Orgulhosa de sua negritude, Fabiana Oliveira criou método inovador em fisioterapia

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Fabiana Oliveira é fisioterapeuta, especialista em disfunções temporomandibulares, desenvolvedora de método exclusivo para tratamento de pacientes. Após se especializar na área, Fabiana investiu para ter uma clínica e se tornou referência no ramo. Hoje, além dos atendimentos, ela ministra um curso para capacitar fisioterapeutas em todo o país com seu método inovador.

Durante a infância no ABC Paulista Fabiana estudou em um bom colégio particular onde a educação era bem forte, porém relata que haviam poucas crianças negras. “Eu me lembro que na minha sala tinha apenas eu e a Fabiola, que é minha amiga até hoje”, afirma.

Ela se apaixonou pela fisioterapia ainda quando era atleta de vôlei e acompanhava de perto o trabalho que possibilitava a recuperação dos jogadores. Após cursar a faculdade em Mogi das Cruzes ela iniciou a careira trabalhando em clínicas esportivas e de ortopedia e times de base.

Mulher negra e cursando fisioterapia, Fabiana não encontrava representatividade nem nos colegas, nem nos professores. “Na Universidade de Mogi eu tive uma única professora negra, professora Cássia que lecionava a matéria Farmácia. Eu achava a postura dela e ela como mulher um exemplo a ser seguido”, explica.

Durante a faculdade, Fabiana aprendeu pouco sobre DTM (disfunções temporomandibulares), mas depois de começar a trabalhar viu a necessidade de buscar cursos na área para um melhor atendimento. Ao mesmo tempo, que percebeu a possibilidade de se diferenciar no segmento.

O resultado de apostar nessa especialização foi bastante satisfatório já que hoje ela conquistou sua estabilidade, é reconhecida no mercado e tem o apoio de outros profissionais que a indicam para seus pacientes. “Meu trabalho no geral é reabilitar e devolver a função total ou parcial daquilo que foi comprometido. Fazer isso é algo que, para mim, não tem preço.”, comenta Fabiana.

Porém Fabiana relata que já sofreu preconceito de alguns pacientes, principalmente anos atrás quando as redes sociais não eram tão presentes no dia a dia e não era possível ver uma foto da fisioterapeuta antes de chegar ao consultório. “Com isso, algumas vezes quando os pacientes me conheciam eles falavam: “nossa estava esperando uma outra pessoa, eu imaginava você completamente diferente”. É aquele preconceito velado, a pessoa não fala que imaginava uma mulher branca, alta, loira, magra, mas diz “nossa eu falei com você por telefone, imaginei diferente” ou se não “você é negra, mas você tem os traços tão finos”.

Atualmente ela tem uma rotina de contato com vários profissionais da saúde: bucomaxilos, cirurgiões e otorrinos, e percebe que não tem visto outros profissionais negros, muito menos mulheres negras. “Infelizmente as oportunidade de trabalho para os negros no Brasil são muito restritas devido ao nosso país ainda carregar um estereótipo preconceituoso e racista de que pessoas negras são mal vistas. Negros esses que são extremamente capazes para ocupar qualquer cargo. Por isso eu mostro todos os dias que sou intelectualmente capaz de realizar o meu trabalho e foi assim que eu conquistei o respeito que tenho hoje. Infelizmente só entende o que é racismo quem é negro. Isso dói, não só uma pessoa, mas todo um povo”, afirma.

Para formar outros fisioterapeutas nessa especialidade, Dra. Fabiana desenvolveu o curso New Smile, que acompanha os pacientes antes, durante e após a cirurgia com uma equipe de 15 médicos de diferentes especialidades, diminuindo o tempo de recuperação e aumentando a qualidade de vida de quem precisa passar pelas cirurgias de ATM e ortognáticas. Hoje, Fabiana é reconhecida como referência no mercado e está ministrando aulas com seus métodos em todo o país.

Para a Dra. Fabiana o curso é uma grande realização profissional. “É muito gratificante saber que o conhecimento está se propagando e ajudando mais pessoas. Melhorar a qualidade de vida do paciente, tirar a dor e o desconforto de quem não consegue abrir a boca, mastigar ou falar é algo que faz meu coração se encher de orgulho da minha profissão”, completa.

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