A empresa Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, está lançando o Desafio RAP: Realidade Aumentada na Pele, programa, exclusivo no Brasil, de treinamento e premiação com foco na educação e desenvolvimento da comunidade negra no ecossistema de realidade aumentada (RA) no país. De acordo com a empresa, o desafio RAP busca diminuir as lacunas de inclusão e diversidade no ambiente digital. Atualmente, no Brasil, 56% da população é parte da comunidade negra e a iniciativa busca também fomentar novas oportunidades econômicas para este grupo no país.

Imagem: Divulgação / Meta.

Ao MUNDO NEGRO, Erick Portes Martins, gerente de parcerias estratégicas da Meta na América Latina e membro do Black@, grupo de afinidade de pessoas negras e aliados na empresa, contou detalhes sobre o projeto.

MUNDO NEGRO: Eu gostaria de ter dados de em que pé está esse ecossistema no Brasil, o que já temos funcionando e acessível. O Metaverso é um ambiente virtual, mas se falo de pessoas negras como desenvolvedores de RA eu preciso contextualizar o que é acessível e o que ainda está em desenvolvimento.

Erick Portes Martins: Primeiramente, é importante explicar que o metaverso ainda está sendo desenvolvido e acreditamos que essa jornada levará de 5 a 10 anos para se tornar uma realidade. O metaverso é a próxima evolução em tecnologias sociais e o sucessor da internet móvel, onde as pessoas poderão viver experiências online mais envolventes e imersivas.

Para dar vida ao metaverso, nós estamos focados em construir ‘pontes’ entre nossos aplicativos, hoje disponíveis em telas 2D, e experiências virtuais mais imersivas, por isso, a realidade aumentada (RA) é o que consideramos hoje a porta de entrada para o metaverso, pelo fato de já estar disponível em nossas mãos por meio de smartphones e computadores.

Atualmente, em todo o mundo, mais de 700 milhões de pessoas já usam filtros de RA no Facebook e no Instagram todos os meses. O Desafio RAP busca endereçar a questão de diversidade desses filtros, ou seja: queremos fomentar um ambiente digital mais inclusivo, diminuir a lacuna de diversidade dentro do ecossistema de realidade aumentada e, promover uma economia mais diversa ao formar mais desenvolvedores de filtros negros.

Imagem: Divulgação / Meta.

O metaverso parece ser algo distante para boa parte das pessoas da comunidade negra que sofre com o apartheid digital e tem menor acesso à Internet. Esse programa reconhece essa realidade na sua configuração ou tem mais foco na diversidade de desenvolvedores?

O programa tem como premissa incluir, educar e formar mais desenvolvedores negros de realidade aumentada no Brasil. Nós acreditamos que ao fomentar o mercado de maneira que seja possível ampliar oportunidades e qualificação de profissionais negros, mais inclusivo e diverso esse ecossistema se tornará.

O projeto oferece, como parte essencial da capacitação, Lives e workshops que vão abordar técnicas como colorimetria e maquiagem para diferentes tons de pele e ensinar como considerar, intencionalmente, esses aprendizados na hora de desenvolver novos filtros. O resultado que buscamos é que seja possível aumentar não só a oferta de filtros pensados e criados para a comunidade negra, mas também mais pessoas negras sendo formadas para atuar nesse mercado.

O que está sendo desenvolvido no metaverso que você acredita que possa ser interessante para pessoas negras?

As experiências do metaverso serão imersivas e com um forte senso de presença. As pessoas terão a oportunidade de jogar, trabalhar, conectar, comprar e fazer tantas outras atividades no universo digital. Nossa expectativa é que o metaverso alcance um bilhão de pessoas na próxima década e as representações nessa plataforma devem refletir a diversidade do mundo real.

As pessoas terão, por exemplo, seus avatares como forma de auto-expressão e recentemente fizemos uma atualização desse recurso no Facebook e Instagram permitindo mais de um quintilhão de combinações diferentes, que incluem novos formatos faciais, cores de pele e também dispositivos, como aparelhos auditivos e cadeiras de rodas para pessoas com deficiência.

A diversidade e inclusão no metaverso devem estar de ambos os lados: dos consumidores, mas também do time que está construindo essa nova tecnologia. Por isso, estamos focados em ampliar a contratação de pessoas de grupos sub-representados para trabalhar diretamente na construção do metaverso, além de investir em parcerias com entidades especialistas e na formação de pessoas que trabalham com inteligência artificial, jogos, realidade virtual e realidade aumentada, como é o caso do Desafio RAP aqui no Brasil.

O programa terá duração de 12 semanas começando pela fase de Educação, seguido pela fase do Desafio e concluindo com a de Premiação. Os 10 melhores filtros escolhidos seguirão critérios pensados e desenvolvidos exclusivamente para a comunidade negra. A agenda completa está aqui.

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