“Países devem parar de negar o racismo e combater o problema”, afirma ONU

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“Países devem parar de negar o racismo e combater o problema”, afirma ONU
George Floyd e Luana Barbosa foram mortos pela polícia. Foto: Reprodução.

Em documento divulgado dias após a condenação do assassino de George Floyd, o Brasil aparece como um dos países onde o racismo é sistêmico nas forças policiais

“Exorto os Estados para que deixem de negar e comecem a desmantelar o racismo, para que acabem com a impunidade e estimulem a confiança, para que escutem as vozes das pessoas afro-descendentes, que enfrentem os legados do passado e procurem uma justiça reparadora”, destacou a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, poucos dias depois da condenação do policial que matou George Floyd nos Estados Unidos.

“Precisamos de uma abordagem transformadora que aborde os âmbitos interconectados que estimulam o racismo e levam reiteradamente a tragédias que poderiam ser evitadas, como a morte de George Floyd”, completou. Na última sexta-feira, Derek Chauvin, o policial branco que asfixiou George Floyd, foi condenado a 22 anos e meio de prisão.

O relatório afirma que a morte de Floyd e os grandes protestos gerados após o assassinato, e agora, a condenação do assassino “representam um marco na luta contra o racismo e uma oportunidade transcendental para alcançar um ponto de inflexão a favor da igualdade e da justiça raciais”.

No Brasil, no entanto, a situação é diferente. Casos como de Luana Barbosa dos Reis Santos, João Pedro Mattos Pinto – também mortos pela polícia – e muitos outros seguem sem que nenhum dos culpados seja responsabilizado.

“Com exceção do caso George Floyd, nenhuma pessoa foi declarada responsável por estas mortes, e as famílias ainda aguardam a verdade e a justiça”, disse a diretora do departamento de Estado de direito, igualdade e não discriminação do Alto Comissariado, Mona Rishmawi. “Constatamos que não há um único exemplo em que se tenha tratado da questão das reparações individuais, ou coletivas”, acrescentou.

O organismo da ONU também solicitou a aplicação de “mecanismos de controle independentes”, além de estimular um trabalho de revisão histórica.O relatório aponta a “necessidade longamente adiada de enfrentar os legados da escravidão, do comércio transatlântico de escravos africanos e do colonialismo, além de procurar uma justiça reparadora”. Também destaca a “falta de reconhecimento oficial da responsabilidade dos Estados”, instituições e pessoas que participaram dos fatos e continuam sendo beneficiadas.

“A mobilização mundial para pedir justiça racial forçou um reconhecimento longamente adiado do racismo e reorientou os debates à natureza sistêmica do fenômeno às instituições que o cometem”, afirma o texto.

O Alto Comissariado também examinou 190 casos de pessoas africanas, ou afro-americanas, falecidas em contatos com as forças de segurança e destacou que, “em muitos incidentes examinados (…) as vítimas não representavam uma ameaça iminente de morte, ou de lesões graves, que justificasse o nível de força utilizado”.

Com informações da AFP.

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