Professora branca universitária norte-americana confessa ter fingido ser negra

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Jessica Krug falando na Embaixada do Haiti em Washington, DC. Fotografia: Samira Rashid / Embaixada do Haiti

Jessica Krug publicou um texto na plataforma Medium em que assume ter ocultado sua verdadeira origem durante “boa parte de sua vida”. A ativista e professora universitária de estudos africanos e latino-americanos, escreveu diversos livros sobre diáspora africana e identidade. E segundo alunos, Jessica se apropriou da cultura africana até na sua forma de se vestir. 

Krug passou quase toda a sua carreira se referindo à si mesma como uma mulher negra do Bronx, quando na verdade é de Kansas e vem de família judia branca.

“Eu escondi meu passado como uma garota judia branca dos subúrbios de Kansas City para tirar proveito de várias identidades negras que eu não tinha o direito de reivindicar: primeiro como negra do Norte da África, depois afro-americana e, por fim, negra do Bronx, de origem caribenha”, confessou a professora.

Jessica Krug chamou a si mesma de “sanguessuga cultural” e disse que o que fez foi mais uma ” síntese da violência, roubo e apropriação, das inúmeras maneiras pelas quais os não negros continuam a usar e abusar das identidades e culturas negras”

A professora menciona muito sobre sua “ancestralidade” e em agradecimentos em um de seus livros escreveu: “Meus ancestrais, desconhecidos, sem nome, que sangraram vida em um futuro que eles não tinham razão para acreditar que poderiam ou deveriam existir. Meu irmão, o mais rápido, o mais inteligente, o mais charmoso de todos nós. Aqueles cujos nomes não posso dizer para sua própria segurança, seja no meu bairro, em Angola ou no Brasil.” Uma ancestralidade que segundo a confissão de Krug, foi inventada.

Na continuação de seu post no medium, Jessica menciona traumas da infância e problemas mentais, mas afirma que essas complicações de sua vida não podem ser usadas para justificar seu comportamento.

“Tenho pensado em acabar com essas mentiras muitas vezes ao longo dos anos, mas minha covardia sempre foi mais poderosa do que minha ética. Eu sei o certo do errado. Eu conheço história. Eu conheço poder. Eu sou uma covarde”, admitiu a professora

Embora assim como no Brasil, nos EUA as pessoas podem se declarar da origem étnica que se identifiquem, os debates em cima da apropriação cultural são bem recorrentes, e nos meios acadêmicos esse tipo de caso é extremamente repudiado. A universidade de George Washington já está ciente e investigando o caso, mas informaram que ainda não podem divulgar mais detalhes.

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