Mulher é encontrada em situação análoga à escravidão em SP e Movimento Negro pede transparência do caso

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Mulher é encontrada em situação análoga à escravidão em SP e Movimento Negro pede transparência do caso

Nesta terça-feira, (22), representantes do movimento negro de São José dos Campos, município de São Paulo estiveram na sede da Polícia Federal (PF) para questionar mais informações sobre o caso da empregada doméstica que foi resgatada por policiais após ser encontrada em situação análoga a de escravidão dentro de uma  casa localizada em um condomínio no bairro Aquarius, na última sexta-feira (18). O movimento quer saber quem foi o autor do crime.

“Esse caso é a demonstração do racismo que continua até os dias atuais. A primeira vítima da pandemia no Brasil foi Cleonice Gonçalves, uma empregada doméstica no Rio de Janeiro, contaminada por sua patroa. As empregadas domésticas, na sua maioria mulheres negras, cumprem o serviço essencial de limpeza, mas não tiveram o direito ao isolamento social ou preferência na fila da vacinação”, afirmou Ingrid de Sá, ativista do movimento negro da cidade.

Ativistas buscam informações sobre o caso na PF (Imagem: Bruna Souza)

Ingrid disse ao Mundo Negro que não conseguiu informações sobre o caso na delegacia, com a PF alegando que só quando a delegada liberasse as informações.”Estamos conversando com um advogado da Comissão de Igualdade Racial da OAB para ver se eles ajudam a gente a pressionar a delegacia. O que a gente sabe é que a delegada do caso é super reaça”, diz.

Ingrid diz que São José dos Campos tem um histórico de acobertamento de casos que envolvam pessoas com mais poder e por isso lutam para que esse caso seja diferente. “Essa delegada está escondendo o caso.A gente foi pedir ajuda da OAB para estar pressionando. Estou mandando mensagem para esse advogado para ver se eles tem informação do caso porque o que eles dizem é que temos que solicitar reunião com a delegada e solicitar que ela libere o inquérito. Não passam nem  nome da moça que foi libertada, nem do dono da casa”, conta a ativista que também vê invisibilização do caso pela falta de repercussão na mídia.

“Nem o G1 do Vale do Paraíba, então a gente acredita que é um apagamento para proteger o cara. A mulher pode estar sendo coagida a não falar. Ele pode ter pagado uma fiança qualquer e estar ileso e continuando a contratar. Vamos fazer barulho para que a mídia de a atenção a esse caso. As coisas acontecendo como acontecem aqui na cidade, os poderosos pagando para saírem ilesos dos crimes”

Entenda o caso:

O jornal OVALE divulgou em uma reportagem que uma empregada doméstica foi resgatada de condições análogas à escravidão em São José dos Campos na última sexta-feira (18). A trabalhadora era contratada da família há mais de 20 anos, tendo iniciado a prestação de serviços ainda adolescente. Atualmente, ela exercia suas atividades em uma casa dentro de um condomínio fechado da cidade. A empregada se manteve impedida de qualquer convivência social por mais de duas décadas. Houve prisão em flagrante de um dos empregadores, que se encontra detido na Delegacia da Polícia Federal de São José dos Campos. Ele responderá pelo crime de redução de trabalhadores à condição análoga à escravidão, tipificado pelo artigo 149 do Código Penal. O caso será remetido ao Ministério Público Federal.

A vítima foi encaminhada ao CREAS de São José dos Campos, que providenciará amparo social, abrigo, além da inclusão em programas de transferência de renda. Terá direito, ainda, às parcelas do seguro-desemprego (R $1.100,00 cada uma).

Ativistas prometem realizar uma manifestação de rua contra esse crime na próxima quinta-feira, dia 24. O movimento afirma que não gostaria de realizar a manifestação nesse momento de pandemia, mas que diante de um caso com uma acusação de crime bárbaro, não vê outra possibilidade a não ser realizar o protesto. “Realizaremos a manifestação orientando uma distância mínima entre cada pessoa presente e iremos orientar que todos utilizem máscaras de proteção e álcool em gel. Até porque nós negros nunca tivemos o direito de ficar em casa. Gostaríamos de ter tido esse direito. Mas nos foi negado porque tivemos que trabalhar”, explicou Ingrid. 

A manifestação está marcada para às 18h, mas ainda não possui um local definido.

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