Gabi de Oliveira estreia no canal IN com o desafio de trazer representatividade divertida para adolescentes

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A coordenadora de conteúdo do canal IN Gabi de Oliveira - Foto: Reprodução Youtube

O canal IN, antigo canal dos irmãos Felipe e Luccas Neto, está de volta e totalmente reformulado. Ele é um dos principais produtos infanto-juvenis no Youtube, com 1,5 milhões de inscritos e é gerenciado pela Play 9, empresa de Felipe Neto e João Pedro Paes Leme.

A criadora de conteúdo Gabi de Oliveira, do canal Gabi de Pretas é um dos nomes estratégicos da reformulação do canal. Formada em Comunicação Social, ela além de fazer parte do casting , coordena a produção de conteúdo da programação do Canal IN.

A associação do nome da Gabi com Felipe Neto gerou muito rebuliço nas redes sociais, mas ela nunca tinha conversando com o empresário antes de uma participação dele no canal dela, em junho, por conta das conversas sobre questões raciais que dominaram as redes sociais depois do assassinato de George Floyd .

Para a produtora de conteúdo, a liberdade para direcionar as pautas de acordo com que ela acha coerente, foi fundamental para aceitar esse trabalho.

“Porque essa é uma política que eu levo no meu canal, eu falo mais não do que sim para muitas coisas. Então se eu não tiver, a liberdade de falar não, de apontar que aquilo não é coerente, para mim não vale a pena. Eu não vou associar a minha marca a um produto que eu não posso confiar”, explica Gabi.

Conversamos com ela sobre essa nova fase profissional, os desafios, como surgiu esse convite, sem esquecer da polêmica de quando sua contratação foi anunciada.

Mundo Negro Você tem um cargo importante e de decisão dentro do canal IN que é coordenar o conteúdo, o coração de projetos desse tipo. Explica mais sobre essa função e até onde vai a sua independência nas tomadas de decisão sobre conteúdo

Gabi de Oliveira – É um cargo importante onde eu necessito de muita responsabilidade e atenção porque o nosso lema hoje no canal IN é produzir conteúdos responsáveis. O canal continua na mesma pegada voltado para o público pré-adolescente e adolescente, então ele vai continuar com a mesma pegada de ter brincadeiras , tags , fazer conteúdos que estão em alta , mas de forma responsável, sempre. Então apesar da gente estar pensando em quadros novos, e já gravamos quadros novos, com novos criadores e narrativas que representam a complexidade do que é o Brasil , a gente quer manter esse lugar de um canal divertido. A gente está apostando também em experimentos s sociais , dinâmicas divertidas e tudo pensando que a gente quer iniciar uma conversa com esse público, a gente quer plantar uma sementinha na cabeça dessas crianças e adolescentes para que elas reflitam sobre outras vivencias e outras realidades e para que a partir dessa conversa elas se atentem que é necessário respeito a vivencia do outro, da outra etnia e cultura.

Os criadores de conteúdo negros falarão somente sobre questões raciais , como essas pautas são definidas?

Definitivamente os criadores negros não estarão lá para falar sobre questões raciais somente. Em um vídeo ou outro essa temática será abordada. Alguns dos quadros que a gente está gravando falam por exemplo, sobre infância, a diferença entra a infância dos integrantes do canal, então obviamente se você é um criador negro, lgbtq+, você vai trazer experiências relacionadas ao racismo e homofobia, mas não necessariamente as pessoas estarão ali para falar [somente ] sobre as pautas racial, trans, indígenas ou Pcd’s. Os convidados muitas vezes estarão presentes para gente conhecer melhor a cultura delas e deles.

Gabi de Oliveira, Kamille Ramos [sozinha à direita] trazem mais diversidade ao canal IN. Foto- Reprodução Youtube

Você também aparece no canal IN. Sobre o que serão os seus vídeos?
Por enquanto eu vou aparecer em um quadro chamado “Como é que é” que é voltado para conhecer novas experiências , culturas, novas vivências que será sempre com convidados e convidadas. Eu participo com outros criadores do canal, mas eu fico mais na coordenação de conteúdo do que como criadora na frente das câmeras. Minha função está muito mais em pensar estratégias de conteúdo e pensar em novos criadores, participantes, em quem convidar e como pautar determinados assuntos.

Você já tem uma grande experiência como produtora de conteúdo. Sentiu que tinha que estudar ou se especializar em algo diferente depois do convite para o canal IN? Onde você busca referências para ter aquele olho que coordenadores de conteúdo tem que ter?
Sim, senti que tive que me especializar porque é um público totalmente novo então eu passei algumas semanas imersa em pesquisas , em conteúdos que atraiam esse público nessa faixa etária que é totalmente diferente da faixa etária que eu trabalho há 5 anos com meu canal e outras redes sociais. É muito diferente pensar em conteúdos para essa faixa etária, então precisei pesquisar bastante para achar um meio termo onde você ache uma narrativa positiva , tragas novas experiências para esse público, consiga iniciar conversas com impacto social, mas ainda assim mantendo a características atrativas para esse público.

Há sempre um dilema sobre ocupar espaços e criar os nossos próprios. Para você existe uma coisa melhor do que a outra?

Eu acho essa contradição interessante, principalmente durante a contratação da Play 9. No começo saiu que eu tinha sido contratada pelo Felipe Neto, quando na verdade quem me chamou foi João Pedro Paes Leme, que é sócio do Felipe na Play 9. Não sei se as pessoas percebem, mas eu trabalho no Youtube e Instagram que não são redes lideradas por pessoas negras. Então não tenho o discurso que eu estou lá hackeando, que estou lá para ocupar, ou que estou militando através desse aceite. Eu estou lá para para trabalhar e fazer o melhor trabalho possível para que os conteúdos e a missão que a gente pensou para o Canal IN sejam executadas da melhor forma possível. O canal tem valores que ele quer propagar. É sim um canal progressista , a gente quer representar a população brasileira. As pessoas perguntas se será um canal negro. Não, será um canal que vai representar o Brasil. A gente quer ao máximo encontrar criadores que sejam bem diversos, não só negros, mas que representem outras minorias. A luta não termina na gente.

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