Organizado pelo coletivo Afrovet, em 25 de novembro será realizado o primeiro Simpósio Afrocentrado de Medicina Veterinária presencial, em São Paulo.
“A realização desse evento confirma que nós médicos veterinários negros somos capazes de organizar um evento de grande porte, patrocinado por grandes empresas e com uma grade científica repleta de palestrantes de altíssimo gabarito”, endossa o embaixador e perito veterinário judicial Dr. Clifton Davis, pioneiro na área.
Dr. Clifton Davis (Foto: Divulgação)
O evento inédito conta com uma grade 100% preta de palestrantes e abrangerá as áreas de pequenos animais, grandes animais, animais selvagens e saúde pública.
Além disso, também terão mesas redondas abordando temas como: saúde mental, racismo, empreendedorismo negro e perícia veterinária.
Serviço
1° Simpósio Afrocentrado de Medicina Veterinária
Data: 25 de novembro
Endereço: Av. Chucri Zaidan n° 1240 – 4° andar – na sede da empresa Zoetis
A inteligência também nunca salvou ninguém, pois se é em nome da inteligência e da filosofia que se proclama a igualdade dos homens, também é em seu nome que muitas vezes proclama o extermínio.
‒ Frantz Fanon
É basicamente consenso de que a educação institucional é um dos instrumentos fundamentais para a evolução da sociedade. Acredita-se que através dela as pessoas se relacionarão com respeito e solidariedade, e, em paralelo, serão abastecidas de conhecimentos técnicos para a aplicação nos diversos setores da sociedade: saúde, tecnologia, produção industrial, economia, cultura, agricultura etc.
Porém, precisamos de certo cuidado com esse pensamento, pois a educação também pode ser utilizada para atender interesses de grupos privilegiados, em detrimento da maioria desfavorecida. Por essa razão, o aprofundamento do debate sobre qual o modelo de educação é importante. Não é o foco deste texto, neste momento, a ideia é pensarmos sobre quem não deveria estar ausente no processo de construção do conhecimento. Dito isso, é inadmissível a minúscula inserção de professores negros nas instituições de ensino superior; algo que deveria causar estranheza na sociedade, e assim estimular a luta por mudanças.
Caso você tenha passado pelo ensino superior, responda-me: quantos professores negros lecionaram no seu curso? Imagino que a sua resposta até permite contar nos dedos. A universidade brasileira é racista! Um exemplo que reforça ainda mais essa afirmação está no Anuário Estatístico (2021): dos 5.412 docentes da USP, apenas 129 se autodeclararam pretos e apenas 1 se declarou indígena. As instituições públicas e privadas não querem pessoas negras lecionando nos seus espaços. E quem perde é a sociedade, os professores negros poderiam contribuir com novos olhares nas diferentes áreas do conhecimento.
Além disso, o papel simbólico contemplaria positivamente a subjetividade dos alunos negros, e conformaria o lugar marginal que ocupamos no pensamento dos alunos brancos. Isso não é pouca coisa. O combate ao racismo é reforçado. Não é aceitável que a sociedade continue formando um enorme contingente de especialistas, médicos, engenheiros, advogados, entre outros graduados, que desprezam a população negra e/ou ignoram qualquer tipo de discussão racial.
O que acontece na saúde é revoltante. Casos e mais casos surgem nos noticiários mostrando o racismo em hospitais e clínicas. Um estudo feito por pesquisadoras do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) menciona que “O racismo obstétrico influencia a tomada de decisão dos profissionais de saúde e com isso hierarquiza as pessoas e desumaniza as mulheres pretas e pardas no momento do pré-natal, parto, aborto e puerpério.” Será que os profissionais em sua formação foram expostos – sistematicamente – às discussões (trabalhos, seminários, palestras, debates) sobre a prática criminosa que ocorre nos hospitais, consultórios etc., com ênfase no racismo e a necessidade urgente da abolição dessas atrocidades?
Na realidade, os professores brancos não têm a preocupação profunda com esse tema, diferente de professores e professoras negros. Apenas os negros são pessoas capazes de alterar esse cenário que é uma máquina de diplomados racistas. Então, que se abra espaço para o nosso povo na docência universitária. Urgente!
Olhar para a formação dos professores, incluindo o conhecimento em tecnologia, é uma das principais chaves para levar mais qualidade à educação pública. A pandemia de COVID-19 impôs que muitos docentes e alunos iniciassem o ensino a distância sem estarem prontos para isso, como resposta acompanhamos a alta evasão escolar, o retrocesso da alfabetização e o impacto negativo na saúde mental desse público.
Apesar dos pesares, mesmo com o fim da pandemia, algumas necessidades permaneceram, afinal, quando obtém espaço e condições, a nova geração assimila muito bem os conteúdos expostos através de ferramentas digitais. Essa exposição – acompanhada e responsável – pelo mundo online, é uma forma de prepará-los para as demandas da vida real: mercado de trabalho, construção de pensamento crítico e facilidade para resolução de problemas.
Durante a abertura do 25º Fnesp (Fórum Nacional de Ensino Superior Privado), em São Paulo, o ministro da educação, Camilo Santana, expôs sua insatisfação em relação à qualidade atual das licenciaturas no país. Segundo ele, é necessário melhorar a condição dos cursos tanto na rede privada como nas públicas.
“Todos os programas que lançamos para melhorar a qualidade da educação básica [o pacto nacional de alfabetização e o de ampliação de escolas em tempo integral] dependem da formação de qualidade dos professores. Garantir uma educação de qualidade para as nossas crianças depende da qualidade do professor que está em sala de aula”, afirmou o ministro.
Não podemos esquecer que em um país de dimensões continentais, onde existem desigualdades em todas as áreas, em especial na educação, a qualidade deste segmento é afetada diretamente e a resolução é um fator complexo. É inegável que um bom investimento pode permitir uma melhor qualidade na formação dos professores e consequentemente a ampliação de profissionais preparados.
Com isso, também é possível reduzir o tamanho das turmas e melhorar as instalações escolares, oferecendo espaços de iniciação de tecnologia para que todos e todas tenham as mesmas oportunidades.
Sem dúvidas a educação digital traz uma série de diferenciais que tornam a aprendizagem mais dinâmica e personalizada. Além dos alunos, professores também podem contar com suporte para melhorar seus planos de aula e, com isso, facilitar a prática pedagógica.
Entretanto, o ensino brasileiro ainda possui grandes dificuldades em relação à tecnologia e à conectividade, além da falta de capacitação na área, de acordo com o VII Estudo Global sobre uso da tecnologia na educação, professores também pontuam a falta de dispositivo nas escolas como um desafio para o uso da tecnologia na sala de aula.
Precisamos deixar no radar que o Brasil sempre possuiu um modelo de desenvolvimento excludente, não possibilitando que milhões de brasileiros acessem a escola e nela permaneçam e quando colocamos uma lupa nestas pessoas encontramos as populações pretas, pardas e indígenas. Disso resulta a lacuna na formação dos profissionais da educação e a ausência de material didático específico.
Em 2022 63% dos estudantes tinham acesso à banda larga, e 37% não tinham, fica complicado para um professor encantar o aluno com a tecnologia e também se encantar se ainda falta o básico: o acesso em casas e nas escolas, até que todas as regiões periféricas urbanas, rurais, indígenas e quilombolas estejam conectadas não diminuiremos as desigualdades.
O Mover, (Movimento pela Equidade Racial), anunciou recentemente a nomeação de Natália Paiva como sua nova Diretora Executiva. A mudança marca um novo capítulo na história da instituição, que teve a executiva Marina Peixoto no cargo por dois anos.
Peixoto agora tem a missão de ajudar a desenhar o Conselho Consultivo do Mover, enquanto Natália, chega para colocar em prática a experiência acumulada de mais de 15 anos de trabalho na gestão estratégica de empresas do setor público, privado e na área social.
Com uma missão crucial de impulsionar a inclusão e a equidade racial nas lideranças corporativas, o Mover tem sido uma força de transformação nos últimos dois anos, com 49 grandes empresas associadas. A transição da liderança, com a chegada de Natália Paiva, representa um momento importante na trajetória do movimento.
Com exclusividade para o Mundo Negro, Paiva falou sobre como suas experiências anteriores influenciam sua abordagem e contou quais planos estratégicos colocará em prática para promover a equidade racial nas empresas associadas ao Mover.
A diretora executiva foi chefe de Políticas Públicas do Instagram para a América Latina, também atuou como consultora da McKinsey & Company para o setor público e social e como Diretora-Executiva da ONG Transparência Brasil. Empreendedora, ela fundou a Alandar Consultoria, com foco em políticas públicas e tecnologia, além de ser membro do conselho consultivo de segurança da Teleperformance. Ela também possui MBA pela IE Business School.
Com um extenso currículo que inclui cargos de chefia em diferentes setores sociais, Natália Paiva já tem planos traçados para contribuir com mais mudanças no cenário racial existente na liderança das empresas, entre as medidas que a diretora executiva deve tomar, estão: “Apoiar a criação, ampliação ou mensuração de processos e programas internos para aumentar a presença, o pertencimento e a ascensão profissional de pessoas negras”, segundo ela, é necessário padronizar o modo como as informações são mensuradas hoje pelas empresas, o que pode ajudar a analisar com mais exatidão os indicadores de equidade racial no setor corporativo.
Nos planos estratégicos de Paiva, também está a ampliação dos impactos causados pelas ações das empresas associadas ao Mover, beneficiando toda a cadeia: “Vamos impulsionar ferramentas de apoio às associadas, com uma plataforma de talentos negros e outra plataforma de empreendedores negros aptos a fornecerem para grandes empresas. Também vamos ampliar nossos programas de formação de liderança e de bolsas de inglês, tanto para os colaboradores das empresas associadas quanto para o público em geral. Por meio de ações intencionais no setor corporativo, buscamos impactar toda a sociedade para espaços mais equitativos”.
“Nas empresas brasileiras como um todo, pessoas negras ainda são subrepresentadas em cargos de liderança. Menos de 5% dos profissionais negros ocupam posições executivas. Há turnover alto e em muitos casos não recebem as ferramentas necessárias para o desenvolvimento profissional”, lembrou ela.
“O Mover vem para mudar isso. Não basta que a empresa queira promover diversidade, é preciso intencionalidade; não basta apenas criar vagas afirmativas, é preciso promover um espaço inclusivo e que propicie o crescimento profissional. É uma jornada”, finalizou.
Você já ouviu falar em brunch? No próximo domingo (15), acontece o “Brunch da Marina”, da Chef Marina Santos, com um saboroso brunch vegetal, com direito a um day use com piscina e música na CasaJojo, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro.
Brunch é aquele café da manhã recheado de comidas gostosas e diversas bebidas na mesa para saborear com calma, normalmente em feriados e finais de semana, diferente daquele café da manhã rápido durante a correria da semana.
O brunch da Marina será 100% vegetal com comida à vontade das 10h até às 15h30, com direito a bebidas não alcoólicas e um drink incluso. O brunch também terá uma degustação guiada de chocolates orgânicos bean to bar da Black Cacau Chocolataria.
Além do café da manhã, a pessoa terá direito a usar o espaço da CasaJomo, incluindo a piscina e demais áreas até às 18h (não incluindo os quartos que podem ser reservados à parte).
O valor do brunch é de R$ 250,00 reais e pode ser reservado pelo link na bio da @marinaesuasmassas e da @casajomo.art
Construir uma família pode ser complicado, né?! Não basta apenas encontrar a pessoa certa para compartilhar a jornada, você ainda precisa aprender a lidar com a bagagem da parte da família dela, que inclui, na maioria das vezes, a convivência com a sogra. Mas e quando falta esse convívio porque a sogra já nem gosta de você, antes de te conhecer?
É desta forma que a família Tenório começa o novo reality show brasileiro ‘Ilhados com a Sogra’, a nova queridinha da Netflix, que está no Top 10 desde o lançamento em 9 de outubro. Em um diferente experimento social, apresentado por Fernando Souza, seis sogras se uniram aos seus genros e noras para disputar o prêmio de R$ 500 mil.
Em um clima caótico, com muitas cenas engraçadas e de climão, a compositora Severina Tenório finalmente conheceu o genro e influencer Thyago Cesar, que mora com a filha multiartista Mayara Tenório, há mais de um ano. Ambos os lados têm os seus motivos para explicar porque não se conheceram antes, mas apesar das trocas de farpas, os dois irão se mostrar uma dupla de arrasar.
Mayara Tenório e Thy Cesar (Foto: Divulgação)
Severina conheceu o genro de uma forma meio conturbada com a dinâmica do reality, e se mostra em poucos minutos uma mulher brava, que se impõe e fala o que der vontade. A primeira impressão é de que não há como Thy conquistar o coração da sogra.
Mas ao longo dos episódios, dona Severina mostra um pouco da sua história para o genro e para os outros participantes. Fala sobre o seu passado, uma relação difícil que teve com a mãe dela, a batalha para ser uma mulher estudada e independente. Impossível não chorar com ela.
Severina Tenório e Thy Cesar (Foto: Divulgação)
Isso logo contextualiza com as suas inseguranças. Ela lutou para que Mayara estudasse, mas não ficou feliz com o Thy como genro antes de conhecê-lo. Os motivos são diversos: a falta de segurança financeira, falta de convivência, tempo de namoro. Quando a gente para ouvi-lá, tudo faz sentido, mas ainda assim, com atitudes bem rígidas. Podemos dizer que os dois erraram, mas isso não impediu que eles recomeçassem. No decorrer dos primeiros episódios, já se mostraram que são mais que uma dupla, mas uma família unida, dispostos a melhorar pelo amor da Mayara.
Conviver com a Severina agora vai ser difícil para os outros participantes, já que ela tem se sentido incomodada com certos olhares e falas a respeito dela, que a deixaram alerta para um possível caso de racismo estrutural. Segundo a compositora, eles não aceitam uma mulher negra, nordestina, inteligente, e isso ainda vai dar o que falar. Os próximos episódios chegam na segunda-feira, 16, na Netflix.
“As oportunidades são imensas”, descreve o engenheiro civil Luciano Machado, sobre os negócios que podem ser fechados com pequenos e médios empresários do continente africano, em entrevista ao Mundo Negro. Ele acaba de voltar de Cabo Verde após uma agenda de compromissos, que o fez analisar muito sobre muitas possibilidades de lá. “O problema é que não estamos habituados a olhar o continente africano com o viés de oportunidades”.
Sócio Fundador da MMF Projetos, Luciano Machado revela que a empresa agora é signatária do Pacto Global das Nações Unidas, um movimento de sustentabilidade corporativa. “Pensando nesse compromisso, faz total sentido levarmos nosso conhecimento e acesso a tecnologia de ponta a todos os países que têm essa necessidade”, diz.
Junto com a esposa e jornalista Joyce Ribeiro, eles foram convidados pela embaixada de Guiné Bissau, em Cabo Verde, para participar dos festejos do cinquentenário da independência de Guiné Bissau, celebrado em 24 de setembro. Na entrevista, Luciano explica a relação que une os dois países como irmãos, a experiência de ir ao continente africano pela primeira vez, além de compartilhar as possibilidades de negócios destes países com o Brasil.
Quadro e camisa, feitos por guinenses (Foto: Arquivo pessoal)
Leia a entrevista completa abaixo:
Luciano, recentemente você esteve em Cabo Verde. Pode nos contar o que motivou a ida para o país e como foram as experiências de trocas culturais?
Nós fomos convidados pela embaixada de Guiné Bissau, em Cabo Verde, na pessoa da Embaixadora Basiliana Tavares, para participar dos festejos do cinquentenário da independência de Guiné Bissau. Chegando no país, a comemoração da independência em conjunto fez total sentido. Por diversas vezes ouvimos de Guineenses e Cabo-Verdianos, que são irmãos de sangue, e essa união se dá principalmente por terem em comum o Revolucionário Amílcar Cabral, que é o grande líder da revolução e independência, que nasceu em Guiné Bissau, mas viveu, casou-se pela segunda vez em Cabo Verde e lutou pelos dois países.
Uma ideia ficou na mente. Penso que existem muitos brasileiros, que não aceitariam ouvir que são irmãos de outros brasileiros, que são diferentes deles na aparência. Me senti em casa. A sensação era de reencontro com o passado, acharam que eu era de lá. Engraçado que 3 pessoas diferentes iniciaram a conversa comigo em crioulo, depois passamos a falar em português. É difícil explicar essa sensação, você ser apenas mais um entre tantos outros negros em espaços tão importantes como os que estivemos, normalmente no Brasil, nesses mesmos espaços, somos negros únicos.
Entre as diversas pessoas que conversamos, uma frase que ouvi algumas vezes ficou gravada: “aqui em Cabo Verde, ninguém é estranho”. Fomos recebidos de uma forma única e incrível. Para se ter uma ideia, no evento de apresentação do livro (Chica da Silva, Romance de uma vida) da Joyce Ribeiro (minha esposa), estavam diversos presidentes das câmaras (que são equivalentes aos nossos prefeitos), embaixadores de diversos países, incluindo o embaixador do Brasil em Cabo Verde (Colbert Soares Pinto), que teve uma linda fala no evento. E o que mais nos surpreendeu foi a presença, durante todo evento do Presidente da República de Cabo Verde – Sr. José Maria Neves, que foi muito gentil e receptivo, inclusive abrindo sua casa para um jantar tradicional da culinária Guineense.
Evento de apresentação do livro Chica da Silva, Romance de uma vida, da Joyce Ribeiro (Foto: Arquivo pessoal)
Hoje você é uma grande referência no mundo por construir uma empresa de sucesso. Como você avalia a potência das pequenas e médias empresas no continente africano?
No último dia 06 de outubro de 2023, eu recebi a carta de boas-vindas da ONU (Organização das Nações Unidas) e agora a MMF Projetos de Infraestrutura é signatária do Pacto Global das Nações Unidas. Pensando nesse compromisso, faz total sentido levarmos nosso conhecimento e acesso a tecnologia de ponta a todos os países que têm essa necessidade! Do ponto de vista de negócios, muitos dos países africanos possuem possibilidades enormes, sobretudo para pequenas e médias empresas. O problema é que não estamos habituados a olhar o continente africano com o viés de oportunidades, porém estando lá e vendo os enormes investimentos feitos por empresários de outros países, principalmente os chineses, é nítido que as oportunidades são imensas. Essa foi minha primeira vez em terras africanas, mas com certeza não será a última. Voltarei em breve, possivelmente ainda em 2023, para tratar de alguns assuntos que ficaram em aberto.
Luciano Machado e o da República de Cabo Verde, José Maria Neves (Foto: Arquivo pessoal)
Hoje, você considera que o Brasil e os países do continente africano tem uma boa relação para negócios? Qual ramo é ou pode se tornar mais promissor?
Os africanos, principalmente os da lusofonia, que são os que estou em contato, não olham para o Brasil com o olhar de país colonizador, uma vez que também fomos colonizados. Esse olhar já possibilita uma relação mais colaborativa e eles amam o Brasil, principalmente pelo que chega através da televisão. Diversas áreas podem se destacar nos trabalhos com os países do continente africano, tecnologia, infraestrutura e as pequenas e médias indústrias em diversos segmentos, com certeza possuem espaço para atuar. Quando estive no mercado, comprei um biscoito que não conhecia a marca, chegando no apartamento que estávamos, fui olhar onde era fabricado e foi surpreendente saber que vinha do Rio Grande do Sul, Só esse fator já confirma essa oportunidade que estamos enxergando.
Evento cultural em comunidade guinense com a Embaixadora Basiliana Tavares (Foto: Arquivo pessoal)
Além da música e da moda, Pharrell Williams investe em diferentes tipos de negócios que também beneficiam a comunidade. Em uma nova empreitada, o sócio da Billionaire Boys Club, marca de streetwear de luxo, e diretor criativo da Louis Vuitton se uniu ao fotógrafo Cam Kirk para lançar um estúdio criativo para fotógrafos de Atlanta, nos Estados Unidos.
Foto: Reprodução
A novidade foi anunciada em comunicado feito para a imprensa na última segunda-feira, 9. O Laboratório de Criadores do Billionaire Boys Club fica dentro do Cam Kirk Studios e oferece equipamentos de fotografia de nível profissional, além de disponibilizar ferramentas de edição que incluem softwares de design e máquinas 3D que podem ser utilizadas de graça pelos profissionais que ainda não têm seu espaço ou recursos.
“Ver meu relacionamento com o Billionaire Boys Club se materializar em um Creators Lab em meu estúdio é um sonho que se torna realidade”, contou Kirk no comunicado emitido para imprensa.
Fotógrafo Cam Kirk | Foto: Reprodução
Cam Kirk fundou seu estúdio em Atlanta, no ano de 2017. Ele ficou conhecido por celebrar e promover talentos criativos, incluindo artistas musicais e inovadores visuais. A empresa tem colaborado com uma extensa lista de indivíduos criativos, proporcionando-lhes um local permanente para a criação de projetos diários.
“Eu queria oferecer a eles a oportunidade de se conectarem com profissionais com ideias semelhantes, trocar recursos e aprender uns com os outros”, afirmou o fotógrafo em entrevista para a revista Essence em 2022.
Numa entrevista para o portal Wabe, Kirk revelou de onde veio a ideia de abrir o estúdio e compartilhar recursos com a sua comunidade: “Eu estava no ramo há apenas cinco anos e olhei para minha carreira e disse: ‘Uau, embora eu tenha alcançado certos níveis de sucesso, ainda há muitos recursos que eu gostaria de ter.’ Eu gostaria de ter um espaço para praticar no estúdio. Eu gostaria de aprender mais sobre iluminação…. Eu gostaria de ter uma comunidade de apoio, como uma comunidade de apoio que apoiasse algumas das ideias que tenho ou apenas me desse inspiração positiva e coisas dessa natureza”, relembrou.
“Então comecei olhando para minha própria necessidade e então percebendo que não estou sozinho nessa necessidade e querendo aquele espaço, e apenas vendo um vazio na cena criativa de Atlanta, [a necessidade de] um espaço que realmente empoderasse outros jovens criativos , e realmente, um espaço que lhes permite saber que se ninguém mais acredita que a fotografia ou a criatividade podem ser uma verdadeira profissão, nós acreditamos nisso.”, continuou ele.
‘Somos realmente um espaço criativo com tudo incluído e um espaço comunitário’, disse Kirk. “Portanto, também temos o que chamamos de ‘laboratório do criador’, que é como um laboratório de informática repleto de computadores de alta potência com todos os aplicativos e programas que você precisa para criar. Temos equipamentos de criação de batidas e produção musical lá. Temos microfones de podcast lá, se você quiser hospedar seu podcast.”
Os frequentadores do espaço, além das grandes marcas que já fecharam parceria com o Kirk Cam Sudios, usam os equipamentos e recursos do e, em troca, ajudam a comunidade oferecendo seu conhecimento e trabalho, como uma maneira de fortalecer aqueles que estão ao redor.
Que as ações de diversidade têm grande impacto social, todo mundo já sabe. Que empresas com grupos diversos têm mais lucro, também não é novidade. Agora, como isso tem sido comunicado para a sociedade?
Eu tenho notado um comportamento preocupante: profissionais da área de diversidade, integrados à equipe de recursos humanos, em sua maioria negros, estão enfrentando desgastes profissionais e emocionais ao lidar com demandas complexas à mesa, e contam com um orçamento limitado para conduzir projetos. Esses projetos são estratégicos para a imagem da empresa perante a sociedade e representam um dos princípios mais evidentes quando se fala de ESG.
Vagas inclusivas, programas especiais com foco em grupos minorizados, projetos de impacto social para comunidade. Todas essas ações precisam ser divulgadas para a sociedade. Essa é a função da área de marketing e comunicação. Porém, minha experiência mostra que fica tudo a cargo de um profissional de formação diferente, com a questão da diversidade no colo, sem conhecimentos técnicos em comunicação e já sobrecarregado com as metas da área de gestão de pessoas.
Para além da sobrecarga, este mesmo profissional da pasta de diversidade, não tem orçamento. Conversei com uma fonte de uma grande multinacional sobre investir sua verba de publicidade em veículos de mídia negra para divulgar processos seletivos programados para 2023. Ele disse que sua verba anual para essa finalidade era de R$10 mil.
“Eu queria muito, precisamos falar com mais pessoas, mas o pessoal branco do marketing não libera verba para gente”, disse um supervisor de uma grande empresa brasileira, pessoa negra, deslocado para a área de diversidade e inclusão. O que vemos é a reprodução do racismo estrutural, onde o poder e o dinheiro ficam sempre concentrados nas mãos brancas.
Não há como ações diversidade e inclusão prosperarem dentro das organizações sem o poder das áreas de marketing e comunicação, seja para ações internas entre funcionários, seja na relação com a sociedade e imprensa. Falta dos líderes esse olhar mais interseccional das ações e o entendimento que orçamento para comunicação e mídia, não é “propaganda”, é prestação de contas, é promoção de ações que podem inspirar outros negócios, é mostrar que funcionários diversos são ouvidos.
O impacto social não acontece sem investimento e sem dialogar com a comunidade. Às áreas de marketing estão atrasadíssimas no reconhecimento da importância das pautas negras dentro da suas estratégias nas grandes organizações, e do outro lado da história, está o profissional negro esgotado em tentar resolver os problemas causados pelo racismo.
As revelações de Jada Pinkett Smith sobre seu agora ex-casamento com Will Smith continuam a surpreender. A atriz e apresentadora contou que ficou surpresa por Will tê-la chamado de esposa após dar um tapa em Chris Rock na cerimônia do Oscar em 2022. Ao defender, Jada, ele teria dito: “Mantenha o nome da minha esposa longe da porra da sua boca”.
A surpresa de Jada Pinkett Smith veio porque o ator não a chamava de “esposa” há algum tempo: “Em primeiro lugar, estou realmente chocado, porque veja bem, eu não estou lá. Faz muito tempo que não nos chamamos de marido e mulher”, contou ela na entrevista para a jornalista Hoda Kotb no especial que vai ao ar no dia 17 de novembro na NBC News. “Manter o nome da minha esposa fora da sua boca? Estou muito preocupado com Will porque não sei o que está acontecendo”, lembrou ela.
Durante a entrevista, a atriz relembrou o episódio em que Will Smith deu um tapa em Chris Rock durante a cerimônia do Oscar, em 2022, depois que o comediante fez uma piada sobre a cabeça raspada de Jada, que vive com alopécia. No momento da piada, ela revirou os olhos como uma reação à atitude de Chris: “Fiz aquele revirar de olhos não tanto por mim – e penso que isto é muito importante – mas pelo fato de haver uma alusão à alopecia”, disse.
Naquele ano, Will Smith ganhou o Oscar de Melhor ator pela atuação em ‘King Richards: Criando campeãs’. Mais tarde, como punição pelo ato contra Chris Rock, ele renunciou à Academia e foi proibido de participar de eventos do Oscar por 10 anos.
Jada, que está dando uma série de entrevistas para divulgar seu livro de memórias intitulado “Worthy” (Digna, na tradução para o português), contou que achou que o tapa fosse “uma peça teatral”. Ela também revelou no começo da semana que está separada de Will Smith desde 2016.