Ela viveu o cancelamento na pele, mais do que isso, se tornou a pessoa mais rejeitada em toda história do “Big Brother Brasil”, foi alvo de diversos ataques no país e apesar de todos os desafios, nada disso a impediu de seguir com sua arte. Karol Conká encontrou o julgamento implacável, o ódio e a agressividade de milhões de pessoas por sua conduta no reality da Globo. O caminho que encontrou para enfrentar tudo — seus próprios demônios, os demônios de seus haters — foi o mesmo ao qual recorre desde menina: a música. Dois meses depois da eliminação, em abril, entrou em estúdio com o produtor Rafa Dias (RDD, do ÀTTOOXXÁ) e preparou as canções que agora aparecem reunidas em seu quarto álbum, “Urucum” (Sony Music).

“Naquele momento o que eu tinha? A minha minha música, a minha verdade”, lembra a rapper. “Precisava entender porque eu me coloquei naquela situação e o que precisava para sair dela. Mergulhei na verdade. Era muita dor, muita angústia, porque eu cheguei a acreditar no que a mídia e as redes sociais diziam de mim. Mas essas canções, assim como a terapia, me trouxeram pro real, pro que eu sou. O álbum reflete esse recolhimento, esse processo de cura. Consegui fazer as pazes com a vulnerabilidade. Porque cresci pensando: “Sou mulher preta, não posso ser vulnerável”.

Ao longo das 11 faixas de “Urucum”, Karol expõe o que viu ao olhar para dentro de si, mas também para dentro das engrenagens da máquina de ódio que se ergueu fora dela. Sem rancor, sem autocomiseração, sem vingança. No lugar desses sentimentos menores, a potência afirmativa de quem se sabe viva — potência que vibra nos versos papo reto e nos beats de calor baiano de RDD.

Tudo isso fica evidente já nos primeiros segundos do disco, com o toque de berimbau sintetizado que abre o caminho para “Fuzuê” e seus versos anunciando a chegada firme e incendiária: “Já vai começar o fuzuê/ Então eu vou deixar inflamar”.

Da voz de rua pra voz da consciência, Karol explora outras nuances de seu canto em “Mal nenhum”, faixa seguinte — o álbum todo, aliás, amplia as possibilidades vocais da cantora, que a cada canção parece investigar um novo terreno. “Mal nenhum” trata do autoconhecimento pra entender o que é sua carga e o que não: “Não é sobre mim/ Toda essa amargurara aê”. Novamente, ela se afirma (“Por onde eu ando/ Batucada bate até de manhã”) e desafia (“Por onde eu ando/ Eu nunca te vi lá”).

Mais poderosa do que nunca, comemorando a chegada do “Urucum”, Conká apresenta o clipe de “Vejo o Bem”, registro em que aparece celebrando a felicidade ao lado de seus amigos.

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