Tomi Adeyemi revelou que bloqueou a atriz Amandla Stenberg e não assistirá à adaptação de Filhos de Sangue e Osso, que estreia em janeiro de 2027.
A escritora nigeriano-americana Tomi Adeyemi usou o TikTok neste início de julho para explicar por que deixou de comentar publicamente a adaptação cinematográfica de Filhos de Sangue e Osso, primeiro romance da trilogia O Legado de Orïsha. Em uma sequência de mensagens compartilhadas com os fãs, ela confirmou que bloqueou o contato da atriz Amandla Stenberg, responsável por viver a Princesa Amari no longa-metragem, e afirmou que não assistiu e não pretende assistir ao filme, mesmo tendo assinado o roteiro ao lado da diretora Gina Prince-Bythewood.
Notícias Relacionadas



As capturas de tela publicadas por Adeyemi mostram uma mensagem enviada à atriz que diz “não use meu nome em nenhuma entrevista ou vídeo novamente, não me mande mensagem, não me ligue”. A imagem indica ainda que a autora removeu Stenberg de seus contatos. Em outro trecho divulgado, Adeyemi escreveu que existe um motivo para seu silêncio sobre a adaptação e que, a partir de agora, quem quiser apoiar seu trabalho pode comprar qualquer edição da trilogia em livrarias independentes.
O desentendimento ganhou contornos públicos depois que Stenberg relatou, em entrevista anterior, uma conversa com Adeyemi sobre a criação da série. Segundo a atriz, a autora teria dito que o racismo sofrido por Stenberg quando criança, ao viver Rue em Jogos Vorazes, a inspirou a escrever uma história em que meninas negras de todos os tons pudessem se ver representadas. Stenberg contou que as duas choraram durante a conversa e que interpretou o momento como um sinal de que deveria integrar o elenco do filme.
Adeyemi respondeu à repercussão do relato afirmando, em comentários no próprio TikTok, que estava “depondo sua espada” após ter sido, segundo ela, atacada nos bastidores da produção. A autora reforçou que passou 14 anos tentando viabilizar a adaptação e que as decisões finais sobre o roteiro e a direção do filme nunca estiveram sob seu controle, apesar do crédito de roteirista e produtora executiva. Em uma das mensagens, ela escreveu que não vê o filme e não vai vê-lo, que tem sido doloroso esconder isso dos fãs e que sente muito caso alguém tenha pensado que ela não se importava, pois sempre vai se importar com o público que a acompanha, mais do que com qualquer aparato promocional.
Filhos de Sangue e Osso foi publicado em 2018 e se tornou um dos maiores lançamentos da literatura fantástica jovem adulta da década, com uma narrativa ambientada em um reino africano fictício inspirado em referências pré-coloniais da Nigéria e na mitologia iorubá. A trilogia é composta ainda por Filhos de Virtude e Vingança e Filhos de Aflição e Anarquia. O projeto de adaptação passou anos em desenvolvimento na Lucasfilm, que deteve os direitos após a fusão entre Disney e Fox, até deixá-los expirar em 2021. Na época, Adeyemi teve negado o pedido de assinar o roteiro. A Paramount Pictures assumiu o projeto na sequência e concedeu à autora os créditos de roteirista e produtora executiva que ela buscava.
O elenco da adaptação reúne Thuso Mbedu, Tosin Cole, Amandla Stenberg, Damson Idris, Cynthia Erivo, Lashana Lynch, Regina King, Idris Elba, Chiwetel Ejiofor e Viola Davis, sob direção de Gina Prince-Bythewood, responsável por A Mulher Rei. Stenberg ainda não se pronunciou publicamente sobre as mensagens divulgadas por Adeyemi.
A relação de Adeyemi com a produção nem sempre foi de distanciamento. Em entrevista à revista People em 2024, a autora chegou a comentar o trabalho ao lado de Prince-Bythewood em tom elogioso, dizendo se sentir mentorada apenas por observar a diretora conduzir o set. A mudança de postura, marcada pelo silêncio nas redes e pelo corte de contato com Stenberg, não veio acompanhada de detalhes sobre o que teria motivado o rompimento nos bastidores, e a autora evitou dar declarações além das mensagens já divulgadas.
A estreia de Filhos de Sangue e Osso nos cinemas está marcada para 15 de janeiro de 2027, data que coincide com o feriado de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos. Adeyemi afirmou que não se opõe a que o público assista ao filme e direcionou o apoio dos leitores para a compra dos livros originais em livrarias independentes.
Notícias Recentes


