#Negrasrepresentam – Lua Maat, conhecimento e centralidade africana!

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Por meio de perfis, a campanha #NegrasRepresentam tem o objetivo de apresentar os pensamentos de mulheres negras em diversas esferas sociais e como suas ações vem propondo mudanças na realidade racial do país.

Lua Nascimento ou Luanda Maat, atuou por mais de 15 anos  em coletivos estudantis e de juventude negra,  coordenou  o Fórum de Juventude Negra do Rio de Janeiro.  Atualmente desenvolve projeto de introdução da Yoga Afrikana do mestre Pablo Imani. É palestrante de minicursos, rodas de conversa em Estudos Africanos, em especial Afrocentricidade e Mulherismo. Vem se especializando em afro empreendedorismo e é idealizadora da plataforma  ÁfricaNaCidade  que tem como objetivo fomentar o ecossistema afro empreendedor e seu financiamento/colaboração comunitários.

Em dezembro participa da exposição “Black Women: Presence and Power” pela Universidade Estadual de Nova Iorque no campus de New Paltz.  Lua vem se consolidando como Consultora em Gestão Estratégica e de Projetos e Gestão do Conhecimento centrado na cultura como vantagem competitiva

Mundo Negro- Qual a vantagem competitiva da cultura, quando se fala de povos negros?

A cultura nos termos estabelecidos pelo grande pensador Cheikh Anta Diop e tantos outros autores e autoras à exemplo de Marimba Ani de ascendência africana,  é não somente  a fonte de definição dos traços civilizacionais de origem de um povo, mas também do  nosso sistema imunológico. Desta forma, elevar a cultura  a fusão  de   referência de princípios e valores peculiares aos elementos da criação e da inovação é o ponto  para se pensar novas realidades possíveis. Com todo o debate presente sobre empreendedorismo, cidades do futuro, e novos modelos econômicos e sociais como economia colaborativa, startups, tecnologias disruptivas ou  realidade aumentada e etc. É importante que as culturas da diáspora africana,  naturalmente empreendedoras por necessidade de sobrevivência  possam colorir estas perspectivas  e situar  muitas destas medidas de inovação. Essa é a  maior vantagem competitiva, nossa ancestralidade cultural vencida pela colonialidade.

Mundo Negro- Como a Plataforma Áfricanacidade, pretende melhorar o ambiente afro empreendedor?

A plataforma África Na Cidade entra neste contexto como um projeto enzimático, ou seja, que pretende mapear, visibilizar e estimular a cooperação natural entre iniciativas nas mais diversas cidades, começando pelas do nosso país, a pensar a sistematização metodológica de suas tecnologias sociais disruptivas para multiplicação, simbiose e geração de novos projetos que possam impactar positivamente a comunidade negra em cada localidade. O ecossistema afro empreendedor ainda engatinha pelos sabidos problemas do passivo histórico, mas também do racismo institucional que dificulta o desenvolvimento do empreendedor de ascendência africana. Por exemplo, os  empreendedores negros apesar de serem maioria no Brasil segundo SEBRAE hoje tem até 3x mais chance de terem pedidos de investimento negados. Ao participarem de acelerações, pitchs e afins têm dificuldade de captar e receber investimentos pois  geralmente os valores de quem tem o capital não se alinham com as propostas carregadas de compromisso ético comunitário que nossas iniciativas têm.

E assim vamos ficando para trás,  mesmo sendo os criadores das indústrias culturais mais aclamadas como o carnaval que hoje gera um lucro astronômico que não se reverte em nenhuma melhoria para a comunidade de onde se origina.Precisamos de soluções que estimulem o black money, a colaboração técnica negra e viabilize o nós por nós na prática do dia a dia dos fazedores e fazedoras pretos e pretas. É este o propósito da plataforma, romper com a narrativa simbólica e material eurocêntrica das cidades como espaços de re existência principal da diáspora africana contemporânea.

Mundo Negro- Qual o papel da Sociedade de Mulherismo Africana para as mulheres negras no Brasil?

A Sociedade de Mulherismo Africana que hoje caminha para ser uma Sociedade Matriarcalista Africana é um projeto que se iniciou cerca de 2 anos atrás pela idealização das irmãs Kaka Portilho e Marina Miranda as quais me juntei uma vez que pesquiso independentemente estudos africana há cerca de 4 anos. O papel da sociedade,  vai além de impactar a vida das mulheres negra. Seu papel é impactar toda a comunidade negra, a partir do entendimento e prática ancestral do papel central da agência feminina preta no desenvolvimento social.

Como bem sabemos a mulher de ascendência africana, teve e tem uma participação majoritária e indispensável para os principais movimentos econômicos e sociais que mantiveram a população negra de pé, então o que a sociedade faz é sistematizar e apresentar de forma explícita este pretagonismo feminino que aglutina e fortalece todo o povo negro.. É uma forma de afirmar a cultura como esta vantagem competitiva que o povo africano tem, de resiliência, cooperatividade, matriarcalidade, abundância, espiritualidade e holismo,  hoje tão festejados pelos principais fenômenos de inovação seja tecnológica, social ou econômica da sociedade dominante. Ancestralidade africana é então  a maior inovação.

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