Estudo do Instituto RME mostra que 52,3% das empreendedoras brasileiras são pretas ou pardas; entre elas, taxa de informalidade chega a 42,8%
As mulheres negras representam a maioria das empreendedoras no Brasil, mas ainda enfrentam obstáculos que podem limitar o crescimento de seus negócios. É o que aponta a Pesquisa Nacional do Instituto RME 2026, que reúne dados sobre o empreendedorismo feminino no país.
Segundo o levantamento, 52,3% das mulheres empreendedoras brasileiras se declaram negras, pretas ou pardas. O grupo mantém a liderança em toda a série histórica da pesquisa. As mulheres brancas representam 45% das empreendedoras, enquanto amarelas e indígenas correspondem a 0,9% e 1,1%, respectivamente. A pesquisa utilizou uma metodologia integrada, com fontes secundárias (estudos, documentos e indicadores oficiais) e fontes primárias (questionário, grupos focais e entrevistas). Foram 95 mulheres ouvidas nas cinco regiões do país.
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Apesar de serem maioria, as empreendedoras negras apresentam uma taxa de informalidade significativamente maior do que a registrada entre as não negras. De acordo com a pesquisa, 42,8% das mulheres negras empreendedoras estão na informalidade, contra 24,5% das não negras, uma diferença de 75%.
A informalidade pode criar barreiras para a expansão dos negócios. Entre os impactos apontados pelo estudo estão o menor acesso a crédito bancário, auxílio-doença e aposentadoria, fatores que podem aumentar a vulnerabilidade financeira das empreendedoras e dificultar a sustentabilidade das empresas.
O levantamento também chama atenção para a localização das empreendedoras. 16,5% vivem em bairros urbanos afastados dos centros e fazem parte de comunidades tradicionais, como ribeirinhas e quilombolas.
Nesses territórios, empreender envolve desafios que vão além da gestão do negócio. A aquisição de insumos, as dificuldades de transporte e o acesso aos mercados estão entre os obstáculos enfrentados por essas mulheres para produzir e comercializar seus produtos.
A pesquisa também aponta que a sobrecarga relacionada às tarefas de cuidado é um dos fatores que ainda dificultam o crescimento dos negócios comandados por mulheres. O cenário evidencia como questões sociais e econômicas se cruzam na trajetória das empreendedoras, especialmente entre aquelas que enfrentam maior vulnerabilidade.
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