A noite da última terça-feira, 3, foi marcada pela celebração da terceira edição do Prêmio Fashion Futures, promovido pelo Instituto C&A, pilar social da C&A no Brasil. O evento, apresentado pela jornalista Cris Guterres, não apenas celebrou projetos e marcas inovadoras que estão desenvolvendo projetos sustentáveis no setor da moda, mas também destacou as 50 Personalidades Fashion Futuristas do Ano, com André Hidalgo, da Casa de Criadores, levando o título de Personalidade Fashion Futurista de 2024.
Entre os destaques, a categoria “Marca de Moda Autoral do Ano” foi para a marca Dendezeiro, reconhecida por sua originalidade e impacto no mercado. Outras categorias premiaram projetos voltados à responsabilidade social, inovação e circularidade, reforçando a importância de soluções concretas para os desafios socioambientais da indústria da moda.
A Oficinas Catarina Mina conquistou a categoria “Projetos Sociais na Moda”, que valoriza iniciativas comunitárias conectadas à sustentabilidade, recebendo R$ 50 mil. Já a AIPER, focada em novas matérias-primas e regeneração de ecossistemas, venceu em “Inovação e Novos Materiais”, com um prêmio de R$ 10 mil. Na categoria “Circularidade e Marcas Sustentáveis”, a Trama Afetiva se destacou por práticas inovadoras de gestão de resíduos e redução da pegada de carbono.
O prêmio também celebrou projetos que promovem inclusão e igualdade. Bocaiúva Moda Inclusiva e Rendeiras da Aldeia foram reconhecidas na categoria de “Diversidade e Redução de Desigualdades”, categoria que premia negócios que integram grupos sub-representados e geram impacto social na cadeia produtiva.
A curadoria dos premiados ficou a cargo de uma banca especializada, composta por nomes de destaque no setor, como Daniela Falcão, Hanayrá Negreiros, Patrícia Carta e Alexandra Farah, além de especialistas do Instituto C&A e do SEBRAE.
Para Gustavo Narciso, Diretor Executivo do Instituto C&A, a premiação é mais do que um reconhecimento. “Este prêmio é uma oportunidade de ampliar essas conversas e um chamado à ação para moldar um futuro em que a moda seja de fato justa, diversa e mais sustentável. Juntos, podemos criar uma mudança significativa”, afirmou.
Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Instituto C&A.
Em 2023, o Brasil registrou uma redução expressiva no número de jovens entre 15 e 29 anos que nem estudam e nem trabalham, os chamados “nem-nem”. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2024, divulgada pelo IBGE, a taxa caiu para 21,2%, abrangendo 10,3 milhões de brasileiros. Em comparação com 2022, quando o percentual era de 22,3% (663 mil pessoas a mais), houve uma queda de 5,8%. Este é o menor índice da série histórica iniciada em 2012, marcando um avanço significativo.
A redução da taxa de jovens brasileiros “nem-nem” em 2023 representa um avanço significativo, mas os desafios persistentes exigem atenção e ações concretas. A recuperação do mercado de trabalho e o aumento da inclusão escolar foram fatores cruciais para essa melhora, no entanto, as desigualdades sociais profundas ainda impedem que muitos jovens tenham acesso a oportunidades de qualidade.
Ao analisar os dados, observa-se que a redução da taxa de “nem-nem” foi mais acentuada em algumas regiões do país, evidenciando a importância de políticas públicas regionais e a necessidade de considerar as especificidades de cada localidade. Além disso, a persistência das desigualdades raciais e de gênero é evidente, com as mulheres negras e os jovens de famílias mais pobres sendo os mais afetados pelo problema.
A pandemia de Covid-19 agravou a situação de muitos jovens, intensificando a desigualdade digital e limitando o acesso à educação e ao trabalho. A retomada gradual das atividades econômicas contribuiu para a redução da taxa de “nem-nem”, mas é fundamental que as políticas públicas sejam direcionadas para garantir a permanência dos jovens na escola e a transição para o mercado de trabalho de forma segura e eficaz.
Para reduzir ainda mais a taxa de jovens “nem-nem”, é preciso investir em políticas públicas que promovam a igualdade de oportunidades, a qualidade do ensino, a geração de empregos e o desenvolvimento de habilidades para o mercado de trabalho. Programas de qualificação profissional, de apoio à primeira inserção no mercado de trabalho e de combate à evasão escolar são essenciais para garantir que todos os jovens tenham um futuro promissor.
Os dados negativos dos últimos anos , trazem alguns pontos que vale considerar: a maioria deste percentual é formado por mulheres pretas, pardas e indígenas. Diferentes motivos explicam o abandono da educação formal e do mercado de trabalho por esse público . Entre elas, o casamento e a necessidade de começar a trabalhar cedo para sustentar a família, a gravidez precoce é o principal motivo do abandono, uma vez que mais da metade das jovens nessa situação têm filhos.
Observando esses fatos, podemos fazer alguns questionamentos: o quanto o ensino e o emprego “tradicional” está frustrando os jovens nessa faixa? Que perspectiva eles têm? Ser avaliado por provas, abafando sua criatividade, sua autenticidade na escola é atrativo?
É preciso criar condições para que os jovens tenham oportunidades de emprego e, quando acessarem o ensino superior, consigam terminar a graduação, com êxito. Ou criamos políticas que abarquem esses jovens, em especial pretos, pardos e indígenas, ou os teremos cada vez mais distantes do mercado de trabalho.
Chester, peru, salpicão, farofa. A mesa de Natal dos brasileiros é, sem dúvida, repleta de delícias tradicionais. Mas, além das tradições familiares, que tal inovar e incluir pratos ou ingredientes característicos das culinárias africanas nas celebrações de Natal ou Ano-Novo? Sim, no plural, pois estamos falando de um continente com uma gastronomia vasta e rica, que influencia e inspira cozinhas ao redor do mundo.
E como trazer esses sabores, pratos e ingredientes para nossas ceias? Nossa editora-chefe do Guia Black Chef, Silvia Nascimento, conversou com a chef Ignez Beatriz Lemos, do Rio de Janeiro. CEO do Dendê Raiz e pesquisadora em culinária da diáspora africana, Ignez encoraja aqueles que têm receio de inovar: “Usem a criatividade. A base da culinária africana permite caminhos inimagináveis, substituições e misturas de proteínas e vegetais sem perder a identidade e o sabor inigualável.”
1. Como sua especialização em cozinha ancestral transforma a maneira de pensar uma ceia natalina ou outras celebrações de fim de ano?
Minhas pesquisas sobre culinária da diáspora me levaram aos registros sobre a celebração cultural do Kwanzaa, de origem afro-americana, que dura sete dias (de 26 de dezembro a 1º de janeiro) e valoriza a cultura e ancestralidade africanas. Baseada nesses estudos, recriei pratos tradicionais dessa celebração com um toque brasileiro. Essa abordagem permite replicar saberes e sabores ancestrais, além de dar visibilidade a essa comemoração cheia de significado.
2. Quais elementos da cozinha ancestral você considera indispensáveis para criar pratos que remetam à tradição africana nas festas de fim de ano?
Elementos indispensáveis são dendê, quiabo, milho, batata-doce, couve, arroz, feijões, frango, frutos do mar e especiarias.
3. O que você diria para quem deseja substituir os pratos tradicionais de Natal por receitas que valorizem nossa ancestralidade, mas ainda agradem a todos os paladares?
Usem a criatividade. A base da culinária africana permite caminhos inimagináveis, com substituições e misturas de proteínas e vegetais que mantêm a identidade e o sabor inigualável. Sugiro pescados de carne clara, como linguado ou dourado, ou incorporar pernil, linguiças condimentadas e frutos do mar em pratos como o jambalaya — uma fusão de culturas da Louisiana, Nova Orleans, França e África. É uma maneira de agradar até os paladares mais exigentes.
4. De que forma você utiliza ingredientes e preparos típicos da cozinha ancestral para criar uma conexão mais profunda com as histórias e memórias das celebrações?
Utilizo técnicas ancestrais, como o uso do pilão para preparar especiarias e ervas frescas, e a cocção de peixes na folha de bananeira para conservar a suculência e intensificar os sabores. Sempre penso em uma cozinha rica e sustentável.
5. Poderia compartilhar uma receita ou dica prática para quem deseja incluir a essência da cozinha africana em sua ceia de Natal?
Arroz Jollof (África Ocidental) Um arroz avermelhado, temperado com ervas, especiarias e ingredientes aromáticos, que agrada diversos paladares. É perfeito para as celebrações de fim de ano, reunindo família e amigos.
Foto: Divulgação
Ingredientes:
3 pimentões vermelhos grandes picados
3 cebolas roxas grandes (2 cortadas em cubos médios, 1 em rodelas)
350 ml de caldo de camarão (feito com infusão de cascas e cabeças de camarão e ervas aromáticas, como salsão e alho-poró)
500 g de camarões limpos (reservar 8 unidades com casca e cabeça para decorar)
Ervas frescas: coentro, salsa, cebolinha, tomilho e louro
Sal a gosto
Modo de preparo:
Bata no liquidificador: cebola, tomates, pimentões, talos de coentro, salsa, cebolinha, gengibre, 4 dentes de alho e as pimentas dedo-de-moça sem sementes.
Leve a pasta a uma panela com azeite aquecido e deixe reduzir à metade.
Acrescente o arroz, o caldo de camarão, as ervas (louro e tomilho) e as especiarias. Misture bem, cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido a 180°C por 25 minutos.
Enquanto isso, tempere os camarões com sal e pimenta. Doure fatias de alho em azeite, salteie os camarões e reserve. Repita o processo com a cebola em rodelas.
Salteie as bananas em dendê, dourando ambos os lados, e reserve.
Retire o arroz do forno, misture os camarões limpos e decore com os camarões inteiros, cebola dourada e rodelas de banana.
A estreia de Mufasa: O Rei Leão em Los Angeles, na noite de segunda-feira, 9, foi marcada por uma celebração familiar e holofotes sobre Blue Ivy Carter, filha de Beyoncé e Jay-Z. A jovem de 12 anos dá voz a Kiara, a filha de Simba (Donald Glover) e Nala (Beyoncé), no filme que serve conta a história anterior à relatada na adaptação do live-action de 2019 de O Rei Leão.
Beyoncé, que também reprisa o papel de Nala, usou as redes sociais para homenagear o momento da filha. “Minha linda filha. Esta é a sua noite. Você trabalhou duro e fez um trabalho maravilhoso dando voz à Kiara. Sua família não poderia estar mais orgulhosa. Continue brilhando”, escreveu a cantora no Instagram, onde também compartilhou fotos de Blue Ivy no tapete vermelho.
Além de Beyoncé e Blue Ivy, o evento contou com a presença de Jay-Z e Tina Knowles, avó de Blue. Durante a première, o diretor Barry Jenkins reuniu o elenco no palco, destacando o trabalho colaborativo que deu vida à narrativa do filme, que chega aos cinemas em 20 de dezembro.
No entanto, a aparição pública de Jay-Z também ocorreu após uma polêmica ser publicada na imprensa na noite do último domingo. O rapper e empresário foi nomeado em um processo civil reaberto recentemente, que o acusa de envolvimento em um caso de estupro de uma menor em 2000, junto com Sean “Diddy” Combs. Jay-Z repudiou as acusações, classificando-as como parte de uma “tentativa de chantagem”. Em declaração, lamentou o impacto das alegações em sua família: “Minha esposa e eu teremos que sentar nossos filhos […] e explicar a crueldade e a ganância das pessoas”.
Apesar das polêmicas, o foco da noite permaneceu em Blue Ivy. Sua estreia como dubladora marca um novo capítulo na carreira da jovem, que já havia acompanhado Beyoncé em sua última turnê mundial. “Esta é a sua noite”, reafirmou a diva pop, celebrando o talento da filha no início de sua trajetória artística.
A cientista Carika Weldon, natural das Bermudas, está transformando o panorama da pesquisa genética no Caribe com a CariGenetics, empresa que fundou em 2022 e que já é referência em genômica na região. Primeira do tipo liderada por mulheres no Caribe, a empresa utiliza a diversidade genética local para desenvolver soluções de saúde adaptadas às necessidades das comunidades caribenhas e da diáspora.
“A diversidade genética do Caribe é um tesouro de informações”, afirmou Weldon. A CariGenetics se dedica a problemas de saúde prevalentes na região, como anemia falciforme e cânceres de mama e próstata, com foco na medicina de precisão. Essa abordagem, que adapta tratamentos com base no perfil genético de cada paciente, busca substituir o modelo tradicional de “tamanho único” por intervenções mais eficazes e econômicas: “O primeiro problema é que todos os medicamentos no mercado hoje foram projetados com base em dados genéticos europeus, representando apenas 15% da população mundial. Isso significa que 85% do mundo, incluindo nós no Caribe, não são atendidos quando se trata de medicamentos”, apontou.
Um marco recente da empresa foi o Caribbean Breast Cancer Whole Genome Pilot Study, o primeiro estudo genômico sobre câncer de mama na região. Concluído localmente com 102 participantes, o projeto identificou tendências genéticas inéditas que podem transformar os diagnósticos e tratamentos futuros.
A visão de Weldon para a CariGenetics também inclui a capacitação de cientistas locais e a reconstrução da confiança nas comunidades negras, historicamente impactadas por práticas antiéticas na ciência, como no Experimento Tuskegee e no caso de Henrietta Lacks. “Se tivéssemos mais cientistas e médicos negros, poderíamos ter evitado injustiças como essas”, destacou a pesquisadora.
Inspirada por iniciativas de mapeamento genético na Islândia, Weldon fundou a CariGenetics após perceber lacunas na infraestrutura científica do Caribe durante a pandemia de COVID-19. “Com a pandemia, percebi que precisávamos de mais cientistas e pesquisas genéticas no Caribe. Estávamos tão atrasados que enviávamos amostras para um único laboratório em Trinidad para toda a região”, relembrou.
Entre as inovações da empresa fundada por Carika Weldon está o uso de bio-NFTs, que permitem aos participantes serem proprietários de seus dados genéticos e até monetizá-los. Para o futuro, a empresa planeja expandir sua atuação para outros países caribenhos e novas áreas de pesquisa, como câncer de próstata, reforçando seu compromisso com a inclusão e o avanço científico na região.
Em abril de 2023, o mundo levou um susto com a internação de Jamie Foxx por uma emergência médica misteriosa. O astro ficou hospitalizado por 20 dias, período que gerou rumores e teorias da conspiração sobre sua saúde. Agora, Foxx transforma essa experiência em humor no especial What Had Happened Was…, que estreia nesta terça-feira (10) na Netflix. A produção já garantiu ao ator uma indicação ao Globo de Ouro 2025 na categoria Melhor Performance em Stand-Up Comedy na Televisão.
No stand-up, Foxx explora, com um toque de comédia, os desafios que enfrentou durante sua recuperação. “Foi um período excruciante, reabrindo essas feridas todos os dias,” revelou o ator em entrevista ao CBS Mornings após finalizar a gravação do especial no Alliance Theatre, em Atlanta. Ele destacou que a autenticidade do material foi crucial: “Se as emoções são intensas, o mesmo pode ser dito sobre o conteúdo.”
No trailer, o comediante não esconde a emoção: “Estou muito feliz por estar aqui.” As imagens alternam entre manchetes especulativas sobre sua saúde e cenas dele no palco, equilibrando vulnerabilidade e humor.
O especial marca o retorno de Foxx ao stand-up após mais de 20 anos e já começa a ser reconhecido pela crítica, consolidando sua trajetória como um dos artistas mais versáteis de sua geração.
No palco, o Pará se torna protagonista, e a Amazônia, com sua força e riqueza cultural, é elevada a um patamar da subversão e modernidade. Com o espetáculo Tambor & Beat, o multiartista afroamazônida, Jeff Moraes, trouxe ao Rio de Janeiro um show que vai além da música: é um manifesto cultural e político que celebra as raízes da Amazônia enquanto as conecta ao mundo.
Os ritmos amazônicos, como carimbó, guitarrada e marabaixo, misturam-se aos beats eletrônicos contemporâneos, criando uma sonoridade singular que encanta e provoca reflexão. É impossível assistir a Jeff Moraes no palco sem sentir a potência da cultura paraense que ele carrega. Mais do que um cantor, Jeff é um contador de histórias, um embaixador da Amazônia que traduz em música, dança e poesia as vivências do seu povo.
O show, apresentado em espaços emblemáticos do Rio, como o Sesc Copacabana, foi uma experiência completa para o público. Desde o primeiro acorde, o artista e sua banda – formada exclusivamente por músicos paraenses – convidam o espectador a mergulhar em um universo onde tradição e inovação coexistem de forma harmônica. A performance é vibrante, e o público é constantemente chamado a participar, seja com aplausos, dança ou apenas entregando-se à imersão cultural que o espetáculo proporciona.
O repertório, majoritariamente autoral, traz canções como “Jambú & Dendê”, que mistura o pagodão baiano com os sabores sonoros do Pará, provando que a música brasileira não conhece barreiras regionais. Essa fusão reflete o desejo de Jeff de ampliar os horizontes da música amazônica, colocando-a no mapa das grandes produções nacionais. E ele faz isso com maestria, sem perder a essência das ruas de Belém, de onde veio.
Além da música, a presença cênica de Jeff Moraes é um show à parte. A coreografia sincronizada com os bailarinos paraenses – Hian Denis e Cinthia Tavares e os figurinos, de Vinny Araújo e Jonathan Camelo, cuidadosamente pensados são elementos que elevam a narrativa visual do espetáculo. Cada detalhe é planejado para contar a história de um Pará contemporâneo, diverso e cheio de vitalidade. É impossível não se emocionar com o diálogo entre tradição e modernidade que Jeff apresenta no palco.
Jeff Moraes, no entanto, não se limita ao espetáculo musical. Ele é um artista multimídia que transita com desenvoltura por diferentes linguagens, como teatro, audiovisual e redes sociais. Sua trajetória de mais de dez anos está profundamente enraizada na valorização da negritude amazônica e na crítica social, elementos que permeiam seu trabalho e dão profundidade às suas obras. O episódio “Ver-o-Peso”, da série Sampleados, estrelado por Jeff, é um exemplo disso, somando mais de um milhão de visualizações e reafirmando o impacto de sua arte.
Outro ponto que merece destaque é a maneira como Jeff Moraes ressignifica o conceito de pop no Brasil. Em um mercado musical muitas vezes dominado por fórmulas pré-estabelecidas, o cantor paraense quebra paradigmas ao inserir elementos regionais e identitários em suas produções. Ele não busca apenas sucesso comercial, mas também reconhecimento enquanto porta-voz de uma cultura rica, que merece estar no centro das discussões artísticas do país.
O show Tambor & Beat (produção de Sandro Santarém, Jonas Macedo) não é apenas entretenimento. Ele se torna um ato político ao reafirmar a importância de olhar para o norte do Brasil com o respeito e a valorização que ele merece. Em um país onde as manifestações culturais muitas vezes são silenciadas ou ignoradas fora do eixo Sudeste, a turnê de Jeff é uma vitória para a música brasileira e para a representatividade amazônica. Para quem teve a oportunidade de assistir à apresentação, ficou claro que Jeff Moraes não apenas carrega o Pará consigo, mas também entrega ao público uma nova visão sobre a Amazônia. Ele transforma a cultura paraense em algo tangível e universal, provando que o Brasil, com sua pluralidade, ainda tem muito a oferecer ao cenário mundial.
Ao final do espetáculo, é impossível não se sentir transformado. Jeff Moraes nos lembra que a arte tem o poder de conectar, emocionar e ensinar. Com Tambor & Beat, ele convida cada espectador a celebrar as diferenças, a valorizar o que vem das margens e a se orgulhar de um Brasil que pulsa nas batidas de um tambor e nos acordes de uma guitarrada. Assim, Jeff Moraes não apenas reafirma a potência da cultura paraense, mas também assume seu lugar como um dos grandes nomes da música brasileira contemporânea. E, ao fazê-lo, ele nos mostra que o futuro da arte brasileira passa, necessariamente, pela Amazônia e por artistas como ele.
O Pará não está na moda, porque moda é passageira. A cultura do Pará sempre existiu, firme e ancestral, mas agora, mais do que nunca, está rompendo as barreiras da hegemonia cultural que insiste em silenciar vozes periféricas. E essa revolução não tem volta.
Nicea Fonseca Pereira, mulher negra de 65 anos, foi condenada a pagar R$ 10 mil em custas processuais e honorários advocatícios após perder um processo contra a autora Lilia Schwarcz e a editora Claro Enigma, do Grupo Companhia das Letras. O processo judicial que envolve o livro “Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na sociabilidade brasileira“, escrito por Schwarcz, está em disputa desde 2020, e agora segue para a segunda instância. Nele, Nicea acusa a autora de usar uma fotografia sua sem autorização para ilustrar a capa da obra, lançada em 2013.
Capa do livro que, de acordo com Nicea, leva sua foto. Imagem: Reprodução
A imagem, tirada pelo extinto jornal Última Hora, mostra uma criança negra de mãos dadas com uma boneca branca, e Nicea afirma ser a menina retratada. A mulher entrou com uma ação de indenização, pedindo R$ 100 mil, mas o pedido foi negado pelo juiz Rafael Alves, da 4ª Vara Cível de Nova Iguaçu (RJ), em fevereiro de 2024, segundo informações publicadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O magistrado considerou que não havia danos à imagem de Nicea, argumentando que seria “impossível” que alguém reconhecesse a mulher na capa do livro, exceto talvez um parente muito próximo. A editora e a autora se defenderam, afirmando que a foto foi retirada do Arquivo Público de São Paulo, e não havia identificação da criança. De acordo com a defesa, não havia necessidade de autorização, já que a imagem não a identificava de forma clara.
Apesar de a sentença favorável à editora ter sido proferida, os advogados de Nicea, liderados pelo ex-Secretário de Justiça de São Paulo, Hédio Silva Júnior, apelaram da decisão. Em documento protocolado em novembro, pediram que o caso fosse reavaliado em segunda instância, argumentando que a legenda da foto, que identificava Nicea, não foi considerada, e que não houve autorização para o uso da imagem. Para a defesa de Nicea, a decisão inicial representa uma “sentença racializada”, com a editora e a autora, que se posicionam contra o racismo, utilizando “métodos lombrosianos” para desqualificar a mulher negra. Esses métodos, desenvolvidos no século XIX, associam características físicas a atributos negativos, e a defesa alega que foram utilizados ao comparar as imagens de Nicea para argumentar que não era ela na capa.
A defesa de Lilia Schwarcz e da Claro Enigma, por sua vez, afirmou que sempre agiram de boa-fé e que tentaram um contato prévio com Nicea antes da judicialização do caso, sem sucesso. A disputa continua, com os próximos capítulos aguardados no tribunal de segunda instância.
Ludmilla anunciou que pretende tirar licença-maternidade após o nascimento de seu primeiro filho com Brunna Gonçalves. A declaração foi feita antes de subir ao palco para apresentar o show Numanice, no Riocentro, na zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde do último domingo, 8.
“Vou tirar o tempo que for necessário para ficar com ele, para dar atenção. É o primeiro filho? Ainda não sei [o sexo]”, afirmou a cantora, que não escondeu a felicidade durante a apresentação, marcada pela comemoração da gravidez de sua esposa.
Brunna Gonçalves, que está à grávida do primeiro filho do casal, ao lado de Ludmilla, brincou com o público sobre o mistério do sexo do bebê, que será revelado no próximo dia 17, durante o chá de bebê. “Como vocês fazem parte da nossa vida, queremos contar que seremos mães de? (?)”, disse Ludmilla, provocando risos e aplausos.
O casal recebeu fraldas como presente de fãs, que lotaram o espaço. A apresentação, que reuniu 25 mil pessoas segundo a assessoria da cantora, incluiu sucessos das três edições de Numanice e contou com convidados especiais.
Os indicados à 82ª edição do Globo de Ouro foram anunciados nesta segunda-feira, 9, destacando alguns dos maiores talentos do cinema e da televisão. Entre os nomes que representam a comunidade negra na lista estão artistas e produções que ganharam bastante destaque este ano e que concorrem ao prêmio, que será entregue no dia 5 de janeiro de 2025.
No campo das séries, Quinta Brunson, criadora e estrela de Abbott Elementary, foi indicada a melhor atriz em série musical ou comédia, categoria que também conta com Ayo Edebiri, de O Urso. Aclamado por sua performance em Sr. e Sra. Smith, Donald Glover concorre como melhor ator em série dramática. Ambas as produções em que Brunson e Glover atuam também disputam os prêmios de melhor série em suas respectivas categorias.
No cinema, o veterano Denzel Washington garantiu sua indicação como melhor ator coadjuvante por Gladiador II. Zoe Saldaña foi indicada na mesma categoria, pelo filme Emilia Pérez, um dos mais indicados pelo prêmio e que teve Karla Sofía Gascón como a primeira mulher trans da história a ser indicada na premiação. Cynthia Erivo, por sua performance em Wicked, e Zendaya, pelo filme Rivais, estão entre as indicadas a melhor atriz em filme musical ou comédia. O ator Colman Domingo, com sua atuação no drama Sing Sing, é finalista na categoria de melhor ator em filme dramático.
Os filmes Meninos de Níquel, na categoria de melhor drama, e Rivais, entre os musicais ou comédias, também aparecem como representantes de histórias com protagonismo negro.
A cerimônia do Globo de Ouro acontecerá em 5 de janeiro, sendo transmitida pela CBS e pela plataforma Paramount+. Além das premiações, a atriz Viola Davis será homenageada com o Prêmio Cecil B. DeMille, um reconhecimento à sua contribuição inestimável ao cinema e à televisão.
Confira a lista completa de indicados:
TELEVISÃO
Melhor desempenho de um ator masculino em uma série de televisão – musical ou comédia Adam Brody, “Ninguém quer isso” Ted Danson, “Um homem por dentro” Steve Martin, “Apenas Assassinatos no Edifício” Jason Segel, “Encolhendo” Martin Short, “Apenas Assassinatos no Edifício” Jeremy Allen White, “O Urso” Melhor desempenho de uma atriz em uma série de televisão – musical ou comédia Kristen Bell, “Ninguém quer isso” Quinta Brunson, “Escola Elementar Abbott” Ayo Edebiri, “O Urso” Selena Gomez, “Apenas Assassinatos no Prédio” Kathryn Hahn, “Agatha o tempo todo” Jean Smart, “Hacks”
Melhor desempenho de um ator masculino em uma série de televisão – drama Donald Glover, “Sr. e Sra. Smith” Jake Gyllenhaal, “Presumido Inocente” Gary Oldman, “Cavalos Lentos” Eddie Redmayne, “O Dia do Chacal” Hiroyuki Sanada, “Shōgun” Billy Bob Thornton, “Homem da Terra” Melhor desempenho de uma atriz em uma série de televisão – drama Kathy Bates, “Matlock” Emma D’Arcy, “Casa do Dragão” Maya Erskine, “Sr. e Sra. Smith” Keira Knightley, “Pombas Negras” Keri Russell, “O Diplomata” Anna Sawai, “Shogun”
Melhor desempenho de um ator masculino em uma série limitada, série antológica ou filme feito para televisão Colin Farrell, “O Pinguim” Richard Gadd, “Bebê Rena” Kevin Kline, “Aviso Legal” Cooper Koch, “Monstros: A história de Lyle e Erik Menendez” Ewan McGregor, “Um cavalheiro em Moscou” Andrew Scott, “Ripley”
Melhor desempenho de uma atriz em uma série limitada, série antológica ou filme feito para televisão Cate Blanchett, “Aviso Legal” Jodie Foster, “True Detective: Night Country” Cristin Milioti, “O Pinguim” Sofia Vergara, “Griselda” Naomi Watts, “Feud: Capote vs. os Swans” Kate Winslet, “O Regime”
Melhor série de televisão – drama “O Dia do Chacal” “O Diplomata” “Sr. e Sra. Smith” “Shogun” “Cavalos Lentos” “Jogo de Lula”
Melhor série de televisão – musical ou comédia “Escola Elementar Abbott” “O Urso” “Os Cavalheiros” “Instrumentos” “Ninguém quer isso” “Só Assassinatos no Edifício”
Melhor série limitada de televisão, série antológica ou filme feito para televisão “Bebê Rena” “Isenção de responsabilidade” “Monstros: A história de Lyle e Erik Menendez” O Pinguim” “Ripley” “True Detective: Night Country”
Melhor desempenho de uma atriz coadjuvante na televisão Liza Colón-Zayas, “O Urso” Hannah Einbinder, “Hacks” Dakota Fanning, “Ripley” Jessica Gunning, “Bebê Rena” Allison Janney, “O Diplomata” Kali Reis, “True Detective: Night Country”
Melhor desempenho de um ator masculino em um papel coadjuvante na televisão Tadanobu Asano, “Shogun“ Javier Bardem, “Monstros: A história de Lyle e Erik Menendez” Harrison Ford, “Encolhendo” Jack Lowden, “Cavalos Lentos” Diego Luna, “La Maquina” Ebon Moss-Bachrach, “O Urso”
Melhor desempenho em comédia stand-up na televisão Jamie Foxx, “O que aconteceu foi” Nikki Glaser, “Algum dia você morrerá” Seth Meyers, “Pai, Homem Caminhante” Adam Sandler, “Te Amo” Ali Wong, “Mulher Solteira” Ramy Youssef, “Mais Sentimentos”
FILME
Melhor filme – musical ou comédia “Anora” “Desafiadores” “Emília Pérez” “Uma verdadeira dor” “A Substância” “Malvado”
Melhor filme – drama “O Brutalista” “Um completo desconhecido” “Conclave” “Duna: Parte Dois” “Meninos de níquel” “5 de setembro”
Melhor filme – idioma não inglês “Tudo o que imaginamos como luz” “Emília Pérez” “A Menina com a Agulha” “Eu ainda estou aqui” “A Semente da Figueira Sagrada” “Vermiglio”
Melhor roteiro – filme “Emília Pérez” “Anora” “O Brutalista” “Uma verdadeira dor” “A Substância” “Conclave”
Melhor canção original – filme “Beautiful That Way” de “The Last Showgirl”, de Miley Cyrus, Lykke Li e Andrew Wyatt “Comprimir/Reprimir” de “Desafiadores” “El Mal” de “Emilia Pérez” de Clément Ducol, Camille e Jacques Audiard “Better Man” de “Forbidden Road” de Robbie Williams, Freddy Wexler e Sacha Skarbek “Kiss the Sky” de “O Robô Selvagem” “Mi Camino” de “Emilia Pérez” de Clément Ducol e Camille
Melhor desempenho de um ator masculino em um papel coadjuvante em qualquer filme Yura Borisov, “Anora” Kieran Culkin, “Uma dor real” Edward Norton, “Um Completo Desconhecido” Guy Pearce, “O Brutalista” Jeremy Strong, “O Aprendiz” Denzel Washington, “Gladiador II”
Melhor desempenho de uma atriz coadjuvante em qualquer filme Selena Gomez, “Emilia Pérez” Ariana Grande, “Wicked” Felicity Jones, “A Brutalista” Margaret Qualley, “A Substância” Isabella Rossellini, “Conclave” Zoe Saldaña, “Emilia Pérez”
Melhor desempenho de um ator masculino em um filme – musical ou comédia Jesse Eisenberg – “Uma dor real” Hugh Grant – “Herege” Gabriel LaBelle – “Sábado à Noite” Jesse Plemons – “Tipos de gentileza” Glen Powell – “Assassino de aluguel” Sebastian Stan – “Um Homem Diferente”
Melhor desempenho de uma atriz em um filme – musical ou comédia Amy Adams, “Cadela Noturna” Cynthia Erivo, “Perversa” Karla Sofía Gascón, “Emilia Pérez” Mikey Madison, “Anora” Demi Moore, “A Substância” Zendaya, “Desafiadores”
Melhor desempenho de um ator masculino em um filme – drama Adrien Brody, “O Brutalista” Timothée Chalamet, “Um completo desconhecido” Daniel Craig, “Queer” Colman Domingo, “Cante, cante” Ralph Fiennes, “Conclave” Sebastian Stan, “O Aprendiz”
Melhor desempenho de uma atriz em um filme – drama Pamela Anderson, “A Última Showgirl” Angelina Jolie, “Maria” Nicole Kidman, “Menina de Programa” Tilda Swinton, “O Quarto ao Lado” Fernanda Torres, “Eu Ainda Estou Aqui” Kate Winslet, “Lee”
Melhor diretor – filme Jacques Audiard – “Emília Pérez” Sean Baker – “Anora” Edward Berger – “Conclave” Brady Corbet – “O Brutalista” Coralie Fargeat – “A Substância” Payal Kapadia – “Tudo o que imaginamos como luz”
Melhor trilha sonora original – realização cinematográfica e de bilheteria “Alien: Rômulo” “Beetlejuice Beetlejuice” “Deadpool e Wolverine” “Gladiador 2” “Divertida Mente 2” “Retornados” “Malvado” “O Robô Selvagem”
Melhor filme – animação “Fluxo” “Divertida Mente 2” “Memórias de um Caracol” “Moana 2” “Wallace & Gromit: A Vingança Mais Aves” “O Robô Selvagem”
Melhor Trilha Sonora Original “Conclave” “O Brutalista” “O Robô Selvagem” “Emília Pérez” “Desafiadores” “Duna: Parte Dois”
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