“Sou grande demais para os espaços que querem ceder”, diz Bárbara Brito, que aos 27 anos já passou por mais de 30 países

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“Sou grande demais para os espaços que querem ceder”, diz Bárbara Brito, que aos 27 anos já passou por mais de 30 países
Foto: Gabriella Maria.

Quando a mulher preta descobre o seu poder, ela passa a ocupar vários espaços. A jovem Bárbara Brito, de 27 anos, é um desses casos. Na internacional rede de hotéis Selina, ela começou a trabalhar como assistente de direção regional há quatro anos. Hoje ocupa a Direção de Parcerias Globais da rede, atuando na concepção de projetos e gestão de parcerias, com experiência em países da Europa, África e Oriente Médio. Agora, ela acaba de ser convidada para dirigir o departamento de Produtos, onde será a responsável por aprovar todo e qualquer produto da empresa, padronizando o conceito da marca em todos os setores da empresa.

A rede internacional de hoteis onde Bárbata atua é uma mistura de hotel com espaço de coworking, lojas, restaurantes e espaços culturais, e busca atrair nômades digitais, pessoas que não têm um endereço fixo e preferem se deslocar constantemente, vivendo e trabalhando em qualquer lugar. Um conceito que se encaixa perfeitamente com a inquieta Bárbara.

Com este trabalho, Bárbara já circulou o mundo. Do Rio de Janeiro a Salvador. Da Europa à África. A geminiana já passou por mais de 30 países. Estudou Comunicação Social e Inglês na University College Dublin, na Irlanda; trabalhou em Londres, na Inglaterra; em Cabo Verde, mergulhou em sua ancestralidade e aprendeu crioulo; fixou residência em Portugal; viaja pelo mundo a trabalho e, no momento, está trabalhando remotamente no Rio de Janeiro, onde nasceu e foi criada.

Foto: Gabriella Maria.

Foco no social

Bárbara Brito não é uma aventureira. Ela sabe o que quer e carrega o empreendedorismo social consigo para onde quer que vá. Ela é a idealizadora e criadora do Mulheres de Luna, projeto que celebra o protagonismo feminino, mostrando ao mundo como as mulheres são importantes perante a sociedade, independentemente de raça, forma e crença. Sua missão é agregar e aceitar a pluralidade de cada uma, integrando todas as facetas e fases que todas as mulheres têm.

Seu foco principal é no investimento preto. “Investir nos meus, pra mim, traduz a urgência do enaltecimento da cultura preta, da cultura não reconhecida; visando a minimizar os estereótipos e a sombra do passado obscuro que nos persegue em vários setores, principalmente em relação às oportunidades no mercado de trabalho”, destaca Bárbara, que está cheia de projetos, ainda incipientes, com diferentes parceiros, como o diretor de cinema e teatro, roteirista, ator e escritor Rodrigo França – em um empreendimento gastronômico – e a escritora Thamires Hauch – a loja virtual Diosa, marca própria voltada para o público feminino empoderado de classe média/classe média alta, inicialmente só vestuário, por meio e-commerce.

A vocação de Bárbara Brito para trabalhos sociais vem de muito jovem. Ainda na adolescência, foi voluntária na ONG Teto Brasil, que atua há mais de 14 anos no país para garantir o direito à moradia nas favelas mais precárias e invisíveis da América Latina, por meio de programas sociais que geram soluções concretas de melhorias das condições de moradia. O mundo parece pequeno para Bárbara Brito. “Sou grande demais para os pequenos espaços que querem ceder”. Ela tem consciência de seu poder e, assim, traça seus projetos futuros para se consolidar como executiva no Brasil, empreendendo ao lado do povo preto, para a visibilidade e o empoderamento dele.  

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