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O que Obama revela sobre criar meninos em tempos de ausências e silêncios

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Foto: Reprodução/Instagram

No episódio de estreia do podcast IMO, apresentado por Michelle Obama e seu irmão Craig Robinson, o ex-presidente Barack Obama compartilhou reflexões marcantes sobre criação de meninos, afetos, paternidade e masculinidade. Em uma conversa íntima e potente, Obama expõe vivências pessoais e lança luz sobre o impacto da ausência paterna, o papel da comunidade e a urgência de reconstruir formas mais humanas de educar nossos meninos.

A infância sem um pai e a busca por referências afetivas

“Eu não conheci meu pai.” Com essa frase simples, Barack Obama abre uma janela sobre a própria história. Criado pela mãe, pelos avós e, mais tarde, por um padrasto “muito gentil”, ele conta que sua construção da masculinidade foi feita de forma fragmentada, juntando peças soltas ao longo da vida. Sem um modelo masculino direto, precisou “adotar modelos de comportamento” e “tentar entender o que significa ser um homem”.

Nesse processo, os livros se tornaram guias afetivos. “Livros me ensinaram muito sobre emoções”, diz Obama, revelando como desenvolveu um “vocabulário interno” para sentimentos, algo raro para meninos, ainda mais em contextos de ausência paterna e cobranças sociais por força e controle.

Apesar da falta do pai, ele reconhece que foi cercado por amor incondicional, algo que considera “um ponto de partida certo” para qualquer criança. Essa base afetiva foi determinante para que ele desenvolvesse autoconfiança. Ele narra um episódio aos 10 ou 11 anos, quando viajou sozinho e, ao chegar em Jacarta, descobriu que estava sem passaporte. “Eu não me lembro de ter me sentido assustado ou preocupado ou negligenciado; eu só me lembro de ter pensado: ‘Ok, como eu resolvo isso?’” Essa capacidade de se virar sozinho moldou sua noção de masculinidade, não pela dureza, mas pela responsabilidade emocional.

Foto: Reprodução/Instagram

A crítica ao modelo tradicional de masculinidade

Ao lado de Craig Robinson, Obama refletiu sobre os modelos masculinos de sua juventude: “caras eram fortes, não reclamavam, eram durões”. Craig descreveu o próprio pai como um homem “estoico”, com “senso de humor”, mas que não lavava a louça nem cozinhava. Os papéis de gênero eram rígidos e falar sobre sentimentos simplesmente não fazia parte da rotina.

Para Obama, esse silêncio emocional foi um erro geracional. “Todo estoicismo é externo… a proteção é toda externa”, afirma. A inteligência emocional, segundo ele, foi o que o salvou de repetir padrões. “Minha mãe falava muito comigo sobre como ela estava se sentindo e, por sua vez, eu podia conversar com ela sobre como eu estava me sentindo.” É esse tipo de escuta e nomeação emocional que ele considera essencial para formar meninos mais equilibrados.

“Essa inteligência emocional, prestar atenção em como as outras pessoas estão se sentindo e também prestar atenção em como você está se sentindo e ser capaz de descrever isso e lidar com essas coisas, essa é uma característica de ser um homem adulto”, resume.

Foto: Reprodução/Instagram

A ausência estrutural de homens e o papel da comunidade

Obama também discute as ausências que marcam a vida de tantos meninos: pais distantes, professores homens quase inexistentes, comunidades enfraquecidas. E destaca que a identidade masculina, por muito tempo associada à função de “provedor”, foi abalada por transformações sociais e econômicas. A desindustrialização, o desemprego e a exclusão social afetaram diretamente a autoestima e o lugar simbólico dos homens.

Diante disso, ele faz um alerta: “Um pai, por melhor que seja, não pode ser tudo. Meninos precisam de uma comunidade.” Ele reforça a importância de redes amplas e diversas, onde diferentes figuras masculinas possam oferecer exemplos positivos, não de poder, mas de cuidado, afeto e responsabilidade.

Foto: Reprodução/Instagram

Uma nova chance para os meninos e para a sociedade

Apesar das lacunas, Obama vê esperança na geração atual. “Os jovens estão mais abertos e reconhecem… muitas maneiras diferentes de ser um homem bom, forte, bem-sucedido e feliz.” Ele reconhece que houve um esforço intencional para fortalecer as meninas, e que isso foi positivo, mas admite: “não fomos tão dispostos, eu acho, a ser intencionais em investir nos meninos, e isso foi um erro”.

Ainda há tempo de corrigir esse desequilíbrio. “Se fizermos melhor pelos nossos meninos e produzirmos homens mais fortes e confiantes, isso será bom para nossas meninas e nossas mulheres também.” A fala de Obama não é apenas uma memória pessoal. É um convite coletivo. Um chamado para que a sociedade repense como cuida de seus meninos, especialmente os negros, e que tipo de masculinidade está incentivando a formar.

Criar meninos emocionalmente saudáveis, com múltiplas referências e redes de apoio reais, é mais do que um desafio individual. É uma construção coletiva que define o futuro e começa com as conversas que temos agora.

“Ela é branca?”: o caso Rebecca Crews e a regra de uma gota só

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Quando Terry Crews apareceu ao lado da esposa, Rebecca Crews, em uma trend nas redes sociais, a reação de boa parte do público foi de confusão. “Sempre achei que ela fosse branca!”, “Ela era preta?”, “É a luz ou é outra mulher?”. O susto virou viral — e revelou mais do que estética. Revelou o quanto, ainda hoje, aparência e raça seguem sendo confundidas.

A pergunta “ela é branca?” já havia sido feita anos atrás pela personagem Rochelle, em Todo Mundo Odeia o Chris. E continua ecoando porque ainda carregamos um legado racial que classifica as pessoas pela aparência e apaga as nuances da negritude, especialmente em pessoas de pele clara. Esse legado tem nome: a regra de uma gota só, ou “one-drop rule”.

Quem explica isso com profundidade é a pesquisadora, autora e educadora Dra. Yaba Blay, em uma conversa reveladora com a jornalista Jemele Hill no YouTube. “Raça não é natural. É uma invenção. E a única função da raça é sustentar o racismo”, afirma. Segundo ela, a regra surgiu como uma forma de manter a “pureza” branca e impedir que pessoas racialmente mistas tivessem direitos iguais. “Se você tivesse uma gota de sangue negro, você era negro. Não importava como você se parecesse. Você não era branco. E se você não era branco, você não era livre.”

Quem Determina Quem é Negro? Dra. Yaba Blay e a Regra da Uma Gota

A regra atravessava os documentos, a lei, o comportamento e até o olhar. Como lembra Blay, “é uma habilidade aprendida: nós fomos ensinados a ver aquela gota, a detectar sinais de negritude mesmo onde ela não é evidente. Isso é um legado da supremacia branca.”

E esse legado se desdobra em um fenômeno ainda pouco discutido com profundidade: o colorismo. A Dra. Blay explica que, apesar de muitas pessoas de pele clara serem classificadas como negras pela regra da gota, isso não significa que elas experienciam o racismo da mesma forma que pessoas negras de pele escura. Nem todas as pessoas negras são tratadas da mesma forma. A aparência importa. A cor da pele influencia a experiência. Isso é colorismo, e é real.

Ou seja: enquanto a regra de uma gota definia juridicamente quem era negro, o colorismo define socialmente quem sofre mais ou menos com o racismo.

Essa distinção é essencial para entender por que a imagem de Rebecca Crews — uma mulher negra de pele clara, que hoje aparece ainda mais clara — gera tanto desconforto ou negação da sua identidade. A branquitude, como explica Blay, não é só uma questão de ancestralidade, mas também de leitura social, de privilégio estético, de distância do estigma racial.

Um dos casos mais conhecidos foi o de Susie Guillory Phipps, que viveu como mulher branca até os 43 anos, até descobrir que era oficialmente classificada como “colorida” pelo Estado da Louisiana. Ela processou o governo — e perdeu. Isso mostra como a raça é uma construção política. Uma gota muda tudo, comenta Blay na entrevista.

Apesar da origem histórica da regra, a pergunta sobre quem é negro e quem não é continua atual. Com o surgimento de novos termos como birracial, misto ou geracionalmente misto, as novas gerações têm acesso a categorias que não existiam antes. Diante disso, Yaba Blay propõe uma reflexão: vamos continuar aceitando a regra de uma gota como critério para definir a negritude ou vamos construir nossas próprias definições? A discussão se manifesta em casos como o de Meghan Markle, cuja negritude era evidente para muitos na comunidade negra, mas não para outros, em parte influenciados por essas novas classificações identitárias.

No fim da entrevista, a autora provoca: “Vamos continuar aceitando a regra de uma gota como definição da negritude? Ou vamos definir quem somos por nós mesmos?” O desafio, segundo ela, é não apenas reivindicar a negritude em todas as suas formas, mas também reconhecer as desigualdades internas da própria comunidade, muitas delas alimentadas pela hierarquia da cor da pele.

Seu livro One Drop nasceu justamente para contar essas histórias complexas e diversas. Foi ignorado por editoras, que rejeitaram a proposta de publicar fotos coloridas de pessoas negras de pele clara. Ela então lançou uma campanha, arrecadou mais de 30 mil dólares em dois dias e publicou a obra por conta própria. Anos depois, viu o livro renascer em uma edição oficial, sem cortes, como ela sempre imaginou.

A discussão sobre quem é negro, quem parece negro e quem é lido como negro, ainda é urgente. Principalmente em tempos de estética pasteurizada e redes sociais, onde a imagem dita identidade e confunde pertencimento.

Lázaro Ramos grava nova temporada de “Espelho”, uma edição especial que celebra os 20 anos do programa

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Foto: Ana Paula Amorim

As gravações da nova temporada do programa “Espelho”, apresentado por Lázaro Ramos, começaram esta semana no Rio de Janeiro. Intitulada “Espelho – 20 Anos Depois”, a edição especial celebra duas décadas desde a estreia da atração no Canal Brasil, revisitando temas marcantes sob uma nova perspectiva.

Com estreia prevista para o primeiro semestre de 2026, os episódios vão reunir convidados que ajudam a construir reflexões sobre memória, identidade e representatividade. Entre os nomes confirmados estão os jornalistas Gilberto Porcidônio, Zileide Silva e Eliane Alves, a rapper Ebony, os atores Xamã, Tony Ramos e Andrea Beltrão,

Os episódios começam com um pensamento de Lázaro Ramos sobre o tema central. Serão abordados assuntos como imprensa e narrativas negras; infância e ancestralidade; a memória preta na música e no cinema, entre outros. Na sequência, a entrevista com até dois convidados será mesclada a trechos de episódios de temporadas anteriores que dialogam com o tema. 

Entre 2006 e 2021, “Espelho” contou com mais de 300 episódios durante 15 temporadas. Lázaro Ramos entrevistou personalidades como Fernanda Montenegro, Criolo, Glória Maria (1949-2023), Lewis Hamilton, Iza, Adriana Esteves, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, entre outros. Nas entrevistas, os convidados compartilham histórias e maneiras de ver o mundo, trazendo discussões sobre democracia, educação e cultura, sob a ótica da diversidade.

‘Um Dia Daqueles’, comédia estrelada por SZA e Keke Palmer, estreia na HBO Max em agosto

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Foto: Divulgação

O filme ‘Um Dia Daqueles‘, estrelado por Keke Palmer (Não! Não Olhe!) e SZA, estreia na plataforma da HBO Max no dia 22 de agosto. A aclamada comédia também conta Issa Rae (Insecure) como uma das produtoras.

Na trama, as melhores amigas e colegas de quarto, Dreux (Palmer) e Alyssa (SZA), veem sua rotina virar de cabeça para baixo quando descobrem que o namorado de Alyssa gastou todo o dinheiro do aluguel. Determinadas a evitar o despejo, as duas embarcam em uma corrida contra o tempo, enfrentando situações caóticas que colocam à prova não só a criatividade, mas também os laços da amizade.

O filme tem direção de Lawrence Lamont e roteiro de Syreeta Singleton (de Rap Sh!t). O elenco ainda conta com Lil Rel Howery, Janelle James, Maude Apatow e Katt Williams, reunindo alguns dos nomes mais promissores e celebrados da comédia atual.

O longo estreou nos Estados Unidos em janeiro e arrecadou mais de US$ 35 milhões nas bilheterias. Sucesso de crítica, “Um Dia Daqueles” conquistou 93% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Gominho deixa a Mynd após morte de Preta Gil: “Quer dar um tempo”, contou a sócia da agência

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

O apresentador e influenciador Gominho não faz mais parte do time de agenciados da Mynd, agência de marketing de influência do país, cofundada por Preta Gil e Fátima Pissarra. A informação foi divulgada inicialmente pela coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, e confirmada por Fátima em entrevista à colunista Fábia Oliveira do Metrópoles.

Segundo a empresária, Gominho comunicou a decisão por meio de uma mensagem enviada nesta quinta-feira (31), agradecendo pela trajetória. “Ele mandou uma mensagem linda dizendo que tem muita coisa acontecendo e que quer dar um tempo. Agradeceu por tudo, disse que quer manter a parceria com a gente e que mudamos muito na vida dele”, contou Pissarra.

A saída de Gominho acontece pouco mais de dez dias após a morte de Preta Gil, vítima de um câncer de intestino. O apresentador era um dos amigos mais próximos da cantora e esteve presente em todas as etapas do seu tratamento.

Apesar da decisão, Fátima reforça que a relação entre eles segue marcada pelo carinho e respeito. “Ele disse que não vai mais ser agenciado, mas quer continuar perto. Respondi que ele sempre terá a Mynd com ele, que as portas estarão abertas e faremos muitos jobs”, afirmou.

De acordo com a Folha, a saída foi recebida com surpresa por parte da equipe da agência, mas ocorreu de forma tranquila, sem atritos e respeitando a vontade do influenciador, cujo contrato tinha um perfil mais flexível e não envolvia multa rescisória.

Nos últimos meses, a Mynd tem passado por uma reformulação em seu casting, com a entrada e saída de influenciadores. Gominho não se pronunciou publicamente sobre a decisão.

‘Love, Brooklyn’: André Holland estrela novo drama romântico com DeWanda Wise e Nicole Beharie

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Foto: Divulgação

Em um novo drama romântico envolvente, André Holland (Moonlight), DeWanda Wise (Ela Quer Tudo) e Nicole Beharie (Miss Juneteenth), estrelam ‘Love, Brooklyn’. No trailer lançado nesta semana, revela uma trama que explora os dilemas de um coração dividido entre o passado e o presente.

Holland interpreta um escritor que tenta equilibrar os sentimentos não resolvidos pela ex-companheira — vivida por Beharie, uma curadora de arte — com o desejo de construir uma nova vida ao lado de sua atual parceira, interpretada por Wise, uma mãe solo em processo de reconstrução emocional. Para lidar com essa situação, o escritor conta o apoio do seu melhor amigo (Roy Wood Jr.)

Foto: Divulgação

Descrito como uma narrativa de amor madura e intimista, o filme ainda traz no elenco Cassandra Freeman (Bel-Air) e a atriz mirim Cadence Reese.

Além de atuar, André Holland também assina a produção do longa, que conta com o renomado Steven Soderbergh como produtor executivo. O time de produção ainda inclui Kate Sharp, Maurice Anderson, Jeffrey Deary e outros nomes da indústria.

‘Love, Brooklyn’ estreou no Festival de Cinema de Sundance, onde foi elogiado por sua narrativa sensível e atuações marcantes. O filme estreia no dia 29 de agosto, nos Estados Unidos. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

Veja o trailer:

“Queria poder pedir desculpas a ela”: impedido de voltar ao Monte Rinjani, guia relata últimos momentos com Juliana Marins

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Fotos: Reprodução

O guia turístico que acompanhava Juliana Marins em uma expedição no Monte Rinjani, na Indonésia, descreveu os últimos momentos antes da brasileira desaparecer durante a trilha. A publicitária foi encontrada morta em 24 de junho, quatro dias após cair em um penhasco na região do segundo vulcão mais alto do país.

Em entrevistas concedidas a dois criadores de conteúdo, um indonésio e um brasileiro, o guia Ali Musthofa, 20, afirmou que Marins participava de um pacote turístico compartilhado com outros cinco viajantes. Segundo ele, foi oferecido a publicitária a opção de um acompanhamento exclusivo, já que era a primeira vez dela no passeio e custaria US$ 100 a mais (cerca de R$ 560, na cotação atual), mas ela recusou.

O guia se defendeu das alegações de que teria abandonado Juliana no momento em que ela parou para descansar, já que precisava olhar também pelos demais participantes do grupo.

“A Juliana era a mais lenta, vi que ela estava muito cansada. Mas, no pacote compartilhado, eu tinha seis pessoas. Os demais seguiram adiante. Fiquei preocupado com o grupo da frente porque, quando você chega e sai do cume do Rinjani, é muito perigoso. Eu disse para ela: ‘Você pode esperar aqui. Eu só quero checar como eles estão lá na frente. Eu vou te esperar lá’. Eu esperei 30 minutos, e ela não chegou. Voltei ao último lugar e não encontrei nada, mas vi uma lanterna a 150 metros para baixo. Tive a sensação de que era a Juliana. Eu entrei em pânico”, relatou a Denny Sumargo.

Ao perceber que Juliana havia desaparecido, Ali afirma ter retornado ao acampamento para buscar um celular e notificar a empresa responsável pelo passeio. Ele conta que ainda nutria esperança de que ela fosse encontrada com vida. “Queria poder pedir desculpas a ela. Pelo menos ter a chance de dizer ‘me desculpe'”, declarou.

O guia também relatou o encontro com familiares da brasileira na embaixada do Brasil na Indonésia. “Informei sobre a queda da Juliana, dei a cronologia dos fatos e pedi desculpas a eles também. Eles ficaram com raiva. Eu disse que aceito qualquer consequência. Falei com sinceridade, que fiz tudo o que pude para salvar a Juliana, mas infelizmente Deus quis diferente.”

Na entrevista a Brunno Tavarez, Ali relatou que ouviu do pai de Juliana a frase “Você matou minha filha” e preferiu permanecer em silêncio. Atualmente, ele está afastado do trabalho e proibido de acessar o Monte Rinjani, mesmo como visitante.

“Agora eu não sei o que vou fazer. Eu só fico aqui em casa, no quarto, vendo vídeos. Porque eu não sei… Não sei o que fazer. Agora eu preciso esperar até que tudo esteja resolvido. E espero poder voltar a fazer trilhas no Rinjani de novo, se tudo se resolver. Sinto falta daquele lugar. Sinto falta do vulcão. Eu só queria ir lá como turista, na verdade, mas não é possível”, disse.

CASACOR SP tem novos relatos de racismo por parte de visitantes: profissionais negras descrevem abordagens ofensivas

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Foto: Unsplash

Novos relatos de racismo envolvendo visitantes da CASACOR São Paulo 2025 vieram à tona nesta semana. Duas profissionais negras que atuam como recepcionistas em ambientes da mostra descreveram episódios de constrangimento e comentários ofensivos durante o exercício do trabalho. Os depoimentos somam-se a uma sequência de interações marcadas por comentários de teor preconceituoso e racista vindos do próprio público que frequenta o evento.

Os casos ocorreram nos últimos dias da mostra, que segue até 3 de agosto no Parque da Água Branca, na Zona Oeste da capital paulista.

Em um dos episódios, uma recepcionista foi abordada por uma visitante que, após elogiar sua aparência, iniciou uma série de comentários sobre seu cabelo. A visitante declarou:

“Vou ficar aqui um pouco pra ver se consigo pegar um pouco do seu cabelo pra mim… e pegar um pouco de piolho.”

Surpresa, a funcionária respondeu que ninguém ali tinha piolho. A visitante então retrucou:

“É porque, pra transportar seu cabelo pro meu, teria que ser através de piolho.”

O caso foi reportado internamente à organização, e a visitante foi abordada ainda no local por uma responsável pela produção. Ao ser questionada sobre a fala, afirmou que foi “mal interpretada” e que se tratava “de uma brincadeira”.

Em outro episódio recente, uma segunda recepcionista ouviu de uma visitante que “a CASACOR não é lugar de militância”, em tom de reprovação ao destaque dado à racialidade no projeto de um dos ambientes. Em seguida, a mesma visitante comentou:

“Não precisava dizer que o arquiteto é negro.”

As profissionais relataram à equipe do Mundo Negro que esse tipo de abordagem, apesar de não ser explícita em todos os casos, ocorre com frequência durante a mostra. 

Os relatos dão conta de um ambiente onde, mesmo com discursos de inclusão, trabalhadores negros ainda enfrentam abordagens atravessadas por racismo velado, microagressões ou ofensas diretas  vindas de um público que muitas vezes se sente à vontade para expressá-las.

Na semana anterior, o arquiteto Gabriel Rosa já havia publicado um vídeo registrando uma visitante fazendo falas racistas a respeito de cotas raciais e profissionais negros da área da saúde. O episódio teve ampla repercussão nas redes sociais e chamou atenção para o tratamento dado a profissionais negros em eventos de alto padrão do setor de arquitetura e design.

Procurada, a organização da CASACOR enviou nota à imprensa em que afirma:

“Repudiamos veementemente qualquer ato de racismo, discriminação ou violência. São atitudes inaceitáveis e criminosas que não têm lugar em nossos ambientes. Nosso compromisso com a dignidade humana é inegociável.”

A mostra segue até 3 de agosto, no Parque da Água Branca, em São Paulo.

Ricardo Teodoro, de ‘Vale Tudo’, conquista Grande Otelo após brilhar em prêmios internacionais

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Ricardo Teodoro como Ronaldo (Foto: Divulgação/Vitrine Filmes)

Ricardo Teodoro, 37, fez história novamente ao vencer o troféu de Melhor Ator Coadjuvante de Longa-Metragem no Prêmio Grande Otelo 2025, por sua atuação no aclamado filme ‘Baby’, na noite de quarta-feira (30). A conquista já era esperada, após o ator ter sido aclamado em diversos prêmios internacionais pelo mesmo papel, no segundo longa-metragem dirigido por Marcelo Caetano.

Na França, Teodoro venceu o prêmio de Ator Revelação no Festival de Cannes 2024 e o de Melhor Interpretação no Festival de Cinéma Queer de Lyon. Também foi reconhecido como Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, na Espanha, e recebeu o prêmio de Melhor Atuação no Festival de Lima, no Peru. No Brasil, antes de conquistar o Grande Otelo, ele já havia sido premiado como Melhor Ator no prestigiado Fest Aruanda.

Com temática LGBTQIA+, ‘Baby’ acompanha a trajetória de Wellington (João Pedro Mariano), um jovem que, ao sair de um centro de detenção, se vê perdido nas ruas de São Paulo, sem apoio familiar ou recursos para recomeçar. Durante uma visita a um cinema pornô, ele conhece Ronaldo (Ricardo Teodoro), um homem mais velho que o introduz a novas formas de sobrevivência.

Ricardo Teodoro como Olavo em ‘Vale Tudo’ (Foto: Reprodução/TV Globo)

Atualmente, Ricardo integra o elenco da novela ‘Vale Tudo’, da TV Globo, interpretando Olavo — um rapaz engraçado, de coração mole, mas que se envolve nos trambiques de Maria de Fátima (Bella Campos) e César (Cauã Reymond).

A parceria com Marcelo Caetano começou em 2021, na série ‘Notícias Populares‘, lançada em 2022 pelo Canal Brasil, onde Ricardo interpretou o Faísca. Entre seus trabalhos mais recentes também está o filme ‘Cyclone’, de Flávia Castro, que vem sendo selecionado por festivais internacionais, embora ainda não tenha data de estreia definida.

Com uma carreira marcada por tanto talento, Ricardo Teodoro consolida seu nome como um dos grandes nomes da nova geração do cinema e da televisão brasileira.

Mais de 8 mil indicações: campanha do Mundo Negro valoriza mulheres negras em 13 profissões durante o Julho das Pretas

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Durante o Julho das Pretas, o Mundo Negro realizou uma campanha especial no Instagram convidando seguidores a indicar mulheres negras em diferentes áreas profissionais. A iniciativa, que fez parte das ações comemorativas do mês, movimentou o perfil da plataforma e se tornou uma das mais engajadas de sua história.

Ao todo, foram mais de 8.800 comentários com indicações reais, contendo nome, arroba e cidade de mulheres negras que atuam nas áreas de saúde, beleza, moda, tecnologia, comunicação, direito, gastronomia e educação. A ação gerou uma grande rede de visibilidade espontânea, formada a partir das recomendações da própria comunidade.

As categorias com maior número de indicações foram psicólogas (1.911 comentários), profissionais de cabelo (1.827), maquiadoras (1.321), advogadas (732) e influenciadoras (579). Já as postagens com menor volume foram engenheiras (54) e profissionais de TI (86), o que evidencia a importância de ampliar a presença negra em setores historicamente invisibilizados.

“A gente sabia que seria uma ação potente, mas ver esse nível de mobilização e afeto confirma o que o Mundo Negro constrói há anos. Esses comentários não são só engajamento: são milhares de indicações que geram oportunidades reais para mulheres negras em todas as áreas”, afirma Silvia Nascimento, head de conteúdo do Mundo Negro.

A campanha de indicações foi uma das frentes do Julho das Pretas no Mundo Negro, que também contou com o evento Talk das Pretas, realizado em São Paulo com apoio da Vichy e da Heineken. O encontro reuniu mulheres negras para debater beleza, carreira e bem-estar. O site também publicou entrevistas com executivas negras que compartilham suas trajetórias de liderança, além de ampliar a cobertura do Guia Black Chefs, com destaque para chefs e empreendedoras negras de diversas regiões do país.

As postagens da campanha estão disponíveis no destaque “Julho das Pretas”, no Instagram do Mundo Negro. Para ver todos os cards e conhecer as indicações feitas pela comunidade, acesse: https://www.instagram.com/stories/highlights/17996372672802988/

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