A nova primeira-ministra britânica Liz Truss selecionou nesta terça-feira (6) um gabinete onde, pela primeira vez, nenhum homem branco ocupará um dos quatro cargos ministeriais mais importantes do país. Truss nomeu Kwasi Kwarteng como o novo ministro das Finanças, enquanto James Cleverly foi nomeado como ministro das Relações Exteriores. É a primeira vez que tais ministérios recebem profissionais negros como representantes.

Kwasi Kwarteng, primeiro chanceler negro do Reino Unido. Foto: Hollie Adams.

Deputado desde 2010, Kwarteng é um ativista radical do livre mercado e ex-porta-voz empresarial do governo. Nascido no nordeste de Londres e de pais ganenses, ele será o primeiro chanceler negro em toda história do Reino Unido. Já James Cleverly, de 53 anos, possui mãe negra de Serra Leoa e pai branco da Grã-Bretanha. No passado, ele chegou a falar sobre como sofreu bullying por ser uma criança negra de pele clara e teceu críticas ao partido conservador do Reino Unido, declarando que era preciso fazer mudanças para atrair votos da comunidade negra.

James Cleverly, Ministro das Relações Exteriores. Foto: Divulgação.

Outro destaque fica com Suella Braverman, que representará o Ministério do Interior. O posto será ocupado, pela segunda vez, por uma mulher de minoria étnica. Conhecida por suas posições ultraconservadoras, Braverman possui pais de origem indiana.

Suella Braverman, nova Ministra do Interior. Foto: The Times / AFP.

A crescente diversidade entre os representantes do partido conservador se deve em parte a uma pressão interna nos últimos anos. Até algumas décadas atrás, os governos britânicos eram compostos principalmente por homens brancos, o fato mudou apenas em 2002, quando Paul Boateng foi nomeado primeiro ministro de gabinete do Tesouro.

Apesar das novas posições negras, especialistas dizem que as pautas relacionadas às políticas de identidade não devem ganhar maior destaque no governo conservador, a exemplo do novo chanceler. “Kwarteng quer ser julgado pelo conteúdo de seu caráter, habilidades e experiência, e não por sua raça”, disse um funcionário do governo que trabalhou com o político. “Ele não gosta das coisas da política que estejam relacionadas à identidade.”

*Com informações de Reuters.

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