A cineasta Malia Ann, 26, fez uma rara aparição no tapete vermelho durante o 50º Festival Anual de Cinema Americano de Deauville, na França, onde foi homenageada com o prêmio Young Spirit. A filha mais velha do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e de Michelle Obama, recebeu o reconhecimento por seu curta-metragem de estreia na direção chamado ‘The Heart’.
Em sua fala durante o evento, Malia falou sobre o nervosismo com a ocasião. “Estou tão animada. Quer dizer, nunca fiz nada parecido com isso… então é claro que [estou] um pouco apavorada, mas principalmente animada”, disse ela em entrevista ao Paris Match.
O prêmio Young Spirit, criado especialmente para celebrar novas figuras do cinema, foi concedido a Malia por seu curta de 18 minutos, que explora temas como luto, solidão e arrependimento. A produção já havia sido exibida em janeiro no Festival de Cinema de Sundance, reforçando a jovem diretora como um nome promissor na indústria cinematográfica.
Para a ocasião, Malia optou por um conjunto Vivienne Westwood, destacando sua simplicidade em relação à moda, ao afirmar: “Não entendo muito de moda, mas estou feliz em usá-la.”
O festival de Deauville, que tradicionalmente celebra o cinema americano, destacou o trabalho de Malia como uma promessa do cinema do futuro.
A Fenty Skin, linha de cuidados para a pele criada por Rihanna, finalmente desembarca no Brasil. A marca será lançada oficialmente no país no dia 17 de setembro, exclusivamente pelo aplicativo da Sephora, e a partir do dia 19 estará disponível no site e nas lojas da rede.
A coleção da Fenty Skin é composta por mais de 40 itens, incluindo limpadores faciais, hidratantes faciais, labiais e corporais, esfoliantes, tratamentos para acne e cremes com proteção solar, com preços variando entre R$ 99 e R$ 329. A marca é elogiada por suas fórmulas livres de óleo, veganas e sem glúten, além de sua preocupação com a preservação dos recifes de coral e a utilização de embalagens ecologicamente conscientes, algumas das quais oferecem refis.
Rihanna revela que a criação da Fenty Skin foi inspirada por sua própria jornada pessoal. “Eu queria que a marca fosse acessível, fácil e que aliviasse a pressão de escolher uma rotina de cuidados. Então, criei uma linha para todos”, explica a artista. A experiência pessoal de Rihanna com produtos que descoloriram sua pele durante a adolescência influenciou diretamente o desenvolvimento dos produtos, que visam atender a todos os tipos de pele, incluindo a brasileira.
Entre os destaques, estão o Total Cleas’r, um limpador facial 2 em 1 que combina limpeza e esfoliação em um único passo, e que se destaca pela sua embalagem atraente e fragrância refrescante de ingredientes de Barbados. O Fenty Treat Hydrating + Strengthening Lip Oil é outro produto-chave, oferecendo hidratação intensiva com uma fórmula leve que inclui óleos de semente de cereja, abacate, jojoba e rosa mosqueta, e um aroma agradável de melão. O Hydra Vizor Mineral Broad Spectrum SPF 30 é um hidratante com proteção solar que promete reduzir a aparência dos poros e manchas, com uma fórmula enriquecida com melão Kalahari, baobá e ácido hialurônico, além de niacinamida para controlar a oleosidade.
Com o lema “uma boa maquiagem começa com uma pele bem cuidada”, a Fenty Skin promete se destacar no mercado brasileiro, trazendo inovação e acessibilidade para os cuidados com a pele.
As Justiças criminal e cível de São Paulo confirmaram, de forma definitiva, a condenação de Gustavo Metropolo, ex-estudante da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pelo crime de racismo. O caso remonta a março de 2018, quando Metropolo, então aluno da FGV, chamou um colega negro de “escravo” em um grupo de WhatsApp. A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido de recurso da defesa, consolidando a condenação.
Metropolo enfrenta três condenações distintas: criminal, cível e administrativa. No âmbito criminal, a pena estabelecida foi de dois anos de reclusão e dez dias-multa, com a possibilidade de substituição da prisão por prestação de serviço comunitário. A condenação cível e administrativa envolve uma indenização total de R$ 120.977,34. Essa soma é composta por aproximadamente R$ 120 mil em indenização e sanções pecuniárias.
De acordo com o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), que atuou na defesa processual da vítima, João Gilberto Lima, o condenado também terá que indenizar o estado. O processo administrativo, atualmente na Secretaria da Justiça e Cidadania do governo estadual, ainda aguarda a análise de um recurso do acusado.
Daniel Bento Teixeira, advogado diretor-executivo do Ceert, ressaltou o caráter pedagógico das condenações, dada a natureza do crime cometido em um ambiente educacional. João Gilberto Lima, que hoje é assessor de informação em políticas públicas, falou sobre sua satisfação com o desfecho e destacou a importância da denúncia de casos de racismo.
“Meu objetivo foi mostrar a importância de se fazer denúncias e lutar por justiça. Acredito que esta condenação vai encorajar outras vítimas a se manifestarem contra o racismo”, declarou Lima. Ele também ressaltou a persistente descrença em relação à efetividade das punições para crimes de racismo no Brasil.
O caso teve início quando, em março de 2018, Metropolo compartilhou uma foto de João Gilberto em um grupo de WhatsApp com a frase: “Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!”. O episódio resultou na suspensão de Metropolo da FGV por três meses e no registro de um boletim de ocorrência por injúria racial.
Em uma postagem no Facebook da FGV, João Gilberto afirmou que a atitude de Metropolo foi “imoral e criminosa” e reforçou sua determinação de buscar justiça. “Não descansarei até que você seja expulso da faculdade. Pessoas como você não merecem um diploma da Fundação Getúlio Vargas”, afirmou Lima na época.
Apesar do sucesso de seu álbum “Cowboy Carter”, lançado no início deste ano, Beyoncé foi surpreendentemente deixada de fora das indicações ao 58º CMA Awards, principal premiação da música country nos Estados Unidos. O álbum, que marcou a estreia da cantora no gênero, foi amplamente aclamado e fez ondas na indústria, mas não garantiu nenhuma indicação na premiação de 2024.
As indicações para a cerimônia foram anunciadas nesta segunda-feira (9), e a ausência de Beyoncé na lista gerou discussões. Muitos acreditavam que a artista tinha grandes chances de fazer história ao se tornar a primeira mulher negra a ser indicada e, potencialmente, vencer o prêmio de Álbum do Ano com um projeto inovador como “Cowboy Carter”.
De acordo com um comunicado oficial, o prêmio de Álbum do Ano é avaliado com base em diversos fatores, incluindo performance do artista, background musical, engenharia de som, design, arte, layout e notas de encarte. Os vencedores são decididos pelos membros elegíveis da Country Music Association (CMA), composta por profissionais da indústria da música country.
Todos os dias acordo, me levanto e vou fazer campanha para candidatos e candidatas a vereadores negros. É um trabalho duro, desgastante, exaustivo, mas é prazeroso também. Você tem a certeza de que cada vez que temos um parlamentar negro na Câmara Municipal comprometido com as pautas em defesa das ações afirmativas, temos um avanço para o povo negro da cidade. Fazer campanhas significa fazer reuniões de trabalho, almoços, cafezinhos, jantares e muita conversa sobre sonhos. Que sonhos?
Uma escola que tenha professores comprometidos com o antirracismo e intransigentes contra qualquer ato de racismo, qualquer piada, brincadeira, ofensa. Que saiba respeitar e valorizar a produção intelectual dos cientistas negros e negras. Que conte a rica história da participação dos negros e das negras na cidade.
Que a saúde da população negra seja respeitada e valorizada. Que doenças como hipertensão e diabetes sejam cuidadas. Que a atenção básica da saúde saiba dar um acolhimento mais humanizado e respeitoso.
Que os trabalhadores de educação e saúde tenham salários dignos, principalmente aqueles que lidam com crianças, jovens e idosos. Que a saúde mental da população tenha um cuidado permanente, com a contratação de profissionais que saibam prestar uma assistência nos casos de racismo. Que todos os funcionários façam um curso de letramento racial duas vezes por ano no mínimo.
Que seja construído e elaborado um orçamento público municipal para políticas nas áreas de cultura, educação e saúde voltadas para a mulher e para o negro.
Que sejam criadas estruturas organizacionais no interior das administrações públicas municipais com cotas para representação negra em todas as secretarias e nos cargos de comissão, chefia, diretoria e secretariado.
Que sejam criados em toda a administração municipal, em todos os níveis, estágios para jovens negros e negras.
Vivo na maior cidade do país: São Paulo, onde as políticas públicas e editais públicos reforçam as desigualdades raciais. É preciso um olhar crítico e uma ação corajosa sobre como são formulados, quem são os beneficiados com esses editais de construção, pavimentação e serviços contratados pelas Prefeituras. Por que a população negra não usufrui das riquezas do município. Serviços de qualidade na educação e saúde devem ser uma meta a ser perseguida por todos os cidadãos e servidores públicos.
Nada do que escrevi acima precisa ser um sonho. Depende dos gestores e da eleição de parlamentares comprometidos com a mudança, com a ousadia e a igualdade de oportunidades.
A maioria dos parlamentares brancos e alguns negros votaram para diminuição dos recursos do fundo eleitoral para candidatos negros.
Na política não devemos nos iludir, quando se trata de disputar o poder, presidentes dos partidos, todos brancos de esquerda e direita se uniram contra os direitos da população negra.
Se você é eleitor negro ou negra, lembre-se de apoiar candidatos e candidatas negros comprometidos com a luta contra os privilégios dos brancos e por uma sociedade em que possamos transformar nossos sonhos em realidade.
Em parceria com o Movimento Black Money e o MOVER (Movimento pela Equidade Racial), a plataforma Afreektech está disponibilizando 20 mil bolsas para cursos online gratuitos. Esta nova fase do projeto contempla áreas como Carreiras Digitais, Marketing Digital com IA e Ciência de Dados. A inscrição é gratuita e garante uma bolsa para início imediato.
“A plataforma Afreektech é afirmativa e voltada para a população negra. Na plataforma já há trilhas como Carreiras em Tech e Marketing Digital e IA, que além de introduzir temas com linguagem acessível possui protagonismo negro também de professores e pessoas mentoras. Até outubro de 2024 serão lançadas as trilhas de Introdução à ciência de dados, Vendas B2B e Transformação Digital”, disse Nina Silva, uma das fundadoras do Movimento Black Money.
Os cursos disponíveis abrangem trilhas diversas que preparam o público para oportunidades e desafios da Nova Economia, as trilhas incluem vídeo-aulas, quizzes, material de apoio e projetos. As tarefas de conclusão têm prazos estabelecidos dentro da plataforma.
“Com mais de 2 mil inscritos na primeira semana, o Afreektech dá um passo importante em unificar nossos cursos em uma única plataforma com acesso digital com acessibilidade garantida pela tradução em libras e legendas em todos os materiais, o que viabiliza a sua distribuição também para outros países de língua portuguesa. E já avisamos que o roadmap de novos cursos já está sendo desenhado para 2025”, comenta Nina Silva.
“Estamos falando de uma capacitação personalizada e dinâmica. Os alunos não precisam se
preocupar em encontrar horários para frequentar as aulas ou com os custos do curso pois são 100% gratuitos. Por isso, optamos pelo método online, onde há mais acessibilidade para que cada um planeje quando, como e de onde estudar”, disse Fernando Soares, gerente de projetos do MOVER. A iniciativa é parte do pilar de empregabilidade do Movimento, que pretende gerar 3 milhões de oportunidades para a população negra até 2030.
Resultados práticos:
● Certificação e reconhecimento: Ao concluir os cursos, os participantes recebem certificados e são inseridos nos bancos de talentos do Movimento Black Money e do MOVER, aumentando suas chances de conseguir empregos e oportunidades em empresas
parceiras.
● Comunidade de apoio: A plataforma Afreektech cria uma comunidade forte e engajada de pessoas negras ou em vulnerabilidade social, promovendo a troca de experiências e o
networking.
● Acesso a outros programas: Os participantes também têm acesso a bolsas de estudo em outros programas, como o Mover Hello, que oferece aulas de inglês em parceria com a
Education First (EF).
A plataforma Afreektech, que está em seu sétimo ano de existência, se propõe acelerar a jornada de afroempreendedores e profissionais negros, levando a oportunidade de ingresso em diferentes carreiras da nova economia para todas as pessoas.
Acesse o site do Afreektech e inscreva-se gratuitamente: afreektech.com.br
Baseada em sua própria experiência com o uso de wig, que significa ‘peruca’ em inglês, a nigeriana Isoken Igbinedion fundou uma startup que utiliza inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina para criar perucas personalizadas para mulheres negras. A Parfait, que recebeu investimento da estrela do tênis, Serena Williams através de sua empresa Serena Ventures, tem se destacado ao oferecer produtos que atendem às necessidades específicas dessas consumidoras.
A inspiração para a criação da Parfait veio da própria experiência de Isoken. Aos dez anos, após sofrer uma reação química que resultou na queda de seu cabelo natural, ela passou a usar perucas durante boa parte da infância e adolescência. Vivendo em um bairro predominantemente branco nos Estados Unidos, ela se sentia forçada a se assimilar culturalmente e fenotipicamente. “Eu parecia tão diferente de todo mundo e, não importa o que acontecesse, eu era intimidada pela textura do meu cabelo”, disse em entrevista para a revista Essence.
Com o tempo, seu cabelo voltou a crescer, mas a dificuldade em encontrar perucas de qualidade e acessíveis a levou a buscar uma solução tecnológica. Junto com sua irmã Ifueko, elas decidiram lançar a Parfait .No site da empresa é possível escolher, passo a passo, como você quer sua peruca, incluindo cumprimento, textura dos fios, se prefere com franja ou não e pode até informar se usará tranças enraizadas ou se prenderá o cabelo em um coque por debaixo da sua peruca. Além disso, através de reconhecimento facial, a empresa tira medidas do rosto da cliente para desenvolver a peruca de maneira personalizada.
O projeto chamou a atenção de Serena Williams, cujo fundo de risco, a Serena Ventures, decidiu investir na empresa. “A missão da Parfait de alavancar a IA para resolver problemas essenciais tanto para a indústria de tecnologia quanto para as comunidades de cor é algo em que nós, da Serena Ventures, acreditamos desde o início”, afirmou a tenista em comunicado.
Com o crescimento acelerado, a Parfait firmou recentemente uma parceria de varejo com a rede norte-americana Ulta Beauty, permitindo que clientes possam consultar estilistas em lojas físicas e receber orientações personalizadas para a compra de perucas. Além disso, a parceria oferece serviços como lavagem, instalação e atualização das perucas adquiridas.
Isoken destaca que essa parceria vai além dos serviços de beleza. “Estou muito animada por poder criar um espaço institucional que acho que nossa comunidade nunca teve antes. Onde você pode entrar em um lugar e se sentir confortável porque suas necessidades únicas serão atendidas”, afirma.
Setembro chegou com as melhores expectativas para os fãs da Tássia Reis! No próximo dia 9, segunda-feira, a rapper lançará ‘Topo da Minha Cabeça’, seu quinto álbum de estúdio, um disco com inspirações que vão Banda Black Rio aos Originais do Samba, mesclando Samba Groove com Rap, Neo Soul, Funk Ijexá, R&B e uma pitadinha de Rock.
“Não, não vou calar, não vou correr, nem me sujeitar pra te obedecer”. Esse é trecho do single ‘Asfalto Selvagem’, lançado recentemente pela artista em todas as plataformas de streaming, para abrir caminhos do novo álbum que está por vir. A faixa narra a relação de Tássia Reis com a periferia de Jacareí, interior de São Paulo, onde nasceu e cresceu, e o impacto do samba nas ramificações de quem se é.
“Eu tô muito feliz de poder estar em contato com essas influências e perceber que faz tão parte de mim. Acho que foi uma coisa que eu demorei um pouco pra me apoderar, que é dessa minha vivência no samba também, da vivência da minha família, dos meus pais”, diz em entrevista ao Mundo Negro.
Além do novo disco, a cantora chega ao Rock in Rio 2024 no dia 20, com um show super especial no palco Sunset, dedicado apenas às mulheres negras: Luedji Luna convida Tássia Reis e Xênia França.
“São artistas, cada uma com a sua construção, com a sua identidade. Mas a gente faz parte de uma cena que vem crescendo a cada dia e que é muito relevante. Acho que a gente representa muita coisa, separadas, juntas, imagina juntas, né? Imagina juntas mesmo. Uma potência muito grande”, conta empolgada.
Leia a entrevista completa abaixo:
Crédito: Leal/Instagram @olharchave
Eu queria que você contasse um pouco sobre o seu novo single ‘Asfalto Selvagem’ e as influências que esse novo projeto ‘Topo da Minha Cabeça’.
‘Asfalto Selvagem’ tem uma forte influência do samba, um samba groove. Uma pitadinha ali da malandragem do rap, da rua, que o samba também traz. Eu tô muito feliz de poder estar em contato com essas influências e perceber que faz tão parte de mim. Acho que foi uma coisa que eu demorei um pouco pra me apoderar, que é dessa minha vivência no samba também, da vivência da minha família, dos meus pais.
Meus pais se conheceram em um ensaio de escola de samba lá na minha cidade, de Jacareí. Então, eu falo que é uma história meio de Shakespeare, porque cada um era de uma escola, eles eram de escolas rivais. E eu sou a princesinha deles, né? Então, muito shakesperiana. E também, quando eu era adolescente, eles nem estavam mais, porque estavam cansados de escola de samba.
Eu fui com as minhas próprias pernas pra escola de samba com uns 13 anos de idade, assim. Eu queria sair na comissão de frente. Fui lá toda ‘topetuda’ e falei: ‘então, quero sair na comissão de frente’. E a galera assim: ‘a comissão de frente não tem [como?], mas tá precisando de gente na bateria’. E aí eu fui pra bateria com 13 anos, levei uma renca de gente, minhas amigas tudo, saí no chocalho e fiquei apaixonada por aquele universo. E aí, depois disso, eu saí seis anos seguidos.
O mais engraçado é que eu entrei na escolinha de bateria para poder aprender a tocar um instrumento ou outro como ritmista. E ali eu conheci alguém, um amigo meu, o Diogo, que me levou para uma aula de dança, foi onde eu conheci o hip hop. Então as coisas estão entrelaçadas. O samba, a escola de samba e o hip hop aconteceram num momento meio próximo um do outro pra mim.
Eu demorei pra entender que aquilo era samba, que eu via como escola de samba, eu via como comunidade, eu via como uma coisa que a gente fazia em conjunto. Eu não pensava tanto na música em si, eu pensava mais na vivência. E aí no hip hop eu também não pensava tanto na música, eu pensava na dança, que foi a minha primeira expressão artística dentro do hip hop.
Então, depois que eu cresci, que quando eu comecei a compor, que aí as minhas primeiras coisas foram funk soul, samba, e aí virou rap, eu demorei para entender queo samba estava antes de tudo. Então, por isso que a ‘Asfalto Selvagem’ veio abrir os caminhos agora para o novo disco e onde eu consigo assumir com tranquilidade essa influência e me sentir confortável em poder cantar a minha vivência com segurança e com confiança e com muito amor também e responsabilidade.
É uma música que realmente fala sobre as suas vivências, e a partir disso, qual a mensagem você gostaria de passar para o público através dessa canção, que foi escolhida justamente para abrir os caminhos do seu novo disco e eu imagino que vai dar o tom desse novo trabalho?
Só do ‘Selvagem’, acho que a mensagem é para quem cresceu ali nos anos 90, começo dos 2000, numa quebrada, numa periferia, que vai se identificar, tem uma vivência parecida, acho que assistiu e vivenciou alguns tipos de violência. E que é muito doido, existem tantas coisas que já aconteceram, principalmente nesse período, e algumas que acontecem até hoje também. Mas que, ao mesmo tempo, também acho que é sobre o povo brasileiro, e como a gente, apesar de tudo, resiste, não desiste, vai pra cima e usa essa armadura, né?
Eu tenho falado isso, essa armadura que às vezes pesa, atrasa um pouco o nosso lado, mas também a gente tá pronto pra guerra, então a gente vai pra cima. Então acho que ‘Asfalto Selvagem’ é isso, entender que estamos, que vivenciamos no asfalto selvagem, mas não estamos só sobrevivendo, nós estamos crescendo, estamos prosperando, estamos indo à luta. Próspera!
Crédito: Reprodução/Instagram
E vamos ter ‘Asfalto Selvagem’ no Rock in Rio 2024. Me conta um pouco sobre a sua preparação?
Tá todo mundo falando ‘Asfalto Selvagem’ no Rock in Rio. Mas até então, acho que não, mas vamos ver, né. Quem sabe… Pode ser que aconteça, vamos entender.
O que a gente pode esperar desse espetáculo seu no festival, né? Como surgiu essa possibilidade de cantar junto com a Luedji Luna e Xênia França?
Olha, eu fiquei muito feliz quando recebi a ligação do Zé Ricardo [vice-presidente artístico do Rock in Rio] perguntando se eu queria. ‘Como assim que eu queria?’ Eu acho incrível, eu sou muito fã da Luedji Luna, sou muito fã da Xênia, há muito tempo. Eu acho que esse encontro é um encontro muito potente.
São artistas, cada uma com a sua construção, com a sua identidade. Mas a gente faz parte de uma cena que vem crescendo a cada dia e que é muito relevante. Acho que a gente representa muita coisa, separadas, juntas, imagina juntas, né? Imagina juntas mesmo. Uma potência muito grande.
Eu estou muito ansiosa para a gente somar nesse palco, no palco Sunset, e mostrar nossas músicas e compartilhar desse momento tão importante, que eu acredito que é tão importante para a música brasileira, para a música independente e, sobretudo, para mulheres negras.
Crédito: Divulgação/Rock in Rio
Trazendo um pouco sobre a inspiração para outras mulheres negras, qual a mensagem que você deixa para outras artistas e outras milhões de pessoas nesse Brasil que se inspiram em você e na sua trajetória e que vão te ver ali representada de uma forma tão incrível nesse que é um dos maiores festivais do mundo?
Uau! Eu estou muito feliz, e eu estou muito sensível também. Eu me sinto honradíssima de estar nesse palco, e eu acho que a mensagem que eu posso deixar para a galera é que nem sempre é fácil construir a carreira que a gente sonha, a carreira que a gente acredita. Acho que para além dos ‘sims’ que a gente tem que receber para poder estar nos lugares, eu acho que poder direcionar também, escolher os ‘nãos’ que a gente quer dizer, para a gente poder ser quem a gente é, para a gente poder valorizar a nossa identidade, o nosso eu artístico, acho que isso é muito relevante dentro da construção, que é possível ser você com a sua identidade e ainda assim chegar no Rock in Rio e ainda assim subir num palco tão importante como o Palco Sunset, no Brasil e no mundo.
Então, acho que essa é a mensagem, sem querer pagar de meritocracia, porque a gente sabe que não é simples e não é fácil, mas alguém precisa acreditar, e esse alguém é você!
Para muitas pessoas negras no Brasil, o empreendedorismo não é apenas uma oportunidade, mas uma necessidade. A falta de acesso a oportunidades de emprego formal e a discriminação no mercado de trabalho muitas vezes impulsionam o empreendedorismo como uma alternativa viável.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2022, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), empreendedores que se identificam negros ou pardos são 45% da população empreendedora no Brasil e desses, 50% empreendem por necessidade e enfrentam desafios adicionais, como acesso limitado a financiamento e redes de apoio. No entanto, a trajetória empreendedora também abre portas para a criação de riqueza e a superação de barreiras econômicas.
Embora as pessoas negras possam enfrentar desafios adicionais, o empreendedorismo oferece um caminho para superar limitações e alcançar a prosperidade. A capacidade de transformar uma ideia em um negócio de sucesso, mesmo diante de adversidades, é uma característica marcante desde os nossos ancestrais.
A ascensão dos novos milionários no Brasil ilustra o potencial do empreendedorismo como um caminho para a criação de riqueza. Contudo, é importante reconhecer que a inclusão de pessoas negras no cenário empreendedor requer atenção especial aos desafios que enfrentam. Apoiar e promover políticas que garantam maior acesso a recursos e oportunidades é fundamental para que mais empreendedores negros possam transformar suas ideias em sucesso e contribuir para um futuro econômico mais inclusivo e diversificado.
Mas para além do que programas e políticas públicas podem proporcionar, precisamos sair da mentalidade de sobrevivência e entender o empreendedorismo como uma Oportunidade de Riqueza e transformação familiar e social, nós empreendemos desde os nossos ancestrais, e é chegada a hora de planejarmos e executarmos os movimentos dos nossos negócios com estratégias de crescimento e um olhar mais carinhoso e menos amedrontado para a gestão. Não há mais tempo para errar é tempo de pavimentar a estrada para quem está vindo atrás de nós.
5 Principais Erros no Empreendedorismo que Impedem Sua Empresa de Crescer
Empreender é um desafio empolgante, mas também repleto de armadilhas. Muitos empreendedores, mesmo aqueles com boas intenções e visão clara, cometem erros que podem sabotar o crescimento e a sustentabilidade de seus negócios. Aqui estão cinco erros comuns que você deve evitar para garantir que sua empresa não só sobreviva, mas prospere.
1. Demora na Formalização
Um dos primeiros passos para o sucesso de qualquer negócio é sua formalização. Muitos empreendedores postergam a formalização, o que pode acarretar problemas legais e fiscais graves. Estar formalizado não apenas ajuda a garantir que sua empresa esteja em conformidade com as leis, mas também pode melhorar sua credibilidade com clientes e fornecedores. Além disso, a formalização pode abrir portas para financiamentos e incentivos que não estão disponíveis para negócios informais.
2. Falta de Separação entre PF e PJ
Misturar finanças pessoais com as da empresa é um erro que pode levar a complicações sérias. A falta de separação entre PF e PJ pode criar confusões contábeis, problemas fiscais e até mesmo dificuldades na gestão de recursos.
3. Ausência de um Plano de Negócios ou Planejamento Estratégico
Entrar no mercado sem um plano de negócios bem definido é como navegar sem um mapa. Um plano de negócios serve como um guia estratégico, ajudando a definir metas, identificar oportunidades e riscos, e estruturar o crescimento. A falta de um planejamento estratégico pode levar a decisões impulsivas e a um direcionamento incorreto, prejudicando a capacidade de alcançar objetivos de longo prazo e adaptar-se às mudanças do mercado.
4. Medo de Contratar e Delegar
O medo de contratar e delegar tarefas é um obstáculo comum entre empreendedores. Muitos acreditam que são os únicos capazes de realizar determinadas funções ou temem perder o controle da qualidade. No entanto, delegar não só alivia a carga de trabalho, mas também permite que você se concentre em aspectos mais estratégicos do negócio
5. Estabelecer Prazos de Venda Sem Considerar o Capital de Giro
Estabelecer prazos de venda sem levar em conta o capital de giro é um erro que pode causar problemas financeiros graves. O capital de giro é essencial para cobrir despesas operacionais e garantir que a empresa possa funcionar sem interrupções.
Evitar esses erros comuns pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso no empreendedorismo. A formalização adequada, a separação financeira, o planejamento estratégico, a delegação eficaz e a gestão cuidadosa do capital de giro são pilares fundamentais para o crescimento sustentável de qualquer empresa. Ao reconhecer e corrigir essas falhas, você estará no caminho certo para construir um negócio sólido e próspero.
Juliana Lourenço, Contadora, Educadora Financeira e Mentora de Empreendedores @eujuliana.lourenco
O Itaú Cultural Play, plataforma de streaming do Instituto Itaú Cultural, lançou no dia 30 de agosto a coleção “Narrativas Negras”, que inclui filmes, séries e documentários voltados para a valorização da negritude e a reflexão sobre o racismo no Brasil. Com 16 títulos no total, a coleção também serve como suporte pedagógico para professores e alunos, abordando questões raciais em sala de aula.
Entre as novidades do catálogo, destacam-se quatro curtas-metragens que fazem sua estreia na plataforma. “Rapsódia para o homem negro” (2015), de Gabriel Martins, diretor do premiado longa “Marte Um” (2022), retrata a busca de um homem por justiça após a morte violenta de seu irmão em um conflito em Belo Horizonte. “Dia de preto” (2023), de Beto Oliveira, imagina um futuro distópico em 2077, onde a liberdade cultural dos negros é limitada a um único dia do ano. Em “Tudo que é apertado rasga” (2019), Fabio Rodrigues Filho explora a ausência de atores negros no audiovisual brasileiro através de imagens de arquivo e depoimentos. Já o documentário “Alexandrina, um relâmpago” (2022), de Keila Sankofa, premiado no Festival de Cinema da Amazônia, resgata a história de Alexandrina, filha de negros escravizados que trabalhou para naturalistas europeus no Amazonas.
Além das novas produções, a coleção inclui clássicos como “Alma no Olho” (1973), de Zózimo Bulbul, e o documentário “A negação do Brasil” (2000), de Joel Zito Araújo, que investiga o racismo na teledramaturgia brasileira. A série “Coleção Antirracista” (2022), de Val Gomes, é outro destaque, com reflexões de intelectuais e figuras do movimento negro sobre questões raciais no país.
A Itaú Cultural Play pode ser acessada gratuitamente em dispositivos móveis, smart TVs e pela web, proporcionando acesso democrático a conteúdos que promovem a diversidade e a educação antirracista.