NEIT: Conheça a escola de moda com uma perspectiva negra

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NEIT: Conheça a escola de moda com uma perspectiva negra
À esquerda uma foto da escola, e à direita a criadora do projeto, Andreza Ferreira

A falta de representatividade no meio acadêmico é algo que infelizmente não se restringe a uma ou duas áreas. Quem estudou moda sabe que o curso é repleto de referências brancas, desde os professores, até na matéria em si. Aprender a pintar uma pele negra, desenhar corpos fora do padrão ou cabelos afro, nada disso surge muito naturalmente se você não for atrás. A menção a grandes nomes negros da moda também são um tanto quanto pontuais, e quando a gente não tem uma inspiração, tudo parece um pouco mais longe. Na história da arte e da moda, um peso muito grande da contribuição europeia em contrapartida de uma leve pincelada da tão rica cultura africana – só o Egito merecia um semestre inteiro.

Essas percepções acenderam uma luz na cabeça de Andreza Ferreira, que decidiu quebrar o ciclo do ensino de moda fundando a primeira escola com base em narrativas negras: E assim nasceu a Neit, onde logo no nome já vemos o seu D.N.A: Neit, é uma divindade do antigo Egito (Kemet) quem teceu o universo é assim é uma divindade da tecelagem. Neit era protetora de Osíris, de Rá, e sua forma era de uma abelha. Na África tradicional a abelha nasceu das lágrimas caídas de Rá.

Confira a entrevista que fizemos com a fundadora da escola, a estilista e consultora de moda Andreza Ferreira:

1-De onde veio o start para a ideia de uma criação da escola como a Neit?
Quando comecei a produzir peças para minha marca, Caiz Store, encontrei dificuldades de ter costureiras que atendessem minhas demandas, então pensei em ensinar jovens o oficio da costura para não se perder e manter o artesanal como um trabalho. Além disso, após um curso de moda de luxo em Paris, e uma visita a uma exposição de Malick Sidibé também comecei aprofundar minhas pesquisas sobre moda e cultura africana e da diáspora. Pensei: por que não compartilhar essas pesquisas em aulas?
Desde então, meu atelier então virou aulas de corte, costura e modelagem e na pandemia comecei as aulas online sobre a História da Moda no Brasil a partir de Narrativas Negras.

2- Você já ouviu críticas pela sua ideia de criar uma escola sobre para negros?

Até o momento, não. A NEIT é primeira e única até agora com essa perspectiva racial e para a moda europeia e ocidentalizada temos centenas de escolas,cursos, espaços. Tudo de fácil acesso e com muitos pesquisadores. Agora para a moda africana e diaspórica não temos ninguém.

Andreza Ferreira em aula com aluna

3- Quais foram/são as suas referências negras na moda durante o processo de formação?
Durante minha formação eu não tive muitas referências negras, tudo que encontrei foi de forma autônoma e fora das instituições de ensino. Mas dentro dessas pesquisas minha primeira referência negra foi André Leon Talley, editor de moda, e agora tenho tantos outros como Chris Seydou, Zelda Wynnes, Shade Thomas Fahm…

4- Como se da Narrativa Negra da escola? Pode apresentar os pontos em que ela se diferenciar de uma escola/curso de moda regular?
A partir do aprofundamento das pesquisas, encontrei muitos estilistas sem seus devidos reconhecimentos, como Dona Dete que criou as estampas deslumbrantes do Bloco Ilê Aiyê ou Anne Cole que foi vista como estilista do vestido de casamento de Jaqueline Kennedy pela própria noiva.
Todos os cursos são criados pensando em como expor a imagética preta dentro da moda desde a criação do tecido, maquiagem e corpos adornados até o pensamento do futuro em resgate da tecnologia ancestral das roupas para além do cobrir o corpo.

Para saber mais sobre os cursos e a escola, acesse aqui.

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