Empresária brasileira venceu pelo segundo ano consecutivo o BRICS Women’s Startup Contest e pretende ampliar atuação em educação, tecnologia, digitalização de negócios e acesso a capital no Sul Global
A empresária, investidora e conselheira Nina Silva foi reconhecida pelo segundo ano consecutivo no BRICS Women’s Startup Contest, durante a semana do BRICS em Nova Délhi, na Índia. Neste ano, ela venceu a categoria Education and Skill Development, que reconheceu o trabalho desenvolvido pelo ecossistema do Movimento Black Money (MBM).
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O resultado dá continuidade ao reconhecimento obtido por Nina em 2025, quando venceu a mesma categoria, na modalidade Scale-up, com o Afreektech, braço de educação tecnológica do ecossistema. A nova premiação ocorre após uma semana de agendas empresariais na Índia e chega em um momento em que o grupo busca ampliar sua atuação internacional.
Com cerca de 25 anos de experiência nas áreas de tecnologia, inovação, finanças e gestão corporativa, Nina participou da liderança de mais de 100 projetos de alta complexidade em empresas nacionais e multinacionais antes de empreender. Atualmente, sua atuação está concentrada em iniciativas que conectam educação, tecnologia, dados, capital, digitalização e acesso a mercados.
“Receber esse reconhecimento pelo segundo ano consecutivo confirma que construímos uma metodologia com consistência, escala e capacidade de dialogar com desafios que não são apenas brasileiros. O prêmio celebra o que já entregamos, mas também reforça o próximo passo: internacionalizar nossas soluções e construir novas parcerias para ampliar o alcance do ecossistema”, afirma.
Educação e apoio a empreendedores
Um dos principais braços do ecossistema é o Afreektech, voltado à formação em tecnologia. Segundo informações divulgadas pelo grupo, a plataforma online reúne cerca de 20 mil alunos ativos e também mantém atuação presencial no Leste Fluminense, no Rio de Janeiro. Ao longo de sua trajetória, as iniciativas de formação gratuita do projeto já teriam alcançado aproximadamente 50 mil pessoas.
As atividades incluem conteúdos relacionados a dados e inteligência artificial, além de alfabetização tecnológica e financeira. O público inclui mulheres, pessoas negras e moradores de territórios periféricos historicamente menos representados nos setores de maior produtividade da economia.
O modelo também busca conectar a formação a oportunidades profissionais em empresas parceiras. Paralelamente, programas e plataformas do grupo já apoiaram mais de 5 mil negócios, com iniciativas de digitalização, preparação para crescimento, conexão comercial e acesso a capital, incluindo mecanismos de capital semente.
A estratégia é baseada no conceito de Inovabilidade, definido por Nina a partir da combinação entre inovação tecnológica, sustentabilidade, impacto, eficiência operacional e viabilidade econômica de longo prazo. A proposta é transformar conhecimento em propriedade intelectual, qualificação em trabalho de maior produtividade e negócios em ativos com potencial de escala.
Agendas na Índia
Além de receber o prêmio, Nina integrou a delegação empresarial brasileira coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Durante a passagem por Nova Délhi, participou do BRICS WBA Women-Led Development Summit, da cerimônia de premiação e de atividades relacionadas ao BRICS Business Forum.
Na avaliação da empresária, as discussões realizadas durante a semana mostraram que a agenda das economias emergentes está cada vez mais relacionada a temas como infraestrutura digital, cadeias produtivas, sistemas financeiros, inteligência artificial, propriedade intelectual e circulação de capital.
“O aprendizado mais forte da Índia foi perceber que a nova economia será disputada pela propriedade dos dados, dos algoritmos, da infraestrutura digital, do capital e da propriedade intelectual. O Sul Global não precisa substituir uma dependência por outra; precisa ampliar alternativas e capacidade de negociação”, afirma.
Nina também defende uma maior participação das mulheres nas discussões relacionadas a tecnologia e economia. “As mulheres precisam estar nessas pautas não como símbolo, mas participando das decisões sobre tecnologia, financiamento, produtividade e construção de patrimônio”, acrescenta.
Movimento Black Money quer ampliar atuação internacional
O bicampeonato no BRICS ocorre enquanto o Movimento Black Money estrutura uma estratégia de internacionalização. A intenção é levar iniciativas de formação tecnológica e financeira, desenvolvimento de talentos e apoio à digitalização de negócios para outros países do BRICS, nações de língua portuguesa e mercados parceiros do Sul Global.
Segundo o grupo, a expansão deverá ocorrer por meio de parcerias com empresas, governos, fundos de investimento, universidades e organizações locais. A proposta não é simplesmente replicar o modelo brasileiro em outros países, mas desenvolver uma rede de soluções que possa ser adaptada às características de cada mercado.
Nesse processo, a Black Money Inc, holding do grupo, atua na conexão entre educação, tecnologia, dados, capital e mercado. A estratégia busca ampliar a participação de profissionais e empreendedores em setores associados à chamada nova economia.
“O prêmio é uma validação, mas não é o ponto de chegada. Queremos transformar essa visibilidade internacional em alianças, novos mercados e capacidade de escala. O Brasil tem soluções que podem circular pelo Sul Global, e o Movimento Black Money quer ser parte dessa construção”, afirma Nina.
A empresária diz que o objetivo é ampliar o número de pessoas e negócios capazes de atuar na economia como produtores, proprietários, investidores e criadores de valor.
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