“Jeremias – Pele” HQ vencedor do prêmio Jabuti 2019 aborda racismo e identidade racial na infância

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Foto: Reprodução

Imagine uma criança que começa a se perceber no mundo e durante uma brincadeira sobre profissões, a professora lhe atribui um trabalho historicamente associado ao estereótipo de cor e contraria seu sonho de ser astronauta, como se a cor de sua pele fosse um atestado da predestinação ao subemprego. Essa é a delicada premissa da edição 18 Graphic MSP, “Jeremias – Pele”, lançada em 2019.


Jeremias é um personagem secundário pouco explorado no universo da Turma da Mônica. Nunca teve bem desenvolvida a sua personalidade como outros personagens que surgiram depois, mas isso foi sanado com uma das melhores HQs nacionais dos últimos anos.


“Jeremias- Pele” foge do clichê de pintar o garoto preto favelado e coloca seu protagonista como membro de uma família de classe média, usando isso para mostrar, sem sutileza, que classe social não é barreira contra o racismo. Jeremias tem ciência do tipo de violência que sofre e isso ressoa também dentro de casa, no relacionamento da família.


O roteiro fica a cargo de Rafael Calça (“Crônicas da Terra da Garoa”, de 2016). Não foi a toa que o roteirista paulistano faturou por essa obra o Prêmio Jabuti de melhor roteirista, entre outra premiações. O texto é cuidadoso, não resvala em possíveis extrapolações para manipular a emoção do leitor.
As cores e traços são uma amostra do talento e cuidado de Jefferson Costa ( “Roseira, Medalha, Engenho e Outras História”).


“Jeremias- Pele” supera seus antecessores da coleção de Graphic Novels e merece ser lido por públicos de todas as idades. Com a mediação de um adulto pode ser o instrumento certo para abordar racismo com as crianças.

https://twitter.com/TurmadaMonica/status/1200215274349305856?s=20


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