A ex-primeira-dama dos EUA Michelle Obama usou uma participação no podcast Work in Progress, divulgada nesta quarta-feira (9), para desmentir rumores de divórcio envolvendo seu casamento com o ex-presidente Barack Obama e refletir sobre as escolhas que tem feito desde que deixou a Casa Branca, em 2017. Em entrevista à apresentadora Sophia Bush, Michelle afirmou que, ao priorizar suas próprias decisões, algumas pessoas interpretaram erroneamente que seu casamento de 32 anos estaria em crise.
Os rumores sobre uma possível separação do casal começaram quando Michelle Obama não compareceu ao funeral do ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, no dia 9 de janeiro, onde teria que se sentar ao lado do presidente recém-eleito, Donald Trump, e na posse dele. “Quando digo ‘não’, na maioria das vezes as pessoas entendem e respeitam. Mas nós, mulheres, lutamos com a ideia de decepcionar os outros”, disse. “Tanto que, este ano, alguns nem conseguiam imaginar que eu estava apenas fazendo uma escolha por mim mesma — acharam que meu marido e eu estávamos nos divorciando”.
Ela criticou a pressão social sobre as mulheres: “Não poderia ser uma mulher adulta tomando suas próprias decisões, certo? A sociedade faz isso conosco. Começamos a questionar: ‘O que estou fazendo? Para quem estou fazendo isso?’. E se não se encaixa no estereótipo do que esperam de nós, é rotulado como algo negativo”.
Michelle também falou sobre “decisões adultas” na casa dos 60 anos: “Se não for agora, quando? O que estou esperando? Como vou gastar os próximos 20 anos?”. E completou: “É hora de eu me perguntar: ‘Quem eu realmente quero ser todos os dias?'”.
Barack reconhece “déficit” no casamento
No dia 3 de abril, durante o evento Sacerdote Series, no Hamilton College (Nova York), Barack Obama fez raras declarações sobre o relacionamento, admitindo que precisou “compensar” ausências no passado. “Eu estava em um déficit profundo com minha esposa”, disse ao presidente da instituição, Steven Tepper. “Então, tenho tentado sair dessa situação fazendo coisas divertidas de vez em quando.”
Apesar dos rumores, o casal segue unido — e Michelle deixou claro que estão “mais apaixonados do que nunca”.
A Mattel anunciou nesta quarta-feira (9) o lançamento de um boneco Ken inspirado no astro do basquete LeBron James. A novidade marca a primeira vez que a empresa cria uma versão do personagem representando um atleta profissional. A iniciativa, feita em parceria com a LeBron James Family Foundation, celebra o impacto do jogador não apenas no esporte, mas também na moda, cultura e ativismo social.
A linha “Kenbassadors” homenageia personalidades que inspiram mudanças positivas no mundo. O boneco foi elaborado com a colaboração de James, reproduzindo seus traços físicos – incluindo altura 2,5 cm maior que a do Ken tradicional – e trajes icônicos. A figura vem com uma jaqueta universitária customizada, patches que remetem à sua carreira e fundação, além de acessórios como tênis Nike, fones Beats e uma pulseira com a inscrição “I Promise”.
“Agora, como adulto, entendo como é vital para os jovens terem figuras positivas para se inspirar. É por isso que a parceria com a Barbie para lançar o boneco LeBron James Kenbassadors é uma honra.”, afirmou a lenda do basquete em comunicado enviado para a imprensa norte-americana. “É uma oportunidade de reconhecer o poderoso impacto de modelos que inspiram confiança, sonhos e mostram às crianças que elas também podem alcançar a grandeza”, continua.
Parte das vendas será revertida para a LeBron James Family Foundation, que atua em projetos educacionais e de capacitação em Akron, Ohio, cidade natal do jogador. A Barbie também reforçou sua parceria com a Save the Children, organização global de defesa dos direitos infantis.
“Esta boneca representa a realidade de que uma criança de qualquer lugar pode fazer a diferença”, afirmou Michele Campbell, diretora-executiva da fundação.
Lançamento e preço
Um lote exclusivo estará disponível no sábado (12) na loja UNDEFEATED, em Los Angeles, incluindo unidades autografadas. A venda oficial começa no dia 14 de abril, em edição limitada, com preço sugerido de R$ 450,00 em lojas selecionadas e online.
“Ken é o melhor amigo da Barbie, e LeBron é um modelo que reflete valores positivos”, disse Krista Berger, vice-presidente sênior da Mattel. James, por sua vez, declarou: “É uma honra inspirar jovens por meio dessa parceria”.
O lançamento ocorre em um momento de renovado interesse pela marca Barbie, impulsionado pelo sucesso do filme estrelado por Margot Robbie e Ryan Gosling em 2023. A Mattel destacou que o novo Ken foi desenvolvido para atender ao crescente mercado de colecionadores adultos, em antecipação ao 65º aniversário do boneco, em 2026.
O governo do presidente americano Donald Trump retirou 381 livros da biblioteca da Academia Naval dos Estados Unidos como parte de sua censura contra conteúdos relacionados a diversidade, equidade e inclusão (DEI, na sigla em inglês). Entre as obras removidas estão títulos sobre feminismo, racismo, identidade de gênero e até o Holocausto.
A ordem partiu do gabinete do secretário de Defesa, Pete Hegseth, um dos principais nomes por trás da política de “limpeza ideológica” nas Forças Armadas americanas. A lista, divulgada pela Marinha na sexta-feira (9), inclui livros como: “Lembrando o Holocausto”, sobre a preservação da memória do genocídio de judeus na Segunda Guerra Mundial; “Meio americano”, que aborda a participação de afro-americanos no conflito; “Uma mulher respeitável”, sobre o papel público das mulheres negras no século XIX e“Perseguindo Trayvon Martin”, que discute o assassinato do jovem negro em 2012 e o racismo estrutural nos EUA.
Também foi removida a autobiografia “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, da escritora e ativista Maya Angelou, ícone da literatura afro-americana e da luta pelos direitos civis. A triagem foi feita por meio de buscas por termos como “diversidade” e “equidade” no catálogo da biblioteca Nimitz. Inicialmente, cerca de 900 obras foram identificadas, das quais 381 foram retiradas.
Foto de: Patrick Semansky/AP
Embora o decreto assinado por Trump em janeiro vetasse conteúdos sobre DEI apenas em escolas públicas do ensino básico, o Pentágono decidiu estender a diretriz às academias militares. A remoção ocorreu dias antes da visita de Hegseth à instituição, mas o governo nega ligação direta entre os fatos.
Um oficial anônimo revelou à Associated Press que a academia foi orientada “no fim da semana passada” a conduzir a revisão. “Não está claro se a ordem partiu diretamente de Hegseth ou de sua equipe”, disse a fonte.
Críticas: censura e apagamento histórico
A medida gerou reações de parlamentares e defensores da liberdade acadêmica, que acusam o governo de censura e perseguição ideológica. Servidores do Departamento de Defesa relataram à AP desconforto com o rigor da campanha, argumentando que a exclusão de obras históricas pode prejudicar a formação dos cadetes e apagar contribuições de minorias.
Entre os livros vetados estão temas historicamente alvos de governos autoritários, como sexualidade, direitos das mulheres e violência racial. Há ainda obras sobre a Ku Klux Klan, a condição feminina em países islâmicos e representações de raça e gênero na arte.
O Pentágono, no entanto, mantém a posição. Em nota, o Departamento de Defesa afirmou que as academias militares estão “comprometidas em executar e implementar os decretos do presidente”.
A secretária de Políticas Afirmativas do Ministério da Igualdade Racial (MIR), Márcia Lima, oficializou sua saída da pasta nesta terça-feira (8), citando perda de autonomia na gestão de sua equipe e falhas na comunicação das políticas raciais pelo governo federal.
Em entrevista ao GLOBO, Lima afirmou que a decisão de deixar o ministério, comandado por Anielle Franco, ocorreu após a alta gestão da pasta assumir a composição de sua equipe, antes sob sua responsabilidade: “Eu sempre tive muita autonomia na gestão da Secretaria. Mas, recentemente, as decisões de composição da equipe passaram a ser tomadas pela alta gestão do ministério. Eu senti, então, que era o momento de pedir minha demissão. Definir o perfil da equipe não era mais uma atribuição minha”, disse.
Além disso, a ex-secretária destacou que avanços nas políticas raciais promovidos por sua pasta não foram devidamente divulgados. Entre eles estão a revisão da lei de cotas no ensino superior, a ampliação de 20% para 30% nas cotas no serviço público e o Plano Juventude Negra Viva, que busca reduzir a vulnerabilidade de jovens negros à violência.
Segundo Lima, o plano é “sólido” e inclui mecanismos de monitoramento, mas sua divulgação foi falha. “O compromisso de que os ministérios envolvidos têm que ter. Tem que estar na voz de todos os ministros, na voz do presidente Lula. Quando eu falo de comunicar, é um desafio para este governo”, afirmou.
Ela também mencionou a criação, em parceria com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), de uma estratégia de comunicação antifascista, lançada em dezembro de 2023, mas nunca divulgada. “É um enorme avanço e não ganhou visibilidade”, criticou.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) substituiu o comando da Secom, nomeando Sidônio Portela, seu comunicador de campanha, para o cargo. Portela assumiu com a missão de melhorar a comunicação do governo, que enfrenta queda de popularidade.
Lima negou que sua saída esteja ligada a esse cenário, mas reforçou: “O governo é muito melhor do que ele consegue demonstrar”.
Os irmãos Emicida e Fióti solicitaram nesta terça-feira (8) a suspensão do processo judicial que tornou pública após o rompimento da sociedade entre eles na Laboratório Fantasma. A informação foi divulgada pelo portal Leo Dias e confirmada pelo site Splash, do UOL.
O pedido tem como objetivo buscar um acordo amigável. Os artistas também solicitaram que o caso volte a tramitar sob segredo de Justiça, alegando que a exposição de informações pode comprometer uma eventual reconciliação.
A crise entre os irmãos veio à tona em 28 de março, quando Emicida anunciou publicamente o fim da parceria. “A partir desta data, Evandro Roque de Oliveira (Fióti) não representa mais os interesses da carreira artística de Leandro Roque de Oliveira (Emicida)”, afirmou na ocasião.
Em seguida, o jornal Extra teve acesso a um processo do Tribunal de Justiça de São Paulo, onde o Emicida acusa Fióti de transferir R$ 6 milhões da Lab Fantasma para uma conta pessoal sem autorização. No entanto, o irmão negou qualquer irregularidade e posteriormente, deu entrevista ao Fantástico mantendo a sua defesa. “Não trabalhei de maneira antiética nenhuma vez na minha vida”, disse.
Na última sexta-feira (4), Emicida também divulgou uma nota oficial reforçando que nunca utilizou os termos “desvio” ou “roubo” em relação ao irmão, como tem mencionado muitos jornais. “Estes nunca foram termos utilizados por Leandro, seja em seus comunicados, seja nas suas manifestações nos autos do processo”, afirma.
Após ser acusada de escolher um lado ao defender Fióti em uma publicação no Instagram, Dona Jacira, mãe dos dois artistas, disse em entrevista exclusiva para o Mundo Negro que não escolheu nenhum lado, mas lamenta as acusações contra o Fióti. “Evandro foi caluniado e vê-lo sofrer nos faz sofrer também e sofremos porque sabemos de sua honestidade. Foi uma pedrada no coração dele”.
Entre diversos depoimentos comoventes no documentário ‘Mulheres Negras Conquistam Hollywood’, lançado recentemente pela Apple TV+, a atriz Gabourey Sidibe, indicado ao Oscar por seu papel no filme ‘Preciosa’ (2009), relembrou o tempo em que trabalhava como operadora de sexo por telefone, e não podia parecer uma mulher negra nem por voz.
“Consegui o papel de ‘Preciosa’ quando tinha 24 anos. Antes disso, eu estava apenas atuando entre o que quer que fosse pelo resto da minha vida. E o resto da minha vida naquele ponto, eu estava trabalhando em um call center como operadora de sexo por telefone. A empresa era composta principalmente por mulheres negras. Você não tem permissão alguma para ser negra no telefone”, relatou a atriz, hoje com 41 anos.
“Há uma linha de garotas negras. Adivinhe — essa raramente era chamada. Então meu nome de garota é Melody. E toda ligação, eu dizia [com uma voz aguda], ‘Olá.’ E ele dizia, ‘Ei, qual é seu nome?’ ‘Oi, eu sou Melody.’ ‘Como vai? Você está bem?’ ‘Sim, estou totalmente bem agora. Hum, acabei de chegar da escola. Estou na faculdade, e é, tipo, meu segundo ano…’ “, deu um breve exemplo no depoimento.
Apesar dos desafios enfrentados, Sidibe não deixou de persistir nos seus sonhos. “Somos treinados para odiar a nós mesmos. E o mundo ao nosso redor também é treinado para reforçar isso. Mas há algo em mim que é como: ‘Eu não me curvo a isso.’ Seja lá o que você não goste em mim, eu farei com mais força, e sorrirei na sua cara. E era isso que eu sentia que ‘Preciosa’ precisava ser”.
Na cerimônia do Oscar de 2010, Sidibe perdeu a estatueta de Melhor Atriz com sua aclamada atuação dramática em ‘Preciosa’, para Sandra Bullock, no filme ‘Um Sonho Possível’. O documentário relembrou este momento da premiação, em que a própria Bullock ao subir ao palco, reconhece e elogia a performance de Sidibe.
Desde o sucesso de ‘Preciosa’, Sidibe atuou nos filmes ‘Antebellum’, ‘Roubo nas Alturas’ e recentemente, protagonizou o novo longa ‘Give Me Back My Daughter’. A atriz também garantiu papéis regulares em séries de sucesso como ‘Empire’ e ‘American Horror Story’.
O documentário ‘Mulheres Negras Conquistam Hollywood’ é o segundo episódio da série ‘Artistas Negros Conquistam Hollywood’, dirigido por Shola Lynch, que também conta com a participação das atrizes Halle Berry, Angela Bassett, Viola Davis, Whoopi Goldberg, entre outras. O primeiro episódio intitulado ‘Homens Negros Conquitam Hollywood’, dirigido por Reginald Hudlin, destaca atores como Denzel Washington, Eddie Murphy, Will Smih e Michael B. Jordan.
No dia 1 de abril, o Instituto Yduqs e o Instituto de Educação Médica (IDOMED) lançaram o curta-metragem “Corpo Preto”, uma produção baseada em relatos reais que expõe o racismo nos serviços de saúde do Brasil. O filme, disponível no YouTube, aborda as microagressões e a negligência enfrentadas por pacientes negros, evidenciando disparidades no atendimento médico que impactam diretamente sua qualidade de vida.
Dirigido por Nany Oliveira, o curta acompanha a jornada de um homem negro, interpretado por César Mello, vítima de negligência médica, usando recursos visuais como desfoque para simbolizar a invisibilidade imposta a esses pacientes. A obra é inspirada em pesquisas do projeto MEDIVERSIDADE, iniciativa do Instituto Yduqs e IDOMED que promove a inclusão de diferentes etnias e realidades sociais na formação médica. Dados do Conselho Federal de Medicina (2023) mostram que apenas 3% dos médicos no país são negros, refletindo uma desigualdade que se estende ao tratamento oferecido a essa população.
Estudos citados no projeto revelam que pacientes negros esperam, em média, 10 minutos a mais para serem atendidos, têm consultas 47% mais curtas em comparação a pacientes brancos e menor acesso a exames de imagem, como raio-X. Além disso, o tempo entre diagnóstico e cirurgia é 6,7 dias maior para negros, o que pode comprometer prognósticos e sobrevida.
O lançamento ocorreu no Cinema Estação do Shopping da Gávea (RJ), seguido de um debate com a médica Amanda Machado, do Núcleo de Inclusão do IDOMED, e mediação de Annelise Passos, da Artplan. A campanha incluirá exibições em cinemas, ativações com influenciadores e palestras sobre letramento racial.
Paralelamente, foi lançado o livro “Nigrum Corpus – Um estudo sobre racismo na medicina brasileira”, com depoimentos reais e análise de vieses na formação médica. A obra será distribuída em faculdades de medicina, visando capacitar futuros profissionais no combate ao racismo institucional.
“‘Corpo Preto’ é um relato emocionante que traz visibilidade a um problema que pessoas negras enfrentam diariamente no Brasil: o tratamento desigual em serviços médicos”, afirma Claudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do grupo educacional Yduqs. “O Mediversidade provoca um debate sobre o papel da educação na construção de uma sociedade mais inclusiva. Estamos transformando a prática médica para formar profissionais preparados para cuidar de todas as vidas.”
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania lançou a publicação “Lugares de Memória Negra e Africana no Brasil”, um mapeamento que identifica e valoriza espaços históricos marcantes para a preservação da cultura negra e da ancestralidade africana no país. Divulgada no dia 4 de abril, uma data simbólica que remete ao assassinato de Martin Luther King Jr., a iniciativa também se alinha com o Dia Internacional em Memória às Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravizados, em 25 de março. O objetivo é promover reconhecimento, reparação e visibilidade para a contribuição negra na construção do Brasil.
A publicação faz parte da nova seção “Memória e Verdade” do Observatório Nacional dos Direitos Humanos, plataforma virtual do MDHC que reúne indicadores e evidências sobre direitos humanos no Brasil. Os dados são baseados no “Inventário dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos Escravizados no Brasil”, publicado em 2013 pela Universidade Federal Fluminense e pela UNESCO.
O levantamento identificou 100 pontos distribuídos por todas as regiões do país. A maior concentração está no Nordeste, com 44 locais, seguido do Sudeste (39), Sul (11), Centro-Oeste (3) e Norte (1). Entre os estados, a Bahia lidera com 23 lugares de memória, seguida do Rio de Janeiro (20) e Pernambuco (10).
Resgate da história
Lugares como comunidades quilombolas, locais de trabalho, de vida cotidiana e de práticas culturais negras, além de terreiros e igrejas fundadas por irmandades de grupos africanos e locais de revoltas, foram inventariados. O mapeamento viabiliza a implementação de políticas públicas nestes espaços, considerando que parte deles não foi patrimonializada até o momento.
Exemplos disso são o lugar onde ocorreu a Revolta de Carrancas, no município de Carrancas (MG), e o Campo da Pólvora, onde foram executados os escravizados envolvidos na Revolta dos Malês, e que hoje é uma praça e uma estação de metrô, na capital baiana, sem nenhuma referência pública àqueles acontecimentos históricos.
Há ainda locais mapeados que são espaços turísticos muito visitados, mas que a maioria das pessoas não sabe que guardam parte da memória negra. São os casos da praia de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, e o Mercado Modelo, em Salvador. No passado, estes foram locais de desembarque legal e ilegal – conforme a legislação da época – por onde pessoas escravizadas e traficadas do continente africano chegavam ao Brasil.
Pontos conhecidos
Entre os espaços listados estão o Largo do Pelourinho, em Salvador, onde africanos escravizados eram castigados, e o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, que já foi o principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, desde 2012, o cais foi revitalizado e aberto à visitação pública.
Outra área em destaque é o Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Símbolo da resistência negra no país, o sítio arqueológico da Serra da Barriga, onde ficava o maior quilombo registrado do país, hoje abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares.
Também estão presentes no mapa locais como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (MG), a Casa da Tia Ciata (RJ), o Engenho Massangana (PE) – antiga propriedade escravocrata onde viveu o abolicionista Joaquim Nabuco, o Sítio Histórico de Alcântara (MA) e o Museu Afro Brasil (SP), que guarda importante acervo sobre a cultura e história da população negra no país.
A coordenadora-geral da Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico do MDHC, Fernanda Thomaz, ressalta que a publicação do ObservaDH é uma forma de valorização da memória negra no Brasil. “Penso que é um momento importante para essa publicação, porque, se a gente pensar o tamanho do apagamento sobre a história, a experiência da população negra desde a escravidão até hoje, é fundamental destacar as contribuições dessa população africana e afrodescendente”, afirma.
Segundo ela, o mapeamento é essencial para o desenvolvimento de outras medidas neste mesmo sentido. “É caminho aberto para que novas ações e atuação no campo da política pública sejam realizadas em torno da população negra e pensando na memória da população negra”, conclui.
Sinalização dos espaços
Por meio de parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o MDHC pode receber consultoria de profissionais da área de arquitetura para a indicação metodológica mais adequada para a sinalização de 100 lugares de memória dos africanos escravizados no Brasil.
Essa etapa faz parte de um projeto mais amplo, conduzido pela Coordenação Geral de Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico, do MDHC, que tem o objetivo de sinalizar esses lugares nas cinco regiões do país com placas, indicando que são locais importantes na história do tráfico de escravizados africanos no Brasil.
O projeto integra uma iniciativa conjunta entre os Ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania; da Igualdade Racial; da Cultura; e da Educação, e pretende sinalizar 100 locais em todo o país. Já foram instaladas placas na Serra da Barriga e no Cais do Valongo. A ação também conta com atividades educativas, como produção de materiais didáticos e realização de oficinas.
Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
Em entrevista arevista Vogue, publicada na segunda-feira (7), a atriz Taís Araújo, que interpreta Raquel no remake de Vale Tudo, relembrou um episódio de racismo vivido por seu filho, João Vicente, de 14 anos, em um condomínio de luxo e discutiu os desafios de educar crianças negras em espaços majoritariamente brancos.
“Minha vida é pedir que João Vicente não saia desarrumado na rua. Estou evitando um trauma”, pontuou. “Recentemente, viajamos de férias, alugamos uma casa num condomínio no Brasil e um segurança o parou. Ele e um amigo, um amigo preto também, os dois de bicicleta. Perguntou se eram moradores. Falei para ele que se fosse um menino branco, de olho azul, seria diferente”, relatou Taís sobre a conversa que teve com o filho.
Taís contou ainda que o filho ainda argumenta: “Ele quer desafiar. Ele fala: ‘Até parece. Roupa não significa nada, não determina se a pessoa é boa ou não’. Ele vem com uns conceitos em que ele está certo. Não deveria significar nada mesmo. Mas falo: ‘Cara, neste país, isso vai te proteger’. Conversas dificílimas. É o desafio de criar crianças pretas no lugar de privilégio”, pontua.
A atriz também falou sobre o desafio de criar uma menina negra: “Quando engravidei e vi que a Maria era menina, fiquei muito feliz. Ao mesmo tempo, insegura. A menina te obriga a rever o passado, a infância, as relações com a sua mãe, com a sua irmã, com o mundo, com as amigas. E aí você vai reconhecendo toda a ordem de racismo, abuso, de coisas ruins e boas que te forjaram”.
“Poder contar uma história como a da Leo, como a da Caridade de No Rancho Fundo, como a Kate Cristina de Vai na Fé, é contar a história de um Brasil que eu vejo, de um Brasil que eu acredito, de um Brasil que tá num processo de mudanças. Eu acredito que arte contribui muito pra essa mudança”. Foi assim que Clara Moneke definiu, em entrevista coletiva nesta terça-feira (8), sua expectativa para “Dona de Mim”, novela das 19h que estreia em 28 de abril na Globo, onde interpreta sua primeira protagonista em telenovelas.
Na trama, a atriz interpreta Leona, uma jovem solar de São Cristóvão que mora com a avó Yara e a irmã Stephany. Após perder a filha durante a gravidez, esconde sua dor atrás de uma vida corrida e cheia de responsabilidades, enquanto tenta recomeçar como babá na mansão da família Boaz: “A Léo, como a Rosane [Svartman, autora] disse lindamente, ela vem de um buraco, de uma fossa mesmo de sofrimento, de trauma, uma depressão que ela passa. E ela reencontra vontade de viver, de conhecer a vida e o mundo por várias perspectivas que não são só românticas. Ela começa a entender o amor próprio de diversas outras formas”.
Moneke destacou o desafio de interpretar uma personagem tão multifacetada, uma mocinha real e cheia de contradições: “Eu adoro que ela é uma mocinha completamente contraditória, e ela erra”, destacou. Ao descrever sua personagem, a atriz também ressalta: “A Leona é essa personagem determinada, alegre, divertida, ela é solar. Ela é totalmente pela família, mas também por ela, pelos interesses dela. Muitas vezes ela coloca responsabilidades sobre ela. É a mulher da atualidade, cercada de culpas, prazeres, desejos, traumas. Ela é muito humana. Eu acho muito bonita a humanidade da Leona”.
“Mulher real”
“É muito bom contar a história dessa mulher real. A realidade tá no mundo, tá nas ruas. As pessoas estão sobrevivendo, né? É bom montar isso dramaturgicamente com humor, trazendo assuntos tão presentes – não só enquanto mulher negra, artista, mas vários outros temas”, completou.
A autora Rosane Svartman reforçou que a novela dialoga com questões sociais, como saúde mental, violência urbana e padrões de beleza, sem abrir mão do lúdico. “Uma novela das 7h tem liberdade para mergulhar em vários gêneros, do suspense à comédia. É como um circo: tem o globo da morte [suspense], os palhaços [humor] e os trapezistas [romance]”, comparou.
Juan Paiva, que interpreta Samuel, filho adotivo de Abel, personagem de Tony Ramos, descreveu seu personagem como “sensato e misterioso”, destacando a relação dele com Leona: “Ela traz leveza para alguém que sempre foi muito sério”. Já Aline Borges, que vive a ambiciosa Caridade, adiantou que sua personagem “virou vilã por exaustão” após anos de desigualdade. “Cansei de ver o rico continuar rico e o pobre, pobre. Agora, ela toma as rédeas da vida – mesmo que de forma não convencional”, explicou.
Com direção de Allan Fiterman, Dona de Mim substitui Volta por Cima.