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Barbara Carine explica porque optou por equipe negra em parto de filho em Salvador

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Foto: Reprodução/Instagram

A professora e escritora Barbara Carine compartilhou em suas redes sociais detalhes sobre o nascimento de seu filho com o ator Thiago Thomé, Raro, ocorrido em um hospital privado de Salvador com uma equipe inteiramente formada por profissionais negros. A escolha, segundo ela, foi consciente e visou garantir um atendimento mais humanizado.

“Amores, então o hospital que nasceu foi um hospital privado que você poderia levar a sua equipe privada que você contratou para o parto, que normalmente é a sua equipe de pré-natal, ou você poderia dar entrada no hospital e ser acompanhada ali pela equipe plantonista. Com a gente aconteceu a primeira opção e desde que a gente decidiu que o parto seria em Salvador, a gente escolheu uma equipe de pré-natal que tinha que ter sim essa preocupação em torno da questão da raça”, explicou Barbara em resposta a uma seguidora que questionou “que hospital é esse que só tem profissionais negros?”. “Não significa que é um impeditivo de que você cometa violência contra os seus irmãos e irmãs, mas a gente acredita que está um pouco à frente, que gera uma consciência crítica racial a partir da sua própria experiência como pessoa no mundo.”, completou.

Entre os profissionais que acompanharam o parto estavam o obstetra Matheus de Sá, a enfermeira Paty Sousa e a terapeuta Anailza Meirelles. O nascimento de Raro, ocorrido no último dia 22 de maio, teve complicações que levaram a uma cesárea após 13 horas de trabalho de parto. Barbara relatou que, embora as contrações começassem a cada dois minutos, não houve dilatação suficiente para um parto vaginal: “A bolsa estourou, mas o bebê eliminou mecônio, o que nos fez ir rapidamente para o hospital. Tentamos tudo, mas depois de muitas horas sem progresso, a cesárea foi a melhor opção”, contou.

Em suas redes, a escritora agradeceu a toda a equipe e à “ancestralidade” pelo apoio durante o processo. “Foi uma escolha nossa ter profissionais negros nesse momento tão importante. Eles nos deram segurança e acolhimento”, finalizou.

Em relato de parto, Rayza Nicácio conta sobre cesárea não planejada e cuidados com o filho na UTI neonatal

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Foto: Thai Lazarini

A influenciadora digital Rayza Nicácio anunciou nesta segunda-feira (26) o nascimento de seu filho, Benício José, ocorrido no último dia 21 de maio, exatamente um mês após seu próprio aniversário. Em publicação emocionada no Instagram, Rayza compartilhou detalhes do parto, que não ocorreu como planejado.

Em textos emocionados, ela descreveu os desafios que viveu durante o parto de seu filho com o marido Vinicius Pereira e as frustrações por esse momento não acontecido como esperava. “Meu bebezinho nasceu. As perninhas que me chutavam tão forte na barriga estão aqui fora — agora preciso desviá-las dos pontos da cesárea enquanto estou sentada numa cadeira de amamentação que não escolhi,
uma cadeira de UTI. Sim, foi cesárea. Nem parto a jato, nem sequer normal, também não senti contrações no meu banheiro dos sonhos, nem fiquei em casa até o último minuto. As luzes não estavam baixas, era tudo branco e eu estava tremendo de frio e nervosismo”, detalhou.

“Ainda assim, frustrar as expectativas do meu parto dos sonhos foi a parte mais fácil: difícil foi não ir direto para o quarto com ele e difícil mesmo é ainda não ter ido”, afirmou a influenciadora, que contou que o recém-nascido precisou de auxílio para respirar nos primeiros momentos, mas já está estável sob cuidados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI): “Estamos bem e estáveis”, destacou. “Ele precisou de uma ajudinha com a respiração no começo mas agora só precisa de muito colinho e tetê pra ir pra casa”, afirmou Rayza. 

Rayza também falou sobre seu amor pelo filho e pelo marido: “Estou completamente apaixonada pelo cheirinho, pela boquinha de peixe quando mama e entorpecida de amor por ele e pelo meu marido que nos enche de sacrifício e devoção segundo a segundo”, disse. No entanto, pediu compreensão aos fãs: “Mas vamos precisar de um tempo, íntimas, não sei quanto. Não sei fazer reality show da minha dor, nem quero aprender. Estamos em uma travessia mas estaremos aqui, celebrando a vida e o maior amor que já sentimos”, afirmou.

Baco Exu do Blues critica influenciadores da CPI das Apostas durante show: ‘Isso é mal caratismo’

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Foto: Reprodução

O rapper Baco Exu do Blues usou o palco durante show em Campinas (SP), na madrugada de sábado (24), para criticar a influenciadora Virgínia Fonseca, Carlinhos Maia e outros criadores de conteúdo envolvidos na CPI das Apostas. Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, o artista disparou contra quem apoia os digital creators acusados de promover casas de apostas sem responsabilidade.

“Ultimamente uma coisa me deixou extremamente puto, que foi a CPI com os influencers. Vocês viram essa m***? Primeiramente, se você segue a Virgínia e você está no meu show, você é uma pessoa retardada. Se você segue Carlinhos Maia e você está no meu show, você é uma pessoa retardada, você não devia estar aqui”, declarou o artista, que foi aplaudido pelo público. “Eu não fecho com filha da p*** que usa do poder da influência pra causar o mal na vida das pessoas. Você tem dinheiro já, tem poder, não precisa f*d*r a vida de ninguém. Isso é mal caratismo”, disse.

O cantor ainda reforçou sua posição contra quem lucra com publicidade de apostas: “Você tem dinheiro e poder, não precisa ferrar com a vida de ninguém. Isso é mau caratismo e falta de conduta”, disse Baco, que ainda destacou como pessoas mal intencionadas utilizam redes sociais fingindo ser boas: “Várias pessoas más fingem ser boas, legais no TikTok. Pau no c* de todo mundo”, finalizou ele.

Virgínia Fonseca foi uma das convocadas a depor na CPI das Apostas, onde respondeu como testemunha a perguntas da senadora Soraya Thronicke (União-MS) sobre a regulamentação de propagandas de cassinos online. Após o depoimento, a influencer perdeu mais de 100 mil seguidores e virou alvo de críticas nas redes.

Racismo à la carte: quando o menu é para todos, mas o respeito não

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Foto: Freepik

Por Luciano Ramos

Ser negro no Brasil é saber que a porta pode estar aberta, mas o ambiente, nem sempre. É atravessar espaços da classe média como quem caminha sobre vidro fino: um passo em falso, e você se torna suspeito, deslocado, incômodo. Às vezes, nem é preciso errar. Basta estar ali — sentado num restaurante sofisticado, escolhendo um vinho, esperando a sobremesa — para ser lembrado, de forma sutil ou brutal, de que aquele lugar não foi pensado para você.

O racismo nesses espaços não grita. Ele sussurra. Se manifesta no garçom que te atende por último, no segurança que te observa de longe, na hostess que te examina dos pés à cabeça antes de te conduzir à mesa. E também no olhar atravessado de outros clientes brancos, incomodados com sua presença, como se você fosse um ruído na harmonia daquele “bom gosto” elitista.

Os dados não deixam dúvidas. Um estudo do Instituto Locomotiva revelou que sete em cada dez pessoas negras já sofreram preconceito em lojas, shoppings, supermercados ou restaurantes. Já uma pesquisa de 2024 apontou que nove em cada dez pessoas negras das classes A e B afirmam já ter passado por situações racistas em lojas de luxo no Brasil. A dor, portanto, não é isolada — é estrutural e cotidiana.

O racismo nesses ambientes também é arquitetônico. Está nos preços que segregam, na quase total ausência de pessoas negras em cargos de prestígio, na decoração que exibe máscaras africanas como “charme”, mas recusa dignidade à negritude viva. Está, inclusive, no silêncio — porque quando reagimos, nos chamam de sensíveis. Quando apontamos o racismo, nos acusam de exagero.

Mas é preciso dizer: não é exagero querer existir plenamente. Não é exagero exigir respeito.

Frequentar um restaurante, vestir-se bem, ocupar espaços de lazer e cultura da classe média não deveria ser um ato de resistência — mas ainda é. Para muitos de nós, cada entrada nesses ambientes é uma reafirmação do direito de existir e ocupar os espaços que queremos. Todavia, muitas vezes, ocupar esses espaços maltrata a nossa saúde mental. Toda pessoa negra consciente do racismo a que somos submetidos nesses espaços se prepara para estar ali. Nesse sentido, é preciso respirar fundo, manter o queixo erguido, ter o CPF na ponta da língua e o tom de voz estrategicamente calculado. Porque ser negro e livre incomoda. Ser negro e bem-sucedido ofende. Ser negro e feliz, para alguns, é imperdoável.

O problema não é a nossa presença. É a estrutura racista que ainda nos vê como intrusos. Mas seguimos. Sentamos à mesa. Pedimos a carta de vinhos. Olhamos fixamente e, às vezes, sorrimos ironicamente para quem nos encara. E, sobretudo, lembramos: nós existimos. Sempre existimos. Só não nos queriam ali.

Exposição em Salvador celebra centenário de Mãe Stella de Oxóssi e seu legado cultural

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Foto: Divulgação

Encerra no próximo dia 31 de maio a exposição Maria Stella de Azevedo Santos – Meu Tempo é Agora, em cartaz no M.E. Ateliê da Fotografia, localizado no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador. A mostra, que pode ser visitada de quarta a domingo, das 16h às 19h, com entrada gratuita, homenageia os 100 anos de nascimento de Mãe Stella de Oxóssi – ialorixá, escritora, acadêmica e uma das maiores referências do candomblé no Brasil.

Com curadoria de Mário Edson, a exposição reúne obras de 30 artistas plásticos, além de fotografias, livros e o recém-inaugurado Jardim das Folhas Mãe Stella de Oxóssi, espaço simbólico dedicado à ancestralidade da líder religiosa. A programação, que se estendeu por mais de um mês, contou com a presença das atrizes Alessandra Negrini, Edvana Carvalho e Evelin Buchegger, rodas de conversa com a artista Viga Gordilho, mentoria em grupo com o curador e apresentações musicais de Edu Casanova.

A mostra integra o projeto IMORTAIS 2025 – Reverberando histórias, culturas e saberes, que já celebrou personalidades como Frida Kahlo, Clarice Lispector e Milton Nascimento. A edição deste ano é dedicada à trajetória de Mãe Stella, quinta ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, autora de nove livros, doutora honoris causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e membro da Academia de Letras da Bahia.

“Mãe Stella representa muito mais do que uma liderança religiosa — ela é uma intelectual, uma autora de referência e uma voz essencial da cultura afro-brasileira. Esta mostra celebra sua trajetória e amplia o alcance de sua obra para além dos muros do Ilê Axé Opô Afonjá”, afirma o curador Mário Edson.

Para marcar o encerramento, o M.E. Ateliê da Fotografia receberá ex-alunos do Colégio Portinari, que em 2014 tiveram a honra de receber Mãe Stella em uma visita especial. Na ocasião, a ialorixá presenteou os estudantes com um boneco inspirado no livro Terra Viva – adotado naquele ano pela escola – e uma muda de Baobá. O encontro de encerramento incluirá uma roda de conversa afetiva para reviver o momento, reforçando a conexão entre memória, educação e ancestralidade.

SERVIÇO
IMORTAIS 2025: Mostra celebra o centenário de Mãe Stella de Oxóssi e seu legado cultural
Data: Até 31 de maio de 2025
Horário: 16h às 19h (de quarta a domingo)
Local: M.E. Ateliê da Fotografia – Ladeira do Boqueirão, 6, Santo Antônio Além do Carmo, Salvador
Entrada: Gratuita

“Pablo & Luisão”, série baseada na vida de Paulo Vieira, estreia no Globoplay com humor e nostalgia

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Foto: Globo/Fábio Rocha

“Pablo & Luisão”, série baseada nas histórias reais da família do humorista Paulo Vieira, estreou na última quarta-feira (22) no Globoplay. Com 16 episódios disponíveis de uma vez, a produção é estrelada por Ailton Graça, Otávio Müller e Dira Paes e mistura humor, aventura e confusões inspiradas no passado do artista.

“É a história da minha vida, da minha família e de dois grandes amigos. A série fala do meu lugar no mundo. Descobri que quando falo das minhas origens, estou validando um monte de existências. Como artista, entendo que a minha missão é virar as câmeras para o lugar de onde eu vim”, comenta. “São 16 histórias, todas verdadeiras e passadas no período da minha infância e adolescência. Cada história começa e termina no próprio episódio. Meu pai e Pablo são dois sonhadores, azarados, empreendedores, duas crianças muito infantis e, acima de tudo, são dois esperançosos. Sempre pensam em criar algo novo. A cada episódio vamos ver uma de suas aventuras”, afirma.

O humorista revela que o processo criativo foi orgânico: “Eu sempre escrevi nas redes. Umas das minhas brincadeiras era transmitir a minha família ao vivo, pois a rede social tem essa característica de você comentar os eventos do mundo ao vivo, e eu ficava comentando sobre a minha família. Então, as pessoas se sentiam íntimas deles”, lembrou ele. “Na pandemia, comecei a escrever com mais frequência. E fomos atingindo números cada vez maiores de comentários, impulsionamento, trends e tudo mais. Todos os dias eu escrevia na rede uma história de Pablo e Luisão, e fomos criando uma comunidade gigante”.

A adaptação para TV manteve o tom confessional: “Sou eu contando as histórias da minha família. O episódio começa comigo perguntando: ‘Eu já contei para vocês o dia que…’”, explicou Paulo Vieira. Essa foi a solução encontrada para transportar a intimidade das redes sociais para o audiovisual.

“As pessoas podem esperar uma série que represente a vida delas, fazendo com que se reconheçam e possam ser felizes contando sobre suas trajetórias. Quero que a série inspire as pessoas a tomarem suas histórias e se orgulhem delas”, destacou Paulo.

Guia Negro celebra 8 anos e indica destinos imperdíveis para quem quer viajar com olhar afrocentrado

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“A trajetória do Guia Negro é uma abertura de caminhos. Quando começamos a produzir conteúdo e experiências turísticas sobre história e cultura negra, já existiam outras pessoas fazendo, mas não era algo disseminado. O mercado foi se expandindo junto com a gente”, afirma o jornalista Guilherme Soares Dias, fundador do projeto. Em 2025, o Guia Negro completa oito anos como uma das principais plataformas de afroturismo no país.

Ao longo dessa trajetória, a iniciativa ajudou a popularizar conceitos como afroturismo e a transformar a forma como viajantes negros — e não negros — se relacionam com os destinos que visitam. “Percebemos que hoje há muito mais gente que conhece esse tema, que busca essa conexão com a história e com a cultura negra nas suas viagens. Nosso desejo é que cada vez mais pessoas pretas possam viajar — e que todo mundo conheça melhor essa cultura, essa história.”

O futuro do projeto também já está traçado: levar as caminhadas negras para todas as 27 capitais brasileiras. “Hoje estamos em 22, mas queremos mostrar que há história negra no país inteiro. Desde Porto Alegre no Sul até Macapá no Norte. Nosso olhar para essas cidades fez com que elas se olhassem também. Mudaram nomes de ruas, de praças, reconheceram heróis e heroínas negros que antes eram invisíveis. Isso desperta o desejo de conhecer — e de se reconhecer.”

Destinos que todo viajante deveria conhecer, segundo o Guia Negro

Para celebrar os oito anos do projeto, Guilherme compartilhou com o Mundo Negro uma lista de lugares que, segundo ele, toda pessoa deveria conhecer ao menos uma vez — especialmente com um olhar atento para a presença e resistência negra:

São Paulo (SP)

“Todo mundo que vem pra cá buscando cultura negra acaba se surpreendendo.” Museu Afro Brasil, Paraleluzia, escolas de samba como a Vai-Vai, rodas de samba, restaurantes africanos e aulas de samba-rock sob o Viaduto do Chá mostram que a maior cidade do Brasil pulsa negritude, apesar de sua história de embranquecimento.

Colômbia

Com destaque para Cartagena das Índias e Cali, o país reúne cultura negra caribenha, salsa, palenqueiras e o grandioso Festival Petronio Álvarez, que acontece em agosto. “Todo brasileiro que for pra lá vai se sentir em casa.”

África do Sul

“Um destino completo”, diz Guilherme. Com voos diretos do Brasil, é alternativa para intercâmbio, turismo cultural, lua de mel e viagens LGBTQIA+. “Tem cultura, moda, parada LGBT, história — e se fala inglês.”

Rio de Janeiro (RJ)

Eleito pelo Guia Negro como melhor destino de afroturismo. Locais como a Pedra do Sal superaram o Cristo Redentor em número de visitantes em 2023. “É o Rio preto, das favelas, de Madureira, dos sambas, dos grafites e da memória negra visível.”

“Não somos racistas”, diz dono de antiga mansão escravista nos EUA após incêndio destruir o local

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A destruição da Nottoway Plantation, a maior mansão do período escravista ainda preservada nos Estados Unidos, reacendeu discussões sobre como a história da escravidão é lembrada e comercializada no país. O incêndio, ocorrido em 15 de maio de 2025, consumiu a estrutura de 64 quartos e mais de 4.900 m² localizada em White Castle, Louisiana. Embora as autoridades apontem para um possível curto-circuito como causa, foi a reação do novo proprietário, William Daniel Dyess, que mais chamou a atenção.

Em entrevista ao New York Post, Dyess afirmou:

“Adoto esta posição — somos pessoas não racistas. Sou advogado e minha esposa é juíza. Acreditamos nos direitos iguais para todos, total igualdade e justiça. Minha esposa e eu não tivemos nada a ver com a escravidão, mas reconhecemos o quanto ela foi errada.”

A declaração foi feita dias após milhares de pessoas, especialmente negras, celebrarem nas redes sociais a destruição de um local considerado símbolo da violência escravagista. A Nottoway já vinha sendo alvo de críticas por funcionar como resort e espaço de eventos de luxo, sem abordar adequadamente sua história ligada à escravidão.

Dyess, que adquiriu a propriedade recentemente após a morte do antigo dono em um acidente de carro, expressou o desejo de reconstruir a mansão. Ele também afirmou:

“Estamos tentando tornar este um lugar melhor. Não temos nenhum interesse em pautas radicais de esquerda. Precisamos seguir em frente com uma visão positiva e não vamos ficar presos às injustiças raciais do passado.”

A fala do proprietário, vista por muitos como tentativa de isenção histórica, foi criticada por ignorar o peso simbólico de transformar espaços de sofrimento negro em empreendimentos comerciais. A Nottoway, construída em 1859, abrigou centenas de pessoas escravizadas e por décadas foi apresentada como patrimônio arquitetônico “do Sul profundo”, sem considerar plenamente suas raízes violentas.

Agência baiana Asminas representará o Brasil no Cannes Lions 2025, maior festival de publicidade do mundo

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A criatividade negra e nordestina vai marcar presença na edição 2025 do Cannes Lions, considerado o maior festival de publicidade e criatividade do mundo. A agência baiana Asminas Conteúdo Digital foi convidada a participar do evento e será representada por sua diretora e cofundadora, Dayane Oliveira, entre os dias 16 e 20 de junho, na cidade de Cannes, na França.

Prestes a completar cinco anos de atuação, a Asminas é uma agência boutique formada exclusivamente por pessoas negras e tem se consolidado no mercado da comunicação com uma proposta que valoriza narrativas diversas, criadas a partir da vivência e do olhar de mulheres negras do Norte e Nordeste do Brasil.

O convite para participar do festival veio por meio do ERA Program, uma iniciativa do laboratório criativo Quintal, que seleciona talentos e negócios com alto potencial de impacto para experiências imersivas e de conexão global.

“Estamos felizes pela oportunidade que recebemos através do Era Program. Esse convite chegou em um momento bem oportuno de crescimento e, sobretudo, de reconhecimento da nossa trajetória e contribuição para o mercado da comunicação”, afirma Dayane Oliveira.

A edição de 2025 do Cannes Lions chega à sua 72ª edição com uma programação que inclui mais de 500 palestras e workshops com nomes de destaque da indústria global, como Serena Williams e Neal Mohan, CEO do YouTube. Entre os brasileiros confirmados estão Cecília Bottai Mondino, da Heineken Brasil, e as líderes do coletivo MORE GRLS.

“Somos uma agência só de pessoas negras e que representa as regiões Norte e Nordeste do Brasil. Vamos levar nosso nome como potência criativa e buscar relações institucionais e comerciais que reforcem a credibilidade do nosso trabalho”, completa Dayane.

Com esse passo, a Asminas não apenas se posiciona como protagonista no cenário da publicidade brasileira, como também amplia o reconhecimento de uma comunicação feita por, com e para mulheres negras.

Escola Marielle abre nova edição com foco em formar jovens comunicadores negros nas periferias do Rio

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Voltada para juventudes negras das periferias cariocas, a nova edição da Escola Marielle de Comunicação está com inscrições abertas até o dia 8 de junho. A formação gratuita será realizada de 25 de julho a 10 de outubro, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com certificação oficial como curso de extensão da instituição.

Idealizada pelo Instituto Marielle Franco em parceria com a organização Narra e apoio do IFCS/UFRJ, a iniciativa tem como objetivo formar uma nova geração de comunicadores e comunicadoras políticas comprometidas com causas sociais e com a transformação das realidades periféricas.

A formação será dividida em dois módulos: o primeiro, teórico, ocorrerá entre julho e setembro, enquanto o segundo, prático, será realizado entre setembro e outubro. Os conteúdos abordarão temas como comunicação estratégica, redes sociais, storytelling, audiovisual, identidade visual, imprensa, fotografia, captação de recursos e inteligência artificial. O curso também contará com mentorias em grupo e apoio para o desenvolvimento de campanhas reais, com foco em ações como a Marcha das Mulheres Negras.

Para garantir acesso e permanência, a Escola Marielle oferecerá auxílio-transporte, alimentação e materiais pedagógicos durante os encontros presenciais.

“A Escola Marielle é uma semente viva do legado de Marielle Franco, que acreditava profundamente no poder da comunicação para transformar o mundo. Formar comunicadoras e comunicadores políticos das periferias é, para nós, uma forma de disputar narrativas, valorizar memórias e construir futuros possíveis”, afirma Luyara Franco, filha de Marielle Franco e Diretora de Legado do Instituto.

Luna Costa, fundadora e diretora executiva da Narra, destaca a potência já existente nas favelas: “As juventudes negras têm produzido uma comunicação potente e criativa na cultura, arte, humor e estética. Essas narrativas não apenas desafiam estruturas, mas constroem novos horizontes. A Escola vem justamente para reconhecer, fortalecer e conectar essas potências.”

As inscrições podem ser feitas até o dia 8 de junho pelo site escolamarielle.org ou pelas redes sociais das organizações envolvidas. A seleção levará em conta o perfil, a motivação e o envolvimento prévio com comunicação política ou de causas.

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