Pastora evangélica diz que “é um absurdo pessoas cristãs levantarem bandeiras de pessoas pretas”

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Pastora evangélica diz que “é um absurdo pessoas cristãs levantarem bandeiras de pessoas pretas”

A pastora evangélica Karla Cordeiro, da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (Nova Friburgo) promoveu racismo e homofobia em pregação realizada no último sábado, 31 de julho, em sua congregação.

Polícia Civil abre inquérito contra pastora que pediu que fiéis parassem de  postar "coisa de gente preta" e "de gay" - Site Oficial da Rádio BandNews  Rio de Janeiro FM - 90,3 (
Imagem: Reprodução

No vídeo, que viralizou na segunda-feira (2), Karla Cordeiro diz que “é um absurdo pessoas cristãs levantarem bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA +“. Prosseguindo em tom alterado, a pastora reforçou: ”É uma vergonha. Desculpe falar, mas chega de mentiras. Eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová Nissi. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira”, disse.

Em face da ampla divulgação do vídeo, a Polícia Civil de Nova Friburgo abriu inquérito para investigar as falas de Cordeiro. “De tal modo que a pena para esse tipo de caso é de três a cinco anos de reclusão com circunstâncias qualificadoras por ter sido feita em mídias sociais e através da imprensa. De tal modo que já foi instaurado inquérito policial pelo crime de intolerância racial e homofóbica, de acordo com a recente previsão do STF”, disse  Henrique Pessoa, delegado titular da 151ª DP.

O Coletivo Negro de Nova Friburgo divulgou uma nota. “Nós do Coletivo Negro Lélia Gonzalez denunciamos, condenamos e repudiamos qualquer forma de discriminação contra a classe trabalhadora e realizada pela mesma reproduzindo a lógica da classe dominante que é racista, facista, lgbtfobica, eugenista, branca, heteronormativa, patrimonialista, patriarcal, branca, lascivos e cristãos. Não podemos dizer que todes cristãs (linguagem neutra) têm comportamento e postura, como esta pessoa, porém não podemos ignorar que ela está expressando a hegemonia dominante. Não devemos naturalizar tais posturas, declarações sem que os órgãos tomem devidas medidas, embora estes órgãos expressam interesses da classe dominante. Quando ela faz este ataque, e a todes que defendem o direito da classe trabalhadora que são majoritariamente negras, quando ela de forma superior, concorda com a morte da juventude negra, desaparecimento de nossas crianças, e naturaliza feminicídio incidentes nas mulheres negras trans e cia, ela naturaliza o primeiro lugar de morte de mulheres trans e travestis e nosso encarceramento em massa nas senzalas modernas. Racistas, genocidas, eugenistas, Lgbtfóbicos. Exploradores não passarão! Por uma sociedade onde a diversidade não seja instrumento de dominação e exploração”, diz a nota.

A pastora emitiu nota se retratando. Confira abaixo

Nota de retratação da Karla Cordeiro

“Eu sou a Karla Cordeiro e venho, através desta nota, pedir desculpas pelos termos que usei em minha palestra proferida no último sábado. Eu, na verdade, fui infeliz nas palavras escolhidas e quero afirmar que não possuo nenhum tipo de preconceito contra pessoas de outras raças, inclusive meu próprio pastor é negro, e nem contra pessoas com orientações sexuais diferentes da minha, pois sou próxima de várias pessoas que fazem parte do movimento LGBTQIA+. A minha intenção era de afirmar a necessidade de focarmos em Jesus Cristo e reproduzirmos seus ensinamentos, amando os necessitados e os carentes, principalmente, as pessoas que estão sofrendo tanto na pandemia. Fui descuidada na forma como falei e estou aqui pedindo desculpas. Ressalto também que as palavras que utilizei não expressam as opiniões do meu pastor, nem da minha igreja. Atenciosamente, Karla Cordeiro.”

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