A maratonista ugandesa Rebecca Cheptegei, que competiu nas Olimpíadas de Paris, faleceu nesta quinta-feira, 5, quatro dias após ser gravemente queimada em um ataque com gasolina no Quênia. A atleta, de 33 anos, estava em estado crítico no Hospital de Ensino e Referência de Moi, em Eldoret, no Quênia, onde residia e treinava.
De acordo com a Polícia do condado de Trans Nzoia, o namorado de Cheptegei, Dickson Ndiema Marangach, é o principal suspeito do ataque. O comandante da Polícia, Jeremiah Ole Kosiom, informou ao jornal “The Star” que o crime ocorreu após uma discussão doméstica no domingo. Durante a briga, Ndiema foi visto derramando um líquido inflamável sobre Cheptegei antes de incendiá-la. O suspeito também sofreu queimaduras graves e está sob tratamento no mesmo hospital.
Rebecca Cheptegei, que obteve a 44ª colocação nas Olimpíadas de Paris, teve 75% do corpo queimado no ataque. A morte da maratonista foi confirmada pelo presidente do Comitê Olímpico de Uganda, Donald Rukare: “Tomamos conhecimento da triste morte da nossa atleta olímpica Rebecca Cheptegei, após um ataque violento do seu namorado. Que sua alma descanse em paz. Condenamos veementemente a violência contra as mulheres”, afirmou Rukare, chamando o ataque de “uma atitude covarde”.
Se você conhece alguém que está sofrendo violência doméstica ou sofre violência doméstica, denuncie:
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um canal criado pela Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, que presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência
Em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, o ator Thiago Fragoso, 42 anos, falou sobre a redução de investimentos no audiovisual nacional e destacou a dificuldade de homens loiros e de olhos azuis de conseguirem papeis na televisão: “Entrou um não pode mais ter homem hétero, branco”.
Fora do elenco fixo da Globo há um ano, ele comentou: “Em cada novela ou série, eu tenho a chance de fazer um personagem. Ou sou eu, ou o Jonas Bloch, ou o Herson Capri, ou o namorado da Larissa Manoela , que também é loiro de olhos azuis. Entrou um não pode mais ter homem hétero, branco”, disse.
O ator ainda disse que tem apenas uma chance por novela por conta de seu perfil hétero e branco: “Estamos vendo esse questionamento pela mudança do status quo. Eu tenho uma chance por novela”. Apesar da percepção de Thiago Fragoso, os dados mostram um cenário diferente, Uma reportagem do jornal Metrópole, de Salvador, publicada em 2022 mostra que pessoas negras ainda são 14% dos personagens das novelas brasileiras, mesmo sendo a maior parcela da população brasileira.
O ator, que desde os 20 anos tinha contrato assinado com a Globo ainda falou sobre as mudanças na rotina de vida por conta das preocupações profissionais. “Não tinha que me preocupar com plano de saúde, com nada, só em fazer o meu trabalho”, afirmou.
A Polícia Civil prendeu em flagrante nesta terça-feira, 3, um homem de 31 anos, suspeito de disseminar ódio e propagar símbolos nazistas por meio de redes sociais, em Suzano, São Paulo. Entre as vítimas de suas ofensas estão a cantora Jojo Todynho e a delegada Silmara Marcelino, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Suzano e Mogi das Cruzes.
O suspeito utilizava um perfil falso no Facebook, onde se passava por uma mulher, para atacar Jojo Todynho com insultos racistas, chamando-a de “macaca” e “negra porca imunda”. A delegada Silmara Marcelino também foi alvo das publicações. A prisão ocorreu após a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo cumprir um mandado de busca e apreensão na residência do acusado, onde foram encontrados dois celulares e um cartão de memória.
Jojo Todynho, que havia denunciado o homem em suas redes sociais, comentou sobre o caso em seu perfil: “Que isso sirva de exemplo para quem acha que pode falar tudo e vai ficar por isso mesmo. A nossa Justiça brasileira funciona – pode demorar, mas funciona.”
O caso foi registrado no Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes. O suspeito foi preso pelos crimes de injúria racial, racismo, incitação ao crime e falsa identidade, com base na Lei 14.532/2023, que equipara a injúria racial ao crime de racismo, prevendo penas mais severas.
A delegada Silmara Marcelino também foi alvo das ofensas e, segundo a polícia, a prisão em flagrante foi declarada devido ao caráter contínuo dos crimes, já que os ataques permanecem acessíveis na internet.
O Tribunal de Justiça do Ceará condenou Bruno Filipe Simões Antônio, ex-gerente de uma loja da Zara em Fortaleza, por crime de racismo. Ele impediu a entrada de uma cliente negra no estabelecimento em setembro de 2021, fato que gerou repercussão nacional. A vítima, Ana Paula Barroso, é delegada e diretora-adjunta do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil do Ceará.
Na decisão, o juiz Francisco das Chagas Gomes sentenciou o ex-gerente a um ano, um mês e 15 dias de reclusão, que serão convertidos em prestação de serviços comunitários. Simões também deverá cumprir restrições de circulação aos finais de semana, permanecendo em casa por cinco horas aos sábados e domingos. Ele poderá recorrer em liberdade.
O caso ocorreu em meio à pandemia de Covid-19, e a justificativa inicial do gerente foi que a delegada estava sem máscara e se alimentando ao entrar na loja. No entanto, a sentença destaca que a atitude foi desproporcional e caracterizada por preconceito, evidenciado por depoimentos e imagens de segurança que mostraram clientes brancos circulando no local sem máscara, sem qualquer impedimento.
Na época, a Polícia Civil precisou realizar busca e apreensão das imagens de segurança, já que a loja se recusou a fornecê-las voluntariamente. O material obtido comprovou o tratamento desigual dado à delegada. A defesa de Bruno Filipe Simões Antônio negou as acusações e classificou a sentença como “insustentável”, mas não fez mais comentários sobre o caso.
O aumento das apostas esportivas em plataforma online, conhecidas como bets, tem alarmado para um impacto negativo nas famílias mais pobres do Brasil, influenciando o consumo de bens e serviços, comprometendo a renda com o endividamento e a saúde mental.
Os gastos com apostas esportivas já superam outros tipos de despesas, aponta a avaliação da empresa PwC Strategy& do Brasil Consultoria Empresarial Ltda, divulgada em agosto. “Em 2018, as apostas representavam 0,27% do orçamento familiar da classe D e E; hoje, esse percentual saltou para 1,98%, quase quatro vezes mais do que há cinco anos. Por outro lado, os gastos com lazer e cultura diminuíram de 1,7% para 1,5% do orçamento, enquanto os gastos com alimentação se mantiveram estáveis”, disse o economista e advogado Gerson Charchat, sócio e líder da Strategy& do Brasil, em entrevista para a Agência Brasil.
Além disso, a pesquisa “Futuro das Apostas Esportivas Online: onde estamos e para onde vamos”, levantada pela plataforma Futuros Possíveis, em parceria com a Opinion Box e em colaboração com a Afro Esporte, em 2023, comprovava que pessoas pretas e pardas são as que mais apostaram via site ou app no Brasil, representando um índice maior do que de pessoas brancas, 40% e 33% respectivamente.
Já em maio deste ano, uma pesquisa de opinião feita pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), trouxe outros dados preocupantes. Entre as pessoas que apostam, 64% afirmaram que usam parte da renda principal para tentar a sorte; 63% relatam que tiveram parte da sua renda comprometida com as apostas online; 23% deixou de comprar roupa, 19% itens de mercado, 14% produtos de higiene e beleza, 11% cuidados com saúde e medicações.
O levantamento também revela que 58% dos brasileiros que fazem apostas esportivas são homens, enquanto 42% são mulheres. Quanto à distribuição socioeconômica, 54% dos apostadores pertencem à classe C, 33% à classe B, 5% à classe A e 8% às classes D/E. A maioria dos apostadores está no Sudeste, representando 50% do total. A outra metade é composta por 20% do Nordeste, 17% do Sul, 8% do Norte e 5% do Centro-Oeste.
Saúde mental e publicidade
Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva, 51% dos brasileiros que apostam relatam um aumento nos sintomas de ansiedade. Além disso, 42% dos apostadores enxergam o hábito como uma forma ilusória de escapar dos desafios do dia a dia. No entanto, em vez de aliviar o estresse, essa prática acaba intensificando sentimentos de impotência e isolamento.
Para o Ian Black, fundador e CEO da agência New Vegas, o vício em apostas devem ser tratados da mesma forma que cigarro e bebidas, com proibição de publicidade e alta taxação. “Os brasileiros têm literalmente na palma da mão uma infinidade de cassinos acessíveis em qualquer lugar, a qualquer minuto. Para piorar, são bombardeados por um arsenal publicitário multibilionário que recruta de celebridades a clubes de futebol para vender ilusões de ganho fácil”, escreveu no editorial do Estadão recentemente, ao criticar o poder público pela regulação das bets.
“Regras de programação podem limitar a exposição dos jogadores a tecnologias desenhadas para excitar emoções autodestrutivas. Para os casos patológicos, os sistemas de saúde podem ser estruturados para promover intervenções psicossociais e farmacológicas, assim como o ordenamento jurídico pode prever intervenções de parentes para impedir a destruição do patrimônio familiar. Mas o poder público permitiu que os bolsos dos brasileiros fossem inundados por máquinas de torrar dinheiro, sem qualquer coordenação para traduzir medidas como essas em políticas públicas”, completa.
Para finalizar, Ian Black ainda reforça que o poder público deveria agir com políticas de redução de danos. “Os neurônios de milhões de brasileiros não têm defesas contra a voracidade dos algoritmos de apostas. O SUS não está preparado para aguentar essa pressão. As famílias não estão preparadas. Só quem está preparado são os agiotas, que estão esfregando as mãos”.
Após ser confirmada no festival Afropunk Brasil 2024, que ocorrerá nos dias 9 e 10 de novembro, em Salvador (BA), nesta quarta-feira, 4, a cantora Erykah Badu foi confirmada para mais duas apresentações na mesma semana. Ela realizará um show no Espaço Unimed, em São Paulo, no dia 6, e para a nova edição do Rock The Mountain, em Itaipava (RJ), no dia 8, data extra também anunciada hoje.
Na capital paulista, a rainha do neo-soul contará com o show da Luedji Luna para abertura. Já no festival Rock The Mountain na região serrana do Rio de Janeiro, também já estão escalados para o palco principal o rapper Djonga, um dos nomes mais influentes do gênero na atualidade, e o grupo vocal Fat Family, grande sucesso dos anos 1990/ 2000.
O show da diva norte-americana vai marcar o lançamento da primeira edição do festival com três dias, prolongando ainda mais o final de semana musical na região serrana do Rio de Janeiro.
O RTM ainda anunciou o Cozinha Arrumada para três sets no palco Roda de Samba; e o Forró da Taylor e Furacão 2000 fechando a noite no palco Coreto. A Casa do Rock contará com os DJs residentes e o Palco Livre, sucesso na edição 2023. Novas atrações deverão ser confirmadas em breve.
O terceiro dia de festival está confirmado somente para o primeiro final de semana, e acontecerá entre 18h e 02h. As vendas começaram hoje através do site oficial. Já no show de São Paulo, o Espaço Unimed abrirá as vendas na próxima sexta-feira, 6, às 12h, no site da casa.
Em uma recente entrevista à CNN, Vinícius Junior, atacante do Real Madrid e da seleção brasileira, se posicionou sobre possíveis novos ataques de racismo nos próximos anos e defendeu que não haja Copa do Mundo de 2030 na Espanha, caso o cenário não melhore, e irrita prefeito de Madri.
“Espero que a Espanha possa evoluir e compreender a gravidade que é insultar alguém por causa da cor da sua pele. Até 2030 temos uma margem de evolução muito grande. Portanto, espero que a Espanha possa evoluir e compreender a gravidade disso, porque se as coisas não evoluírem até 2030, acho que temos que mudar de local (da Copa do Mundo). Se o jogador não se sente confortável e não se sente seguro jogando em um país onde ele pode sofrer racismo, é um pouco complicado”, disse Vini Jr. nesta terça-feira, 3.
Alvo constante de racismo nos últimos anos, o atleta está disposto a lutar contra o preconceito no país europeu. “Quero fazer de tudo para que as coisas possam mudar. A maioria das pessoas aqui na Espanha não são racistas, mas tem um grupo pequeno que afeta a imagem de um país que é muito bom de se viver. Até 2030, os casos de racismo podem e devem diminuir”, completa.
Após a declaração poderosa, o prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, criticou a fala de Vini Jr. e ainda pediu que ele se desculpasse pelo posicionamento.
“Somos todos conscientes de que existem episódios racistas na sociedade e de que temos que trabalhar duro para acabar com eles. É injusto com a Espanha e com Madri dizer que somos uma sociedade racista. Peço a ele que se retifique, peça desculpas. Ser um jogador de futebol extraordinário não quer dizer que não possa falar besteira e dessa vez falou. Vinicius tem a imensa maioria da sociedade espanhola a seu lado para combater o racismo, mas não estamos com ele quando nos chama de racistas”, disse.
Recentemente, o jogador Vini Jr. também revelou que ele os restante do elenco do Real Madrid combinaram em deixar o campo em caso de um novo episódio de racismo.
Em junho deste ano, três torcedores do Valencia foram condenados a oito meses de prisão por proferir insultos racistas contra o jogador brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, durante uma partida realizada em maio do ano passado no estádio Mestalla. Além da pena de reclusão, o trio ficará impedido de entrar em estádios de futebol por dois anos e terá de arcar com as custas processuais.
A Copa do Mundo de 2030 será realizada majoritariamente na Espanha, em Portugal e Marrocos.
A Justiça Federal da Bahia anulou a nomeação de uma médica negra para o cargo de professora do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) após uma candidata branca questionar a decisão. A médica Carolina Cincura Barreto, que participou da seleção na ampla concorrência, alegou ter obtido uma nota superior à da médica negra Lorena Pinheiro Figueiredo, que havia sido aprovada pelo sistema de cotas raciais.
O concurso, realizado em dezembro do ano passado, oferecia uma única vaga na área de otorrinolaringologia. Segundo o edital, a vaga deveria ser destinada a candidatos autodeclarados negros, conforme a política de cotas da UFBA. Lorena, primeira colocada na categoria racial, foi aprovada com 7,67 pontos. Carolina, que ficou em primeiro lugar na classificação geral, obteve 9,40 pontos.
Na decisão, a juíza Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal Cível, considerou que a aplicação da cota racial no caso “concedeu 100% das vagas para candidatos cotistas”, desrespeitando o direito da candidata de ampla concorrência com nota superior. A magistrada determinou que Carolina fosse nomeada e empossada na vaga, reconhecendo seu “direito subjetivo líquido e certo”.
A UFBA, por sua vez, acatou a decisão judicial, mas informou que vai recorrer. A universidade destacou que a regra de cotas foi aplicada em conformidade com a Lei 12.990/14, que reserva vagas para negros em concursos públicos federais. Desde 2018, a instituição adota a reserva de vagas em todos os concursos, sem fracionamento por áreas de conhecimento.
Beyoncé sempre demonstrou um carinho especial pelo Brasil, e sua relação com o país é marcada por várias interações com fãs brasileiros e visitas memoráveis. Para celebrar os 43 anos da Queen B, abaixo está uma seleção de momentos e conteúdos que destacam o amor da diva pop pelo Brasil:
Foto show 2010: Marcos Hermes – Divulgação
Em sua primeira visita ao Brasil, no ano de 2010, quando trouxe ao país sua turnê I Am… World Tour, passando por cidades como Florianópolis, São Paulo e Salvador, ela se declarou para os fãs: “Eu amo o Brasil, e não poderia estar mais feliz por estar aqui. Vocês fazem tudo valer a pena com seu amor e apoio”.
Foto: Reprodução
No Rock in Rio 2013, Beyoncé fez uma apresentação histórica no festival, onde conquistou o público com sua energia e simpatia. Durante o show, ela interagiu com os fãs, pegando a bandeira do Brasil e agradecendo o carinho. Sua performance foi um dos momentos mais comentados do festival, já que a norte-americana arriscou-se no funk dançando o “Passinho do Volante”.
Além do show no RiR em 2013, Beyoncé levou a The Mrs. Carter Show World Tour por outras cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Esses shows marcaram sua conexão com o público brasileiro, sendo recepcionada com muito entusiasmo e admiração.
Em dezembro de 2023, durante o lançamento do filme Renaissance, sem shows marcados no país, Beyoncé veio de surpresa ao Brasil e foi recebida por cerca de 8 mil fãs durante a festa Club Renaissance e declarou: “Vim porque amo vocês. Foi muito importante para mim estar aqui, bem aqui, na Bahia… A renascença é sobre liberdade, beleza, alegria, resiliência—tudo que vocês representam. Eu amo tanto vocês”.
Interações nas redes sociais
Beyoncé frequentemente interage com os fãs brasileiros por meio de suas redes sociais, compartilhando fotos de suas visitas ao país e agradecendo o carinho que recebe. Na época do lançamento de Cowboy Carter, a artista recompartilhou vídeos de fãs brasileiros dançando o hit “Texas Hold ‘Em”
BeyGOOD no Brasil
A relação de Beyoncé com o Brasil vai além do carinho entre artista e fãs, a cantora, por meio de sua fundação, a BeyGOOD, firmou parcerias com instituições nacionais para contribuir com ações sociais, além de realizar uma iniciativa para apoiar empreendedores negros no país.
Programa de Apoio a Negócios Locais: A BeyGOOD tem apoiado empreendedores e pequenos negócios no Brasil, especialmente aqueles que são liderados por mulheres e comunidades marginalizadas. No ano passado, a representante da instituição, Yvette Noel-Schure, publicista da Beyoncé, esteve no Brasil junto com os vencedores das bolsas de R$ 25 mil doadas pela própria Queen B para empreendedores brasileiros.
Parcerias com ONGs e Projetos Sociais: Parceira da Central Única das Favelas (Cufa) em outros projetos, a BeyGOOD também contribuiu para ajudar os desabrigados na tragédia que devastou o Rio Grande do Sul após as fortes chuvas, em maio deste ano.
Morre-se de tudo no Brasil, menos de tédio. Quase toda semana, um caso envolvendo a comunidade negra agita as redes sociais. O mais recente foi a notícia de que a cantora Luiza Sonza teria se tornado embaixadora do Instituto Negras Plurais. A condecoração foi concedida pela ajuda da cantora às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e, principalmente, pelo apoio ao trabalho do Instituto.
Obviamente, a nomeação de uma acusada de racismo como embaixadora de uma organização negra despertou a indignação de muitos. Mas o que me incomodou foram algumas das respostas às críticas, que caíam em bordões como “onde estavam os que criticam?”.
Primeiramente, é preciso esclarecer que quase ninguém estava criticando a ajuda financeira da artista ao Instituto, mas sim sua nomeação para essa posição, dado que ela poderia apenas ter ajudado e permanecido no anonimato. Parece que, para dignificar o branco, é necessário um trabalho de degradação do negro. Este é o paralelo com a história da princesa Isabel.
O problema não é Isabel ter ajudado na abolição, mas sim ter recebido o título de “redentora”. Nas oficinas e cursos que ministro, trato sempre de contextualizar todo o século XIX antes de falar sobre a princesa Isabel. No século em que se sucedeu a abolição, revoltas e insurreições de escravizados foram recorrentes desde o início. Dizer que a princesa Isabel foi a principal agente no processo abolicionista é apagar a história de grandes personalidades negras que estiveram na linha de frente pela abolição.
Outro ponto é que as respostas às críticas sobre Luiza Sonza, que até onde consta não vieram diretamente do Instituto Negras Plurais, tornam o crime de racismo um crime menor. Parece que, no crime de racismo, o agressor pode ascender a lugares e obter o prestígio que as potenciais vítimas desse crime nunca alcançariam.
Também é preciso dizer que é desonesto afirmar que Sonza fez o que muitos negros não fizeram. Vivemos em um país racialmente desigual em termos de emprego e renda, mas, mesmo assim, muitos ajudaram as vítimas do RS da forma que puderam. Só os movimentos negros doaram mais de 10 toneladas de alimentos para povos de terreiro do Rio Grande do Sul.
Por fim, precisamos nos perguntar por que Luiza Sonza aceitou a honraria. E, mais ainda, nos questionar sobre o porquê de muitos brancos precisarem ser alçados à figura de redentores por estarem praticando o antirracismo.