O primeiro editor Afrobrasileiro

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Francisco de Paula Brito (Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1809 – 5 de dezembro de 1861), que escrevia sobre o nome de Paula Brito, foi um editor, jornalista, escritor, poeta, dramaturgo, tradutor e letrista carioca. Trabalhou em diversas tipografias e fundou a “Sociedade Petalógica”, que teve como membro ilustre o então jovem escritor Machado de Assis.

Por Durval Arantes – escritor do livro “O último do negro” e colunista do site Mundo Negro

Paula Brito nasceu em uma família humilde, na então Rua do Piolho (hoje Rua da Carioca), no Centro do Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 1809, filho do carpinteiro Jacinto Antunes Duarte e de Maria Joaquina da Conceição Brito. Aprendeu a ler com sua irmã.

Morou em Magé dos seis aos quinze anos, voltando à sua cidade natal em 1824, ao lado do avô, o sargento-mor Martinho Pereira de Brito.  Foi ajudante de farmácia, aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional e, posteriormente, trabalhou no Jornal do Commercio, como diretor das prensas, redator, tradutor e contista. Em 1830, casou-se com Rufina Rodrigues da Costa.

Em 1831, comprou um pequeno estabelecimento de um parente, Sílvio José de Almeida Brito, na Praça da Constituição, nº 51, onde funcionavam uma papelaria, uma oficina de encadernação, e um ponto de venda de chá. Paula Brito adquiriu de E. C. dos Santos um prelo, e ali o instalou. Em 1833, possuía 2 estabelecimentos: a “Typographia Fluminense”, na Rua da Constituição, nº 51, e a “Typographia Imparcial”, no nº 44. Em 1837, mudou para o nº 66 e expandiu a loja para nº 64 em 1939.

Em 1848, Brito possuía 6 impressoras manuais e uma mecânica, e expandiu suas instalações para os nº s 68 e 78, esse constituindo sua “Loja do Canto”, sua livraria e papelaria, e criou filiais em sociedade com Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa e Cândido Lopes, formando com esse último a “Tipografia e Loja de Lopes e Cia”, em Niterói.  Foi ativista político e o primeiro a inserir no debate político a questão racial.  Em sua tipografia foram impressas obras como “O Mulato” e o jornal “O Homem de Cor”, o primeiro jornal brasileiro dedicado à luta contra o preconceito racial, colocando-o como precursor da imprensa negra.

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Entre os anos de 1830 e 1860 publicou quase uma centena de jornais e revistas e cerca de 400 livros e folhetos. Dentre os autores brasileiros publicados por Paula Brito, destacam-se: Joaquim Manoel de Macedo, Casimiro de Abreu, Gonçalves de Magalhães, José de Alencar, Martins Penna, Machado de Assis, Manuel de Araújo Porto-Alegre, Domingos Alves Branco Moniz Barreto, Augusto Emílio Zaluar. Foi o editor de uma das primeiras peças de teatro brasileiro, “Antônio José ou o poeta e a Inquisição”, de Gonçalves de Magalhães, em 1839; do que é considerado o primeiro romance brasileiro, “O filho do pescador”, de Teixeira e Souza, em 1843; e daquela que é tida como a primeira ópera brasileira, a comédia lírica “A Noite de São João”, de José de Alencar, apresentada sob a regência de Carlos Gomes em 1860. Também é dele a primeira edição de “Últimos cantos”, de Gonçalves Dias, em 1851; a ediçãocompleta, em 2 volumes lançados em 1851, das Mauricianas, do Padre José Maurício Nunes Garcia; e a sexta edição de “O Uraguai”, de Basílio da Gama, lançada em 1855.

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