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Tradição e inovação na beleza — Make para Negras: Angélica Silva revela tendências e inclusão no universo da beleza

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Foto: Angélica Silva

A maquiagem para mulheres negras sempre enfrentou desafios na indústria da beleza. Durante muito tempo, produtos específicos para tons de pele mais escuros foram escassos ou inexistentes, o que obrigava as mulheres negras a improvisar e adaptar produtos que não foram feitos pensando nelas. Esse cenário tem mudado aos poucos, impulsionado por profissionais que lutam por mais diversidade, inclusão e representatividade no mercado.

Um exemplo importante desse movimento é a maquiadora Angélica Silva, que vem conquistando espaço como uma das maiores especialistas em beleza para peles negras no Brasil. Com vasta experiência e uma atuação reconhecida nas redes sociais, Angélica é referência para quem busca dicas e técnicas que valorizam a beleza negra com autenticidade e respeito. Ela também assinou a direção de beleza do recente lançamento da Boca Rosa, ao lado de Bianca Andra, CEO da marca, e Luiz Cantu, expert em beleza.

Em entrevista exclusiva para o Mundo Negro, a beauty expert Angélica Silva compartilha suas reflexões e experiências sobre maquiagem para mulheres negras. Abordando temas que vão desde a importância do contorno labial até as tendências atuais de batons, Angélica traz um olhar profundo sobre como a indústria da beleza tem evoluído para incluir e valorizar a diversidade das peles negras.

Pergunta: O contorno labial tem raízes profundas na estética das mulheres negras, mas só recentemente voltou ao radar das tendências mainstream. Como você enxerga esse movimento e o que ele representa culturalmente?

Resposta de Angélica:
“O contorno labial, na verdade, nasceu de uma necessidade. A falta de acesso e investimento da indústria em produtos para peles escuras fez com que essas mulheres improvisassem em um contorno que valorizasse os batons que eram produzidos naquela época; era uma forma de adaptar o que era criado somente para mulheres brancas, para os lábios não ficarem acinzentados ou esbranquiçados por conta de todo pigmento branco que era colocado no cosmético. As mulheres pretas contornavam os lábios para adequar aquele tipo de produto ao seu tom de pele; tudo isso está mais ligado à questão de pertencimento.”

A beleza dos lábios naturalmente volumosos das mulheres negras é tema de muita conversa e ainda carrega tabus. Angélica destaca como as tendências se adaptaram e como o mercado começa a reconhecer essa estética de forma mais genuína.

Pergunta: Entre os produtos labiais que você testou nos últimos tempos, quais tendências realmente funcionam para os nossos lábios especialmente em quem tem lábios naturalmente volumosos? Ainda existem muitos tabus nesse tema?

Resposta de Angélica:
“Mulheres pretas se adaptam muito bem a todas as tendências atuais que carregam fortemente a estética que nós criamos e mantemos ainda hoje. Em um período dos anos 2000, contornar os lábios se tornou algo ‘cafona’ para quem ditava tendências. Os lábios coloridos foram chegando com força em tons arroxeados, vermelhos alaranjados e aquele rosa Danoninho que não valoriza em NADA a pele negra. Isso não impediu essas mulheres de se adaptar mais uma vez e fazer combinações para adaptar cada tonalidade. Eu escutei bastante na minha infância que mulheres negras, por ter a boca maior e mais volumosa, não ‘precisava’ de batom, com a desculpa de que o cosmético era somente para essa finalidade. Com o tempo entendi que, na verdade, quem não tinha boca grande não estava adepto a usar cores chamativas ou contornos labiais, um exemplo é o uso de preenchimentos labiais hoje na área estética. É quase obrigatório ter uma boca carnuda e preenchida. Mulheres negras investem em lip combos que acompanhem a tendência atual, mas em tons específicos pra elas.”

A durabilidade do batom é uma preocupação constante. Angélica compartilha dicas práticas para quem quer garantir um acabamento perfeito, seja com batons matte ou glossy.

Pergunta: Na prática, o que faz diferença para o batom durar mais nos lábios? Tem alguma dica ou truque que você usa pra manter a cor bonita mesmo depois de comer ou falar muito?

Resposta de Angélica:
“É uma questão de acabamento; se você gosta de durabilidade, vai optar por batons e lápis em acabamento matte que secam, não transferem e são à prova d’água. Se você gosta de um acabamento glossy, molhado e cheio de textura, vai precisar abrir mão da durabilidade e ter a noção de que o retoque vai ser necessário. O contorno pode ser o mais resistente possível, assim que entra em contato com balms hidratantes ou gloss que contêm óleos e hidratantes potentes, ele acaba diluindo e ficando mole. O ideal é combinar um lápis, como esse lançamento da Boca Rosa que se comporte bem com ambos os produtos, tanto matte quanto gloss, e pensar em qual estética está disposta a entregar.”

Ter mulheres negras na equipe de desenvolvimento de produtos e na criação de campanhas é essencial para que os lançamentos façam sentido e atendam às reais demandas desse público.

Pergunta: As colaborações entre influenciadoras negras e grandes marcas ainda são poucas, mas começam a ganhar força. O que significa pra você ter assinado a beleza de uma campanha nacional ao lado do Cantu?

Resposta de Angélica:
“Poder ver de perto a indústria realmente incluindo pessoas negras com certeza tem um diferencial pra tudo. Nada começa no produto final, o pertencimento começa na equipe que está desenvolvendo aquele produto e aquela campanha. E isso que fazem na Boca Rosa desde o início, com a inclusão de diversos tons de base sabe? É óbvio que, se você é uma CEO branca e não contrata pessoas pretas para sua empresa de beleza, você não vai ter noção de como funciona realmente esse mercado. Se, pra além de um produto, você faz questão de ter uma equipe diversa, você entende que empreender em beleza vai além de venda de produto. No caso de mulheres pretas que não tiveram acesso, isso significa pertencer. Não somos a minoria, queremos produtos feitos pensados em nós de verdade. Mulheres negras movimentam bilhões em consumo ao ano, mas elas aprenderam que o que não foi feito pra elas não merece o dinheiro delas e as marcas precisam se movimentar pra isso.”

A escolha das cores que mais combinam com diferentes subtons da pele negra pode transformar a experiência da maquiagem, elevando a autoestima e a expressão pessoal.

Pergunta:Na hora de escolher a cor do batom, muitas pessoas negras ainda têm receio de ousar. Que tons você acha que estão em alta e que valorizam a nossa diversidade de peles, subtons e estilos?

Resposta de Angélica:
“Eu bato na tecla do batom marrom há muuuuuuitos anos e realmente faço questão de direcionar produtos que realmente valem a pena o investimento. Na verdade, o batom marrom nada mais é do que o nude em peles negras, o que vai diferenciar é a tonalidade, intensidade e subtom. Você pode investir em batons com mais pigmento que não leva fundo branco, porque na hora da aplicação aquele fundo ressalta. Batons com fundos quentes mais fechados, como terracota, vinho, marrons profundos com um toque berinjela, marrons quentes numa pegada chocolate e até um roxo mais profundo, que nas peles negras revelam um rosado ideal e nesse lançamento de Boca Rosa, temos tons ideais para isso. Já tinha opções nesse estilo na primeira leva, mas agora temos outras novas cores para trazer ainda mais diversidade. Parece algo provável, mas consumir conteúdo de mulheres parecidas com você ajuda demais nessa questão. Geralmente, criadoras de conteúdo negras têm maior acesso a tonalidades, tendo em vista que as marcas direcionam seus produtos pela cartela de cor, isso facilita até numa escolha de base ou maquiagens em geral.”

Considerações finais

A entrevista com Angélica Silva evidencia como a maquiagem para mulheres negras vem ganhando cada vez mais espaço e reconhecimento no mercado da beleza. É possível perceber uma evolução real na oferta de produtos que atendem às necessidades específicas dessas peles, acompanhada de uma maior representatividade e inclusão nas equipes por trás das campanhas. Esse movimento fortalece não só a autoestima das mulheres negras, mas também transforma a indústria, tornando-a mais diversa, justa e conectada com a riqueza e potência da beleza preta.

“Vocês não têm ideia do quanto isso significa para nós”: Cyda Moreno, que vive Yara em ‘Dona de Mim’, sobre o protagonismo negro na TV

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Foto: reprodução

O avanço da representatividade negra na televisão brasileira tem sido uma conquista lenta, marcada por batalhas históricas e resistências. Por décadas, atores e atrizes negros ocuparam papéis pequenos, periféricos e muitas vezes estereotipados, raramente assumindo o protagonismo nas telas. Porém, essa realidade tem passado por transformações significativas nos últimos anos, especialmente em produções que começam a valorizar a diversidade e a escuta dos territórios populares.

Nesse cenário de mudanças, Cyda Moreno se destaca como uma voz que carrega a memória dessas lutas e a esperança do que ainda está por vir. Aos 61 anos, a atriz, que hoje interpreta Yara na novela Dona de Mim, representa uma trajetória de resistência e avanço no audiovisual brasileiro.

Sobre a representatividade na novela, Cyda compartilha:
“No elenco principal, a maioria é composta por atores negros, e toda a equipe de produção também conta com muitas pessoas negras trabalhando para dar suporte a esse elenco. Vocês não têm ideia do quanto isso significa para nós. Até pouco tempo atrás, uma configuração como essa era praticamente impensável.”

A carreira de Cyda começou em 1997 na Globo, com uma participação regional. Passou por trabalhos importantes, como o seriado Mulher e a novela de época A Padroeira (2001), na qual interpretou uma escravizada que viveu em quilombo.

Ela reflete sobre a evolução do espaço ocupado pelos atores negros na televisão:
“Naquela época, os papéis eram pequenos, periféricos, e não ocupávamos o centro da cena; não éramos os protagonistas. É só olhar para as novelas antigas que passam no Canal Viva para perceber essa realidade, que representa outra face do Brasil. Hoje, quando vejo um elenco inteiro, formado majoritariamente por jovens atores negros, com todas as pessoas trabalhando para garantir esse protagonismo, isso é realmente emocionante.”

A fala de Cyda Moreno funciona como um registro vivo das transformações que ocorrem no audiovisual brasileiro, mostrando que o protagonismo negro tem ganhado força, visibilidade e reconhecimento. Sua trajetória inspira novas gerações a reivindicarem seus espaços com identidade e potência. Em um país que ainda enfrenta o racismo estrutural, o trabalho e a voz de Cyda são fundamentais para promover o debate e estimular mudanças profundas, tanto nas telas quanto na sociedade.

Ex-marido de Halle Berry admite que imaturidade motivou divórcio: “Ela não cozinhava, não limpava, não parecia muito maternal”

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Foto Halle: Lionel Hahn/Getty Images | Foto David: Graves/Getty Images para Associação de Boxe WAGs

David Justice, ex-jogador da Major League Baseball (MLB), falou sobre o fim de seu casamento com a atriz Halle Berry em meados dos anos 1990. Em entrevista ao podcast All the Smoke, ele admitiu que expectativas tradicionais sobre o papel da esposa e sua imaturidade na época contribuíram para a separação.

Foto: Ron Davis/Getty

“Meu conhecimento sobre relacionamentos não era vasto. Eu era do Centro-Oeste e, na minha cabeça, uma esposa deveria cozinhar, limpar, ser tradicional”, disse Justice, que jogou no Atlanta Braves e se aposentou em 2003. “Ela não fazia essas coisas. Pensei: ‘Se tivermos filhos, será com ela que quero construir uma família?’. Naquela época, como um cara jovem, isso começou a gerar conflitos”, revelou.

O casal se conheceu em 1993 e, cinco meses depois, Berry pediu Justice em casamento. “Eu disse sim, mas não sei se estava de coração aberto. Não queria magoá-la”, confessou. Eles se separaram em 1996 e divorciaram-se oficialmente em 1997. Justice admitiu que poderia ter lidado melhor com o término. “Olhando para trás, aquela garota realmente me amava. Entendo por que ficou tão magoada”, disse. “Eu poderia ter terminado com mais calma”, refletiu.

Justice também falou sobre as suspeitas públicas de que teria agredido Berry durante o relacionamento. Em 1996, a atriz revelou à revista People que um ex-namorado não identificado a agrediu, perfurando seu tímpano. Na época, parte do público associou o episódio a Justice porque a atriz não revelou o nome do agressor.

“Ela deixou o mundo pensar que era eu”, disse ele, citando que torcedores chegavam a gritar: “Ei, Justice, bata na bola como bateu na Halle!”. Em 2015, no entanto, Berry esclareceu em rede social que Justice não era o agressor, encerrando os rumores.

Atualmente, Berry mantém um relacionamento com o músico Van Hunt. Já Justice é casado há 24 anos com Rebecca Justice, com quem tem dois filhos.

Instituto Central será lançado como a primeira cooperativa nacional de pesquisa

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Foto: reprodução

No dia 13 de agosto de 2025, Preto Zezé, Cléo Santana e Marcus Vinícius Athayde lançam oficialmente o Instituto Central, um instituto de pesquisa inédito no Brasil que chega com um modelo cooperativo, presença nacional e foco na escuta qualificada das favelas e comunidades populares. Essa iniciativa faz parte do ecossistema Favela Holding, grupo com mais de 30 empresas presidido por Thales Athayde e Leo Ribeiro. O instituto ainda conta com o apoio social da CUFA (Central Única das Favelas) e parceria da Data Goal, que oferece a tecnologia para a realização da primeira grande pesquisa.

O Instituto Central nasce com o propósito de criar uma rede nacional de inteligência social, reunindo pesquisadores-cooperados em todo o Brasil. Sua estreia acontece com uma megapesquisa, que vai ouvir mais de 10 mil pessoas em conflito com a lei — especialmente operadores do tráfico — em 24 dos 27 estados brasileiros, durante 22 dias. Diferente do que se pode imaginar, o estudo não vai focar em crimes ou violência, mas em aspectos humanos como família, formação, hábitos, cotidiano, consumo, sonhos e visão de futuro.

Pessoas invisibilizadas no centro da história

O objetivo principal da pesquisa é humanizar essa população. Geraldo Tadeu, referência nacional em estudos sociais e coordenador técnico do projeto, explica:

“Queremos entender a fundo a realidade desses grupos, sem fazer apologia ao crime ou emitir julgamentos, mas com uma escuta que valorize família, lazer, religião, escolhas e sonhos.”

Depois, a mesma metodologia será aplicada a policiais, com perguntas iguais, criando uma base comparativa inédita no país.

Cooperação para transformar dados em ação

O Instituto é presidido por Cléo Santana e Marcus Vinícius Athayde, que atuam como copresidentes. A coordenação geral está sob responsabilidade de Bruna Hasclepildes, especialista em pesquisa corporativa, e Geraldo Tadeu, fundador do IBPS. O time ainda conta com Fernando da Silva, ex-diretor do IBGE, e uma ampla rede de coordenadores regionais da CUFA.

Para Cléo Santana:

“O Instituto Central nasceu da urgência de transformar territórios em dados, e dados em mudanças reais. Queremos que as pessoas das favelas sejam sócias do conhecimento, protagonistas e cocriadoras de soluções.”

Marcus Vinícius reforça:

“Atuamos hoje em 70 países com a CUFA e a Favela Holding. Ainda este ano, a ideia é expandir o Instituto para pelo menos 50 países, porque os problemas e soluções se repetem pelo mundo. O Instituto Central é uma ferramenta essencial para pensar e construir respostas junto à sociedade.”

Capacitação como base do projeto

A partir de 20 de julho de 2025, o Instituto começou a capacitar multiplicadores e cooperados em todo o Brasil. No dia 13 de agosto, cada região terá uma aula final presencial. No Rio de Janeiro, o encontro será na CUFA da Penha, com representantes de várias favelas como Rocinha, Alemão, Acari, Vila dos Pinheiros, Serrinha e Penha. Depois dessa aula, todos vão ao campo simultaneamente na Penha e em outras comunidades importantes do país, como Sol Nascente (DF), Heliópolis e Paraisópolis (SP).

Geraldo Tadeu lembra:

“Meu primeiro contato com a CUFA foi em 2007, numa pesquisa em 150 favelas do Rio. Desde então, ficou claro que produzir conhecimento com as periferias — e não só sobre elas — era uma urgência nacional. Agora, com o Instituto Central, pesquisadores das favelas são sócios do conhecimento, com autonomia para criar seus próprios caminhos e gerar dados com escuta e respeito.”

Preto Zezé, cofundador da CUFA, complementa:

“O Ceará perdeu muito por falta de formação em pesquisa nas favelas. Com o Instituto Central espalhado, os parceiros locais são donos do projeto e protagonistas da narrativa. Isso vai muito além do empreendedorismo.”

Serviço

Lançamento do Instituto Central
Data: 13 de agosto de 2025
Horário:
• 09:00 – Café da manhã
• 09:30 – Aula final com coordenadores
• 10:00 – Coletiva de imprensa
• 11:00 – Início oficial da pesquisa de campo
Local: CUFA Penha – Rio de Janeiro

Artista pede interrupção ou revisão de mostra no Inhotim por retratar negros de forma estereotipada

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Foto: Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem cobrarei no inferno (1985)/Miguel Rio Branco

O artista e pesquisador Diogo Nógue enviou uma carta aberta ao Instituto Inhotim, em Minas Gerais, criticando a exibição das obras do fotógrafo Miguel Rio Branco na instituição. Segundo Nógue, as imagens da série Maciel (1979) e do filme Nada levarei quando morrer aqueles que me devem cobrarei no inferno (1985), que retratam comunidades negras do Pelourinho, em Salvador (BA), são apresentadas sem mediação crítica, reforçando estereótipos racistas.

Nas obras denunciadas, o fotógrafo registra cenas de vulnerabilidade, violência e prostituição no Pelourinho. Diogo Nógue argumenta que a montagem atual promove uma “leitura que animaliza e objetifica as pessoas negras”, além de não fazer qualquer contextualização histórica, nem mesmo sobre a participação das comunidades retratadas: “O museu opera como demonstração de poder na narrativa sobre territórios marginalizados”, escreveu o artista, citando análises acadêmicas que apontam para a “estetização da pobreza” diante de um público majoritariamente branco e elitista.

Ele destaca que no vídeo, Miguel Rio Branco “filma de forma voyeristica [sic] brigas, pessoas alcoolizadas, e os moradores em atividades no bairro, a montagem junto a sonoplastia e música transforma as imagens no grotesco e em certas partes erotizando e zombando de mulheres nuas”. Em resposta, o Inhotim afirmou que “prevê ainda para este ano a atualização dos textos das galerias e obras ao ar livre, com o objetivo de propor uma abordagem curatorial atualizada e alinhada às discussões do nosso tempo”, escreveu a equipe de comunicação em resposta ao e-mail enviado por Diogo.

Além de críticas feitas ao modo como a população negra é retratada nas obras e apresentada pelo museu, Nógue sugeriu a interrupção da exibição ou inclusão de narrativas críticas de artistas negros, mediação histórica que relacione as imagens ao racismo estrutural e ao genocídio da população negra, a Bahia, local das fotos, é o estado com mais mortes de negros por violência policial, além da participação comunitária em curadorias futuras.

Ele ainda reforçou na carta enviada para grupos do movimento negro e veículos de comunicação: “É inadmissível exibir imagens de corpos negros sem o protagonismo das comunidades retratadas”.

Dia do Estudante: escolas falham em proteger alunos negros do racismo, apontam especialistas

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Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O que deveria ser um dia de celebração, o Dia do Estudante é ofuscado por discussões urgentes sobre o racismo estrutural nas instituições de ensino brasileiro. A luta pelo direito à educação se estende para a luta contra o racismo sofrido por inúmeros alunos negros dentro das salas e aula e em ambientes escolares que deveriam ser espaços de acolhimento, mas que em muitos casos se tornam desafiadores e violentos.

Um estudo realizado pelo Instituto de Referência Negra Peregum (IPEC) em parceria com o Projeto SETA e publicado, revelou que 64% dos jovens consideram o ambiente escolar como o local em que mais sofrem racismo. Outros dados coletados pelo IPEC mostraram que 44% dos entrevistados consideram raça, cor e etnia como o principal fator gerador de desigualdades. Além do grande número de casos, a punição ou medidas corretivas aplicadas para as pessoas que cometem esse tipo de crime dentro do ambiente escolar ainda é questionável: “Quando a vítima é negra e o agressor branco, muitos juízes consideram a condenação criminal ‘severa demais’. É o oposto do que ocorre quando o réu é negro”, critica o advogado Hédio Silva Jr., responsável pelo caso sofrido pela filha mais velha da atriz Samara Felippo, destacando que escolas podem ser processadas por omissão.

Entre os casos que ganharam destaque na imprensa, estão o episódio vivido em fevereiro deste ano, pelo ator Ygor Marçal, de 11 anos, conhecido por novelas da TV Globo, e que precisou trocar de escola após sofrer racismo no Colégio Batista, na Barra da Tijuca (RJ). Outro caso é o da adolescente de 15 anos, bolsista no Colégio Mackenzie (SP), que foi internada em ala psiquiátrica após sofrer bullying, ataques racistas e homofóbico. A mãe revelou que a filha era chamada de “lésbica preta” e “cigarro queimado”. O caso piorou quando um vídeo íntimo da jovem foi gravado e ameaçado de vazamento por um colega.

Para além dos muros da escola, estudantes negros também convivem com o racismo nos grupo de WhatsApp formado pelos alunos das instituições, muitas delas de elite. Em denúncia publicada no mês de janeiro de 2025, a imprensa noticiou que o Colégio Santa Cruz, uma das instituições de ensino mais tradicionais e caras de São Paulo, havia suspendido 34 alunos do ensino médio depois que denúncias de bullying, ameaças e mensagens com conteúdo racista, homofóbico e misógino foram feitas em grupos de WhatsApp com mais de 150 integrantes. Os agressores eram estudantes do segundo e terceiro anos, que vitimaram calouros do primeiro ano.

No mês de agosto de 2024, ex-estudantes beneficiados pelo Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos) publicaram uma carta de repúdio contra as declarações feitas pelo ex-diretor e assessor do Colégio Bandeirantes, Mauro Salles Aguiar, que classificou como “agressividade” a cobrança de bolsistas por respostas e apoio psicológico após o suicídio de um colega vítima de bullying e homofobia na escola. Um trecho da nota reforçava: “Ao destacar a ‘agressividade’ dos estudantes bolsistas sem considerar as dinâmicas raciais e sociais, ainda mais em um momento de luto, o ambiente escolar perpetua o racismo estrutural e falha em formar cidadãos conscientes e empáticos”.

Já em novembro de 2023, um vídeo comovente mostrou um menino de 7 anos, aluno da Fundação Fito (Osasco/SP), pedindo aos pais para colocá-lo numa escola “boazinha” após sofrer discriminação. O caso ganhou visibilidade, mas a família não relatou mudanças significativas na postura da escola.

No mesmo período, Patrícia Santos, fundadora da EmpregueAfro, também havia denunciado o caso de racismo sofrido pelo filho, então com 12 anos, na EMEF Ângelo Raphael Pellegrino, em São Caetano do Sul (SP). Apesar de já ter levado o caso para o Ministério Público, Patrícia denunciou que não houve melhora no acolhimento do jovem, que já havia passado por quatro episódios de violência racista. Como resolução, mãe solicitou a transferência do adolescente para outra escola. 

“Com Preta, tivemos tempo de ir nos acostumando”, diz Gilberto Gil sobre luto diferente após perda de Pedro Gil

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Foto: Reprodução/TV Globo

Em uma entrevista comovente ao Fantástico neste domingo (10), Gilberto Gil falou sobre a dor de perder a filha, Preta Gil, que faleceu no dia 20 de julho após uma batalha contra o câncer de intestino. Mas, mais do que a saudade, o cantor trouxe uma reflexão rara sobre como o luto se transforma quando a morte é anunciada, em comparação com a perda abrupta de seu filho Pedro, em 1990, aos 20 anos, vítima de um acidente de carro.

“Com Preta, nós tivemos tempo de irmos nos acostumando com a ideia. O diagnóstico dela foi muito duro desde o início, as expectativas de cura eram pequenas”, disse. “Já com Pedro, foi um golpe seco. Na época, me pronunciei quase como uma queixa: ‘Poxa vida, os meninos nascem para enterrar a gente, fica esquisito a gente ter que enterrar os filhos'”, lembrou.

Enquanto a morte de Pedro foi um rompimento violento e inesperado, a jornada de Preta, segundo Gil, trouxe lições sobre aceitação e presença. Ele relembrou os últimos meses da filha nos EUA, onde ela continuou o tratamento cercada pela família: “Ela resolviu ir dentro desse contexto extraordinário de empenho, de amor à vida, de apego no sentido mais benigno da palavra. Então esses últimos tempos nos Estados Unidos foram disso, de acompanhá-la, de cercá-la do maior conforto possível”, afirmou

Gil destacou ainda a personalidade animada e positiva de Preta, que mesmo diante da doença insistia: “Vai cantar, vamos embora”. “Ela era talvez a mais espevitada de todos os filhos. Uma menina que nos ensinou muito”, disse.

Questionado sobre como levará a saudade para os shows, sua turnê ‘Tempo Rei’ retoma em 5 de setembro, em Porto Alegre, Gil evitou prometer homenagens grandiosas, mas não descartou gestos espontâneos: “Às vezes penso em inventar algo diferente, mas acho que o show já carrega ela. Se vier um ímpeto, farei um pedacinho só para ela.”

Corrida Contra o Tempo’: o documentário que expõe como o racismo afundou Nova Orleans antes mesmo da água

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Foto: Divulgação

Disponível no Disney+ com o título em português Furacão Katrina: Corrida Contra o Tempo, a nova série documental da National Geographic resgata uma das passagens mais traumáticas da história recente dos Estados Unidos sob um ponto de vista que desafia a narrativa oficial. Com produção executiva de Ryan Coogler (Pantera Negra), a obra parte de relatos de moradores e socorristas para mostrar como o desastre natural ocorrido em 2005 expôs o racismo estrutural que atravessa o país.

Ao longo de cinco episódios, a série reconstitui os bastidores da tragédia com base em arquivos inéditos, vídeos caseiros e depoimentos de sobreviventes. Um dos episódios mais impactantes mostra como a Guarda Nacional da Louisiana tratou a população negra durante os resgates. Em vez de receberem assistência humanitária, muitas pessoas foram abordadas de forma agressiva e conduzidas “como gado”, segundo reportagem do Wall Street Journal. “Houve momentos em que a sobrevivência foi tratada como crime”, resume uma das vozes da produção.

A direção é de Traci A. Curry, que também assinou Attica, indicado ao Oscar. Segundo ela, a série adota um tom de investigação forense, traçando a cadeia de decisões que agravaram a tragédia. Não se trata apenas de um relato do desastre natural, mas de uma denúncia sobre a forma como a resposta pública ignorou — ou agravou  o sofrimento de comunidades historicamente negligenciadas.

Produzida ao longo de dois anos, a série envolveu o acesso a centenas de horas de material bruto e conversas com moradores que nunca haviam sido ouvidos pela grande imprensa. Entre os personagens centrais está o poeta e sobrevivente Shelton Alexander, que registrou em vídeo sua experiência no Superdome, estádio onde milhares de pessoas foram abrigadas em condições insalubres. As imagens de Alexander, combinadas a imagens de helicópteros, mostram famílias inteiras vivendo dias sem água potável, comida ou assistência médica e sob vigilância armada.

Ryan Coogler, responsável pela produção ao lado da equipe da Lightbox, explica que o objetivo do projeto era garantir que a narrativa partisse de quem realmente viveu a tragédia. “Queríamos contar essas histórias através das vozes das pessoas que viveram o desastre  moradores, socorristas e líderes comunitários”, afirmou, em entrevista ao portal Black America Web.

Lançada vinte anos após o Katrina, a série funciona também como um acerto de contas com a forma como desastres são geridos — e com quem mais sofre quando os sistemas falham. Em um dos trechos, um entrevistado aponta: “Durante duas semanas, vidas negras na Costa do Golfo foram destruídas. E ninguém parecia se importar”.

Estudo aponta que licença-paternidade mais longa aumenta amamentação em 31%

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Foto: reprodução/Freepik

Um estudo da Northwestern University, nos Estados Unidos, indica que a licença-paternidade mais longa pode ter impacto direto na duração da amamentação. A pesquisa, publicada em março de 2025, mostrou que pais que tiram pelo menos duas semanas de afastamento aumentam em 31% as chances de suas parceiras continuarem amamentando até oito semanas após o parto.

O levantamento foi feito com 240 pais empregados no estado da Geórgia e reforça a importância do envolvimento paterno nos primeiros meses de vida do bebê. Segundo especialistas, a presença do pai nesse período cria condições para que a mãe amamente por mais tempo e com mais tranquilidade.

No Brasil, a licença-paternidade padrão é de cinco dias, considerada insuficiente por especialistas. Em suas redes sociais, ator e escritor Tadeu França, que compartilha conteúdos e reflexões sobre paternidade, defendeu a ampliação do benefício, destacando que a mudança é urgente. “Como os pais irão aprender a cuidar, conhecer o bebê, apoiar a família e se adaptar à nova rotina em tão pouco tempo? Uma licença de 30 dias é o mínimo para garantir vínculo, cuidado e corresponsabilidade desde o início da vida”, diz.

Juan Paiva fala sobre a paternidade aos 16 anos: “um grande presente que Deus me deu”

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Foto: reprodução
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Neste Dia dos Pais, o ator Juan Paiva, conhecido por seus papéis em novelas como Dona de Mim, abre o coração para falar sobre uma experiência que mudou sua vida para sempre: a paternidade aos 16 anos. Em entrevista ao Gshow, Juan relembrou o susto inicial, o apoio da família e o amadurecimento que a chegada da filha Analice trouxe para sua vida.

Para o ator, que hoje tem 27 anos, ter referências paternas sólidas foi fundamental para lidar com a responsabilidade precoce. “Graças a Deus, tive um pai que foi muito importante na minha criação. Posso dizer que eu tive três pais: meu pai biológico, meu padrinho e meu tio Valdo. Eles que me educaram, me ensinaram um pouco do que eles sabiam da vida”, contou Juan, ressaltando a importância dessas figuras na sua trajetória.

Quando descobriu que seria pai ainda adolescente, ele lembra que o susto quase o fez desistir do sonho de ser ator, mas o suporte da família foi o que o manteve firme. “Foi uma grande surpresa. De início, causa um desespero, porque a gente nunca sabe como vai ser o futuro, estava terminando os estudos com a minha companheira, não tinha um trabalho fixo. Mas graças a Deus, Deus nos deu paciência, pé no chão e uma base familiar. Minha mãe não deixou que eu fosse trabalhar, preferiu que eu seguisse o meu sonho, que estudasse. Que minha companheira concluísse os estudos dela”, relatou, emocionado.

A chegada da filha é, para Juan, um presente que ele carrega com muito amor e respeito. “Aos 16 anos, tive minha filha e me vi nesse lugar de ser pai também. É um grande aprendizado, um grande presente que Deus me deu. Alguém que educo, mas com quem tenho aprendido também, já que preciso ser exemplo, não posso me permitir viver uma vida inconsequente tendo uma outra vida que precisa me ter como um espelho. É uma grande responsabilidade”, afirmou.

Hoje, mesmo com a agenda cheia entre novelas e séries, Juan faz questão de estar presente na vida da filha e manter uma relação próxima e de amizade. “Sou muito feliz com a chegada da minha filha. É minha bênção. Hoje ela está já está grande, com saúde e nos dando muito orgulho. Somos amigos, e ela confia muito na nossa palavra, respeita. Acho que ela já se acostumou a me ver na TV, mas a cada trabalho, ela comenta algo que ela gosta. Há um tempo, quando queria chamar a minha atenção, ela me chamava pelo nome dos personagens. Às vezes, falava alguma coisa que passava batido, e ela queria chamar atenção, e falava: ‘ou Anderson ou Ravi, tô falando com você’”, contou, rindo.

Além do afeto, Juan também destaca o olhar atento da filha às redes sociais e seu papel de fã. “Ela vê e fala: ‘Bem te vi dançando, te vi dançando com tal ator, com alguém’ Ou ‘Viralizou a sua cena. Olha, pai, você aqui. As minhas amigas têm comentado’”, disse, orgulhoso.

Mesmo com a rotina intensa de gravações, o ator separa momentos especiais para a filha: “A gente troca ideia, fala sobre amizades, sobre o dia a dia. Cada dia tem um assunto diferente. É dessa maneira, mas sempre à noite, antes de dormir, quando a gente vai jantar, por exemplo”, revelou.

Juan também enfatiza o valor da gratidão, um ensinamento que busca passar para Analice: “Aproveite o tempo que você está ali se dedicando ao trabalho, agradeça sempre, pela vida, por ter saúde, por estar na luta, por ter problemas para você solucionar, sabe? Até por respirar e estar de boa com a vida. Acho que tudo a gente tem que agradecer”, finalizou.

A história de Juan Paiva reafirma que, apesar dos desafios da paternidade precoce, com apoio e amor, é possível construir uma relação forte e transformar obstáculos em aprendizado e inspiração.

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