Na última segunda-feira, 25, Susan Lorincz, acusada de matar Ajike “AJ” Owens, foi condenada a 25 anos de prisão por homicídio culposo, no estado da Flórida, nos Estados Unidos. O crime, que ocorreu em junho de 2023, gerou repercutiu no país e gerou tensões raciais. A sentença foi proferida pelo juiz Robert Hodges, que descreveu o crime como “homicídio culposo muito agravado”, embora tenha decidido não aplicar a pena máxima de 30 anos, em razão da ausência de antecedentes criminais de Lorincz.
Owens, mãe de dois filhos, foi morta a tiros por Lorincz após uma discussão envolvendo seus filhos. Segundo depoimentos, Owens foi até a casa de Lorincz para confrontá-la após uma briga com os filhos de Owens, durante a qual Lorincz teria gritado chamando as crianças de “escravos negros” e jogado um patins em uma das crianças. Acompanhada de seu filho de 10 anos, Owens bateu na porta de Lorincz e exigiu que ela saísse, mas Lorincz disparou uma arma calibre .380 através da porta, atingindo Owens no peito. Ela foi declarada morta após ser levada ao hospital. Owens estava desarmada e a porta de Lorincz estava trancada no momento do tiroteio.
Segundo a Variety, durante o julgamento, Lorincz afirmou estar arrependida, dizendo ao tribunal: “Sinto muito por ter tirado a vida de AJ. Nunca tive a intenção de matá-la.” Sua defesa afirmou que ela agiu em legítima defesa. Por outro lado, a família da vítima e os promotores pediram uma sentença mais severa. Pamela Dias, mãe de Owens, declarou: “Estou diante de vocês não apenas lamentando a perda da minha filha, mas também a perda de nossas esperanças, sonhos e o futuro do qual frequentemente falávamos.”
Lorincz foi acusada de homicídio culposo com arma de fogo, negligência culposa e duas acusações de agressão, além do homicídio em si.
Após décadas de separação, um reencontro inesperado em uma padaria de bairro transformou a vida de Lenore Lindsey, 67, e de Vamarr Hunter, 50. Lindsey, dona da ‘Give Me Some Sugah’, descobriu em 2022 que um de seus clientes mais fiéis era o filho que ela havia dado para adoção aos 17 anos.
A conexão foi revelada após Hunter usar recursos de genealogia para encontrar sua mãe biológica. Surpreendentemente, mãe e filho já viviam a menos de dois quilômetros um do outro, e Hunter frequentava a padaria há anos, atraído pela atmosfera acolhedora e pelas panquecas. “Foi a energia, a decoração, tudo parecia natural”, relembra Hunter sobre sua primeira visita à padaria, há 14 anos, quando a frequentava ao lado da então noiva Meagan.
Antes do reencontro, Lindsey lutava contra o câncer de mama e enfrentava dificuldades para manter o negócio que abriu em 2008. Inspirada pelas receitas de sua mãe, avó de Hunter, e pelo desejo de criar um espaço acolhedor na comunidade, ela havia transformado a “Give Me Some Sugah” em um ponto de referência no bairro. Ao descobrir sua conexão de mãe e filho, Hunter decidiu ajudar Lindsey a preservar o legado da padaria: “Ele trouxe paz para minha vida, como se tudo tivesse fechado um ciclo”, afirmou a mãe, curada do câncer, em entrevista para o jornal Chicago Sun Times.
Hunter, que deixou seu emprego para liderar o negócio, vê o trabalho como uma oportunidade de manter viva a memória e o impacto comunitário da mãe. “Quero manter o máximo possível do que ela construiu. Este lugar é um pilar da comunidade”, afirmou. A padaria voltou a abrir cinco dias por semana e os negócios começaram a prosperar novamente. Ele já tem planos para o futuro, incluindo o retorno de itens clássicos do cardápio, como as panquecas que tanto apreciava em suas primeiras visitas.
Como o reencontro aconteceu
Vamarr Hunter, 50, cresceu sem saber que havia sido adotado, mas tinha uma desconfiança que foi confirmada quando, aos 35 anos, a mão que o adotou revelou a verdade. Mesmo com essa confirmação, Hunter ainda acreditava que havia mais por trás de sua adoção, e sua sensação foi reforçada após um acontecimento inesperado. No início de 2022, Hunter viu o número de telefone do National Center for Missing and Exploited Children na TV e decidiu ligar para a linha direta.
O coordenador de programas especiais da organização o conectou com Gabriella Vargas, uma genealogista genética da Califórnia, que estava trabalhando com o centro na época. Hunter já havia feito seu perfil genético por meio de um site de genealogia, mas precisava de ajuda para descobrir mais sobre suas origens. Não demorou muito para que Vargas localizasse sua mãe biológica.
Lindsey recebeu as informações de Hunter e entrou em contato logo depois. Quando Hunter atendeu o telefone e viu o nome de Give Me Some Sugah no identificador de chamadas, ele sabia que algo extraordinário estava acontecendo. “Senhorita Lenore? De Give Me Some Sugah? É Vamarr!” ele disse. Ao mencionar o nome de sua ex-noiva, Meagan, ficou claro para ambos que haviam vivido tão próximos o tempo todo, a apenas uma milha de distância um do outro. “Isso é loucura”, disse Vargas, que havia resolvido casos complexos e até arquivados, mas nada que se comparasse a essa situação. “Nunca tive um caso que terminasse assim.”
Fotos: Richard Shotwell / Invision/Associated Press e Stephane FEUGERE
A rivalidade entre Drake e Kendrick Lamar agora está se tornando um caso de justiça. Na segunda-feira (25), Drake entrou com uma petição no tribunal de Nova York, acusando a sua gravadora Universal Music Group de conspirar com Spotify para aumentar artificialmente os números de streams da diss ‘Not Like Us’, e hoje, abriu uma segunda petição no tribunal do Texas, alegando que a gravadora pagou a iHeartRadio, a maior rede de rádio dos Estados Unidos, para aumentar a veiculação da música e tornar o som um grande sucesso.
“A UMG projetou, financiou e então executou um plano para transformar ‘Not Like Us’ em um mega-hit viral com a intenção de usar o espetáculo de dano a Drake e seus negócios para gerar histeria do consumidor e, claro, receitas massivas. Esse plano teve sucesso, provavelmente além das expectativas mais loucas da UMG”, afirmam os advogados de Drake na petição.
Neste novo processo, os advogados do Drake, ainda relatam que a UMG, que trabalha com os dois artistas, sabia que a música do Lamar o acusava de pedofilia, mas decidiu distribuí-la mesmo assim. Eles dizem que as alegações são falsas.
Os processos não se tratam de uma ação judicial, mas as petições dizem que os advogados de Drake têm motivos suficientes para entrar com ações.
Em resposta ao primeiro processo, a UMG negou as acusações de Drake e afirmou que a ideia de que a gravadora “faria qualquer coisa para prejudicar qualquer um de seus artistas é ofensiva e falsa” e que “os fãs escolhem a música que querem ouvir”.
Entenda rivalidade entre Drake e Kendrick Lamar
A rivalidade entre Drake e Kendrick Lamar começou de forma sutil e foi crescendo ao longo dos anos, marcada por competições líricas e indiretas em músicas. Os dois rappers estavam em ascensão em meados de 2010, chegaram a fazer parcerias musicais, mas também disputavam por status de maior artista de sua geração.
Mas em março deste ano, a disputa deu início a um novo patamar quando Lamar lançou faixas questionando o uso de ghostwriters e até mesmo sugerindo que Drake teria problemas pessoais não resolvidos. Em mais trocas de farpas com novas faixas, Drake insinuou que Kendrick teria agido de forma inadequada em relação à sua noiva, enquanto Kendrick acusou Drake de esconder uma filha e proteger pedófilos em sua empresa.
As acusações não vieram sem controvérsia. Drake chegou a sugerir que Kendrick só o atacava porque teria sido vítima de abuso na infância, um movimento que foi duramente criticado nas redes sociais.
Para fazer o que o movimento do hip-hop chama de “enterro”, Kendrick Lamar lançou a diss ‘Not Like Us’, que se tornou um grande sucesso. Junto com grandes estrelas do gênero, como Dr. Dre e Tyler The Creator, em junho, ele realizou um show memorável ao estrear a música ao vivo, onde ele acusa o Drake de usar inteligência artificial de vozes de Tupac e Snoop Dogg em sua faixa ‘Taylor Made Freestyle’.
Desde então, não houve mais lançamentos de diss de um rapper contra o outro, e nenhum apresentou provas concretas para sustentar suas alegações.
Inaugurado em 22 de novembro de 2024, o restaurante Somerville já é celebrado como um novo espaço cultural em View Park-Windsor Hills, Los Angeles. Criado por Yonnie Hagos e Ajay Relan, também responsáveis pelo Hilltop Coffee + Kitchen, o restaurante combina alta gastronomia com a valorização da história negra da região.
O nome do restaurante é uma homenagem ao Hotel Somerville, um marco cultural e social do centro-sul de Los Angeles entre 1921 e 1956. Na época, o hotel e os clubes de jazz da Central Avenue eram espaços vibrantes para artistas e músicos negros, que enfrentavam restrições em estabelecimentos de propriedade branca. Segundo os fundadores, o Somerville busca resgatar esse legado histórico enquanto cria um ambiente moderno e acolhedor para a comunidade local.
Issa Rae (@issarae), atriz, produtora e residente da região, tem demonstrado seu apoio ao projeto de forma entusiasmada, promovendo o restaurante em suas redes sociais e destacando sua importância cultural. Em uma postagem, ela descreveu o Somerville como “uma homenagem ao passado artístico clássico do centro-sul negro de Los Angeles” e enfatizou a atmosfera acolhedora e os pratos do restaurante. Sobre sua relação com o espaço, a equipe do Somerville destacou: “Ela é uma de nós e vive na vizinhança! Issa sempre coloca nossa parte da cidade em evidência, e somos gratos pelo apoio dela. Estamos ansiosos para recebê-la regularmente.”
Com um design inspirado no Art Déco e detalhes em mogno, o restaurante também conta com um piano de cauda no centro do ambiente, ressaltando a conexão com o passado musical da região. No cardápio, elaborado pelo chef Geter Atienza, estão entradas como ostras e crudo, pratos principais como lombo de wagyu e sliders de frango frito com caviar, além de sobremesas como torta de chocolate amargo e cheesecake com marmelada de azeitona preta.
A abertura do Somerville atende a uma demanda antiga dos moradores de View Park por espaços de alta gastronomia que não exijam deslocamento para outros bairros. Funcionando de quarta a domingo, das 18h às 23h, o restaurante promete se tornar um ponto de referência tanto para a culinária quanto para a celebração da história negra de Los Angeles.
Fotos: Reprodução/YouTube e Marcel Camargo/Agência Brasil
Jojo Todynho disse, nesta terça-feira (26), que recebeu uma oferta de R$ 1,5 milhão para apoiar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. No entanto, o Partido dos Trabalhadores negou as declarações da cantora e já confirmou que entrará com uma ação indenizatória contra a artista, informou o Poder360.
Durante uma entrevista ao canal do YouTube Brasil Paralelo, Jojo disse que foi convidada para um almoço de trabalho, quando recebeu a suposta proposta. “Ligaram, marcaram um almoço, falaram que era um trabalho e quando eu cheguei lá era isso… Me ofereceram R$ 1,5 milhão para fazer campanha quando o Lula veio candidato a presidente… E eu falei: ‘Desculpa gente, não vai rolar'”, contou.
Jojo Todynho afirma: "me ofereceram R$ 1,5 milhão pra apoiar campanha do Lula e rejeitei"
Também disse: "todos os artistas e páginas de fofoca que me atacam ganharam dinheiro dessa campanha"
Jojo também disse que Xuxa queria que ela entrasse em campanha anti-Bolsonaro
Jojo ainda acusou outras celebridades de receberem dinheiro para fazer campanhas políticas para o PT. “Todas as pessoas que fizeram campanha, páginas de fofocas que estão me atacando, todos ganharam dinheiro pra fazer campanha. Se para mim ofereceram R$ 1,5 milhão, imagina quanto outros não ganharam e continuam ganhando”.
O Partido dos Trabalhadores se pronunciou para acusar as declarações da cantora como fake news. “A campanha eleitoral do presidente Lula nunca fez qualquer proposta de participação remunerada para Jojo Todynho em atos de apoio. A notícia falsa foi divulgada numa plataforma de extrema direita, no momento em que Bolsonaro e sua organização criminosa foram indiciados por tentativa de golpe e plano para assassinar Lula”.
Mãe de dois e madrasta de uma, como ela mesma descreve em sua biografia do Instagram, a jornalista e escritora Maíra Azevedo, também conhecida como Tia Má, tem refletido sobre o impacto da educação positiva na criação de crianças negras. Para ela: “Educar com afeto e respeito é uma forma de desarmar as violências diárias que a sociedade impõe ao nosso povo”, afirma ela.
A educação positiva consiste em uma abordagem não punitiva que busca fortalecer o relacionamento entre pais e filhos por meio de respeito, empatia e autonomia. Fundamentada no encorajamento e no exemplo, em vez de punições ou chantagens, ela respeita os sentimentos das crianças, evitando agressões físicas ou morais, que podem causar danos psicológicos. Embora tenha regras claras e limites, promove o aprendizado por meio do diálogo e do respeito mútuo. Diferente do modelo tradicional que alterna entre punição e permissividade, a educação positiva equilibra firmeza e gentileza. Apesar de enfrentar críticas por romper padrões antigos, as discussões sobre a importância de uma criação que não está pautada no castigo e na violência tem sido amplamente proposta por mães que criam conteúdos para as redes sociais.
“No passado, nossos antepassados eram ensinados a corrigir os filhos com rigor, mas agora sabemos que, para as crianças negras, a autoestima e a segurança emocional são tão importantes quanto a disciplina”, lembrou Tia Má. “A educação positiva é uma resistência, pois educar com gentileza e respeito é também construir um lugar de força. Precisamos ensinar nossas crianças que merecem o amor e o cuidado, e que são capazes de mudar o mundo. A educação positiva com crianças pretas é revolucionário. Precisamos assegurar que nossas crianças tenham a certeza que o respeito é um direito”, complementa.
Recentemente, Tia Má compartilhou nas redes sociais um registro do filho mais velho, Aladê Koman, andando de ônibus durante uma viagem de intercâmbio em outro país. Na legenda, a jornalista celebrou a conquista e relembrou os momentos de dificuldade financeira que viveu com o filho: “Oi filho…lembra do telhado caído? Da gente comendo soja porque mamãe não tinha dinheiro para comprar carne? Da gente tomando banho com apenas uma garrafa de dois litros de água? E da infestação de pombo, que não deixava a gente dormir? Então…como eu sempre te disse, a educação é a arma mais potente para transformar nossa realidade! Hoje, é o primeiro dia de aula do seu intercâmbio e é mais um sonho que realizamos sem nem a gente ter sonhado! Como eu sempre te disse…passarei noites sem dormir, sem pregar meus olhos para que vc e sua irmã possam realizar todos os sonhos que tiverem! Que vc nunca esqueceu de onde veio, mas que tenha certeza que pode ir para qualquer lugar do mundo e sua mãe estará contigo! Te amo”, escreveu.
A crise climática, uma das maiores preocupações globais da atualidade, tem impactos desiguais entre os diferentes grupos sociais e territoriais. Em áreas vulneráveis, onde as mulheres negras, quilombolas e periféricas vivem, elas enfrentam na linha de frente os desafios ambientais.
Diante desse cenário, o UMOJA – Encontro de Mulheres Negras Quilombolas e Periféricas pela Resiliência Climática e Bem Viver – será realizado nos dias 29 e 30 de novembro, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. O evento reunirá lideranças comunitárias, ativistas, acadêmicas e mulheres de várias gerações para debater os impactos das mudanças climáticas e construir estratégias de enfrentamento. A proposta do encontro é criar um espaço de diálogo e troca de saberes.
Embora as comunidades tradicionais estejam entre as áreas mais conservadas no Brasil, 98,2% dos quilombos estão ameaçados por obras de infraestrutura, mineradoras e sobreposições de imóveis particulares, como mostra um levantamento do Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com a Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Foto: Divulgação
É a população negra a mais afetada pelas ondas de calor. Nas periferias, são os mais atingidos pelas inundações por falta de sistema de drenagem adequado; saneamento precário; insegurança hídrica e energética; ilhas de calor em decorrência da concentração de concreto e a ausência de áreas verdes; e até mesmo perda de suas casas devido a eventos climáticos extremos.
Realizado pela Associação Rede Elas Negras Conexões (AREC), o UMOJA visa debater alternativas de Bem Viver sustentável a partir das práticas e saberes tradicionais; a relação entre justiça climática e questões de gênero e raça; o fortalecimento da resiliência comunitária; e o fomento a redes de apoio e aprendizado entre mulheres que enfrentam desafios semelhantes.
“O Encontro UMOJA tem essa missão para cumprir. Reunir mulheres negras, quilombolas, periféricas, lideranças que estão nas suas comunidades, no fronte de luta. Vamos construir um documento, para ser utilizado durante as nossas agendas de 2025, principalmente a Marcha Nacional das Mulheres Negras e a COP30”, explica Pamela Batista, coordenadora executiva da Associação, que reforça que durante o evento haverão momentos de autocuidado. “Porque se cuidar e desacelerar também é necessário.”
Foto: Divulgação
Programação As atividades do sábado (29), primeiro dia de encontro, terão início com um coffe break até às 9h, seguido pela Mesa de Abertura com lideranças negras quilombolas e periféricas. A programação do dia inclui um tour no Convento Santo Antônio; a organização de Grupos de Trabalho para Construção Coletiva da Carta Umoja; além de um momento de vivência com produtores locais, com uma visita à horta quilombola em Santiago do Iguape, guiada por Edson Falcão, liderança da comunidade.
Para o segundo dia, estão reservadas palestras sobre “Educação antirracista e práticas comunitárias pela emergência climática e combate ao racismo ambiental” e “Feminismos em Debate: Reflexões sobre a Organização do Movimento de Mulheres Negras em Salvador (1978 a 1997)”. Além de um Circuito Expositivo de produtos Artesanais e Agroecológicos na Galeria da Entrada do Convento Santo Antônio.
Os dias de encontro ainda serão permeados por performances e momentos culturais com a Banda Mulheres Percussiva, o Grupo de Dança Afro Pulo do Negro, o Samba das Pretas, a Roda de Capoeira Grupo Tradição Quilombola e o Samba de Roda Geração do Iguape.
SERVIÇO
O quê: UMOJA – Encontro de Mulheres Negras Quilombolas e Periféricas pela Resiliência Climática e Bem Viver Quando: 29 e 30 de novembro Onde: Cachoeira, Recôncavo da Bahia
Na noite da última segunda-feira, 25, a minissérie “Anderson Spider Silva”, da Paramount+, representou o Brasil no Emmy Internacional 2024, em Nova York, nos Estados Unidos, concorrendo na categoria de ‘melhor filme ou minissérie para TV’. Apesar de não levar o prêmio, a equipe brasileira celebrou a indicação como uma vitória.
“Estamos muito felizes. Já nos consideramos vitoriosos só por ser a única indicação brasileira nesta categoria. Foi massa e comemoramos igual”, declarou Eliana Alves Cruz, uma das roteiristas da produção, que retrata a trajetória do lutador de MMA Anderson Silva, o “Aranha”.
Álvaro Campos, Eliana Alves Cruz, Marton Olympio, Raul Pérez e Susan Kalik – Emmy 2024 – Foto: Reprodução
A minissérie, com cinco episódios, explora as dores, os desafios e a força que moldaram um dos maiores nomes do esporte mundial, desde sua infância até se tornar um campeão, criado pelos tios em uma história de resiliência e união familiar. O roteiro foi assinado por um time liderado por Marton Olympio e que incluiu nomes como Eliana Alves Cruz, vencedora do Jabuti 2022, e Álvaro Campos, premiado no Festival do Rio 2021.
A produção alemã “Liebes Kind”, da Netflix, que concorria contra a série brasileira foi a vencedora na categoria. ‘Liebes Kind retrata um drama policial baseado em um romance homônimo. Outras finalistas incluíram a japonesa “Deaf Voice” e a britânica “O Sexto Mandamento”.
Além de “Anderson Spider Silva”, outras produções brasileiras concorreram no Emmy Internacional deste ano, como Júlio Andrade, indicado a melhor ator por “Betinho, no fio da navalha” (Globoplay), e o documentário “Transo” (Canal Futura). Nenhuma delas, no entanto, conquistou o troféu.
Mesmo assim, a participação foi motivo de celebração. A equipe brasileira, que contou com as presenças do diretor Caíto Ortiz, das produtoras Teresa Gonzalez e Mariângela de Jesus e do próprio Anderson Silva, reforçou o impacto cultural da série. “Anderson Spider Silva” já havia sido premiada no Prêmio Produ, voltado para produções latinas, como melhor minissérie histórica, política e social.
No último domingo, a Folha de São Paulo divulgou uma pesquisa mostrando que seis a cada dez pessoas autodeclaradas pardas não se veem como negras. Diante destas informações, o que podemos fazer é levantar hipóteses que possam explicar esse dado. Quero elencar aqui algumas possíveis explicações sobre o resultado da pesquisa.
A primeira delas tem a ver com a forma como o Brasil construiu sua identidade nacional, durante a década de 1930, pautada na miscigenação. É provável que a glamourização da mistura racial, como essência da identidade brasileira, possa ter produzido efeitos na percepção racial dos brasileiros. Assim, a categoria “parda” representaria uma classificação mais adequada para aqueles que acreditam que ser branco é um “privilégio” que só os europeus têm. A segunda hipótese dialoga com a primeira. Trata-se da idealização da branquitude. É possível que muitas pessoas não se vejam como brancas, por acreditarem que para o serem precisam ser parecidas com a Xuxa ou a Ana Hickmann. A terceira hipótese, para uma parcela destes pardos, pode ter a ver com o funcionamento do racismo levando muitos a sentirem vergonha de assumirem uma identidade negra tão estigmatizada por aqui.
Também podem haver aqueles que acreditam que negros são somente as pessoas muito escuras, os chamados “retintos”. Isso pode estar ligado a uma visão estereotipada do que seria um africano. Por fim, devemos também nos atentar às particularidades regionais. Segundo o pesquisador do IBGE, José Luis Petruccelli, a tendência é que no norte do país as pessoas autodeclaradas pardas tenham descendência indígena, e no sul e sudeste muitos destes pardos tenham descendência africana. Uma coisa que posso afirmar, é que neste meio existem muitos pardos pertencentes ao que chamo de “branquitude bronzeada”, pessoas de tom de pele bronzeado e lidos socialmente como brancos, mas que se autodeclaram “pardos”.
A existência deste branco bronzeado foi discutida por eugenistas como Oliveira Vianna que dizia que o branco brasileiro não seria ariano como o alemão, mas sim mais escuro devido ao clima e a interferência da genética africana. Estes, podem representar um risco as politicas de ação afirmativa, uma vez que mesmo sabendo-se não negros, manipulam a sua “parditude”, quando convem, para disputar vagas destinadas a pessoas negras.
Embora a ideia de população negra seja baseada no que diz o estatuto da igualdade racial, nem todos os autodeclarados pardos são pessoas negras. Talvez nosso desafio futuro é redesenhar a noção de população negra de modo a direcionar as políticas de ação afirmativas para o seu público alvo: pessoas indígenas, os pretos e os pardos fenotipicamente negros. Enquanto isso, sigo na empreitada de elaborar conteúdos e cursos que ajudem as pessoas a entenderem como se constituiu a branquitude e a negritude no nosso contexto nacional.
Jéssica Ellen, André Câmara e Fabrício Boliveira (Fotos: Rede Globo/Divulgação)
Misturando referências inspiradoras, ‘Volta Por Cima’, novela das 19h da TV Globo, está sendo sucesso de audiência e também tem chamado atenção por retratar fielmente o subúrbio do Rio de Janeiro e por ter o trama amorosa envolvendo protagonistas negros, com a Jéssica Ellen, Fabricio Boliveira e Amaury Lorenzo.
“Acho que uma produção como ‘Volta Por Cima’ é um belo exemplo de avanço no quesito da diversidade, com histórias que exploram diferentes regiões, personagens de variadas origens que são tratados com profundidade e protagonismo. Procuro subverter o imaginário que coloca pessoas pretas apenas em papeis de servidão, submissão ou marginalidade — uma herança colonial que precisa ser desconstruída”, celebra André Câmara, diretor artístico da novela, em entrevista ao Mundo Negro.
André também já trabalhou em outras novelas da Globo como ‘Avenida Brasil’ (2012), ‘Boogie Oogie’ (2014), ‘Novo Mundo’ (2017), e também foi diretor artístico de ‘Amor Perfeito’ (2023), que também contou com elenco negro com destaque na trama.
“Quando dirigi ‘Amor Perfeito’, a atriz Iza Moreira mencionou a importância de termos mais casais afrocentrados protagonizando na TV, e eu concordei plenamente com ela. Naquele momento, porém, não era possível porque a história não era focada em um casal afrocentrado. Mas, ‘Amor Perfeito’ foi fundamental para que hoje pudéssemos abrir espaço para novas representações. Agora, com ‘Volta Por Cima’, estamos realizando esse desejo, trazendo protagonistas negros para o centro da narrativa”, explica André Câmara.
Leia a entrevista completa abaixo:
1 – Qual foi a inspiração para a concepção artística de “Volta Por Cima”?
Buscamos captar o espírito dos subúrbios cariocas para dar vida a esse cenário: cores intensas, o calor e a energia comunitária. Também trouxemos referências do cinema e das artes plásticas. No cinema, Almodóvar foi uma grande influência, especialmente em sua paleta vibrante. Nas artes plásticas, o trabalho de Zeh Palito, com seus murais celebrando “pessoas do povo” em ambientes repletos de cor, otimismo e positividade, foi essencial. Nosso diretor de arte, Billy Castilho, trouxe Zeh Palito como uma referência para a novela, traduzindo o visual do subúrbio com detalhes que remetem ao calor e à vida cotidiana. A mistura de influências cria um cenário fictício que, ao mesmo tempo, é imediatamente familiar e reconhecido para o público.
2- Como você vê a importância de protagonizar um romance negro em horário nobre, e qual tem sido o impacto dessa representatividade no público?
O Chico, personagem do Amaury Lorenzo, é um antagonista romântico. Mas, isso não tira a importância de termos três atores negros no centro da narrativa da novela. Certamente isso representa um avanço na construção de uma televisão mais inclusiva e genuinamente brasileira. É uma oportunidade de contar histórias de amor e humanidade que também pertencem a esses personagens, ampliando as perspectivas sobre a identidade brasileira, diretamente ligada ao público. Cada passo nessa direção é transformador e nos ajuda a repensar lugares historicamente impostos às pessoas negras. Além disso, é um grande prazer trabalhar com a Jéssica, o Fabrício e o Amaury Lorenzo, que são três artistas talentosíssimos – não somente eles, mas todo o elenco está fazendo um trabalho incrível, que contagiou o público.
O retorno tem sido extremamente recompensador. Um comentário que me emocionou foi o de uma mãe, que disse que, ao ver o casal protagonista, sentiu que sua filha podia sonhar em ser heroína da própria vida. Outra mãe contou que, após muito tempo, sua filha decidiu soltar o cabelo para se parecer com Madalena. Esse tipo de conexão é muito poderosa, lembrando a importância de uma televisão que dialogue com um Brasil onde 56% da população é negra. Acredito que o público de hoje quer se ver bem representado na tela, se reconhecer, se inspirar e sonhar.
3 – Na sua visão, qual é o papel de uma novela como “Volta Por Cima” na promoção da diversidade racial e social?
Acho que uma produção como “Volta Por Cima” é um belo exemplo de avanço no quesito da diversidade, com histórias que exploram diferentes regiões, personagens de variadas origens que são tratados com profundidade e protagonismo. Procuro subverter o imaginário que coloca pessoas pretas apenas em papeis de servidão, submissão ou marginalidade — uma herança colonial que precisa ser desconstruída.
Além da presença marcante de personagens negros, temos outras representações na novela: personagens asiáticos, entre eles alguns que são descendentes de coreanos, japoneses e chineses. Também temos um indígena, o Sidney. Entendemos que o Brasil é plural e também precisamos avançar nas representações de outras etnias. Ao abrir espaço para narrativas variadas e investir em estéticas brasileiras, como a da novela, a TV se torna um reflexo mais autêntico da sociedade. E a presença de profissionais negros, amarelos e indígenas em papéis criativos é essencial para que essas representações reflitam melhor o Brasil.
André Câmera (Foto: Divulgação)
4 – Ao longo da sua carreira, você trabalhou em produções com diferentes estilos e narrativas. Como a sua experiência em obras como “Amor Perfeito” e “Lado a Lado” influenciou a abordagem em “Volta Por Cima”?
Quando dirigi “Amor Perfeito”, a atriz Iza Moreira mencionou a importância de termos mais casais afrocentrados protagonizando na TV, e eu concordei plenamente com ela. Naquele momento, porém, não era possível porque a história não era focada em um casal afrocentrado. Mas, “Amor Perfeito” foi fundamental para que hoje pudéssemos abrir espaço para novas representações. Agora, com “Volta Por Cima”, estamos realizando esse desejo, trazendo protagonistas negros para o centro da narrativa.
“Lado a Lado” também foi uma obra que levou muito da cultura negra e é particularmente interessante pois, como foi retratada no início do século XX, foi como uma oportunidade de mostrar uma parte da história que não é tão contada: a afirmação da cultura negra no Brasil após o fim da escravização. Com isso, vários elementos como a importância cultural da capoeira, do Morro da Providência, o nascimento das favelas, o surgimento do samba e a introdução do futebol, foram inseridos na narrativa. Então, vejo “Lado a Lado” como um trabalho que conversa muito pela parte da valorização cultural negra que “Volta Por Cima” também traz com a representação contemporânea do subúrbio carioca.
5 – A novela tem sido um sucesso de audiência. Como o público tem reagido ao retrato da cultura e dos desafios da população negra e periférica do Rio de Janeiro?
Tenho recebido muitos retornos positivos. Claudia Souto foi muito feliz ao criar essa novela protagonizada por pessoas do povo, o que permite que o público se sinta representado. Já ouvi muitos dizerem que se reconhecem na novela, que enxergam um parente ou até mesmo um vizinho nas histórias.
6- Além de ser diretor artístico, você também atuou em iniciativas sociais importantes no teatro, como no Complexo da Maré e Morro dos Prazeres. De que maneira essas experiências impactam o seu trabalho e sua visão sobre a representação das comunidades nas novelas?
Minha experiência em favelas, como no Complexo da Maré e no Espaço de Construção da Cultura da Ação da Cidadania – que atendia criança e adolescentes do Morro dos Prazeres, Coroa, Fallet e Santo Amaro, todas favelas adjacentes a Santa Teresa -, me proporcionou uma visão mais profunda sobre a força, a riqueza e a diversidade cultural que existem nesses espaços. Esses lugares são centros vivos de arte, cultura, resistência e criatividade. O trabalho com crianças e jovens dessas comunidades me ensinou a importância de respeitar a autenticidade das histórias e das pessoas e de representar suas vivências de forma humanizada e verdadeira.
Essa convivência moldou minha visão sobre a relevância de dar voz a personagens e histórias do “povo”, como uma maneira de refletir o Brasil em toda a sua complexidade. No meu trabalho, sempre busco priorizar uma representação que mostre a beleza e a profundidade de personagens que vivem e crescem em espaços semelhantes. Essas experiências foram fundamentais para minha trajetória, incentivando-me a criar narrativas que ressoem com o público e que levem à tela uma visão inclusiva e realista da nossa sociedade.
Jéssica Ellen e Fabrício Boliveira em ‘Volta Por Cima’ (Foto: Rede Globo/Divulgação)
7- Como o subúrbio carioca e a cultura preta foram trabalhados para retratar uma representação fiel e autêntica? Quais foram os maiores desafios na produção de uma novela que propõe uma visão mais realista e empoderada da vida no subúrbio carioca?
O maior desafio é criar uma conexão genuína do público com os personagens e elementos da novela. Acredito que “Volta por Cima” se diferencia pela forma autêntica com que retrata a vida do subúrbio e pela abordagem de temas cotidianos com leveza, humor e profundidade. Tudo isso contribui para essa conexão. O objetivo é que o público se veja nas histórias e dilemas dos personagens, como um reflexo de sua própria vida.
A Vila Cambucá, por exemplo, inspira-se em elementos característicos do subúrbio carioca, como o comércio local, as festas de rua, a música dos bares e as interações cotidianas — seja no transporte público ou nas esquinas. Incorporamos também referências icônicas como o baile charme de Madureira, o Jongo da Serrinha, o jogo do bicho, o carnaval, o Mercadão de Madureira, a Igreja da Penha, o forró, o bate-bolas e as rodas de samba. Esses detalhes trazem autenticidade e ressoam com quem conhece e valoriza o subúrbio, mostrando-o como ele é: um lugar de luta e resistência, mas também de pertencimento, culturas, arte, alegria e criatividade.
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