Bonecas da Preta Pretinha, jogos da Maloca Games, livros de Emicida e moda da Kuavi estão entre as dicas, além de festival de cultura negra no Sesc
O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, chega com uma oferta cada vez maior de presentes que representam crianças negras, boa parte deles criada por empreendedores negros que transformaram a falta de referências na própria infância em negócio. A seleção reúne bonecas, livros, jogos, roupas, cuidados com o cabelo crespo, instrumentos de percussão e um passeio cultural em São Paulo, com informações sobre onde encontrar cada indicação.
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O avanço do mercado ainda é recente, segundo o levantamento da campanha Cadê Nossa Boneca, que mostrou que as bonecas negras somavam 13,6% dos modelos dos fabricantes associados à Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) em 2023, contra 6% em 2016, em um país onde 55,5% da população se declara preta ou parda, de acordo com o Censo do IBGE.
Bonecas de pano feitas à mão desde 2000
A Preta Pretinha produz bonecas artesanais com tranças, dreads e black power, e o catálogo inclui ainda bonecas de diferentes etnias e com deficiência. A marca foi criada em 2000 pelas irmãs Joyce, Lúcia e Maria Cristina Venancio, inspiradas na avó, que costurava bonecas pretas para as netas numa época em que elas não encontravam brinquedos parecidos com elas nas lojas. A loja fica na Rua Aspicuelta, 474, na Vila Madalena, em São Paulo, e as irmãs também mantêm o Instituto Preta Pretinha, fundado em 2009 para levar oficinas e palestras sobre diversidade às escolas.
Jogos criados na Brasilândia
A Maloca Games desenvolve jogos de cartas e de tabuleiro afrocentrados, como o Favela Venceu, que valorizam a cultura negra e das periferias. A empresa foi fundada por jovens pretos e periféricos da Brasilândia, na zona norte de São Paulo, com investimento inicial levantado em parte por financiamento coletivo, e tem como objetivo se tornar a principal referência em jogos de tabuleiro com temática afro no país.
Livros com crianças negras no centro da história
A literatura infantil é uma das categorias com mais opções para o feriado. Amoras, primeiro livro infantil de Emicida, publicado pela Companhia das Letrinhas, nasceu de uma música do rapper e acompanha uma menina que reconhece a própria beleza numa conversa com o pai debaixo de uma amoreira. Da Minha Janela, de Otávio Júnior, conhecido como Livreiro do Alemão, venceu o Prêmio Jabuti 2020 na categoria infantil ao narrar o cotidiano de uma favela do Rio pelos olhos de uma criança.
O Pequeno Príncipe Preto, de Rodrigo França, chegou aos livros pela Nova Fronteira depois de rodar o país como peça de teatro e tem como mensagem central a filosofia Ubuntu, que significa “eu sou porque nós somos”. O Black Power de Akin, de Kiusam de Oliveira, conta a história de um menino de 12 anos que aprende com o avô a se orgulhar do próprio cabelo, e Neguinha, Sim! transforma em livro ilustrado por Bárbara Quintino a canção de Renato Gama que exalta as crianças negras. Os títulos estão à venda em livrarias e lojas online.
Moda infantil com estampas africanas
A Kuavi vende roupas e turbantes infantis com estampas africanas, com peças para crianças de 2 a 10 anos na seção kids do site. A marca surgiu da união de africanos e brasileiros com o objetivo de aproximar os dois continentes pela cultura e pela moda, e também oferece cursos de iorubá e francês. A loja física fica na Rua Domingos de Morais, 770, na Vila Mariana, em São Paulo, perto da estação Ana Rosa do metrô.
Corte e tratamento para cabelos crespos
Para quem quer presentear com uma experiência de cuidado, o cabeleireiro Kenny Nascimento, especialista em cabelos com curvatura, faz corte e tratamento para fios crespos, cacheados e ondulados em São Paulo. Com 574 mil seguidores no Instagram, ele recebe agendamentos pelo link disponível no perfil.
Percussão para as primeiras batucadas

Agogôs, afoxés, pandeirinhos e mini atabaques em tamanho infantil aproximam as crianças dos ritmos afro-brasileiros e estimulam a coordenação motora e a musicalidade sem depender de telas. Os instrumentos podem ser encontrados em lojas especializadas em percussão.
Festival de cultura negra para a molecada
O Sesc Bom Retiro, em São Paulo, realiza em outubro a segunda edição do Omodé, festival de arte e cultura negra para crianças, com teatro, circo, música, contação de histórias e oficinas de jogos tradicionais africanos. No dia 12 de outubro, a programação inclui vivências circenses a partir das 11h30, o espetáculo ERÊ!, com Samba de Dandara e Luana Bayô, às 16h, com entrada gratuita, e o show Sorriso de Criança, em que a cantora Marina Iris apresenta canções do livro-disco É Pretinha, às 18h.
Entre os dias 9 e 12 de outubro, o Complexo Negra Palavra apresenta Solaninho, espetáculo sobre a infância do poeta Solano Trindade, e o festival segue até 2 de novembro com montagens como A Menina Dança, sobre a heroína baiana Maria Felipa, e Dandara na Terra dos Palmares. Nas atividades com venda de ingresso, crianças de até 12 anos não pagam nos espetáculos infantis, e a programação completa está disponível no site do Sesc São Paulo.
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