O arquiteto Gabriel Rosa, fundador do Gabriel Rosa Arquitetura, apresenta na CASACOR São Paulo 2025 a “Adega Legado”, um espaço de 33m² que une design, história e resistência. Aos 22 anos, Rosa já havia se destacado como o arquiteto mais jovem a participar do evento em 2024, conquistando o prêmio de melhor ambiente em sua categoria.
O projeto da adega é uma homenagem às raízes africanas do vinho, bebida que, muito antes de se tornar símbolo da Europa, era sagrada no Egito Antigo há mais de 5 mil anos. “O vinho era reservado aos faraós e aos deuses”, explica o arquiteto no texto de apresentação. “A Adega Legado devolve à estética negra o seu lugar de origem.”
Com materiais como veludo, tons de vinho, azul-óleo e dourado queimado, o ambiente também incorpora elementos do movimento Black Dandy, que ressignifica a elegância como manifestação negra. “Homens negros vestindo alfaiataria impecável desafiam estereótipos e reescrevem narrativas de poder”, destaca Rosa.
O espaço foi pensado como um “altar ao tempo e à identidade”, com madeira esculpida, iluminação precisa e uma atmosfera de contemplação. “Não é apenas sobre design. É sobre existência. Sobre a beleza de permanecer, resistir e transformar”, afirma o arquiteto, que descreve a adega como um “rito” e um “manifesto”.
A participação de Rosa na CASACOR 2025 conta com parceiros como HProjecta Engenharia, ColormixStore e Vitrais Ton Geuer, além de artistas como Igor Rodrigues e Natalia Guarconi. O projeto reforça a trajetória do arquiteto, que, além de trabalhos residenciais e comerciais, ministra palestras para marcas como Pinterest e universidades.
Em 2025, a PopCorn Gourmet completa uma década como a maior franquia de pipocas do Brasil. Fundada em Goiânia pela chef Elaine Moura, a marca surgiu com o objetivo de transformar a pipoca em um produto gourmet, aliando experiências sensoriais a ingredientes de alta qualidade.
Hoje, a rede conta com mais de 60 unidades franqueadas, está presente em mil pontos de varejo e já exporta seus produtos. Desde a abertura da primeira franquia, em Ribeirão Preto (2016), a empresa se expandiu para 12 estados, acompanhando o crescimento do franchising de alimentação, que registrou alta de 8% em 2024, segundo a ABF. A marca oferece 15 sabores de pipoca, com técnicas que garantem crocância e padrão gourmet. Entre os destaques estão parcerias com marcas como a Nestlé, como os sabores Alpino, Sensação e Melhor com Ninho Trufado (o campeão de vendas), além de criações próprias como Caramelo com Flor de Sal, Paçoca com Especiarias e Cocada Branca (lançamento recente).
Para 2025, a empresa promete sete novos sabores, incluindo colaborações com grandes marcas. As embalagens variam de cones individuais até a Super Caixa, que comporta até 10 variedades. “Nosso objetivo é proporcionar uma experiência única, com produtos de qualidade e sabores exclusivos. A expansão reforça nosso compromisso de levar a marca a mais pessoas”, afirma Elaine Moura, fundadora e CEO.
A marca ampliou seu portfólio com a Pop Coffee, loja conceito que harmoniza cafés especiais com pipocas, inspirada na tradição etíope de servir café com o snack. A rede também investe em sustentabilidade, reaproveitando excedentes da produção em receitas como cappuccinos, bolos, sorvetes e biscoitos. Já a Pop Milky é uma linha de quiosques de milkshakes temáticos, que se tornaram atração em shoppings.
A PopCorn Gourmet se destaca pelo perfil inclusivo: 80% dos franqueados são mulheres, e a liderança é majoritariamente composta por mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+. Campanhas afirmativas têm aumentado a participação de empreendedores negros na rede.
O grupo fechou contratos com grandes redes varejistas, o que deve dobrar seu faturamento em relação a 2024.
Quais memórias de quintal você guarda? A experiência negra de família, muitas vezes, começa pelo quintal, onde tios, tias, avós, irmãos e primos, unidos pela ancestralidade africana, tecem histórias de afeto e resistência. É nesse espaço de organização comunitária que o Festival Sesc Culturas Negras se inspira para reunir o público de 10 a 15 de junho e compartilhar saberes, promover oficinas, rodas de conversa, vivências, apresentações culturais e momentos que levam o público de volta aos quintais familiares cheios de afeto, onde resistem ensinamentos transmitidos por gerações.
A segunda edição do evento conduzirá o público pelos oito quintais: das teatralidades, da Imagem, dos Ofícios, dos Erês, dos Festejos, do Samba, das Ensinagens e das Corporeidades – que se dividem em diferentes unidades do Sesc, na cidade de São Paulo, e celebram a ‘Existência Negra’ em suas multiplicidades. São espaços que recriam a atmosfera dos quintais onde a coletividade e o aprendizado florescem.
A música, a dança, a oralidade, o segredo das folhas, a culinária, as brincadeiras e importantes reflexões sobre a vida da população negra, sobretudo, de crianças negras, serão algumas das tecnologias de nossa ancestralidade que acontecerão nos quintais. Nesse quintal, “que é nosso”, rir e celebrar serão os principais recursos utilizados para denunciar injustiças e mostrar que apesar de tudo, há resistência de uma cultura que retorna ao seu quintal para traçar suas estratégias de sobrevivência e união.
A programação, repleta de significado, contará com atrações como a Pretaria Cabaré Show, de Ana Luiza Bellacosta, que propõe ao público viver uma empreitada poética-político-afetiva circenses, no Sesc 14 Bis. O desfile da coleção Acredite no seu axé, da estilista Isa Silva, que trará para o Sesc Campo Limpo criações que celebram e enaltecem a diversidade das raízes brasileiras. Já no Sesc Casa Verde, haverá uma edição da Feira Preta Pocket, que objetiva fortalecer a participação das pessoas negras e indígenas em um sistema econômico mais equitativo, diverso e sustentável, além do bate-papo sobre Infâncias Negras, com participação de Kiusam de Oliveira, Leticia Nascimento e mediação de Jerusa Gomes, no Sesc Consolação.
A Orquestra e Balé Afrikanse, levará ao Quintal das Corporeidades, no Sesc Vila Mariana, a riqueza e a diversidade da cultura africana por meio da música, dança, corporeidade, tambores, melafonia e cordas.
Às vezes o que a gente precisa é voltar para o quintal e você está convidado para esse reencontro. Confira a lista completa de atrações do Festival Sesc Culturas Negras no site: sescsp.org.br/culturasnegras
Devido a questões de saúde, Muniz Sodré não participará mais do bate-papo no dia 10/6, no Sesc Vila Mariana.
Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Sesc São Paulo
A separação de Cardi Be Offset, oficializada em 2024, continua gerando novos capítulos. Desta vez, os holofotes se voltam para os termos do divórcio, já que o ex-integrante do grupo Migos, estaria solicitando pensão alimentícia da rapper, segundo documentos revelados pelo TMZ nesta quinta-feira (29).
De acordo com a publicação, o artista apresentou uma alteração nos autos do processo neste mês, pedindo que Cardi contribua financeiramente, mas sem especificar valores. Offset também solicita a guarda compartilhada dos filhos, mantendo o entendimento de que a residência principal das crianças será com a mãe.
Cardi B entrou com o pedido de divórcio em agosto do ano passado, encerrando oficialmente um casamento de sete anos marcado por altos e baixos — muitos deles expostos nas redes sociais. Durante o mesmo período, ela deu à luz o terceiro filho do casal. Eles são pais de Kulture, Wave e do caçula, cujo nome ainda não foi divulgado publicamente.
Nos últimos meses, Offset tem recorrido às redes sociais para comentar, ainda que de forma sutil, a tensão com a ex-esposa. Em uma postagem no X (antigo Twitter), ele desabafou: “Mantenham meu nome fora disso, por favor. Estou cansado desse circo. Só quero paz. Amo a gangue Bardi, somos adultos. Ela está feliz, deixem-na viver. A vida continua, todos podemos ser amigos.”
Além do processo de divórcio, recentemente, Offset confirmou que seu próximo projeto musical está finalizado e pronto para ser lançado, marcando uma nova fase em sua trajetória solo.
Já Cardi B, que vem deixando seus fãs em suspense quanto ao aguardado segundo álbum desde o icônico Invasion of Privacy (2018), ainda não entregou o novo projeto prometido para 2024. Em suas palavras, a razão para o adiamento é simples: colaboração.
“Preciso muito dessas participações especiais”, explicou recentemente. “Não quero pressionar ninguém porque amo esses artistas. Mas, vamos lá! Eu preciso disso agora. Alôôô! Vocês não vão querer perder essa oportunidade. Se for o caso, eu mesma vou cantar essa m*** toda!”*, disse a estrela, determinada a entregar um trabalho à altura de toda a sua carreira.
Horas após a prisão do cantor de funkMC Poze do Rodona madrugada desta quinta-feira (29) em sua residência, Viviane Noronha, esposa e mãe de três dos cinco filhos do artista, usou as redes sociais para criticar a atuação da polícia. Ela, que presenciou a abordagem, classificou a operação como “humilhante, desumana e cruel”.
Em publicação na conta reserva do Instagram, Noronha relatou que foi acordada pela ação dos agentes enquanto dormia com a filha mais nova. “Não existiu humildade, não existiu compaixão a nós, NOSSOS FILHOS!”, escreveu.
“Vocês são isso, tiram a esperança do preto favelado. Nem o mínimo vocês tiveram, que foi EDUCAÇÃO! Eu estava dormindo A VONTADE, dentro do meu quarto, na minha casa, com a minha filha Júlia do lado e nem a ROUPA EU PUDE TROCAR”, relatou. “Minha filha na cama e vocês não queriam deixar nem eu pega-lá no colo”, completou.
A jovem de 20 anos também acusou os policiais de oprimirem o funkeiro, cujo nome de batismo é Marlon Brandon Coelho Couto. “É disso que vocês gostam! OPRIMIR. O mínimo vocês não podiam fazer, né? [Deixar] Marion colocar UM CHINELO E UMA BLUSA, mas ENVERGONHAR E HUMILHAR conta mais, né? MARLON É RESISTÊNCIA E VOCÊS SÃO LIXOS”, afirmou. Ao final do desabafo, Noronha publicou fotos ao lado do artista e declarou: “MC não é bandido”.
Na manhã desta quinta-feira (29), os internautas acompanharam as notícias sobre a prisão do Mc Poze do Rodo na sua residência, localizada em um condomínio de alto padrão no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro, efetuada por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), no contexto de uma investigação por apologia ao crime e possível ligação com o tráfico de drogas.
Os filhos dos astros Eddie Murphy e Martin Lawrence oficializaram a união em um casamento discreto, realizado há duas semanas, conforme revelado pelo próprio Murphy em entrevista ao The Jennifer Hudson Show no episódio desta quinta-feira (29). Eric Murphy, filho do comediante, e Jasmin Lawrence, filha do protagonista de Bad Boys, optaram por uma cerimônia íntima, sem convidados.
“Eles foram embora… Todo mundo estava fazendo grandes planos para o casamento, e eles decidiram que queriam fazer algo discreto, só os dois”, contou Murphy à apresentadora Jennifer Hudson. O ator confirmou que agora ele e Lawrence são “sogros” e brincou: “E ele não precisa mais pagar por aquele casamento grandioso”.
A discussão sobre quem bancaria a festa já havia sido tema público. Em dezembro de 2024, Lawrence disse no programa Big Boy’s Neighborhood, da iHeartRadio, que Murphy o havia pressionado: “O Eddie disse que eu tenho que pagar por isso, porque ele pagou pelo casamento da última filha dele — tipo, os últimos seis casamentos — mas ele disse que agora é a minha vez”. Eddie Murphy é pai de dez filhos, e Martin Lawrence, pai de três filhas.
O casal começou a namorar em 2021 e anunciou o noivado em novembro do ano passado. Sobre a cerimônia, Murphy esclareceu: “Eles foram e se casaram na igreja. Só os dois e o pastor”. Uma festa maior, no entanto, pode acontecer no futuro. Quando questionado se cantaria na celebração, o astro de Um Príncipe em Nova York sugeriu um dueto com Lawrence.
A prisão de MC Poze do Rodo, nesta semana, ganhou repercussão não apenas pelo suposto crime investigado, mas pela forma como foi conduzida e divulgada. Um artista jovem, negro, descalço, sem camisa, algemado, cercado por policiais fortemente armados. Uma cena que não é apenas policial, mas profundamente simbólica: trata-se da reafirmação de um lugar social historicamente reservado ao homem negro no Brasil — o lugar da subjugação e da exposição.
Não cabe aqui julgar se MC Poze é culpado ou inocente. Isso é papel da Justiça. O que cabe é refletir sobre a maneira como corpos negros são tratados publicamente quando envolvidos em processos legais, e o que essa encenação institucional e midiática revela sobre o país.
O corpo negro como ameaça
O filósofo Frantz Fanon escreveu, em Pele Negra, Máscaras Brancas, que “o negro não é um homem, é um negro”. Ou seja, o sujeito negro, nos marcos das sociedades colonizadas e racializadas, não é reconhecido por sua humanidade plena, mas reduzido a um marcador racial carregado de estigmas. Na prisão de MC Poze, o que se vê não é apenas um suspeito sendo conduzido: é um espetáculo de contenção do corpo negro que ousou sair do lugar socialmente previsto.
O sucesso de MC Poze incomoda porque fere a lógica da punição estrutural. Um jovem de origem periférica, funkeiro, que alcança fama, dinheiro e voz — tudo isso desafia o pacto tácito que reserva à juventude negra a marginalização. Quando ele cai, a sociedade assiste com prazer. Não é justiça. É vingança simbólica.
Brancos blindados, negros expostos
Enquanto MC Poze é arrastado publicamente, descalço, temos figuras brancas envolvidas em escândalos de grande porte sendo tratadas com absoluto cuidado. A influenciadora Virgínia Fonseca, convocada recentemente para depor na CPMI das apostas, foi recebida com tapete vermelho simbólico: roupas de grife, maquiagem impecável, fotos amigáveis da imprensa.
O contraste entre o tratamento reservado a corpos brancos e negros é gritante. Não se trata apenas de classe social, mas de um código racial que informa como o Estado e a mídia devem tratar cada tipo de corpo.
O corpo negro é descartável, punível, animalizável. O corpo branco é humano, compreensível, passível de mediação.
A animalização do homem negro
Angela Davis já dizia: “Nos Estados Unidos, a prisão é o destino mais provável para os jovens negros. No Brasil, não é diferente.” A prisão, em sua materialidade, é também um espaço simbólico de desumanização, onde o sujeito negro é reduzido a um número, a um risco, a uma estatística.
No caso de Poze, não bastava ser preso. Era necessário ser exibido. Desnudo. Suado. Contido. A lógica é clara: mostrar que, por mais dinheiro, fama ou seguidores que tenha, o homem negro sempre pode ser trazido de volta ao seu lugar de origem: o chão.
Como alerta o filósofo Achille Mbembe, “a negritude é construída como aquilo que pode ser morto ou deixado morrer sem consequências.” O Brasil não mata Poze, mas o desumaniza em praça pública. E isso também é uma forma de assassinato: um assassinato simbólico da dignidade.
A encenação do castigo racial
A mídia cumpre aqui um papel cúmplice. Ao exibir repetidamente as imagens de um homem negro sendo humilhado, reforça o imaginário coletivo do negro como criminoso nato. E o que é mais perverso: transforma o castigo em espetáculo, a punição em entretenimento.
O Estado brasileiro, por sua vez, se orgulha de sua eficácia punitiva quando o réu é negro. O mesmo Estado que se mostra moroso, protocolar e até protetor diante de brancos acusados de fraudes milionárias. A desigualdade não está só na pena. Está no gesto. Está na imagem. Está na encenação.
Conclusão: até quando?
MC Poze pode ou não ser culpado. Isso será definido em juízo. Mas a forma como foi tratado, já condenado pela exposição pública, mostra que o Brasil ainda não aceita que homens negros possam ser plenamente humanos, com dignidade.
Aqui não estamos julgando a justiça brasileira acerca da culpabilidade de MC Poze e isso precisa ficar bem entendido. Estamos questionando o método que sempre define como as pessoas negras serão tratadas. E, neste caso, o ocorrido com Poze nos mostra como se dá esse fenômeno constante.
A Universidade Harvard entregará ao Museu Internacional Afro-Americano, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, fotografias de 175 anos consideradas as mais antigas de pessoas escravizadas nos país. A decisão faz parte de um acordo judicial com Tamara Lanier, que afirma ser descendente de Renty e Delia, retratados nas imagens.
Os daguerreótipos — precursores das fotografias modernas — serão transferidos do Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia, de Harvard, para o museu na Carolina do Sul, estado onde Renty e sua filha Delia foram escravizados em 1850, quando as fotos foram tiradas. O anúncio foi feito na quarta-feira (28) por Joshua Koskoff, advogado de Lanier, que classificou o acordo como uma vitória “sem precedentes” para descendentes de escravizados, durante entrevista concedida para a Associated Press.
“É um caso único na história americana”, disse Koskoff. “Ganhar controle sobre imagens de pessoas escravizadas que datam de tanto tempo — isso nunca aconteceu antes”, contou. As negociações encerram uma batalha judicial de 15 anos entre Lanier e Harvard, que detinha as imagens encomendadas pelo biólogo Louis Agassiz, cujas teorias racistas foram usadas para justificar a escravidão. Em 2019, Lanier processou a universidade, alegando que as fotos foram tiradas sem consentimento e retidas ilegalmente. O processo também criticou Harvard por lucrar com o licenciamento das imagens.
Em 2021, a Justiça de Massachusetts decidiu que as fotos pertenciam ao fotógrafo, não aos retratados, mas permitiu que Lanier buscasse indenização por danos morais. O tribunal reconheceu a “cumplicidade de Harvard nos horríveis atos que cercaram a criação dos daguerreótipos”.
Harvard afirmou em comunicado que há anos buscava “colocar as imagens em contexto apropriado” e ampliar o acesso a elas. O acordo inclui a transferência das fotos e um valor não divulgado em reparação, mas a universidade não reconheceu publicamente a descendência de Lanier ou seu vínculo com a escravidão.
Na quarta-feira, Lanier segurava um retrato de Renty ao lado de Susanna Moore, tataraneta de Agassiz. Ambas celebraram a resolução: “Esta propriedade roubada, imagens tiradas sem dignidade ou consentimento, será repatriada para um lar onde sua humanidade possa ser restaurada”, disse Lanier. Moore chamou as fotos de “projeto profundamente racista” e afirmou que a vitória mostra como “o significado desses objetos em museus pode e deve mudar”.
Tonya M. Matthews, CEO do museu na Carolina do Sul, disse que a transferência das imagens foi um momento que levou “175 anos para ser feito”. A instituição se comprometeu a incluir Lanier nas decisões sobre como a história de Renty e Delia será contada. Koskoff ressaltou que, apesar do acordo, Harvard ainda não assumiu publicamente seu papel na perpetuação da escravidão. “A verdade vai te encontrar — você só consegue se esconder dela por um tempo”, disse.
A chef e pesquisadora Aline Chermoula participou como jurada degustadora em um episódio especial da nova temporada do MasterChef Brasil. Conhecida por sua atuação na valorização das culinárias afro-diaspóricas e por uma abordagem que une técnica, ancestralidade e afeto, Aline levou sua visão crítica e culturalmente engajada à bancada do reality.
Gravado nos estúdios da Band, o episódio reuniu jornalistas, chefs convidados e nomes influentes da gastronomia. Coube a Aline a tarefa de provar e avaliar os pratos apresentados pelos competidores, trazendo consigo uma escuta atenta aos sabores e às histórias por trás de cada ingrediente.
“Ser convidada para provar e avaliar pratos dentro da cozinha mais famosa do Brasil foi uma experiência profunda e simbólica. Levei comigo meu paladar, minha trajetória e o respeito pela história que cada ingrediente carrega. Degustar ali é também ouvir uma narrativa, sentir uma emoção, reconhecer um território”, destacou a chef.
Com um trabalho que transita entre a pesquisa acadêmica, a prática culinária e o ativismo, Chermoula vem se consolidando cada vez mais como uma voz relevante na gastronomia — aproximando a cozinha de temas como memória, identidade e representatividade.
O episódio com sua participação vai ao ar em breve na Band e no canal oficial do MasterChef Brasil no YouTube.
Nos últimos dias, ganhou repercussão a crítica feita pela atriz Samara Felippo ao posicionamento público de Lázaro Ramos em defesa da ampliação da licença paternidade no Brasil. Segundo Samara, a proposta de Lázaro não considera que muitos homens ainda se isentam de suas responsabilidades familiares, sendo ausentes emocional e fisicamente mesmo quando estão em casa. A crítica, embora baseada em uma realidade que infelizmente persiste, erra ao generalizar e invisibilizar um ponto central: não se alcança a equidade de gênero sem políticas que também responsabilizem os homens pelos cuidados com os filhos.
Lázaro Ramos, homem negro, artista, pai e voz ativa em pautas de justiça social, tem contribuído de forma coerente para o debate sobre paternidades no Brasil. Ao defender a ampliação da licença paternidade, ele não está ignorando os desafios da cultura machista — ao contrário, está propondo uma ruptura com ela. A ampliação da licença é uma das chaves para o reequilíbrio das tarefas do cuidado, hoje ainda esmagadoramente atribuídas às mulheres.
A crítica de Samara parte de um sentimento legítimo de exaustão de muitas mães solo e de mulheres que não encontram nos pais de seus filhos um parceiro de fato. Mas sua fala, ao desautorizar a proposta de ampliação da licença paternidade, incorre em um risco político sério: o de reforçar uma visão punitiva e paralisante que não aposta na transformação dos homens.
Créditos: Reprodução/Instagram
Sim, a ampliação da licença paternidade precisa vir acompanhada de processos educativos, formativos e políticos voltados a um novo modelo de masculinidade. Homens não devem apenas estar em casa: devem ser formados e responsabilizados para cuidar, amar, proteger e se envolver desde o nascimento de seus filhos. No entanto, o fato de muitos ainda não o fazerem não é argumento para manter uma política pública desigual.
A atual licença paternidade no Brasil é de cinco dias úteis — um tempo ridículo quando comparado às licenças maternas e à complexidade do período pós-parto. Pior: ela reforça a ideia de que o cuidado com os filhos é tarefa natural das mães. Isso é machismo institucionalizado. E não é possível querer igualdade entre homens e mulheres sem mexer nessa estrutura.
Defender a ampliação da licença paternidade não é um presente para homens irresponsáveis. É um direito necessário para os pais que desejam exercer sua função com presença e afeto, e uma política essencial para que as mulheres não carreguem sozinhas a jornada exaustiva da maternidade. Ao mesmo tempo, é um instrumento pedagógico poderoso, que comunica que cuidar também é coisa de homem.
Por isso, ao invés de desautorizar uma proposta que avança na direção da equidade, o que precisamos é somar forças: mulheres, movimentos sociais, Estado e instituições precisam trabalhar para que a ampliação da licença venha acompanhada de investimento em educação para paternidades responsáveis, políticas de combate ao abandono parental e promoção de novas masculinidades.
A crítica de Samara Felippo toca uma ferida real, mas é no enfrentamento da estrutura — e não na negação do direito — que se constrói mudança. Se queremos um Brasil mais justo, precisamos reconhecer que transformar o papel dos homens no cuidado é parte essencial do caminho.