Juristas negras se juntam e preparam mulheres negras para ocupar cargos jurídicos

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Grupo Abayomi Juristas luta por um judiciário com mais mulheres negras

Existe uma parcela muito pequena de pessoas pretas ocupando o Sistema Judiciário Brasileiro, em média, apenas 15,6% dos magistrados(as) do país se autodeclaram como pessoas negras, segundo censo divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça.

Pensando nisso, um grupo de mulheres negras, juristas e pernambucanas se reuniu para ministrar cursos, palestras, e compartilhar estratégias de aprovação por meio de ferramentas de coaching e programas de mentoria em concursos públicos para outras mulheres negras.

O grupo Abayomi Juristas, oferece cursos preparatórios para OAB, mentoria para concursos públicos e outros, com o foco de contribuir para a mudança de um cenário jurídico que exclui  mulher negra de suas prioridades.

“O ambiente jurídico é predominantemente composto por homens brancos e sem a pluralidade no sistema de Justiça, não há Justiça.” Disse Chiara Ramos, fundadora da Abayomi Juristas Negras.

Chiara Ramos é Procuradora Federal e nunca se sentiu representada em sua área, pensando nisso, foi atrás da Comissão de Igualdade Racial da OAB de Pernambuco e conheceu outras mulheres negras que sentiam o mesmo que ela. Focalizou nesse ponto e começou a entender a realidade da área jurídica pernambucana para mulheres negras.

A iniciativa da Abayomi, que não tem fins lucrativos, conseguiu financiamento do Fundo Baobá (Programa de Aceleração de Lideranças Marielle Franco e foi aprovada recentemente como uma das organizações encubadas entre os programas de empreendedorismo do parque do Porto Digital, o que garantiu o acesso a bolsas para alunas do projeto, muitas oriundas do Prouni e moradoras de regiões periféricas.

“Para pagar bolsas para que algumas continuem estudando. Existem algumas juristas que realmente ficam prejudicadas, porque, às vezes, têm que se submeter a trabalhar em telemarketing, por exemplo. Hoje temos oito bolsistas. Para manter essas bolsas, precisamos de recursos. Dessas pessoas muitas são advogadas, algumas já com mestrado, muitas que possuem pós-graduação ou que tentam atuar na advocacia privada mas sonham em exercer um cargo público”, explica Débora Gonçalvez, que foi uma das primeiras amulheres a utilizar o método de ensino de Chiara e hoje, é jurista e co-fundadora da Abayomi.

“Sabendo dos diversos perfis de público alvo e buscando a efetiva inclusão, a Abayomi Juristas Negras abre espaço para que graduandas ou advogadas negras de baixa renda possam se candidatar à bolsa gratuita.

Além disso, a Abayomi Juristas Negras também oferece Cursos Abertos ou In Company, em diversos formatos sobre temáticas buscam colaborar para a construção de uma ética antirracista no meio coorporativo e institucional.” Afirmou o grupo.

Para conhecer e ter acesso ao programa, basta acessar o site da Abayomi Juristas.

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