Mulheres negras interpretam histórias de força feminina no espetáculo “Esperança na Revolta”

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A peça “Esperança na Revolta” tem como alguns dos temas abordados a resistência e o empoderamento feminino e está em cartaz no SESC Tijuca, com exibição às sextas, sábados e domingos, até dia 18 de novembro, sempre às 19h. O espetáculo é em homenagem a Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, que lutava pelos direitos humanos e pelas minorias, assassinada em março deste ano, no centro do Rio.

Cinco mulheres negras participam da peça, são elas: Cátia Costa, Cláudia Barbot, Lívia Prado, Nádia Bittencourt, Beà, além das interpretações de Alex Nanin, Tarso Gentil e Reinaldo Júnior que, diante de das guerras contemporâneas, encontram forças para continuar resistindo.

Do Paquistão à Ruanda, de Paris à Porto Príncipe, de Sarajevo à Nova York, das montanhas de Damasco às vielas do Complexo do Alemão. A guerra é mostrada a partir de diversos pontos de vista: dos afetados aos massacrados; das mães aos que se explodem; dos que matam e dos que morrem. A única certeza é que não há vencedores, mas, para alguns, ainda resta esperança.

Foto: Reprodução


Cátia Costa dá vida a personagem mãe, cidadã do mundo, com a revolta de romper a ordem natural da vida e enterrar seus filhos, mas a esperança que um dia todo esse sangue possa escoar.

A história da paquistanesa Malala, sobe ao palco por meio de Nádia Bittencourt, revoltada por não poder ir e vir diante das opressões do Talibã, mas com a esperança que as meninas do seu país tenham direito de estudar e possam fazer suas escolhas.

Maembra Diarra, ruandesa, é interpretada por Cláudia Barbot, sua revolta é manipulação eugenista européia em sua história, e a esperança de ver os povos Tutsis e Hutús unidos sem diferenças como um grande povo, em Ruanda.

Lívia Prado é a personagem Síria Gulan, revoltada por mal poder sair de casa, não poder olhar nos olhos de outras pessoas e viver como uma pessoa comum, tem a esperança em estudar, trabalhar e ver sua família e seus sonhos livre das opressões impostas pelo Estado Islâmico, que seu povo tenha uma terra para chamar de sua.

A música é mais do que um elemento presente, é uma personagem que é executada ao vivo, guiando cada trama e seu contexto. A peça é da Confraria do Impossível, um coletivo artístico negro que intervém na cidade do Rio de Janeiro desde 2009. Desde 2015 vem realizando diversos experimentos nas ruas sobre genocídio do povo negro, empoderamento feminino, a conscientização da luta de classes, ancestralidade. 

A supervisão cênica fica por conta de Vilma Melo, primeira atriz negra a ganhar o Prêmio Shell, texto e direção André Lemos, a direção artística geral de Hilton Cobra, o Cobrinha da Cia dos Comuns, supervisão dramatúrgica de Rodrigo França, (dramaturgo e ator premiado), resultam em um espetáculo potente que se propõe a ser um marco na história do teatro negro do país.

O SESC Tijuca fica na Rua Barão de Mesquita, número 539, Andaraí, Rio de Janeiro.

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