“Não se acha mais empregada doméstica, estão tudo fazendo faculdade.” Foi com essa frase dita por uma vizinha, em 2018, em Sacopã, que a atriz e escritora Elisa Lucinda teve seu primeiro contato com um texto , tipicamente proferido por um perfil brasileiro, que deixava cair por terra “a máscara da democracia racial”.

Em uma postagem em sua conta no Instagram, Elisa repercutiu as recentes falas do Ministro da Economia Paulo Guedes massivamente criticado ao dizer que empregada domésticas estavam viajando demais para o exterior por conta do preço do dólar.

“A democracia racial é um engano, um engodo que educou a minha geração, mas a gente foi estudando e descobrindo que o jogo era outro”, explica a atriz que adiciona que o racismo “é uma porta fechada na nossa cara em todos os lugares legais”.

A supremacia branca, de acordo com ela, reserva os lugares privilegiados só para si. “Vou dividir isso aqui só entre os meus branquinhos e tem uma fúria, um desprezo imenso pelo trabalhador. A nossa burguesia é nojenta, é feita na casa grande”.

Eliza diz que Guedes ao menos foi sincero, deixando explícito a maneira como pensa a elite, que já não estava satisfeita com o aumento de grupos menos favorecidos em Universidades desde os programas dos governos de Lula e Dilma. “É só quem pode ir para Disney se quiser é filho de rico e filho de branco. Quem é ela (empregada doméstica) para sonhar isso. ”

“Todos nós temos direitos a todos os bens da sociedade, isso é sociedade igualitária, funcionava assim nos Quilombos e aldeias. Eu não quero um mundo dominado por negros, eu quero um mundo compartilhado” enfatizou a poetisa.

Crédito da foto: 📷 @callanga

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