre tecnologia e humanidade.
Segundo ela, o futuro não pode ser pensado apenas a partir da capacidade técnica de criar novas ferramentas. É necessário discutir quais valores devem acompanhar essas transformações.
“A grande pergunta deixa de ser só o que seremos capazes de criar, mas que tipo de humanidade queremos preservar enquanto criamos”, afirma.
Convite para retornar em 2027
A participação de Grazi no Island of Knowledge terá continuidade.
Após a experiência na Toscana, ela foi convidada a retornar à Itália em março de 2027 para integrar um grupo formado por dez pensadores que debaterá o tema “Futuros”.
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