Falar sobre família preta é falar sobre poder

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Foto: Reprodução/Internet

Por Jonathan Raymundo – Professor de História e Filosofia, palestrante, escritor e produtor cultural

É preciso relembrar que família é o núcleo duro, o átomo de qualquer povo/civilização e é por isso que a família africana foi o primeiro alvo da dominação física/espiritual/simbólica do projeto colonial. Por isso, é ainda a desestruturação da família preta um dos pilares da manutenção da nossa condição subalterna.

Quando falamos em Família Preta falando de Poder e de Restauração comunitária. Estamos falando de sobrevivência e permanência, estamos falando do único caminho no qual o nosso povo resgatará a sua dignidade global. É sobre isso e não sobre uma espécie de controle vulgar e mesquinho.

Lembra quando a família era organizada por contrato? Por decisões dos chefes de famílias? Por acordos de sobrevivência de oligarquias? Tudo isso tem a ver com Poder.

Família tem a ver com poder e por mais que você ache que escolhe a sua livremente, você precisa tomar consciência que os que exercem o poder não brincaram com coisa tão séria. Natalidade e sobrevivência são coisas sérias.

Manutenção de patrimônio é coisa séria. Manutenção de valores culturais e espirituais é coisa séria.

Lembro quando criança era ensinado na igreja sobre o perigo de me relacionar com ímpios. É coisa séria, saca?!? Pena muita gente cair no conto liberal de que a família é uma escolha meramente individual, quando a tv brasileira de forma escandalosa continua a apresentar ou famílias brancas ou interraciais.

Comunicando direto ao subconsciente de nossas crianças o compromisso eugenista de clarear as famílias. É sobre poder. O romantismo infantil e essa alienação liberal continuará fazendo com que a frase da ancestral Harriet Tubman faça sentido:

“Liberei mil escravos, poderia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos”. Família é sobre poder. Você quer poder ou não?!?

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