
Cris Vianna vem vivendo o papel de sua personagem Maíra Nzinga em Arcanjo Renegado desde 2022, quando estreou na série na segunda temporada. Na trama, Maíra chega como vereadora e assume a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ela se torna uma figura importante na disputa política com Manuela Berenger, personagem de Rita Guedes.
Na quarta temporada de Arcanjo Renegado, Maíra decide lançar candidatura para o governo do Estado do Rio de Janeiro, onde enfrenta desafios e disputas de poder. A quinta temporada estreia em 12 de novembro com a primeira parte. A segunda chega no dia 19 de novembro no Globoplay.
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Descrita pela atriz como contraditória, ambiciosa e cheia de desafios, Maíra representa uma figura que nunca existiu na realidade, uma mulher negra em um cargo de liderança na Alerj. Para Cris, essa é uma possibilidade que é presenteada pela ficção: apresentar realidades que ainda não foi construídas.
“O fato de uma mulher preta nunca ter ocupado a presidência da Alerj mostra o quanto ainda precisamos avançar, e dar vida à Maíra é muito significativo por isso”, diz a atriz, em entrevista ao Mundo Negro. “Ela ocupa um espaço de poder, toma decisões e tem uma trajetória política própria. Para mim, é importante que personagens pretas possam existir na dramaturgia em toda a sua complexidade, sem que sua presença esteja limitada a uma história de sofrimento ou superação”.
Com mais de 20 anos de carreira na dramaturgia, Cris Vianna já interpretou papéis marcantes nas novelas e filmes. Muitos deles, característicos de uma época em que a mulher negra ocupava ínfimos lugares na sociedade brasileira. Cris já interpretou uma empregada doméstica em Duas Caras (2007), uma mãe dedicada e vendedora de empadas em Fina Estampa (2011), uma passista de escola de samba em Império (2014), entre outras personagens de novelas e filmes.
Há uma quebra de padrão na interpretação de Maíra em Arcanjo Renegado, disponível no catálogo da Globoplay. Cris ressalta que, por muito tempo, mulheres pretas tiveram possibilidades mas restritas na dramaturgia. “Muitas vezes, os papéis oferecidos estavam associados a lugares que a sociedade já esperava que ocupássemos. Isso não significa que essas personagens não tenham sua importância, mas precisamos ter diversidade de histórias e de experiências”, relata a atriz.
Hoje, ao interpretar Maíra, Cris ressalta a importância de ocupar esses lugares que quebram esses padrões: “Ela não está ali para representar uma mulher preta na política apenas, mas exercer esse papel, tomar decisões e conduzir sua própria história”.

Das novelas ao streaming
Embora a cultura das novelas esteja enraizada na rotina e imaginário dos brasileiros, as séries de streaming têm balançado o audiovisual e ganhado cada vez mais atenção do público.
As mudanças no formato significam uma ampliação das possibilidades de contar histórias para Cris Vianna. Ela diz que não vê esse fenômeno como uma mudança de chave no audiovisual brasileiro, mas que é uma somatória na possibilidade do público se encontrar com a verdade e evolução de cada personagem.
“A novela tem uma dinâmica muito própria, com uma rotina intensa e uma relação muito próxima com o público, que acompanha a história diariamente. Já as séries permitem outras possibilidades de construção narrativa, de desenvolvimento dos personagens e de aprofundamento de determinadas questões. Em Arcanjo Renegado, por exemplo, a Maíra tem uma trajetória política que se desenvolve ao longo das temporadas, e isso é muito interessante para o trabalho de composição”.
Para o ator, o principal fator é estar aberto às novas experiências e entender as particularidades de cada formato, além de acompanhar as transformações de um mercado que está sempre em movimento, segundo a atriz.
A dramaturgia como transformação social
As discussões atuais sobre representatividade são acompanhadas pela dramaturgia e histórias na TV. Para Cris, o audiovisual acompanha as transformações da sociedade e ajuda a provocá-las. “Isso é importante, porque durante muito tempo tivemos poucas perspectivas e experiências representadas nas telas. Precisamos de oportunidades, de profissionais diversos em todas as etapas da produção e de personagens que sejam construídos com profundidade”.
“Quero que a gente chegue a um momento em que a presença de mulheres pretas em posições de poder na ficção não seja vista como algo extraordinário, mas como parte da diversidade de histórias que podemos contar”.
Maíra é uma das materializações desse movimento de progresso e maior presença de pessoas negras em lugares de importância no audiovisual, para além dos estereótipos racistas. Além de sua presença marcante na série, ela se comunica diretamente com Cris: “A Maíra me faz refletir sobre poder, responsabilidade e sobre o que significa ocupar determinados espaços”, afirma.
Além da série, Cris Vianna integra o elenco principal de Avenida Brasil 2, continuação do clássico de João Emanuel Carneiro que estreia em janeiro de 2027.

