Mulheres africanas em posições de poder no Brasil

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Mulheres africanas em posições de poder no Brasil
Da esquerda para a direita: modelo e empreendedora da Guiné-Bissau Benazira Djoco, angolana Teresa Sebastião conselheira municipal do imigrante, Vice-cônsul Adelaide Jorge, a Atriz Empresaria angolana Vanda Pedro; e Lúcia Castelo vice-diretora da Casa de Angola em São Paulo - Foto: Fabinho/Divulgação

Por Rudmira Fula*

É do conhecimento da maioria senão de todos, que após a invasão européia no continente africano e sua partilha na conferência de Berlim 1884 a 1885 foi estabelecido onde seria o lugar da mulher africana na sociedade global: o de subserviência devendo estar pronta para atender às vontades alheias. Com o passar dos séculos, esta mulher vem sendo apresentada de forma pejorativa conforme olhares ocidentais, como pessoas de camada mais baixa, sem instrução, coitadas, submissas e tantos outros adjetivos negativos.

É importante pontuar que, o continente com mais histórico de mulheres em posição de poder, rainhas e guerreiras, líderes de impérios e batalhas é o continente africano. Estas mulheres foram e continuam sendo heroínas nacionais nos países onde um dia viveram, são símbolos de resistência contra invasores europeus e fortalezas para seus povos.

Fator que faz com que, por mais que outros povos tentem diminuir e apagar a presença destas mulheres na atual sociedade global, não conseguem porque há um histórico de realeza, carregado no sangue e na força de guerreiras que não se dão por vencidas e jamais baixaram a cabeça. 

Hoje queremos homenagear esta mulher africana, senhora Stela Maria da Graça Santana e Sousa Santiago – Cônsul Geral de Angola em São Paulo, pelo trabalho que vem desempenhando em prol da sua comunidade residente na capital paulista e demais estados brasileiros sob sua jurisdição e também pelo que  ela representa para outras comunidades africanas . São 63 anos de muita história, buscas e conquistas.

Stela Maria da Graça Santana e Sousa Santiago – Cônsul Geral de Angola em São Paulo – Foto: Divulgação

Na época da sua formação, ela viu seu país sair da colonização portuguesa expulsando os invasores do território em 1975 e seguindo o desafio da guerra civil.Mesmo assim, o vigor e a força dessa mulher se mantiveram inabaláveis. Ela firmou os objetivos e trilhou caminhos.

De 1984 a 1990 – trabalhou na embaixada de Angola na Ex-União Soviética na função de secretária do embaixador; em 1997 trabalhou como técnica superior na Direção África e Médio Oriente (DAMOR) do Ministério das Relações Exteriores. 

Em 2009 concluiu o mestrado em Ciências de Gestão Empresarial na Flórida University nos Estados Unidos da América. Incansavelmente foi conquistando seu espaço subindo degrau por degrau, construiu sua carreira dentro do ministério das relações exteriores de Angola. Em 2009 foi nomeada Vice-cônsul de Angola em Houston, Estados Unidos e entre outros cargos que ocupou. Desde 2019 é Cônsul Geral de Angola em São Paulo. 

Fala português fluente, inglês e espanhol – boa compreensão escrita e oral. 

É carinhosamente chamada no seio da comunidade por “Mamã” porque seus feitos, a atenção com que trata as pessoas à sua volta não é simplesmente de uma representante diplomática. Os angolanos e não só, a enxergam e consideram a mãe angolana.

*Rudmira Fula, é jornalista angolana, formada em comunicação social jornalismo pela Universidade Paulista/UNIP. Estagiou na revista Angola Yetu do Consulado Geral de Angola em São Paulo. 
É Palestrante, apresentadora pesquisadora e contadora de história.

É idealizadora do Projecto “Mira Em África – Um Outro Olhar Sobre O Continente” que tem o objetivo de trazer um novo panorama do continente africano ignorado pelas mídias.

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