Jornalista e atleta: Diego Moraes vai cobrir as Olimpíadas de Tóquio e também busca vaga no karatê

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Diego Moraes, 32 anos, será um dos repórteres esportivos da TV Globo nas Olimpíadas de Tóquio. Moraes chamou atenção ao cumprir dupla jornada, como jornalista e como atleta de Karatê, esporte esse que pode levá-lo para o mesmo evento em que vai trabalhar. 

Confirmado oficialmente como um dos repórteres da emissora no evento, o “jornalista karateca” tira um peso das costas, já que corria o risco de entrar na lista de corte da emissora, que vai enviar equipe enxuta para o Japão. 

Quem vai enriquecer a tela com representatividade negra junto a Diego no mundo do jornalismo esportivo é a apresentadora Karine Alves (38), que em 2021 se tornou a primeira mulher preta a apresentar o Esporte Espetacular, programa carro-chefe das manhãs dominicais da Globo. “Em resumo, teremos em Tóquio dois pretos no vídeo. Eu na reportagem e Karine na apresentação”, diz o repórter atleta sem esconder a animação. 

Karine Alves será uma das âncoras da Globo nas Olimpíadas

Se estar seguro em relação a presença como jornalista no Japão, a vaga como atleta ainda espera definição. Por conta da pandemia, Diego teve menos competições para participar e pontuar para chegar à Tóquio e agora conta com uma última competição em Portugal para alcançar a vaga olímpica: “Eu estou brigando ainda pela vaga como atleta, por isso estou aqui em Portugal. Mas só o ouro poderia me colocaria na briga direta pela vaga novamente”, Diego Moraes. 

Apesar dos percalços de um atleta precisando manter a forma durante uma das maiores crises sanitárias da história, Diego não desanima e aguarda confiante: “Não é algo impossível hoje, pois já estou lutando no nível dos melhores do mundo,mas é algo difícil. É uma competição, que tem 64 atletas na minha categoria e que reúne apenas os melhores ranqueados de todo o mundo. Estou nela porque estou entre os melhores ranqueados”. 

Diego em ação no tatame (Imagem:Além do Kiai)

O jornalismo oferece pouco destaque a profissionais negros, com somente 23% dos jornalistas pertencentes a esse recorte, segundos dados da FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, ainda que pretos sejam um pouco mais da metade da população brasileira (54% segundo dados do IBGE). Essas informações mostram como é importante a conquista de Diego Moares e Karine Alves, que serão reflexos para futuros profissionais se espelharem e,talvez, com menos dificuldade.

Enquanto a vaga representando a seleção não vem, Diego Moraes pode comemorar, assim como os que virão depois agradecem pelas portas abertas por quem luta, literalmente, em várias frentes. 

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