“Não é um processo de caridade”, diz Gabi de Pretas sobre adoção e o caso Carol Nakamura

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“Não é um processo de caridade”, diz Gabi de Pretas sobre adoção e o caso Carol Nakamura
Foto: Arquivo pessoal

A ativista Gabi de Pretas publicou um vídeo nesta quarta-feira (01), explicando a complexidade do caso da atriz Carol Nakamura ao expor o filho, de 12 anos, nas redes sociais, indignada por ele escolher voltar aos cuidados da mãe biológica, depois de três anos com a guarda provisória.

Para iniciar, Gabi explica que a Nakamura não estava em um processo de adoção legal, e sim de guarda. “A imprensa ajudou muito a disseminar uma ideia incorreta. Existe o processo de guarda e de adoção. A guarda pode ser entregue para um familiar cuidar do seu filho, quando você está passando por uma situação difícil. Mas essa criança não deixa de ser o seu filho”.

Já no processo de adoção, “o foco é de uma criança que precisa de uma outra família porque a família de origem não está presente, alguém faleceu ou não tem condições. A Justiça percebe e encaminha aquela criança para adoção”.

A Carol Nakamura entrou em um processo conhecido como “entrega direta”, explica a Gabi. “[É quando] a família está passando por algum tipo de dificuldade e entrega diretamente essa criança para outra família. Isso é inseguro para todo mundo. Esse é um processo tão complexo que a justiça tenta combater. Porque ele pode facilitar abuso infantil, tráfico de criança. Imagina se toda família pudesse simplesmente entregar, sem nenhuma avaliação, o seu filho para qualquer pessoa?”, ressalta.

Perplexa com a exposição da criança, Gabi não poupou as críticas com o caso. “Você não pode fazer uma ação social e voltar com uma criança”.

Em caso de encontrar uma criança em vulnerabilidade com a família, por exemplo, a Gabi explica o melhor caminho é chamar o conselho tutelar, para que um profissional investigue o caso e saiba os caminhos a serem seguidos. E a outra opção é apadrinhar a criança ou a família para dar um suporte necessário.

Com internautas destilando comentários negativos sobre a escolha errada a criança por voltar a morar com a mãe biológica por causa da pobreza, Gabi também rebate que o afeto tem em todo lugar.

“Pessoas pobres, em vulnerabilidade, tem afeto também com os seus filhos. Minha avó era extremamente pobre e mesmo assim, elas e os filhos dela tinham extremo afeto”, diz.

A forma que a Carol expôs a criança e o apoio que ela recebeu na internet também foi um ponto levantado sobre o propósito da adoção.

“Colocando adoção como caridade, tanto que ela listou todas as coisas boas que ela fez. Filho nenhum deve nada para os pais. Esse não é um processo de salvação, de caridade. Isso não faz dele uma mercadoria. Ele é uma criança em situação de vulnerabilidade”.

Gabi adotou sozinha de forma legal duas crianças, um menino de 9 anos e uma menina de 4. Desde então, em compartilha as experiências de uma mãe solo com dois filhos adotados e preserva a imagem deles nas redes sociais.

Carol Nakamura fala sobre o filho novamente

Depois da exposição da criança no Instagram, houve uma chuva críticas contra o filho e Carol saiu em defesa dele. “Não critiquem em hipótese alguma, independente de ele estar morando comigo ou não, ele continua sendo meu filho, na minha cabeça, no meu coração. Ele é pré-adolescente que não teve educação, não teve regra na infância ele, então, é óbvio que não se acostumou com isso. Então, por favor, não julguem nunca, em possibilidade alguma, a atitude dele”.

Ela também ressaltou que ainda defende a adoção, apesar da experiência pessoal. “Adoção é um ato de amor, de carinho, de empatia, de compaixão, de solidariedade, de Deus. Adoção é a coisa mais que pode acontecer na vida, independente da parte que for difícil. O fato dele ter escolhido ir embora não quer dizer que eu me arrependa, só quer dizer que eu estou triste. Só isso, mais nada. Nunca me arrependi”.

Entenda melhor o caso

Carol Nakamura conheceu a criança há três anos em uma ação social no lixão do Gramacho, Rio de Janeiro, fora da escola. Sem a mãe presente e morando só com a com a avó na época, ela pediu autorização para levá-lo para casa para que ele estudasse.

Ela passou a visitar a criança regularmente, mesmo quando a mãe reapareceu e elas dividiram a guarda. No relato dado nesta quarta-feira (31), ela falou sobre o filho: “Estava safado, não tem outra palavra para dizer por que ele já tinha entendido que eu não tinha a guarda dele. Então, se a gente brigasse ou colocasse de castigo por alguma coisa que ele fez de errado, ou chamasse atenção, ele queria ir para a casa da mãe. Chegava na casa da mãe, se a mãe fizesse o mesmo, ele queria voltar para cá, e nisso ele ia faltando na aula. Ele estava, não tem outra palavra, sem vergonha. E ele tinha que tomar uma decisão.”


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