Modelo brasileira ganha passarelas da Paris Fashion Week com cabelo black

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Modelo brasileira ganha passarelas da Paris Fashion Week com cabelo black
Foto: Flying Solo.

A modelo Mariana Vassequi tirou o fôlego de quem assistiu o desfile da marca brasileira Atitú na Semana de Moda de Paris. A modelo, que já mora na cidade, encerrou o desfile, com a principal peça do desfile, o vestido de franjas. Além disso, a modelo também desfilou para a grife 831 MINHLE.

Diferentemente de outras modelos negras, que geralmente aparecem nas passarelascom os cabelos raspados, Mariana desfilou ostentando sua coroa de cabelos crespos naturais. “É importante sempre tentar levar a ideia de corpos-reais para o mercado de moda. Mas apesar da crítica que deve ser constante, eu me senti muito feliz de poder estar lá, na maior semana de moda do mundo”, diz a modelo.

Essa conquista é uma volta por cima na vida de Mariana, que em 2020 foi vítima de racismo por parte de um cabelereiro que se referiu ao cabelo da modelo como “filhote de patrão”. Mariana conversou com exclusividade com o Mundo Negro e contou sobre o desfile e os planos para os próximos passos.

Foto: Flying Solo.

Como você se sentiu desfilando na semana de moda de Paris com o seu cabelo natural, trazendo toda a potência de representatividade negra?

Acho que ainda temos muito no que avançar dentro da questão de representatividade nas passarelas e modelos nos castings e na área da moda em geral. Infelizmente, não vi muitas negras com cabelo crespos e tatuagem. É importante sempre tentar levar a ideia de corpos-reais para o mercado de moda. Mas apesar da crítica que deve ser constante, eu me senti muito feliz de poder estar lá, na maior semana de moda do mundo. É incrível poder ser mais uma de nós nesses espaços sabe, então eu me senti feliz, orgulhosa de quem eu sou, e acredito que seja uma mensagem de resistência, de que nós podemos sim estar em qualquer lugar que a gente sonhar ou desejar, e que as pessoas precisam respeitar quem nós somos, o nosso cabelo, e a nossa identidade. Afinal de contas, somos lindas.

Você acredita que está no melhor momento da sua carreira?

Acredito, sim. Não só pela cidade, por estar morando em Paris — o que também é mais um sonho realizado — mas, acima de tudo, por ser um momento da minha vida em que eu estou me sentindo muito auto-confiante, em paz, feliz comigo mesma e me amando muito. Então, acredito que toda essa auto confiança passa de uma certa forma para os meus trabalhos. E tem sido incrível viver essas novas experiências, aprender francês e trabalhar num outro país. É um momento muito especial da minha carreira, jamais vou esquecer.

O que você ainda deseja alcançar?

É engraçado que quando a gente realiza alguns sonhos a gente pensa: “E agora, qual será meu próximo sonho, minhas próximas metas?” e eu confesso que sou muito fã da Chanel, então seria um enorme prazer trabalhar com essa marca, e levar ai cada vez mais essa diversidade para dentro da Alta Costura. Sem dúvidas, é algo que eu ainda desejo alcançar.

Que trabalhos você tem desenvolvido no momento?

Tem sido muita correria por aqui, a semana de moda acabou de acabar e foi um prazer ter desenvolvido esse trabalho, eu ainda estou extasiada. Também gravei uma tomada de figuração para a Netflix França, e foi bem interessante estar no mundo do cinema, me fez pensar em até quem sabe fazer filmes eséries. Essa semana tambem aconteceu um editorial fotografico em parceria com a Maybeline New York Paris, ficou tudo incrível. E estive sempre com meu cabelo black power, em todos esses momentos.

Além dos trabalhos como modelo, eu tenho pensado em projetos pessoais e sociais, como na criação de um podcast que fale das questões raciais no cotidiano e também na moda. Eu sempre digo que sucesso de verdade vai ser quando, estivermos em determinados espaços, e ao olhar para o lado ver que não estamos sozinhas, ou em minoria.

Que, acima de tudo, a gente possa ter sempre esperança e fé de dias melhores, e não desistir dos nossos sonhos, se permitir sonhar, idealizar qual vida queremos ter, com o que queremos trabalhar, onde queremos morar, e sabendo que nenhum racismo, apesar da dor, vai nos parar, muito pelo contrário, independente da dor, nós vamos conquistar. Correr atrás dos nossos direitos, ir para a luta, e nunca desistir, esse é o caminho!

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