Home Blog Page 105

EUA justificam erro em visto de Erika Hilton com política binária ‘desde o nascimento’

0

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou, em nota enviada à imprensa na última quarta-feira (15), que a política do país é reconhecer apenas dois sexos — “masculino e feminino” —, considerados “imutáveis desde o nascimento”. A declaração foi emitida após a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) denunciar que teve seu gênero registrado como “masculino” em um visto diplomático, apesar de seus documentos brasileiros a identificarem como mulher.

“De acordo com a Ordem Executiva 14168, é política dos EUA reconhecer dois sexos, masculino e feminino, considerados imutáveis desde o nascimento”, disse a embaixada, sem comentar diretamente o caso da parlamentar. O órgão também afirmou que, por lei americana, os registros de visto são confidenciais.

A resposta dos EUA ocorre após Hilton denunciar que seu novo visto, emitido para uma viagem a eventos acadêmicos em Harvard e no MIT, ignorou sua identidade de gênero. A deputada afirmou que, em 2023, um visto anterior havia sido emitido corretamente com a marcação “feminino”. A deputada, primeira mulher trans eleita para o Congresso, anunciou que acionará o governo americano na ONU e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O PSOL também pressiona o Itamaraty a se manifestar.

Procurado, o Ministério das Relações Exteriores não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

Mascavo é criticada por Gabi de Pretas por tratamento desigual em ação com influenciadoras

0
Foto: Reprodução/Instagram

Gabi de Pretas, conhecida por sua atuação em temas ligados à representatividade negra na indústria da beleza há uma década, usou o seu perfil no X (antigo Twitter) para criticar a abordagem da Mascavo, marca de Mari Saad, lançada em outubro do ano passado. A equipe procurou a influenciadora e youtuber por e-mail para enviar um blush e um iluminador, dois produtos da nova linha de maquiagem, “para ela conhecer um pouco da marca”, alegando que acompanha o trabalho da Gabi nas redes sociais e gostaram muito conteúdo.

A própria Gabi respondeu o e-mail. “Se vocês acompanhassem meu trabalho, acho que perceberiam o quanto essa abordagem não é legal (ainda mais vindo de uma marca como a Mascavo)”, escreveu.

A youtuber lembrou que a empresa enfrentou críticas com o lançamento da primeira coleção com produtos que não contemplavam peles negras retintas. A influenciadora Mirella Qualha foi uma das criadoras de conteúdo negra que se decepcionou ao testar um bronzer que prometia fototipos mais escuros e viralizou no TikTok na época.

“Vocês fizeram um lançamento que excluiu boa parte da população, incluindo pessoas com tonalidade de pele semelhante a minha. Mas isso vocês já sabem. Pediram desculpas e lançaram novos produtos. Agora, receber um e-mail me oferecendo apenas 1 blush e 1 iluminador? Rs”, ironizou.

A comunicadora também questionou os critérios para a entrega dos kits, sem mencionar nomes. “Estou na internet há 10 anos, e esse tipo de mensagem foge ‘e muito’ do padrão de comunicação de qualquer marca grande. Qual é o critério para alguns influenciadoras receberem toda a linha de lançamentos e outros apenas um ou dois itens? Gostaria de entender melhor”.

Após revelar os prints na publicação, Gabi ainda reafirmou o seu posicionamento e a sua relevância no mercado de beleza. “Antes da marca pensar em existir eu já estava na internet falando sobre falta de produtos pra pele negra, minha filha. Tá duro, dorme!”, escreveu.

Em nota, a Mascavo afirmou que está revendo seus “processos para que situações como essa não se repitam”.

Confira a nota da Mascavo na íntegra:

Nós, da marca Mascavo, acompanhamos a trajetória e reconhecemos a relevância da influenciadora Gabi Oliveira, conhecida como GabiDePretas. Lamentamos que o contato com nossa equipe tenha gerado desconforto. Estamos revendo nossos processos para que situações como essa não se repitam.

Recentemente, realizamos o lançamento de novas tonalidades de blushes, contornos e bronzers para atender a diversidade de peles do Brasil. Como marca, estamos nos conectando com grandes referências do mercado e formadores de opinião para conhecerem nossos produtos.

Vale ressaltar que a campanha foi planejada em fases, de forma estruturada e alinhada com o calendário de lançamentos de nossos produtos. Algumas dessas fases são pontuais, focadas em produtos específicos, enquanto outras possuem maior alcance e gama de produtos. Em todas as fases, contemplamos diferentes perfis de influenciadores, respeitando a pluralidade de tons de pele, trajetórias e comunidades representadas.

Reforçamos que todos os detalhes, tanto das ações já realizadas quanto das etapas futuras da campanha, após o ocorrido, foram compartilhados diretamente com a influenciadora GabiDePretas, por meio da CEO da Côrtes e Companhia, Egnalda Côrtes. Com total transparência, nosso canal segue aberto para ouvir, acolher e construir novas possibilidades, de forma respeitosa e colaborativa.

Diretora de ‘Geni e o Zepelim’ abre diálogo com a comunidade trans após críticas: “A gente vai repensar o filme”

0
Fotos: Larry Busacca/ Getty Images e Divulgação

Anna Muylaert, diretora de ‘Geni e o Zepelim’, filme inspirado na clássica canção de Chico Buarque lançada em 1978, se pronunciou nas redes sociais sobre a escolha da atriz Thainá Duarte, uma mulher cis, para viver a personagem Geni. A decisão anunciada na terça-feira (15) gerou forte reação da comunidade LGBTQIAPN+, que levantou o debate sobre “transfake” — quando artistas cis interpretam papéis de pessoas trans.

A canção integra a ‘Ópera do Malandro’, peça de Chico Buarque, na qual é revelado que Geni é uma travesti, cujo nome de batismo é Genivaldo.

Conhecida também por dirigir os filmes ‘Que Horas Ela Volta?’ e ‘A Melhor Mãe do Mundo’, Anna tentou contextualizar a criação do projeto para justificar a decisão e convidou pessoas trans e cis para um debate juntos, no vídeo postado em seu Instagram nesta quarta-feira (16).

“Durante o processo de criação deste filme, a gente entendeu que a letra do Chico e o conto do [autor] Guy de Maupassant, ‘Bola de Seda’, no qual o Chico diz ter se inspirado, poderiam ter várias leituras: poderia ser uma mulher trans; poderia ser uma mãe solteira; poderia ser a Fabiana Silva da Favela do Moinho, uma carroceira; poderia uma presidente tirada do poder sem crime de responsabilidade; poderia ser uma floresta atacada diariamente por oportunistas”, explicou.

A diretora revelou que a escolha por uma personagem cis foi intencional. “A gente por uma questão de lugar de fala, escolheu fazer uma prostituta cis na Amazônia. Uma inspiração, influência de Iracema [o livro], do que acontece no Maranhão que o filme ‘Manas’ retrata. A gente entendeu que essa poesia poderia ter várias interpretações, e que a gente poderia fazer essa versão amazônica cis com a atriz Thainá Duarte”, continuou.

Ela ainda disse que o processo criativo pode não ter ficado claro para o público. “Falaram que a gente estava fazendo transfake, e não era essa a ideia. A ideia era realmente fazer a personagem cis. Mas, diante da reação da comunidade trans, quero vir aqui abrir o debate e jogar a pergunta: essa letra do Chico, essa poesia, hoje em 2025 só pode ser interpretada como a Geni, o mito Geni, só pode ser interpretada como um uma mulher trans?”, perguntou.

Anna também deixou a porta aberta para reflexão, com a possibilidade de rever a abordagem do filme. “Eu quero debater isso, porque se a sociedade, não apenas a comunidade trans, mas também todos os fãs do Chico e do conto do Guy de Maupassant, o ‘Bola de Seda’, se a gente computar que hoje em 2025 só pode interpretar a Geni como trans, a gente vai repensar o nosso filme. Na verdade a história não vai mudar porque os corpos femininos ou trans estão sempre sobre perigo. Queria muito ouvir tanto a comunidade trans como todos os fãs da música do Chico”, finalizou.

Raphael Elias é escolhido para interpretar Djavan no espetáculo musical sobre a vida do cantor

0
Raphael Elias como Djavan (Foto: Andre Wanderley)

O ator Raphael Elias será o protagonista de ‘Djavan, o Musical: Vidas pra Contas’, peça de teatro que homenageia a trajetória do cantor e compositor alagoano. Escolhido entre mais de 250 candidatos, o ator de 30 anos, natural de Divinópolis (MG), surgiu caracterizado como Djavan nas primeiras imagens divulgadas nas redes sociais nesta quarta-feira (16).

Com uma preparação intensiva, o ator tem aulas de violão ministradas por João Castilho, guitarrista da banda original do artista, e treinamento vocal com Jules Vandystadt, além de estudar a postura e o modo de falar do cantor, sob a orientação da coreógrafa Marcia Rubin.

“Acordo e durmo com Djavan”, disse o ator. “Somos muito diferentes. Ele é introspectivo, elegante. Eu sou mais expansivo, de rir alto.”

Raphael Elias como Djavan (Foto: Andre Wanderley)

Elias encara o papel como um marco pessoal e simbólico. “Interpretar essa figura é um ato de reconhecimento e espelhamento. É importante que mais pessoas negras se vejam nesses lugares de protagonismo e sensibilidade”, afirmou.

Idealizado por Gustavo Nunes, o espetáculo tem direção de João Fonseca, direção musical de Fernando Nunes e João Viana (filho de Djavan), texto de Rodrigo França e Patrícia Andrade, e produção de elenco de Ciça Castello. O musical percorre a trajetória de Djavan, explorando um repertório que abrange todas as fases de sua carreira.

A estreia está prevista para 5 de junho no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, e para 9 de agosto no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda.

Advogado anuncia ação contra SPFW por falha em segurança após agressão contra o comunicador Raphael Fonseca

0
Imagens: Reprodução

O comunicador e diretor criativo Raphael Fonseca entrará com uma ação no Ministério Público contra o São Paulo Fashion Week (SPFW) e a médica neurologista Juliana Dias e seu marido após ser agredido e ameaçado pelo casal durante um desfile do estilista Walério Araújo na noite de quinta-feira (10). O advogado de Fonseca, Dr. Hédio Silva Jr., afirmou em entrevista ao Mundo Negro que a médica é “ré confessa” e que as provas do caso são “robustas”.

O advogado deve entrar com uma ação criminal contra o casal. “A agressora responde pelo crime de homofobia, tratado pela lei do racismo, e por vias de fato, porque ela empurra ele, ela o agride fisicamente”, disse. O marido da médica, segundo Silva Jr., responderá por ameaça e também por agressão física: “O conjunto probatório é muito robusto. Vários vídeos foram coletados, inclusive a partir da solidariedade de pessoas que amplificaram os ângulos das imagens”, afirmou o advogado. Ele também destacou que a médica admitiu.

O Dr. Hédio ressaltou ainda que o SPFW também será acionado por omissão. “As imagens demonstram a omissão dos organizadores em assegurar a incolumidade física dele e de quem mais estava ali”, disse. Além da ação indenizatória, o advogado afirmou que pretende “pedir que eles tomem uma série de medidas preventivas e de valorização da diversidade”, considerando que “há uma completa despreocupação dos organizadores com relação a isso”.

O que aconteceu

O episódio ocorreu durante o desfile de Walério Araújo no SPFW, na Sala JK Iguatemi, no shopping Iguatemi, em São Paulo. Fonseca relatou que o casal o hostilizou por estar atrapalhando a visão do desfile: “O desfile estava lotado, tinha gente sentada no chão. Eu fiquei em pé, assim como outras pessoas. Um casal, que estava sentado na última fileira, pediu para duas mulheres brancas se sentarem, e elas aceitaram. Depois, a mulher me disse: ‘Querido, você consegue sentar, por favor, para a gente assistir?’ Eu respondi que não”, contou Fonseca.

A situação escalou quando a mulher tocou seu braço, e o marido teria feito ameaças: “Ele chegou perto do meu ouvido e falou: ‘Você vai sentar agora, senão vai ver o que acontece com você. Quer um escândalo aqui?’”. Em vídeo, é possível ver a médica empurrando Fonseca, que estava encostado em uma pilastra.

Repercussão e silêncio do SPFW

Após o vídeo viralizar, a médica Juliana Dias restringiu seu perfil no Instagram, onde se apresenta como profissional de “atendimento humanizado”. O Hospital Santa Catarina, onde ela atua, emitiu nota dizendo que “não compactua com qualquer tipo de discriminação” e que apura o caso internamente.

O SPFW só se pronunciou dias depois, afirmando que “não é civilizado, tampouco aceitável, empurrar alguém ou insultá-lo publicamente”. A nota também declarou solidariedade a Fonseca, mas, segundo ele, nenhum contato direto foi feito.

“Até agora, não recebi nenhuma mensagem e nenhum suporte”, disse Fonseca ao Mundo Negro. O estilista Walério Araújo e a organização do SPFW não responderam aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.

Instituto que abriga cemitério de africanos escravizados recebe notificação de penhora por dívida de IPTU

0
Foto: Divulgação

“Coincidência ou racismo institucional?”. A diretora do Instituto Pretos Novos (IPN), Merced Guimarães, foi surpreendida na manhã desta quarta-feira (16) com a chegada de uma oficial de justiça que entregou dois mandados de penhora relativos ao imóvel onde funciona a sede da entidade, localizada nas imediações do Cais do Valongo, no Rio de Janeiro — sítio arqueológico reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Segundo Merced, a notificação refere-se a parcelas em atraso do IPTU dos anos de 2019 e 2020, este último marcado pelo impacto da pandemia da Covid-19. “Compramos esse imóvel com muito custo, ele estava repleto de dívidas. Fomos pagando aos poucos, em parcelas. O IPN é uma organização sem fins lucrativos, que atua com enorme esforço para manter viva a história apagada da população negra no Brasil, mesmo enfrentando grandes desafios financeiros”, afirmou em entrevista ao Blog do Ancelmo Gois no jornal O Globo.

Além da ameaça de penhora, o Instituto relata dificuldades para exercer suas atividades educativas. Em 2024, segundo Merced, um fiscal da Prefeitura do Rio alegou que o alvará vigente não permite a realização de aulas presenciais no local, por conta da classificação de zoneamento urbano. O IPN chegou a ser multado por ofertar atividades pedagógicas em sua sede.

“O IPN está impedido de oferecer aulas presenciais — atividade que integra sua missão educativa e comunitária — mesmo tendo alvará. Recentemente, o Instituto foi multado por exercer atividades educativas em um espaço que o poder público não reconhece oficialmente como voltado à educação, apesar de ser um local de formação histórica e cultural”, disse a diretora.

Nas redes sociais, Merced questionou as motivações das ações recentes. “Hoje fomos surpreendidos por uma oficial de justiça com dois mandados de penhora nos imóveis onde funciona o IPN. Ano passado, um fiscal quis multar e interditar o Pretos Novos por darmos aula, mesmo tendo alvará. Coincidência? Ou racismo institucional?”, escreveu.

O imóvel onde hoje funciona o IPN abrigava, até ser descoberto em 1996, o Cemitério dos Pretos Novos — local de descarte de corpos de africanos escravizados que morriam ao desembarcar no porto do Rio de Janeiro. A descoberta foi feita durante uma reforma no casarão do século XVIII, na Rua Pedro Ernesto, quando ossos humanos e fragmentos de materiais como cerâmica, ferro e vidro foram encontrados.

Atualmente, o espaço funciona como centro cultural voltado à preservação da memória, da resistência e da identidade do povo negro no país.

Vídeo da PM com cruz em chamas e gestos semelhantes aos da KKK gera investigação e críticas

0
Foto: Reprodução

A Polícia Militar de São Paulo abriu investigação sobre um vídeo publicado pelo 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de São José do Rio Preto (interior de SP) em que agentes aparecem fazendo gestos semelhantes aos de grupos supremacistas, como a Ku Klux Klan, diante de uma cruz em chamas. O material, divulgado no Instagram da unidade na terça-feira (15/4), foi removido após críticas.

Nas imagens, ao menos 14 PMs erguem os braços à altura dos ombros — movimento associado a rituais nazistas e da KKK — enquanto uma cruz queima ao fundo, com sinalizadores vermelhos e a sigla “Baep” destacada. A trilha sonora e o tom do vídeo remetem a produções de grupos extremistas.

Em nota, a PM afirmou que o vídeo foi gravado durante o encerramento de um treinamento noturno e tinha como objetivo “representar simbolicamente a superação de limites físicos e psicológicos”. A corporação negou qualquer intenção de associar o conteúdo a ideologias racistas ou políticas falando sobre “a possibilidade de interpretações distorcidas” e afirmou que as circunstâncias estão sendo apuradas. O Ministério Público de São Paulo foi acionado e o caso foi encaminhado a um promotor de Justiça Criminal. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) emitiu comunicado reforçando que a PM “repudia toda manifestação de intolerância” e que responsáveis por eventuais desvios serão punidos.

A deputada federal Erika Hilton entrou com um ofício para “exigir explicações da corregedoria da PM, do Governador Tarcísio de Freitas e do Secretario de Segurança Pública Guilherme Derrite”.

Histórico da KKK

A Ku Klux Klan, fundada nos EUA em 1865, promoveu ataques violentos contra negros, judeus e defensores de direitos civis. A cruz em chamas, presente no vídeo do Baep, é um de seus símbolos históricos.

Erika Hilton vai denunciar Trump na ONU após receber visto dos EUA com gênero masculino

0

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) denunciou nesta quarta-feira (15) que o visto concedido pelos Estados Unidos a ela a identifica com o gênero masculino, contrariando seus documentos civis brasileiros, que a reconhecem como mulher. A parlamentar afirmou que acionará o país na ONU (Organizações das Nações Unidas) e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por considerar o caso um ato de transfobia e um desrespeito à sua identidade.

O visto anterior, emitido pelos EUA em 2023, registrava corretamente seu gênero como feminino. Hilton declarou que apresentou certidão de nascimento e passaporte diplomático com a identificação adequada durante o processo. “Não se trata apenas de um caso de transfobia. É um documento sendo rasgado sem pudor. Vou acionar judicialmente o presidente [Donald] Trump na ONU e na CIDH. Queremos que o Itamaraty chame o embaixador [dos EUA] para explicações”, disse a deputada em entrevista à Folha de S. Paulo.

Ela ainda criticou o presidente americano, chamando-o de “homem doente que se sente dono da verdade”. A Embaixada dos EUA no Brasil ainda não se manifestou sobre o ocorrido. Hilton cancelou uma viagem aos Estados Unidos, onde participaria no sábado (12) de um painel na Brazil Conference, evento organizado pela comunidade brasileira das universidades Harvard e MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). A deputada alegou medo de sofrer constrangimentos no aeroporto devido à divergência entre o gênero no visto e em seus documentos. “Senti medo, para ser sincera. Não aceitei me submeter a essa violência. Perdi uma atividade importante, mas não mereço esse desrespeito”, afirmou. O PSOL anunciou que levará o caso a instâncias internacionais, pressionando também o governo brasileiro a se posicionar. A deputada é a primeira mulher trans eleita para o Congresso Nacional e tem sido vocal sobre pautas de gênero e direitos humanos.

Câmara aprova aumento de pena para injúria racial contra mulheres e idosos; texto segue para o Senado

0

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (15) um projeto de lei que aumenta a pena para o crime de injúria racial quando cometido contra mulheres e idosos. O texto, que segue agora para análise do Senado, modifica a Lei 7.716/89, que define os crimes de preconceito de raça e cor. 

De autoria da deputada Silvye Alves (União-GO), o PL 5701/23 recebeu parecer favorável da relatora Daiana Santos (PCdoB-RS). Pela proposta, a pena base para injúria racial — atualmente de 2 a 5 anos de reclusão e multa — será elevada em 1/3 a 2/3 se a vítima for mulher ou pessoa idosa. 

A injúria racial, tipificada como crime desde a Lei 14.532/23, ocorre quando alguém ofende a dignidade de outra pessoa com base em sua raça, cor, etnia ou origem nacional. Atualmente, o único agravante previsto na legislação é quando o crime é cometido por duas ou mais pessoas, caso em que a pena aumenta em metade. 

A autora do projeto, deputada Silvye Alves, destacou que mulheres e idosos são os principais alvos de injúria racial no país. “Esses grupos sofrem com insultos preconceituosos de forma recorrente, e a legislação precisa refletir a gravidade desses atos”, afirmou. 

A relatora Daiana Santos citou um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Faculdade Baiana de Direito e o Jusbrasil, que aponta mulheres como maioria das vítimas desse tipo de crime. “A proposta busca dar a devida proporção à severidade dessas condutas”, disse. 

Debate no Plenário

O tema gerou discussão entre os parlamentares. O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) afirmou que o racismo estrutural se intensifica quando associado a outros preconceitos. “Muitas vezes, o racismo e a injúria racial são ainda mais graves quando atingem mulheres e idosos”, declarou. 

Já o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) defendeu que leis mais rígidas podem inibir a prática. “Com penas duras, as pessoas pensarão duas vezes antes de cometer esse crime bárbaro, que ainda persiste no século 21”, argumentou. 

Em contraponto, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) criticou a diferenciação de penas. “A injúria racial deveria ter a mesma punição, independentemente de gênero ou idade da vítima”, disse. 

O projeto segue agora para votação no Senado. Se aprovado sem modificações, será enviado para sanção presidencial. 

Com informações da Agência Senado

Marco Temporal: a Supremacia Racial é a premissa de tudo

0
Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Texto: Tainara Ferreira

O Brasil está vivendo um momento histórico. Após mais de 500 anos da invasão portuguesa não conseguimos fazer a reparação em prol dos povos tradicionais. Continuamos a viver sob regramentos e entendimentos de uma colônia.

A PL 14.701/2023 mais conhecida como Marco Temporal vem para reafirmar isso. A proposta define que os povos originários só têm direito aos territórios que ocupavam (ou pelos quais lutavam) na data em que foi promulgada a Constituição Federal, em outubro de 1988. 

Ora, o que dizem os parlamentares sobre a invasão portuguesa em 1500 e todo processo colonizatório que desumanizou e nunca concedeu direitos civis aos povos originários que continuam sendo vítimas de genocídio. 

Mas, o que o racismo estrutural tem a ver com isso tudo? Ele simplesmente é a base de todo esse processo histórico.

Costumamos referenciá-lo para denominar a escravidão no Brasil e toda tortura sofrida pelos africanos vindos pelos navios negreiros e postos em condição de escravos. Mas, até pelo próprio epistemicídio, pouco discutimos sobre o mesmo processo que recaiu sob os povos indígenas que foram reduzidos pela metade e continuam a ser dizimados.

O distanciamento e segregação desses processos pelas ditas “minorias” contribuem para a desunião de populações que têm a natureza como cerne de suas culturas.

Acredito que o Marco Temporal e a discussão da demarcação de terras indígenas seja a oportunidade de unir quilombolas, religiões de matriz africana e demais povos tradicionais na emancipação de suas sobrevivências, que garantem por consequência a sobrevivência de todos os brasileiros.

O mesmo sangre negro que corre nas nossas veias é o indígena, ambos precisamos parar se sangrar e estancar essa ferida aberta na estrutural social racista e supremacista que o Brasil ainda vive.

error: Content is protected !!