Um levantamento realizado pela Casa Mundo Market Intelligence em parceria com a Natura revela como mensagens recebidas na infância ainda influenciam a forma como mulheres projetam seus sonhos e trajetórias.
Em um ano em que a América Latina volta a ocupar espaço de destaque no cenário global com a realização da Copa do Mundo de 2026 no México, uma pesquisa inédita lança luz a forma como mulheres são desencorajadas a sonhar grande desde a infância.
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O estudo “Deixa a Mulher Latina Sonhar”, realizado pela Casa Mundo Market Intelligence em parceria com a Natura, ouviu 320 mulheres entre 20 e 55 anos no Brasil, México e Colômbia das classes A, B e C, em janeiro de 2026. Entre os principais resultados, o mais impactante destaca que 83% das entrevistadas afirmam que poderiam estar vivendo um futuro diferente caso tivessem recebido mais incentivo para sonhar grande já durante a infância e adolescência.
Os dados apontam para experiências compartilhadas por muitas mulheres ao longo da formação. Entre as entrevistadas, 28% relatam ter ouvido expressões como “sonha, mas com os pés no chão”. Outras 18% afirmam que determinados objetivos lhes foram apresentados como distantes ou inadequados para suas realidades. Já 13% receberam incentivo para seguir caminhos considerados mais seguros, enquanto 10% relatam mensagens relacionadas à discrição e aos comportamentos socialmente esperados para mulheres.
Os dados mostram que os impactos dessas experiências aparecem também na vida adulta. Segundo a pesquisa, 44% das participantes afirmam sentir receio de parecer exageradas ou iludidas ao compartilhar seus sonhos, enquanto 38% evitam falar sobre seus objetivos em voz alta.
Para Adriana Hack, fundadora e diretora executiva da Casa Mundo Market Intelligence, os resultados não indicam falta de ambição, mas refletem os limites impostos por expectativas sociais construídas ao longo do tempo.
“A questão não está relacionada à falta de ambição. Muitas mulheres cresceram recebendo mensagens que restringiam a maneira como enxergavam suas próprias possibilidades”, afirma.
O estudo também investigou quais expectativas ainda recaem sobre os projetos de vida femininos. Segundo as entrevistadas, 65% das expectativas atribuídas às mulheres permanecem concentradas em temas ligados ao cuidado, à família e à estabilidade. Apenas 15% associam os sonhos femininos à busca por liberdade individual.
Outro dado alarmante chama atenção para a dimensão familiar dessas construções sociais. Entre as participantes, 48% apontam a si mesmas ou outras mulheres da família como pessoas que acabaram reproduzindo limitações em relação aos próprios sonhos. Para as pesquisadoras, esse resultado demonstra como as normas sociais podem ser transmitidas entre gerações e incorporadas ao cotidiano.
De acordo com as informações coletadas na pesquisa, em diferentes contextos sociais, o incentivo recebido ou a falta dele durante a infância podem influenciar escolhas profissionais e pessoais, enquanto influenciam na percepção sobre quais espaços podem ser ocupados e quais objetivos são considerados possíveis na ótica feminina.
Ao evidenciar essas experiências, o levantamento incentiva uma intensa reflexão acerca dos discursos responsáveis por moldar expectativas e oportunidades desde a juventude e reforça a importância de ambientes que estimulem meninas e mulheres a sonharem sem restrições baseadas em gênero, cor ou classe social.
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