Pat McGrath já foi eleita uma das pessoas mais influentes do mundo pela TIME. Ela também foi classificada como a maquiadora mais influente do planeta de acordo com a Vogue. Britânica, a profissional de 53 anos tornou-se conhecida pela maquiagem colorida, metálica, ousada, artística e sempre inovadora. Ao longo da carreira, seu objetivo sempre foi proporcionar um brilho mais saudável à pele, ao mesmo tempo em que suaviza a aparência da base.
O início da carreira de McGrath foi marcado por sua colaboração com grandes revistas de moda e marcas renomadas, onde seu talento inovador embelezou inúmeras capas e editoriais. Seu trabalho revolucionário rapidamente chamou a atenção, e ela se tornou conhecida por suas criações impecáveis, que desafiavam os limites convencionais da maquiagem. Ela se tornou a primeira maquiadora a receber o título de Dama do Império Britânico por seus serviços prestados às indústrias da moda, beleza e à diversidade.
Pat McGrath. Foto: Divulgação.
No final de janeiro, o nome de McGrath se tornou um dos assuntos mais comentados da internet após o desfile de verão 2024 da Maison Margiela Artisanal, na semana de alta-costura de Paris. O destaque foi atribuído ao ‘acabamento de porcelana’ no rosto das modelos. Criadores do mundo todo tentaram desvendar o mistério por trás da técnica inovadora da profissional vanguardista.
“Meu telefone está pegando fogo desde esse show. Em meus mais de 35 anos de beleza, nunca vi uma reação como essa. E me surpreendeu como as pessoas tiveram uma conexão tão emocional com esses looks… é um dos grandes prazeres da minha vida poder inspirar desta forma“, disse McGrath em entrevista para a Vogue. “Foi uma alegria ver a super investigação de todos on-line. Nós realmente nos esforçamos artística e tecnicamente ao criar esse look de maquiagem, e significa muito para mim ter isso reconhecido. Ver todo mundo experimentando produtos diferentes para tentar recriar nosso visual tem sido incrível“.
Modelo com o ‘acabamento de porcelana’ criado por Pat McGrath. Foto: Reprodução / Instagram.
Em seu perfil oficial no Instagram, Pat McGrath compartilhou diversos criadores de conteúdo em suas tentativas de recriar o ‘acabamento de porcelana’. A profissional revelou que não se trata de um produto único, mas de uma mistura complexa de diversos elementos até alcançar o resultado final que observamos no desfile da Maison Margiela.
“Eu gostaria de poder dizer que era apenas um produto, mas, infelizmente, para criar aquele acabamento perfeito, hiper-reflexivo e semelhante ao vidro, precisávamos brincar com vários ingredientes diferentes – incluindo água e diferentes máscaras tipo gel – também como técnicas de [diferentes] artistas. Foi isso que realmente proporcionou o acabamento de porcelana perfeito que John procurava”, revelou McGrath.
Com um enorme império de beleza em seu nome, no ano de 2015 McGrath lançou sua própria linha de cosméticos, intitulada “Pat McGrath Labs”. A marca rapidamente se destacou pela qualidade excepcional, embalagens luxuosas e paletas de cores vibrantes e expressivas. “As pessoas não querem mais ficar entediadas. Elas realmente querem experimentar coisas novas. Acredito que as pessoas adoram o que veem nos desfiles de moda e nos editoriais e querem experimentar. Agora é uma abordagem nerd. E então chegou a minha hora, porque eu sou essa mulher. Acredito que todos são obcecados por maquiagem assim como eu”, disse a maquiadora em entrevista para o The Guardian, em 2017.
O Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio ALmeida, se manifestou em seu perfil nas redes sociais sobre o caso do motoboy negro que chamou a polícia após ser ameaçado por um homem branco no Rio Grande do Sul e acabou preso. O ministro afirmou que a ação dos policiais “demostra, mais uma vez, a forma como o racismo perverte as instituições e, por consequência, seus agentes”.
O caso aconteceu na tarde de sábado, 17, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, quando o motoboy, Everton Henrique Goandete da Silva, de 40 anos, acionou agentes do 9º Batalhão de Polícia Militar depois de ser agredido com uma faca por um morador branco, que não teve o nome divulgado. As imagens gravadas por testemunhas, mostram Everton sendo puxado pela camiseta por um policial depois de retrucar a um comentário do agressor, ele então é cercado pelos policiais que tentam algemá-lo enquanto o homem branco sai do local. Nesse momento, testemunhas começam a reclamar que Everton é a vítima da ocorrência.
No RS,um branco comete tentativa de homicídio,mas a vítima,um negro,é que foi algemado e preso. As brigadianas chegaram a escoltar o criminoso,e só com a pressão das testemunhas levaram o senhor branco junto. O Racismo e violência da @brigadamilitar_ com a vítima foi criminosa! pic.twitter.com/VBSF1R0ug4
Everton foi levado para a delegacia sob a acusação de desacato à autoridade e foi liberado em seguida. Ao avaliar a ação dos agentes de segurança, Silvio Almeida também pontuou a necessidade de avaliações críticas e de medidas para combater o racismo nas instituições: “É preciso que as instituições passem a analisar de forma crítica o seu modo de funcionamento e aceitar que em uma sociedade em que o racismo é estrutural, medidas consistentes e constantes no campo da formação e das práticas de governança antirracista devem ser adotadas. Em outras palavras, é preciso aceitar críticas e passar a adotar medidas sérias de combate ao racismo em nível institucional”, disse. O ministro revelou que conversou com Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial, e que os dois devem entrar em contato com as autoridades gaúchas para acompanhar o caso.
Depois de prenderem Everton é que os policiais foram atrás do homem branco, que teve tempo de subir ao seu apartamento, vestir uma camisa e se esconder a faca usada na agressão ao motoboy. Ambos foram conduzidos à 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento da Polícia Civil e em seguida liberados. Uma sindicância foi aberta pela Brigada Militar para apurar o caso.
Testemunhas contaram ao jornal GaúchaZH que o homem branco mora no prédio e que constantemente reclama de motoboys que ficam do outro lado da calçada enquanto esperam o chamado de aplicativos. Uma discussão entre o motoboy e o homem começou, foi quando ele sacou uma faca e foi para cima de Everton, atingindo o pescoço do motoboy que sofreu um corte superficial.
William Stanford Davis conquistou o público com o seu cômico personagem, o zelador Sr. Johnson, da série ‘Abbott Elementary’. Essa foi a sua maior oportunidade como ator, desde que iniciou a carreira, em 1984.
“Quarenta anos depois, não apenas ainda estou em Los Angeles, mas também estou no Emmy como parte do elenco de um programa de TV indicado”, celebra Davis em artigo publicado no Times neste mês, ao lembrar que ao deixar sua casa em St. Louis para viver um sonho em Los Angeles, perdeu tudo após o carro pegar fogo no segundo dia morando na cidade nova, mas optou por continuar. “Aos 72 anos, enquanto muitas pessoas da minha idade estão se aposentando, sinto que estou apenas começando”, completa.
No início da carreira, Davis lembra que precisou aceitar muitos empregos para sobreviver: “trabalhar em uma olaria, como cozinheiro em uma parada de caminhões, operador de telemarketing, motorista de limusine e até mesmo DJ country, muitas vezes das 10 da manhã às 10 da noite. Foi um pesadelo não poder perseguir meu sonho”, conta.
Foto: ABC/Scott Everett White
Ele iniciou pequenos trabalhos em programas como ‘The Bold and the Beautiful’ e ‘The Practice’, mas se decepcionou ao fazer um teste para a série ‘Friends’. “Eu pensei que tinha arrasado tudo. Mas quando liguei para meu agente para obter feedback, o telefone ficou em silêncio total. Ele me disse que o departamento de elenco achou meu teste tão terrível que eu deveria voltar a ser operador de telemarketing. Meu rosto caiu. Meu coração afundou”.
Apesar de vivenciar esse momento delicado, Davis afirma que não deixou que isso o quebrasse. “Eu estava determinado a que ninguém jamais diria isso sobre meu trabalho novamente. Matriculei-me em aulas, oficinas, fiz teatro. Quando fui convidado para me tornar membro vitalício do Actors Studio, não apenas me senti um ator profissional, mas também pertencia. Pensando bem, essa rejeição foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha carreira – até conhecer Quinta Brunson [atriz e criadora de Abbott Elementary]”.
Em meio a tantas dificuldades, foi em meio a pandemia de Covid-19, que a sua vida estava prestes a mudar. “Gravei uma fita em minha própria casa para fazer um teste para o piloto de uma nova sitcom chamada ‘Abbott Elementary’. Este foi um dos tempos mais sombrios da história americana, definido por tudo o que nos foi tirado. Mas foi aí que aconteceu um dos maiores acontecimentos da minha vida – e quero dizer o maior. A pandemia tirou muito de todos, mas deu muito para mim”.
Foto: Disney
Sr. Johnson era para ser apenas um personagem convidado com poucas aparições, mas ele conquistou todo o elenco e produção logo na gravação do piloto e Brunson lhe convidou para ser um ator regular a partir da segunda temporada. “O sucesso ocorre quando a preparação e a oportunidade colidem. Ter sucesso em qualquer idade, mas principalmente com o passar dos anos, é nunca desistir. É acreditar, no fundo, que algo grande vai acontecer. Para que isso exista. Para mim, o sucesso tem a ver com a jornada, não com o destino, e conhecer o universo sempre coloca você exatamente onde deveria estar. No meu caso: com um uniforme verde-sálvia, um cordão e uma vassoura, varrendo o chão de linóleo de uma escola primária da Filadélfia”.
A Food and Drug Administration (FDA), órgão governamental dos EUA responsável pelo controle de alimentos e medicamentos deverá divulgar em abril deste ano, uma proposta que tem como objetivo proibir o uso de formaldeído, mais conhecido como Formol, em produtos para alisamento capilar. A proposta deve acontecer anos depois de a agência federal do país ter classificado o produto químico como cancerígeno para humanos.
Atualmente, existe uma preocupação crescente entre pesquisadores a respeito dos efeitos causados à saúde pelos produtos para alisar cabelos, que são utilizados e comercializados, em maioria, para mulheres negras. Porém, defensores e cientistas afirmam que a regulamentação proposta teria poucos resultados, além de estar muito atrasada.
Questionada sobre por que está demorando tanto para incluir a questão na agenda da FDA, Namandjé Bumpus, cientista-chefe da agência reguladora, disse ao KFF Health News: “a agência está sempre equilibrando múltiplas prioridades. Isso é uma prioridade para nós agora.”
A resposta da FDA às preocupações com o formaldeído e outros produtos químicos perigosos em alisadores capilares reflete em parte os poderes limitados da agência quando se trata de cosméticos e produtos de cuidados pessoais, de acordo com Lynn Goldman, ex-administradora assistente para substâncias tóxicas na Agência de Proteção Ambiental. Segundo a lei, ela disse, a FDA deve considerar todos os ingredientes químicos “inocentes até que se prove o contrário”.
Críticos dizem que isso também aponta para problemas mais amplos. “É um exemplo claro de falha na proteção da saúde pública”, disse David Andrews, cientista sênior do Environmental Working Group, que primeiro solicitou à agência a proibição do formaldeído em alisadores de cabelo em 2011 e processou sobre o assunto em 2016. “O público ainda está aguardando essa resposta.”
Evidências crescentes ligando os alisadores de cabelo a cânceres impulsionados por hormônios levaram as deputadas Ayanna Pressley (D-Mass.) e Shontel Brown (D-Ohio) no ano passado a instar a agência reguladora a investigar alisadores e relaxantes. A FDA respondeu propondo fazer o que muitos cientistas dizem que a agência deveria ter feito anos atrás – iniciar um plano para eventualmente proibir alisadores químicos que contenham ou emitam formaldeído.
Uma proibição desse tipo seria um passo crucial para a saúde pública, mas não vai longe o suficiente, dizem os cientistas que estudam o assunto. O risco elevado de câncer de mama, ovário e útero que estudos epidemiológicos associaram recentemente aos alisadores de cabelo provavelmente se deve a ingredientes diferentes do formaldeído, disseram eles.
O formaldeído foi associado a um aumento do risco de câncer do trato respiratório superior e leucemia mieloide, disse Bumpus em um anúncio em vídeo da proposta de proibição no X (ex-Twitter). Mas Kimberly Bertrand, professora associada na Escola de Medicina Chobanian & Avedisian da Universidade de Boston, e outros cientistas disseram que não tinham conhecimento de estudos relacionando o formaldeído aos cânceres impulsionados por hormônios, ou reprodutivos, que motivaram os recentes apelos para ação da FDA.
“É difícil para mim imaginar que remover o formaldeído terá um impacto na incidência desses cânceres reprodutivos”, disse Bertrand, epidemiologista e autora principal de um estudo publicado em dezembro, o segundo que liga relaxadores de cabelo a um risco aumentado de câncer de útero.
Produtos capilares direcionados a afro-americanos contêm uma série de produtos químicos perigosos, disse Tamarra James-Todd, professora associada de epidemiologia na Escola de Saúde Pública T.H. Chan de Harvard, que estuda o assunto há 20 anos.
Estudos mostraram que os ingredientes dos alisadores incluem ftalatos, parabenos e outros compostos disruptores endócrinos que imitam os hormônios do corpo e foram associados a cânceres, bem como puberdade precoce, miomas, diabetes e pressão alta gestacional, que é um contribuinte-chave para o risco aumentado de mortalidade materna das mulheres negras, disse James-Todd.
O primeiro estudo que vinculou relaxadores de cabelo ao câncer de útero, publicado em 2022, descobriu que o uso frequente de alisadores químicos mais que dobrou o risco em mulheres. Ele seguiu estudos mostrando que mulheres que usavam frequentemente relaxadores de cabelo dobraram o risco de câncer de ovário e tinham um risco 31% maior de câncer de mama.
Alisamentos brasileiros e tratamentos capilares semelhantes às vezes usam formaldeído como uma cola para manter o cabelo liso por meses. Os estilistas geralmente selam o produto no cabelo com uma chapinha. O calor converte o formaldeído líquido em um gás que cria vapores que podem adoecer os trabalhadores e clientes dos salões.
Além de cosméticos, o formaldeído é encontrado em fluidos de embalsamamento, medicamentos, amaciantes de tecido, líquidos de lavar louça, tintas, compensados e aglomerados. Ele irrita a garganta, o nariz, os olhos e a pele.
Mais de 10 anos atrás, um painel de especialistas pagos pela indústria considerou os produtos capilares com formaldeído inseguros quando aquecidos. Estados norte-americanos como Califórnia e Maryland proibirão o formaldeído de todos os produtos de cuidados pessoais a partir do próximo ano. E os fabricantes já reduziram o uso de formaldeído em produtos para cabelos. Relatórios para o Programa de Cosméticos Seguros do Departamento de Saúde Pública da Califórnia mostram uma queda de dez vezes nos produtos contendo formaldeído de 2009 a 2022.
John Bailey, ex-diretor do Escritório de Cosméticos e Cores da FDA, disse que a agência federal muitas vezes espera que a indústria remova voluntariamente ingredientes perigosos.
Cheryl Morrow co-fundou o The Relaxer Advocates no final do ano passado para fazer lobby em nome do California Curl, um negócio que ela herdou de seu pai, um barbeiro que iniciou a empresa, e de outras empresas e salões de cuidados com os cabelos afro-americanos. “Proíba”, disse ela sobre o formaldeído, “mas por favor não misture culturalmente com o que as pessoas negras estão fazendo.”
Ela insistiu que os relaxantes que os afro-americanos usam não contêm formaldeído ou outros carcinógenos e são seguros.
Um estudo de 2018 descobriu que produtos capilares usados principalmente por mulheres e crianças negras continham uma série de ingredientes perigosos. Investigadores testaram 18 produtos, de tratamentos com óleo quente a polimentos antifrizz, condicionadores e relaxantes. Em cada um dos produtos, eles encontraram pelo menos quatro e até 30 produtos químicos disruptores endócrinos.
Padrões de beleza racistas há muito tempo têm compelido meninas e mulheres com cabelos crespos a alisá-los. Entre 84% e 95% das mulheres negras nos EUA relataram usar relaxantes, mostram estudos.
A aplicação frequente e ao longo da vida de relaxantes químicos nos cabelos e no couro cabeludo de mulheres negras pode explicar por que os cânceres relacionados a hormônios matam mais mulheres negras do que brancas per capita, afirmam epidemiologistas. Os relaxantes podem ser tão viciantes que os usuários os chamam de “crack cremoso”.
Em discurso na abertura da 37ª Cúpula da União Africana, neste sábado (17), na Etiópia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que pretende ampliar parcerias com países africanos e afirmou que o Brasil tem dívida histórica com a África em razão da escravidão no país.
A União Africana reúne 55 países do continente e, em 2023, com o apoio do Brasil, passou a integrar de forma permanente o G20, grupo responsável por mais de 80% da economia global.
O presidente cobrou a reorganização da governança global para aumentar a atuação de países da África e da América Latina na solução de conflitos mundiais, e afirmou que a extrema-direita “racista e xenófoba” não solucionarão as crises mundiais.
“O sul global está se constituindo em parte incontornável da solução para as principais crises que afligem o planeta. Crises que decorrem de um modelo concentrador de riquezas e que atingem, sobretudo, os mais pobres. E, entre estes, os imigrantes. A alternativa às mazelas da globalização neoliberal não virá da extrema direita racista e xenófoba”, disse o petista.
Em defesa da ampliação nas relações diplomáticas e comerciais para que Brasil e o continente africano cresçam juntos, Lula propõe mais parcerias nas áreas de educação, saúde, ciência e tecnologia e uma “aliança global” contra a fome. “Vamos trabalhar juntos para capacitar a África na produção de alimentos e na adoção de energia limpa e renovável”, afirmou.
Para concluir o discurso, Lula citou a dívida histórica.”Muito ou pouco, que o Brasil tem, eu quero compartilhar com os países africanos porque nós temos uma dívida histórica de 300 anos de escravidão e a única forma de pagar é com solidariedade e muito amor”, disse Lula, sendo aplaudido de pé.
Fotos: Conspiração Filmes e Reprodução/Redes Sociais
Na última quinta-feira (15), foi revelada a primeira imagem da atriz Fernanda Montenegro, 94, como protagonista do filme “Vitória”. Dirigido pelo genro Andrucha Waddington, o longa-metragem acompanha a história real de Dona Vitória, uma senhora de 80 anos que filmou da janela de seu apartamento a rotina do tráfico de drogas em Copacabana, no Rio de Janeiro, e denunciou à polícia, em 2005. Ela foi incluída no Programa de Proteção à Testemunha e sua identidade só foi revelada após a sua morte, em fevereiro de 2023.
Apesar de haver muita expectativa com o novo trabalho da atriz, muitas pessoas também questionaram a escalação nas redes sociais, já que na vida real, a Dona Vitória da Paz era uma mulher negra. “Acho que ela é gigante, mas é necessário a gente comentar que a Dona Vitória era uma mulher negra. Ela vivia em anonimato e seu rosto só foi revelado após a sua morte, quando o filme já estava em andamento, mas espero que se tenha uma menção na obra”, escreveu uma internauta no X (antigo Twitter).
eu amo a fernanda montenegro, acho que ela é GIGANTE mas é necessário a gente comentar que a "dona vitória" era uma mulher negra, ela vivia em anonimato e seu rosto só foi revelado após a sua morte quando o filme já estava em andamento mas espero q se tenha uma menção na obra https://t.co/peIPij6Kwepic.twitter.com/LYnwvrTp3P
“A Fernanda Montenegro é uma das maiores atrizes desse país! Ponto! Agora, colocar uma atriz branca para interpretar uma mulher preta, pra mim, não faz o menor sentido! O Brasil tem grandes atrizes pretas que poderiam fazer com louvor esse papel! Por exemplo, a gigantesca Zezé Motta!”, sugeriu outro internauta.
O nome verdadeiro da Dona Vitória era Joana Zeferino da Paz e sua naturalidade também foi trocada de alagoana para mineira. Ela morreu aos 97 anos, sendo 17 em anonimato forçado. O filme “Vitória” estreia nos cinemas dia 15 de agosto.
Até o momento, a Conspiração Filmes não se pronunciou publicamente sobre o caso.
Um daqueles achados positivos que a gente costuma fazer quando está passando pelo catálogo de opções da Netflix, a série antológica ‘Curtas do Folclore Africano’ é uma feliz descoberta. Os curta-metragens trazem reinterpretações de contos populares africanos produzidos por cineastas de diferentes países da região da África subsaariana.
Os filmes fazem parte do projeto “Contos folclóricos africanos reimaginados”, uma competição criada pela Netflix em parceria com a UNESCO com o objetivo de encontrar promissores cineastas da África subsaariana. O concurso selecionou seis jovens cineastas de países como Mohamed Echkouna, da Mauritânia, Walter Mzengi, da Tanzânia, Korede Azeez, da Nigéria, Voline Ogutu, do Quênia, Loukman Ali, da Uganda e Gcobisa Yako, da África do Sul, que receberam 25 mil dólares, além de um orçamento de produção de 75 mil dólares que foram utilizados para produzir os curtas.
Os profissionais desenvolveram seus trabalhos através de uma produtora local, sob a orientação de um produtor supervisor nomeado pela Netflix e de mentores de todo o continente.
O resultado é a série antológica multilíngue, nomeada ‘Curtas do Folclore Africano’, que recria seis contos folclóricos africanos que exploram o luto, o amor e o misticismo e que demonstram o rico legado cultural de África que permanece em seus jovens inovadores cineastas. O lançamento dos curtas aconteceu em março de 2023 e está disponível na plataforma de streaming.
Confira os trailers de cada curta-metragem:
Mohamed Echkouna, da Mauritânia, por O Gênio da Inimizade (@echkounem)
Uma mulher precisa enfrentar um gênio que causa inimizade por onde passa e que assombrou sua comunidade no passado.
Mohamed Echkouna is a Filmmaker & VFX Technical Director from Mauritania. His passion for film and belief in its power to guide emotions and reshape perspectives within and about African cultures are the main drive of his career. His short film ‘Enmity Djinn’ is now streaming pic.twitter.com/Ows6krzRKL
Um período de seca extrema começou no mesmo ano em que uma jovem nasceu e, cerca de dez anos depois, ao avistar um misterioso pássaro preto, conhecido como pássaro da chuva, ela é escolhida pelo povo da comunidade onde mora para ser oferecida em sacrifício para que a chuva volte. Desesperada, sua mãe tenta impedir a perda da filha, mas todos serão surpreendidos.
Voline Ogutu, do Quénia, por Anyango e o Ogro (@volineogutu)
O filme traz um olhar sobre a violência doméstica e repetições de padrões geracionais a partir da história de uma mulher e seus três filhos, que encontram em uma lenda popular uma maneira de fugir do marido e pai abusivo.
Gcobisa Yako is from the city of Gqeberha, in the Eastern Cape. She is driven by the hunger for representation of marginalised communities and drawn towards stories that are created with intention, and help shift perceptions. Her short film ‘Mamlambo’ is now streaming on Netflix pic.twitter.com/MpAHo0nmXi
Loukman Ali, do Uganda, por Katera e a ilha da punição
Abandonada em uma ilha com outras mulheres que engravidaram fora do casamento, uma mulher em luto pela perda do filho consegue voltar com a ajuda de um pescador e se vinga do homem poderoso que a deixou lá.
The first Ugandan Netflix Orignal : Katera of the Punishment Island – by @LoukmanAli now streaming on Netflix.
Abandoned on an island, a woman grieving the loss of her baby exacts revenge on the powerful man who put her there.
Uma’Mlambo é um ser místico que vive nos rios e zela pelas mulheres que estão vivendo situações de risco.
Gcobisa Yako is from the city of Gqeberha, in the Eastern Cape. She is driven by the hunger for representation of marginalised communities and drawn towards stories that are created with intention, and help shift perceptions. Her short film ‘Mamlambo’ is now streaming on Netflix pic.twitter.com/MpAHo0nmXi
No Carnaval de 2024, algumas Escolas de Samba de São Paulo: Dragões da Real, Independente Tricolor, Nenê da Vila Matilde, Mocidade Unida da Mooca e Estrela do Terceiro Milênio fizeram homenagens à mulher que mostram a importância que as comunidades e o ativismo do feminismo negro dão ao papel que a mulher negra desempenha na sociedade brasileira.
O ativismo feminino da mulher negra é decisivo nas lutas populares das periferias da cidade de São Paulo. Não existe luta popular sem a participação e a liderança da mulher negra.
A luta pela moradia, saúde, educação e direitos humanos passa essencialmente pela organização política de mulheres negras. Durante o Carnaval, uma das mulheres mais combativas da Zona Leste de São Paulo, a região mais populosa da cidade, nos deixou. Uma perda sofrida, que não pode ficar no anonimato, como tantas lideranças que nos deixam sem um registro nos grandes jornais ou na mídia eletrônica.
Arlete de Lourdes Isidoro (1948-2024) esteve na liderança em todas as batalhas pela melhoria de vida da população de São Paulo. Não tinha um mandato parlamentar, mas sua voz foi ouvida por prefeitos e governadores.
Nos últimos 50 anos, não houve luta em defesa dos direitos humanos em que ela não estivesse lá, fazendo-se ouvir e, com a sua experiência, dando lições de como se organizar e como influenciar o poder público.
Em defesa da democracia, saiu em passeatas, nas Diretas Já, lutou contra a carestia nos tempos do regime militar. Foi uma das pessoas da vanguarda da luta pela Saúde da População Negra em São Paulo e no Brasil desde o mandato da Prefeita Luísa Erundina. Foi responsável pela inclusão do quesito cor nos formulários da Secretaria Municipal da Saúde na década de 1990.
Arlete foi sempre uma defensora incansável na luta pela saúde da população negra, tendo a sua organização OGBAN(Associação Cultural Educacional Assistencial Afro Brasileira Ogban) sido parceira da Secretaria Municipal da Saúde na primeira atividade de formação envolvendo usuários e profissionais acerca do tema.
Ao longo dos anos, Arlete se manteve na luta. Foi uma das fundadoras da Associação de Anemia Falciforme do Estado de São Paulo-AAFESP, que objetivava a luta pelo “Atendimento da Saúde Integral das Pessoas com Anemia Falciforme”.
Durante a pandemia da Covid, Arlete denunciou a invisibilidade e o descaso com as comorbidades óbvias que, segundo pesquisa da Agência Pública, causaram o triste percentual de 71% dos óbitos por covid no país atingindo pessoas com mais de 60 anos de idade.
Ela também esteve sempre à frente da luta por moradias populares na região de Itaquera. No campo cultural realizou diversas atividades culturais afro-brasileiras nas regiões de Itaquera e Guaianazes, de São Paulo.
Arlete ainda não teve seu nome cantado por nenhuma Escola de Samba, tampouco é nome de rua, escola, praça pública ou posto de saúde. Sua luta foi anônima, mas teve impacto na vida de milhares de pessoas em São Paulo.
Nós estamos habituados a enaltecer o nome de artistas, parlamentares, jogadores de futebol, participantes de programas de TV. Mas nas periferias das grandes cidades, existem mulheres guerreiras que estão fazendo a história do nosso povo. É preciso reconhecer o protagonismo de mulheres como Arlete de Lourdes Isidoro.
O nome de Ana Maria Gonçalves, intelectual negra cujo livro ‘Um Defeito de Cor’, que está na 39ª reimpressão, inspirou o tema do desfile da escola de samba Portela, no Carnaval deste ano, no Rio de Janeiro, continua a circular na imprensa brasileira. Em uma entrevista concedida para o programa da jornalista Miriam Leitão, na Globo News, Gonçalves reforçou a importância da presença massiva de pessoas negras em todos os espaços e destacou ainda o fato de a escola ter elevado a história que ela conta em seu livro “a um nível de alcance de pessoas”.
Ao relembrar o processo de escrita do livro, que pode ser considerado um registro real da história do Brasil e do histórico da violência racial e de gênero que estruturam as relações no país, Ana Maria Gonçalves afirma que este também foi seu ‘romance de formação’, como o gênero é designado: “É uma pesquisa e uma escrita que através do qual eu comecei a me entender como mulher negra, num país escravocrata, num país racista, num país machista”.
Na entrevista para Miriam Leitão, Ana Maria Gonçalves reforçou a importância da construção de uma identidade negra e de uma presença que não seja apenas representativa. “A questão da representatividade acaba sendo as mesmas pessoas, representando um mesmo grupo o tempo inteiro”, afirmou. ‘A gente quer presença. Não quero mais saber de representatividade. Eu quero presença. Eu não quero mais estar sozinha nos espaços. Principalmente sendo escritora ou intelectual, mulher negra, a maioria das vezes eu estou sozinha nos espaços, não tem mais uma outra. Não chamam porque acreditam que eu vou estar representando e falando por vários”, cobrou a intelectual.
Gonçalves também foi questionada sobre o combate ao racismo no Brasil atual e abordou a necessidade de estarmos em espaços de decisão para garantir que estejamos decidindo as pautas: “Acho que a gente precisa ter espaço de decisão. Ter negros em locais de trabalho, como na televisão, por exemplo. Mas a gente ainda não está nesses lugares de decisão. A gente não é um diretor, a gente não tem alguém que está decidindo qual é a pauta”.
“A gente precisa estar nesses lugares para poder decidir qual é o tema, qual é o assunto, quais são as pessoas que a gente vai chamar para tratar desse assunto. Para que a gente realmente possa tentar começar a equilibrar essa balança. Porque racismo é ignorância. Ignorância é algo ativo, não é algo passivo. As pessoas escolhem ser ignorantes porque estão defendendo um espaço de privilégio, às vezes sem mesmo saber que estão”, opinou ela.
A autora de ‘Um Defeito de Cor’ ainda pontuou a necessidade de posicionamento, especialmente vindo de pessoas brancas: “Muitas vezes as pessoas brancas falam: “O que eu posso fazer pra ajudar”? Eu falo: “Use o teu lugar de privilégio para difundir informação”.
Com pratos inspirados na gastronomia da África Ocidental, a chef e proprietária do restaurante Chishuru, Adejoké “Joké” Bakare, recentemente se tornou a primeira chef negra a conquistar uma estrela Michelin no Reino Unido, e a segunda no mundo. Cobiçada por muitos chefs em todo o mundo, uma estrela indica que o restaurante é requintado e vale a visita.
Crescida na Nigéria, Adejoké costumava cozinhar para a família, e há cerca de 20 anos, se mudou para o Reino Unido para estudar microbiologia, mantendo a sua paixão pela culinária.
O restaurante foi inaugurado como um pop-up temporário em 2020, e desde então se tornou um dos melhores restaurantes de Londres. Descrito pelo Jay Rayner, jornalista do The Guardian, como um menu “cheio de calor, vigor e sabor”. Em menos de seis meses após a abertura da sede permanente no centro da cidade, o Chishuru já era um dos mais comentados de Londres.
Foto: Harriet Langford
Em entrevista à CNN, na semana passada, Bakare explica a origem do nome Chishuru, na língua Hausa – região onde cresceu, da África Ocidental: “O silêncio que desce sobre a mesa quando a comida chega”. Segundo ela, “isso indica o amor e a paixão pelos alimentos e ingredientes que são essenciais para quem sou como chef”.
“Sempre sonhei em ter meu próprio restaurante. Sempre achei que ter uma estrela Michelin seria a cereja do bolo, por isso fiquei tão emocionada por receber uma esta semana”, conta.
Sua mãe e seu pai são das etnias Yorubá e Igbo, então ela explica que não existe o conceito de ‘culinária nigeriana’. “É um país enorme com muitas tradições alimentares diferentes, quase todas anteriores aos estados-nação da região”, diz.
Foto: Harriet Langford
Entre os seus pratos favoritos, a chef destacou o ekuru. Um bolo de sementes de melancia é coberto com pesto de sementes de abóbora, servido com molho de pimenta escocês.“Trata-se de ingredientes que muitos clientes nunca provaram e não se parece com o prato de ninguém”, explica.
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